29 novembro 2019

Novembro

Posts mais partilhados no mês de Novembro:

1. Burning in hell
2. mais de 20 mil horas
3. aférese de progenitores hematopoiéticos para transplante
4. The Blue Bag (V)
5. The Blue Bag (I)
6. Arco da velha
7. vendedor de coco
8. ofendido e deprimido
9. criminosos endinheirados
10. um esquema ilícito

The Throw Brothers (IX)

(Continuação daqui)

Capítulo 38. Braço de Prata. Uma semana depois, os irmãos Throw estão de novo a caminho do Norte partindo desta vez secretamente de Braço de Prata numa furgoneta branca. Missão: sempre a mesma, defender o irmão Peter da armada espanhola da Cuatrecasas na IV Batalha de Matosinhos marcada para o próximo dia 4 de Abril (cf. aqui). Minutos depois atropelariam um espião da Cuatrecasas ao descerem a Calçada de Carriche antes de entrarem na A8 (cf. aqui).

Capítulo 39. Aos Papéis. Com  o comando da armada espanhola da Cuatrecasas retido em Barcelona a defender a máfia russa num julgamento, a chefia da próxima batalha em Matosinhos foi deixada ao Papá Encarnação. Ei-lo aqui, aos papéis, ajudado pelo filho, procurando organizar o ataque (cf. aqui). Por este trabalho, o Papá Encarnação facturou 18 437 horas de assessoria militar ao Governo de Espanha.

Capítulo 40. A-da-Gorda. Na sua viagem para o Norte, os irmãos Throw param para almoçar em A-da-Gorda e bloqueiam um carro transportando uma força especial da Cuatrecasas que os seguia (cf. aqui). À mesma hora no Porto, o sargento Avides, comandante local da armada da Cuatrecasas, tinha uma ataque de pânico em antecipação da próxima batalha contra os Throw (cf. aqui), enquanto o Encarnaçãozinho punha a sua melhor gravata na expectativa do embate (cf. aqui).

Capítulo 41: Batalha. Sem saber que estão agora a ser seguidos pelo próprio espião-chefe da armada, Paulo Mota Pinto, os irmãos Throw, depois de pararem para lanchar nas Caldas da Rainha, tomam a decisão misteriosa de abandonar a autoestrada A8, e seguir pela Nacional número 1 para o Porto, via Batalha, onde pernoitaram para prestar homenagem aos restos mortais de D. João II (cf. aqui).

Capítulo 42: Aljubarrota. No dia seguinte, numa pequena vila próxima da Batalha, enfeixando a sua carrinha branca contra um tanque espanhol, os irmãos Throw, só de uma vez, mataram 15 membros da armada da Cuatrecasas. Uma padeira que estava por perto também ajudou, matando mais 55 (cf. aqui). Depois, fizeram-se outra vez à estrada e foram comemorar a vitória à Mealhada com uma almoçarada no Pedro dos Leitões (cf. aqui).


(Continua)

28 novembro 2019

The Throw Brothers (VIII)

(Continuação daqui)


Capítulo 32. Botão Vermelho. Os irmãos Throw estavam demasiado ocupados nesse dia para comparecerem a cerimónias de condecoração. O mais velho do Throws, aos comandos do F-16, estava na vertical de Lisboa, a 11 mil metros de altitude, a espiar os movimentos da armada espanhola e a escutar as comunicações vindas do aeroporto da Portela.  O mais novo dos Throws manobrava o USS Vincennes ao largo da Figueira da Foz. Até que o Throw mais velho reportou uma comunicação suspeita vinda do aeroporto. A torre de controlo dava autorização de descolagem a um avião da Iran Air com rota para norte. Ora, quando se falava em Iran Air todo o USS Vincennes abanava. Além disso, a Iran Air não voava a partir de Lisboa. Enquanto, observava o movimento do avião no radar, o Throw marinheiro, desconfiado, apoiou o dedo no botão vermelho (cf. aqui).

Capítulo 33: Iran Air. Os momentos que se seguiram foram momentos de grande tensão, com os irmãos Throw, um do ar o outro do mar, a procurarem identificar o alegado voo da Iran Air que, momentos antes, partira do aeroporto da Portela e seguia agora para norte ao longo da costa. O USS Vincennes já tinha no seu activo o abate, por engano, de um verdadeiro voo da Iran Air (cf. aqui). Os Throw não queriam repetir o erro. As últimas tentativas de contacto foram desesperantes, mas não obtiveram resposta. Após um silêncio de trinta segundos, sem resposta do avião, o Throw marinheiro, aos comandos do USS Vincennes, decidiu premir o botão, fosse o que Deus quisesse (cf. aqui).

Capítulo 34: Missão Especial. Quando as notícias saíram, o mundo não podia acreditar: "Avião de guerra espanhol disfarçado de voo comercial da Iran Air abatido por míssil disparado do cruzador americano USS Vincennes ao largo da Figueira da Foz". Todas as 290 pessoas a bordo eram dadas como mortas.  Faziam parte de uma missão especial da armada espanhola da Cuatrecasas com destino ao Porto para matar Peter Throw  (cf. aqui). No dia seguinte, o mais velho dos Throws fazia anos e o irmão Peter enviou-lhe um telegrama de parabéns pelo trabalho bem feito (cf. aqui).

Capítulo 35: Campo de Batalha. Na véspera do dia aprazado para a batalha, o Throw mais velho, logo pela manhã, aterrava o seu F-16 no aeroporto Francisco Sá Carneiro. Poucas horas depois, o Throw mais novo ancorava o USS Vincennes ao largo de Matosinhos. Ao fim da tarde, os sobreviventes da armada espanhola da Cuatrecasas chegavam com grande custo ao campo de batalha (cf. aqui).

Capítulo 36: 14 de Março. No dia seguinte, 14 de Março, a advogada de Peter Throw aplicou um upper cut a um dos membros da  armada, chamado João Oliveira, que o deixou prostrado (cf. aqui). Enquanto o Papá Encarnação mudava a fralda ao filho (cf. aqui), o juiz declarou então a batalha ganha pelos Throws e decidiu marcar nova batalha para daí a três semanas. Peter Throw deu os parabéns aos seu irmão mais novo, que nesse dia fazia anos, pelo seu trabalho extraordinário aos comandos do USS Vincennes (cf. aqui).

Capítulo 37: Vitoriosos. Depois de se despedirem do irmão Peter, os irmãos Throw regressam vitoriosos a Lisboa, prometendo voltar para a IV Batalha de Matosinhos agendada para 4 de Abril (cf. aqui). Do lado do inimigo, o Papá e o Filho Encarnação estava feitos num oito depois da humilhante derrota. Peter Throw aproveitou os dias de descanso para surfar as ondas da praia de Matosinhos (cf. aqui). Dias depois, estava em Lagos, no Algarve, a passar férias com o seu burro Castro (cf. aqui).

(Continua)

27 novembro 2019

The Throw Brothers (VII)

(Continuação daqui)

Capítulo 29: USS Vincennes. Seguindo escrupulosamente o "Manual Mortágua de Instruções", os irmãos Throw, com o mais velho aos comandos do F-16, preparam-se para sequestrar o cruzador norte-americano USS Vincennes ao largo de S. Pedro de Moel (cf. aqui). Horas depois, podia ver-se o mais jovem dos Throws aos comandos do seu novo barco, 12 milhas a oeste de Pataias (cf. aqui).

Capítulo 30: Heróis nacionais. Quando as notícias começaram a correr, a deputada Joana Mortágua pediu uma sessão extraordinária do Parlamento para declarar os irmãos Throw (excepto Peter) heróis nacionais. Tinham batido o record do seu próprio pai, sequestrando um avião e um navio em menos de 24 horas, ao passo que o pai tinha conseguido o mesmo duplo-feito mas num espaço de 12 anos (cf. aqui).

Capítulo 31: Alta Traição. Ao ouvir as notícias,  o presidente português, que estava a jantar com Don Emílio Cuatrecasas em Belém, assinou logo um decreto para condecorar os irmãos Throw (excepto Peter) com a Ordem do Infante D. Henrique. E deu ordens aos seus assessores para convocarem para a cerimónia todos os jornalistas e todas as câmaras de televisão existentes no mundo. Don Emílio aproveitou para desabafar com o presidente  acerca das suas recentes agruras com o fisco espanhol pelas quais tinha sido condenado a dois anos de prisão. Foi a sua ex-mulher, Mercedes Cuatrecasas, que o denunciou ao fisco quando soube que ele tinha um affair com uma advogada da base da Cuatrecasas em Madrid. Para uma barcelonesa como Mercedes, este foi um crime de alta traição, saber do envolvimento do marido com uma madrilena ("Aún se fuera con una gallega…", terá ela comentado na altura) (cf. aqui).

(Continua)

The Throw Brothers (VI)

(Continuação daqui)

Capítulo 24: Forças ultra-capitalistas. Apesar de ser um marinheiro experiente, o mais novo dos Throws passou muito mal a noite com pesadelos sobre as ondas que teria de vencer na manhã seguinte à passagem pela Nazaré (cf. aqui). Nessa mesma manhã, no Parlamento, uma das manas Mortágua fazia um impressionante discurso denunciando Peter Throw como estando apoiado por forças ultra-capitalistas e ultra-reacionárias no seu combate contra a armada espanhola da Cuatrecasas (cf. aqui).

Capítulo 25: Monte Real. Ao final da manhã, os irmãos Throw aportavam em São Martinho do Porto para almoçar. Da parte da tarde, fizeram uma misteriosa viagem de autocarro à vila de Monte Real no distrito de Leiria (cf. aqui). À mesma hora, a armada espanhola da Cuatrecasas também fazia um intervalo para descanso na Praia da Rocha em Portimão, Algarve (cf. aqui).

Capítulo 26: Espião-chefe. A meio da tarde, o ex-espião-chefe, Professor Paulo Mota Pinto, ele próprio um destacado membro da armada da Cuatrecasas (cf. aqui), devidamente disfarçado, interrogava-se sobre o que é que os irmãos Throw andariam a fazer àquela hora junto à Base Aérea de Monte Real (cf. aqui).

Capítulo 27: Ondas Gigantes. Uma hora depois, os irmãos Throw passavam finalmente sobre as ondas gigantes da Nazaré com toda a segurança. Voavam a dez mil metros de altitude num F-16 que tinham acabado de sequestrar na Base Aérea de Monte Real, o Throw mais velho aos comandos (cf. aqui). Minutos depois saía a notícia que para defender o jogador Lionel Messi num esquema fiscal, a armada da Cuatrecasas cobrara da sua fundação, que não tinha nada que ver com o assunto,  meio milhão de euros que eram destinados a crianças (cf. aqui).

Capítulo 28: Lisboa. No dia seguinte, a meio da tarde, a armada espanhola da Cuatrecasas chegou a Lisboa, tendo sido recebida com honras militares pelo presidente português. No seu discurso de boas-vindas, o presidente jurou vassalagem a Don Emílio Cuatrecasas, que entretanto se tinha juntado à armada, e enfatizou que ele e os seus súbditos espanhóis se podiam servir à vontade: "Assim como assim isto já foi vosso e, enquanto eu for presidente, voltará a ser outra vez", concluiu sorridente (cf. aqui).


(Continua)

Dra. Raquel Desterro

Chama-se Raquel Desterro e tem um título pomposo - Procuradora Geral Distrital do Porto. É a chefe do Ministério Público no Norte do país (cf. aqui) e a chefe imediata do famoso magistrado X.

Eu tenho descrito o Ministério Público diversamente como O Diabo à Solta, a Inquisição dos tempos modernos, a PIDE da democracia ou uma associação de malfeitores.

Nos últimos dias a Dra. Raquel Desterro tem estado no centro das notícias porque assinou um despacho que me vem dar razão.


O teor do despacho é o seguinte (cf. aqui ou aqui):

O Ministério Público é o acusador oficial no sistema criminal do nosso país. Ele representa o Estado enquanto acusador.

Quando um magistrado do Ministério Público vai a julgamento acusar uma pessoa, pode dar-se o caso - porque o Ministério Público acusa falsamente com uma frequência extraordinária - de ele se dar conta de que o réu, afinal, está inocente.

Pois bem, é neste momento que entra a novidade do despacho da Dra. Raquel Desterro.

Mesmo neste caso, mesmo quando, durante o julgamento, o magistrado do MP conclui que o réu está inocente, ele é obrigado a pedir ao juiz a sua condenação.

Convém repetir para o caso de não se ter compreendido. Os magistrados do Ministério Público do Norte, chefiados pela Dra. Raquel Desterro, mesmo quando se convençam em julgamento que o réu está inocente, são obrigados a pedir ao juiz a sua condenação.

A monstruosidade é  de tal modo diabólica que logo se inquire qual a razão que a suporta. Nas palavras da Dra. Raquel Desterro é para "conferir unidade à actuação do Ministério Público...".

Pergunta-se:

-E a Justiça?

Ora... a Dra. Raquel Desterro quer lá saber disso para alguma coisa...

Ocorre-me um desejo. Que a Dra. Raquel Desterro seja um dia o alvo de uma acusação falsa por um crime grave que ela não cometeu, como o Ministério Público do Porto, que ela chefia, faz tão frequentemente a tantos cidadãos inocentes. Que o caso vá a julgamento e que o magistrado do MP que a acusa, embora convencido que ela está inocente, peça ao juiz a sua condenação. E que o juiz vá na conversa e lhe dê dez anos de prisão. Nesse dia é que ela vai ver como essa preocupação burocrática da "unidade de actuação do Ministério Público" é uma coisa importante.

A conclusão que daqui se tira é inelutável. O Ministério Público do Norte, pela voz da sua chefe, a Dra. Raquel Desterro, quer pôr na cadeia mesmo os cidadãos inocentes.

É uma conclusão que não me surpreende. Eu já tinha chegado a ela neste blogue mesmo sem a ajuda da  Dra. Raquel Desterro. O que não me tinha ocorrido é que, no Ministério Público, para além de diabos à solta, também existiam diabas à solta, e que uma delas até era a chefe.

26 novembro 2019

a cobrar portagens

A Cuatrecasas vai vender a sua sede no Marquês de Pombal em Lisboa (cf. aqui), a qual deu o nome à famosa Operação Marquês (cf. aqui).

Desde que o PSD saiu do poder e foi para lá o PS que as coisas ficaram mais difíceis para a Cuatrecasas, que já não pode andar por aí a cobrar portagens com tanta facilidade (cf. aqui) e a manipular a justiça (cf. aqui).

Em Espanha a coisa não está melhor, desde que o PP saiu do poder e foi para lá o PSOE.

The Throw Brothers (V)

(Continuação daqui)

Capítulo 19: Ondas da Nazaré. A oito dias da data aprazada para o embate em Matosinhos, a armada espanhola da Cuatrecasas continuava a avançar e passava o estreito de Gibraltar a caminho da costa portuguesa (cf. aqui). Os irmãos Throw, esses, depois do incidente de Alcabideche, encontravam um segundo contratempo que os mantinha bloqueados em Peniche: as ondas gigantes da Nazaré impediam-nos de navegar para norte (cf. aqui).

Capítulo 20: Destruição. Nessa manhã, as notícias que passavam em directo nas televisões eram devastadoras. Um míssil intercontinental disparado pela armada espanhola ao sul de Gibraltar tinha atingido o Bairro da Arroja em Odivelas provocando enorme destruição. O míssil falhou o alvo, que era a casa de Peter Throw, situada a 300 quilómetros de distância (cf. aqui). Um inquérito posterior revelou que o oficial de serviço na armada da Cuatrecasas estava distraído no momento do disparo, entretido a  jogar esquemas financeiros piramidais com selos (cf. aqui).

Capítulo 21. Camilo Mortágua. Enquanto isso, os irmãos Throw passavam a segunda noite em Peniche, bloqueados pelas ondas da Nazaré. À noite, para matar o tempo, no quarto da pensão, o Throw mais novo entregava-se a uma leitura misteriosa, "Como Sequestrar um Navio de Guerra" do conhecido autor Camilo Mortágua. No quarto ao lado, o mais velho estudava as fortíssimas medidas de segurança nas bases aéreas portuguesas, com ênfase especial na base de Tancos (cf. aqui).

Capítulo 22. Treinador-adjunto. Era conhecida do público a ligação da armada espanhola da Cuatrecasas à máfia russa (cf. aqui), e foi com a expertise de espiões russos que a armada, já em águas do Algarve, localizou nesse dia Peter Throw em Portimão. Ao passar ao sul da cidade uma unidade anfíbia foi a terra e matou Peter Throw. Infelizmente, era o Peter Throw errado (cf. aqui). Este Peter Throw era o treinador-adjunto do Portimonense e não o autor das infames ofensas à armada espanhola.

Capítulo 23: Golpe.  Nesse dia, o Professor Paulo Mota Pinto, que fazia parte da armada (cf. aqui), e que tinha sido director dos serviços secretos portugueses, informou secretamente as irmãs Mortágua na Assembleia da República que os irmãos Throw preparavam um golpe ao estilo do seu próprio pai (cf. aqui). As manas Mortágua ficaram muito preocupadas por causa da questão dos direitos de autor.

(Continua)

25 novembro 2019

The Throw Brothers (IV)

(Continuação daqui)


Capítulo 14: Hospitaleiros. Da última vez os portugueses tinham sido muito hospitaleiros a receber a armada da Cuatrecasas em Matosinhos e fizeram-lhe mesmo uma canção à chegada (cf. aqui). De tal maneira que os espanhóis ficaram desejosos de voltar. E, cerca de dez dias antes da data aprazada para a terceira batalha, já estavam a levantar ferro do porto de Barcelona em direcção a Portugal (cf. aqui). A armada era numerosa (cf. aqui) e trazia a comandá-la desta vez o Papá Encarnação, trazendo o filho pela mão, e o magistrado X.

Capítulo 15: Senhor da Pedra. Nesse mesmo dia, manhã cedo, os irmãos Throw partiam da bacia do Tejo com destino a Matosinhos (cf. aqui). Avizinhava-se uma batalha naval - e das piores. Mas as dificuldades iriam começar logo no início da viagem quando, durante a noite, no meio de uma tempestade, naufragaram ao largo de Alcabideche. O barco deu à costa, mas não os irmãos Throw (cf. aqui). Nesse dia, Peter Throw, com o seu cão, foi rezar por eles ao Senhor da Pedra em Miramar (cf. aqui).

Capítulo 16: A sul de Caxinas. Entretanto, à tarde, um ataque aéreo avançado, partindo de uma porta-aviões da armada espanhola da Cuatrecasas, atingiu a casa de Peter Throw na Foz do Douro, Porto (cf. aqui). No alto mar, à mesma hora, a armada espanhola era interceptada por aviões da NATO para identificação da operação e do alvo, o qual foi definido com estando localizado 10 milhas a sul de Caxinas (cf. aqui).

Capítulo 17: Defesa ar-mar. No dia seguinte, chegaram notícias de que os irmãos Throw tinham sido encontrados vivos no Oceano Atlântico perto da Praia das Maçãs (cf. aqui). Em breve, eles estavam de volta à sua missão, concebendo um plano de defesa ar-mar para proteger o irmão Peter da ofensiva catalã. Para dar crédito à história, a Reuters noticiava que o Throw mais velho era um antigo piloto da Força Aérea e o Throw mais novo tinha feito a tropa na Marinha (cf. aqui).

Capítulo 18: Peniche. Foi num instante enquanto os Throw recuperaram o tempo perdido navegando para norte num barco emprestado, desde a Praia das Maçãs até Peniche, onde pararam para jantar uma sardinhada com amigos (cf. aqui). Foi aí que receberam a notícia que o comandante supremo da armada espanhola, Don Emílio Cuatrecasas, tinha sido condenado a dois anos de prisão por umas trafulhices em que - dizia-se - a sua armada era especialista (cf. aqui).


(Continua)

24 novembro 2019

The Throw Brothers (III)

(Continuação daqui)


Capítulo 9: Task-force.
Uma semana antes da invasão, a armada da Cuatrecasas tinha enviado secretamente para o Porto uma task-force que se instalou na Avenida da Boavista (cf. aqui). A missão da task force era a sabotagem de todas as vias de fuga da cidade. A task force era comandada pelo sargento Abides (cf. aqui), com a ajuda do cabo Basquinho (cf. aqui).

Capítulo 10. Swaps.  O objectivo da task force foi plenamente atingido. Utilizando um novo e potente explosivo desenvolvido nos laboratórios da NASA, conhecido pela sigla swaps, a task force provocou um rombo de 800 milhões de euros na empresa Metro do Porto lançando o caos nos transportes públicos da cidade. Peter Throw conseguiu fugir da cidade mas a pé (cf. aqui).

Capítulo 11: A Notícia. A menos de 24 horas da data aprazada para a batalha - que tinha ficado marcada para as 9:30 horas do dia 23 de Fevereiro -, com os transportes públicos num verdadeiro caos, e a armada da Cuatrecasas a menos de 20 quilómetros de Matosinhos, o desespero de Peter Throw era total. Foi então que recebeu a notícia por que tanto ansiava. Os irmãos vinham a caminho, e a alta velocidade. Vinham de jeep (cf. aqui).

Capítulo 12: As Crianças. Logo que se reuniram no dia seguinte, eram seis e meia da manhã, a primeira preocupação dos irmãos Throw foi proteger as crianças da ofensiva da armada espanhola da Cuatrecasas que estava prevista para as nove e meia dessa manhã. Era sabido que sempre que havia dinheiro disponível para crianças e a armada da Cuatrecasas estava por perto, uma parte do dinheiro desaparecia. E isto era assim fosse em Espanha (cf. aqui) fosse em Portugal (cf. aqui).

Capítulo 13: Guerra Civil. Foi já sobre a hora do início da batalha que Peter Throw soube por que é que os irmãos tinham tardado tanto a chegar. Nas vésperas, tinham estado em Espanha, um em Madrid o outro em Barcelona a pôr os espanhóis uns contra os outros. De maneira que a batalha nesse dia resumiu-se a ver os espanhóis engalfinhados uns nos outros em Matosinhos (cf. aqui). A terceira batalha ficou marcada para 14 de Março.

(Continua)

The Throw Brothers (II)

(Continuação daqui)


Capítulo 4: A Missão. A missão da armada espanhola da Cuatrecasas para invadir Portugal e capturar Peter Throw foi preparada ao detalhe na imponente sede social da Cuatrecasas em Barcelona (cf. aqui). A missão era chefiada pelo almirante Don Rafael Fontana que, para evitar quaisquer suspeitas de independentismo, foi prestar vassalagem ao rei antes de zarpar para Portugal (cf. aqui).

Capítulo 5: Don Emílio. Por essa altura, o almirantíssimo Don Emílio Cuatrecasas respondia em tribunal por um gravíssimo crime de guerra e por isso se fez substituir pelo almirante Don Rafael Fontana. Don Emílio acabou condenado a dois anos de prisão, substituídos por uma multa de 1,5 milhões de euros e a entrega ao fisco dos  4 milhões que lhe havia sonegado (cf. aqui). Parecia uma fatalidade - comentou um jornalista que acompanhou o julgamento -, mas quando a armada da Cuatrecasas estava por perto, fosse em Espanha, fosse em Portugal, havia sempre 4 milhões que desapareciam (cf. aqui).

Capítulo 6: O Desembarque. Assim que ouviu dizer que a armada espanhola da Cuatrecasas estava prestes a zarpar de Barcelona, Peter Throw, que estava a almoçar numa marisqueira em Matosinhos, ficou em pânico e disfarçou-se de padeira de Aljubarrota (cf. aqui), tanto mais que há duas semanas que os manos não lhe davam notícias de Lisboa. Dois dias depois, a armada espanhola desembarcou em Vigo e invadiu Portugal pela fronteira de Valença (cf. aqui). Peter Throw foi espiá-los à passagem por Caminha (cf. aqui).

Capítulo 7: Trafalgar. As horas que se seguiram à entrada da armada espanhola em Portugal foram da mais completa angústia para Peter Throw. Os irmãos continuavam sem dar notícias de Lisboa e ele sentiu-se abandonado. Nessa noite não conseguiu dormir e sonhou com o impossível, que era destroçar a armada espanhola como o almirante Nelson havia feito séculos atrás na batalha de Trafalgar (cf. aqui).

Capítulo 8: Vila do Conde. A dois dias da segunda batalha pela captura de Peter Throw, a armada espanhola continuava a descer pela costa e pela manhã tinha atingido Esposende. Peter Throw desesperava pela ajuda dos irmãos e imaginava-se agora um David (cf. aqui). À tarde, a armada da Cuatrecasas desfilava em Vila do Conde numa extraordinária demonstração de força e, em breve, estaria às portas de Matosinhos (cf. aqui).

(Continua)

23 novembro 2019

Caja B

Em Espanha chama-se Caixa B (cf. aqui)

Curiosidade

"O encontro entre ambos ocorreu no gabinete do advogado na Cuatrecasas, no Marquês de Pombal (de onde Vitorino, segundo adiantou a Sócrates, avistava o apartamento deste, na contígua Rua Braamcamp – localização que, aliás, deu o nome à operação de investigação ao antigo primeiro-ministro)." (cf. aqui)

A chamada "Operação Marquês", que tem no centro o ex-primeiro-ministro José Sócrates, deriva o seu nome do facto de os escritórios da sociedade de advogados Cuatrecasas se situarem na Praça Marquês de Pombal em Lisboa.

Top-10

Os dez posts mais partilhados da semana:

1. mais de 20 mil horas
2. ofendido e deprimido
3. Burning in hell
4. O Juiz-Pistoleiro (24)
5. Afinal, era verdade
6. no centro
7. um impostor
8. um forrobodó
9. retirado de um tweet da Iniciativa Liberal
10. a apanhar

o risco

Não sei onde é que o Manuel Falcão, no artigo que cito em baixo, obteve a informação de que " (…) a ala pediátrica do Hospital de S. João no Porto vai ter de esperar" (cf. aqui).

Não consegui confirmar esta informação em mais lado algum.

Mas não me surpreende. É provável que já circule nos bastidores que a ala pediátrica do HSJ não será inscrita no Orçamento de Estado para 2020.

O Orçamento de Estado está agora em fase de finalização e será apresentado ao Parlamento até ao dia 16 de Dezembro.

A confirmar-se a indisponibilidade de dinheiro público, a Associação Joãozinho irá oferecer-se à Ministra da Saúde para pagar a obra.

Haverá algumas condições, mas todas razoáveis. A principal é que será a Associação Joãozinho a pagar directamente à construtora, e não a entregar o dinheiro à administração do HSJ para que esta o faça.

Neste último caso, existe o risco que aconteça ao dinheiro o mesmo que aconteceu aos 4 milhões que existiam em 2010 (cf. aqui)

Não tem betão

"Não tem sequer betão" (cf. aqui)

Pois não porque o progresso da obra nas últimas três semanas foi o seguinte:

Há duas semanas: transferência da aférese de progenitores hematopoiéticos para transplante (cf. aqui)

Semana passada: o banco de sangue vai estar fechado de 26 a 28 de Novembro (cf. aqui)

Esta semana: o banco de sangue vai estar fechado de 26 a 28 de Novembro (cf. aqui)

Arco da velha

"Nos últimos dias, foram feitos dois anúncios oficiais: a certeza de que o pavilhão do gelo em Lisboa acontecerá nesta legislatura contrasta com o reconhecimento de que a ala pediátrica do Hospital de S. João no Porto vai ter de esperar" (cf. aqui).

22 novembro 2019

o relatório semanal

Está-me a faltar o relatório semanal do HSJ, que é devido hoje, sobre os progressos da construção da ala pediátrica.

O relatório de há duas semanas relatava um enorme progresso: a transferência da aférese de progenitores hematopoiéticos para transplante (cf. aqui).

O relatório da semana passada era mais modesto nos progressos da obra: a área dos dadores de sangue irá estar encerrada entre 26 e 28 de Novembro. Estamos quase lá (cf. aqui).

O que nos esperará esta semana?

Actualização às 23:45. Afinal, já saiu o comunicado desta semana. O Expresso publica. O progresso das obras foi enorme: banco de sangue encerrado entre 26 e 28 de Novembro (cf. aqui).

The Throw Brothers (I)

Capítulo 1: Os Throw. Quem olhasse para a sala de audiências do Tribunal Criminal de Matosinhos naquele dia 6 de Fevereiro, notaria que, a assistir discretamente ao julgamento de Peter Throw, estavam dois casais de sexagenários. Eram os irmãos Throw e as respectivas esposas que tinham vindo expressamente de Lisboa depois de ouvirem dizer que o mano Peter estava a ser atacado pela armada espanhola da Cuatrecasas (cf. aqui).

Capítulo 2: Estudando o Inimigo. A próxima batalha ficou agendada para o dia 23 do mesmo mês em Matosinhos e, nesse dia, os irmãos Throw, acompanhados das suas respectivas esposas, regressaram a Lisboa um pouco apreensivos. A desproporção de forças era considerável e a vida do irmão estava em risco. Iriam aproveitar as próximas duas semanas para estudar profundamente o inimigo. Começaram por estudar o seu código de ética porque isto iria ser uma guerra, mas uma guerra com regras porque eles não gostavam de guerras selvagens (cf. aqui).

Capítulo 3: Apavorados. Os Throw Brothers ficaram apavorados com o currículo da armada espanhola:
a) Era a sexta maior armada da Europa continental (cf. aqui).
b) Tinha como aliada a poderosa máfia russa (cf. aqui).
c) O maior escândalo de corrupção no país tinha começado nas suas instalações e recebeu o nome da praça lisboeta onde elas ficam localizadas (cf. aqui).
d) O seu comandante supremo já tinha sido condenado a dois anos de prisão por tácticas de guerra proibidas (cf. aqui).
e) Fazia-se pagar com dinheiro destinado a crianças, que é um modo de financiamento de guerras proibido pela União Europeia (cf. aqui).
f) Era especialista em esquemas fiscais, o que, como se sabe, é uma táctica de guerra proibida pela ONU (cf. aqui).
g) Era especialista em tácticas piramidais o que, junto à utilização de gases, também era absolutamente proibido pela ONU (cf. aqui).
h) A inovar em tácticas de guerra não havia como ela (cf. aqui).
i) Sobre ela levantavam-se questões que nunca obtiveram resposta (cf. aqui).
j) Além disso, exalava um cheiro nauseabundo a gato fedorento (cf. aqui).


(Continua)

21 novembro 2019

ofendido e deprimido


O eurodeputado e ex-director da sociedade de advogados Cuatrecasas-Porto, ofendido e deprimido (cf. aqui), à saída da sala de audiências depois do seu depoimento no Tribunal de Matosinhos (Fevereiro 2018). Na pasta, transportava 17 348 horas de assessoria jurídica para facturar aos amigos que estivessem na presidência de instituições controladas pelo partido.

betão

"Já há mais betão ao fundo das escadarias da Assembleia da República do que na Ala Pediátrica do São João" (cf. aqui)

um impostor

Quem olhar para o retrato feito durante uma sessão do meu julgamento (cf. aqui) vai pensar que eu estou a ser julgado por dois juízes. Mas não. Só um é juiz. O outro, que está sentado à sua direita, é um impostor. Está ali armado em juiz, mas não é juiz coisa nenhuma.

É o acusador público, o célebre magistrado X.
(Muitos magistrados do MP vão para a carreira do Ministério Público porque chumbaram no concurso para juiz. Depois fica-lhes esta frustração de quererem parecer juízes).

O retrato põe ainda em evidência  uma outra característica da tradição inquisitorial da justiça penal portuguesa - a de que existem dois acusadores, o público (representado pelo magistrado do MP) e o particular (representado pelo Papá Encarnação e o filho) e um só defensor (representado pela advogada de defesa).

Portanto, não apenas o sistema dá ao acusador público a dignidade de juiz (juiz em causa própria, bem entendido), como contém dois acusadores contra um defensor apenas. Num sistema destes é praticamente certo que o réu vai ser condenado (mesmo que não tenha cometido crime nenhum) porque o sistema é um plano inclinado em favor da acusação e contra o réu (contrariando um dos mais ancestrais princípios de justiça).

É aliás esta característica que leva a judicializar a política em Portugal. Quem produzir uma acusação criminal contra um adversário político, mesmo que a acusação seja falsa, quase de certeza vai acabar com ele porque ele vai ser condenado em tribunal (mesmo que não tenha cometido crime nenhum).

Talvez um dia nos recursos seja ilibado, mas entretanto vão passar anos e a sua carreira política ficou acabada com a condenação de primeira instância.

Há ainda um outro aspecto no retrato digno de nota. Todos os participantes no julgamento estão de toga, excepto o réu. Ora, a toga é um hábito herdado da tradição religiosa. Por outras palavras, são todos uns santinhos, excepto o réu, que é um pecador.

Portugal precisa de fazer a reforma democrática da justiça e da administração pública que nunca fez. Eu creio que o Joãozinho vai contribuir para isso.

A máquina

A máquina onde a Cuatrecasas fabrica as horas de assessoria jurídica que depois factura aos seus clientes

O julgamento

         

Na tribuna, o juiz tendo à sua direita o magistrado X. À esquerda, o Papá Encarnação e o filho. À direita, a advogada de defesa. Ao centro, a escrivã. De costas, o réu.

Clicando na imagem pode-se ter acesso a alguns detalhes. O Encarnaçãozinho faz rabiscos no papel, um hábito que herdou do Papá. (O Papá Encarnação fazia bolinhas em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio).  E o magistrado X tem uma ligadura na mão e está de braço ao peito porque tinha andado a caçar criminosos na noite anterior.

Chega

Chega pede a demissão da ministra da Saúde por causa da ala pediátrica do HSJ (cf. aqui).

Muito bem. Finalmente um partido fora do sistema que pega neste assunto.

20 novembro 2019

mais de 20 mil horas

O quê … mais de um milhão de euros!? (cf. aqui).

Eh pá… isso dá para aí mais de 20 mil horas de assessoria jurídica…

Só para a Câmara do Porto...

pernoitam

Advogados da Cuatrecasas-Porto pernoitam na Câmara Municipal da cidade, foto de 2012 (cf. aqui)

Afinal, era verdade

O quê… a Cuatrecasas facturou 500 mil euros à Câmara do Porto entre 2010 e 2012? (cf. aqui).

Ora … que é isso…

À taxa média a que a Cuatrecasas facturava na altura (55 euros à hora) dá pouco mais de 9 mil horas em assessoria jurídica à Câmara em três anos … 3 mil horas ao ano … 250 horas ao mês…

Nessa altura corria na cidade o rumor de que havia advogados da Cuatrecasas que pernoitavam na Câmara.

Eu pensava que era boato. Afinal, era verdade.

tudo direitinho

"Essas relações não têm nada que fira princípios éticos e muito menos qualquer ilegalidade" (cf. aqui).

Portanto, tudo direitinho.

O PSD põe o Rui Rio a presidente da Câmara do Porto.

O PSD põe o Paulo Rangel a eurodeputado e, por causa disso, a director da Cuatrecasas-Porto.

O PSD põe, portanto, o Rui Rio e o Paulo Rangel em condições de fazerem esta negociata com dinheiros públicos.

O PSD faz tudo isto e no fim não ganha nada?

Não. O PSD é uma instituição de caridade, uma IPSS.

de emergência

Duas ambulâncias descarregam 3426 horas de assessoria jurídica  de emergência da Cuatrecasas na ala pediátrica do Hospital de São João.

no centro

Eu estou hoje convencido que a Cuatrecasas-Porto, sob a direcção do Paulo Rangel e do Filipe Avides Moreira, está no centro de um esquema de financiamento ilícito do PSD.

Este esquema assenta na sobrefacturação de serviços jurídicos a instituições públicas (v.g., câmaras municipais, hospitais) controladas pelo PSD e a algumas instituições privadas (v.g., associações empresariais) nas mesmas condições.

O assunto está a ser investigado pelo DIAP-Porto (cf. aqui e aqui), e eu espero que a nova direcção do DIAP-Porto não faça como a anterior que procurou abafar o assunto.

A Cuatrecasas-Porto pode não ser a única sociedade de advogados envolvida, mas é seguramente a principal.

19 novembro 2019

a apanhar

As notícias recentes sobre o Ministério Público (cf. aqui), a que o Joaquim faz referência em baixo, revelam uma coisa muito simples.

É o PSD a perder poder em favor do PS dentro dessa polícia política.

Aliás, hoje, o PSD já começou a apanhar. A coisa envolve financiamento ilegal do partido (cf. aqui).

A minha presunção é que as ex-administrações do HSJ e a Cuatrecasas-Porto estão aflitas (cf. aqui). E, possivelmente também, a sociedade de advogados do Papá Encarnação. É muita hora...

O Juiz-Pistoleiro (24)

(Continuação daqui)


O Juiz-Pistoleiro
(Novela)

Cap. 24. Sacesse fi


O A320 da TAP voava há duas horas sobre o Atlântico, com o sinal de sequestro activado, em direcção a Nova Iorque. O tempo em rota estava bom e podia ver-se do alto o azul claro do mar. A bordo, o ambiente era agora mais tranquilo.

No cockpit, o co-piloto permanecia aos comandos, monitorizando os instrumentos, enquanto o avião era conduzido pelo piloto automático. O comandante continuava a assegurar as transmissões com o aeroporto JFK em Nova Iorque.

Os americanos estavam agora mais tranquilos depois de o comandante os ter convencido que o sequestro de um avião, feito por portugueses, acabava sempre bem. Atrás do comandante, sentado no jump seat estava o juiz Francis dos Coldres.

O juiz almoçava perna de frango porque o prato de peixe não lhe tinha cheirado bem. Segurava a perna do frango com a mão esquerda porque o indicador da direita continuava a acariciar o gatilho da pistola, que permanecia encostada à nuca do comandante.

Lá atrás, na cabine, a calma era total em parte porque o avião ia meio-vazio, mais de metade dos passageiros não tinham conseguido embarcar. A única cena digna de nota ocorria no lugar 14B onde Joe Pistolas permanecia sentado, com o cinto apertado e as mãos algemadas.

A nota saliente era dada por uma bonita hospedeira que estava sentada nos joelhos de Joe Pistolas, dando-lhe a comida na boca com uma mão enquanto que, com a outra, lhe afastava as melenas da testa. Combinavam um encontro em Slaughterville para essa noite.

Enquanto isto, no Porto, Rua da Picaria,  à mesma hora, o Dr. Adriano, acompanhado do filho, recebia no seu escritório Josefa Pistolas, a viúva de Tozé, o irmão que Joe Pistolas tinha morto no duelo. A reunião tinha sido convocada pelo Dr. Adriano para assinarem os contratos de representação judicial. Afinal, já iam na sexta sessão do julgamento e ainda não tinham assinado os contratos.

À chegada, o Dr. Adriano tratou a Josefa por Excelentíssima, Formosíssima Senhora Dona Josefa Pistolas, fazendo Josefa sentir-se como se fosse uma rainha. Depois explicou-lhe que a sua sociedade de advogados se fazia remunerar por duas vias, uma variável, outra fixa, que eram objecto de dois contratos separados.

A Josefa abanava a cabeça afirmativamente  como se isto de assinar contratos fosse algo que ela fazia todos os dias ao pequeno almoço.

O Dr. Adriano mostrou-lhe então os dois contratos, que já estavam redigidos, só faltava ela assinar. E começou com o contrato respeitante à parte variável. A cláusula primeira dizia que a sua sociedade de advogados, em representação de Josefa Pistolas, iria pedir 18 milhões de euros de indemnização ao cunhado, Joe Pistolas.

-Está Vossa Senhoria de acordo com esta indemnização de dezoito milhões de euros?...,

perguntou cerimoniosamente o Dr. Adriano.

Assim que ouviu falar em milhões de euros, a Josefa revirou os olhos... revirou…. revirou... e, a gaguejar e com os olhos muito luzidios, finalmente respondeu:

-Eu cá… senhor doutor… eu cá acho bem... tudo o que o senhor doutor achar...eu cá também acho… porque eu… tenho muita confiança... no senhor doutor…

Foi o que o Dr. Adriano quis ouvir. Fez um vê de contabilista sobre a cláusula primeira e passou à segunda. Sobre a indemnização que vier a ser decidida pelo tribunal, explicou o Dr. Adriano, a sua sociedade de advogados iria cobrar uma success fee de 120%.

-Está Vossa Excelência Reverendíssima de acordo com esta success fee de cento e vinte por cento?...

perguntou o Dr. Adriano.

Embora não soubesse o que era uma success fee, Josefa Pistolas, agora que já se imaginava rica, não se deu por achada. Pôs o dedo indicador direito no queixo e olhou para o tecto a pensar... a pensar… a pensar.

E acabou por pensar bem. Pensou assim:

-Com 18 milhões na poche eu compro tudo neste mundo... mesmo essa tal coisa... dos cento e vinte por cento... e da sacesse fi… ou lá o que isso é...

e respondeu que Sim ao Dr. Adriano. Foi o que ele quis ouvir, e imediatamente lhe deu o contrato para assinar, o que ela fez com letras garrafais:

-Ju-ze-fa  Pes-to-las.

Passaram então ao contrato respeitante à parte fixa. Pelo trabalho já realizado no processo - preparação dos autos, comparência em julgamento, intervalos para tomar café, etc. -, e por aquele que iriam ter de realizar - o Dr. Adriano e o filho, que acenava afirmativamente com a cabeça a seu lado - até todos os recursos estarem esgotados, e incluindo o recurso posterior para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, a Josefa iria pagar dois milhões e cem mil euros à sociedade de advogados, IVA já incluído.

A Josefa ficou a olhar estarrecida para o Dr. Adriano sem ser capaz de articular palavra. Foi o Dr. Adriano que continuou:

-Vossa Excelência... da última vez que foi com o seu Adoradíssimo filho... ao Competentíssimo dermatologista... quanto pagou?…

-Setenta euros…

respondeu a Josefa ainda sem ser capaz de dizer mais nada.

-Pois... também é essa a taxa  horária que aqui na sociedade levamos pelos nossos Excelentíssimos, Valiosíssimos serviços de assessoria jurídica... Agora... setenta euros à hora... vezes... trinta mil horas de trabalho com o seu caso… é só Vossa Excelência Meritíssima fazer as contas…


(Continua)


retirado de um tweet da Iniciativa Liberal


18 novembro 2019

É muita hora

"No mesmo período, a Cuatrecasas obteve 148 mil euros em ajustes diretos da CMP, mais cerca de 50 mil euros de outras entidades na sua órbita, perfazendo um valor global de 198 mil euros. A José Pedro Aguiar Branco & Associados teve um ajuste directo de 74 mil euros e a Miguel Veiga, Neiva Santos & Associados 74 mil euros da CMP e 125 mil de entidades associadas" (cf. aqui, ênfase meu)

A sociedade do Papá Encarnação teve 74 mil euros de ajustes directos da CMP e 125 mil de entidades associadas (num total de 199 mil euros), em apenas dois anos?

Bom, isto àquela taxa canónica de 55 euros à hora, dá  3618 horas de assessoria jurídica à CMP e entidades associadas em apenas dois anos. Mesmo a 100 euros à hora dá 1990 horas.

É muita hora!

Certamente que é muita hora para uma sociedade que só tem quatro advogados (cf. aqui).

do Papá Encarnação

"José Pedro Correia Caimoto, Filipe de Lacerda Machado Barbot Costa, João Manuel de Amaral Regadas, Fernanda Paula Marques de Oliveira, Santos Pinto & Associados, Albuquerque & Associados, Miguel Veiga, Neiva Santos e Associados, Raposo, Sá, Miranda & Associados, Campos Pereira, Pedro Alhinho, Leopoldo Carvalhaes, Candida Mesquita & Associados, JPAB-José Pedro Aguiar-Branco & Associados, TELLES DE ABREU E ASSOCIADOS SOCIEDADE DE ADVOGADOS, Marco Almeida & Associado, Saraiva Lima e Associados, Garrigues Portugal e Sofia Nogueira Pinto (ufa!) foram outros dos advogados/sociedades de advogados que receberam ajustes directos. Mais 24 contratos e mais 545 mil euros." (cf. aqui, ênfase)

Que engraçado. Não sabia que a sociedade de advogados do Papá Encarnação (cf. aqui) também tinha ajustes directos com a Câmara do Porto. Mas, na realidade, entre tanta gente  (ufa!) ilustre era injusto que não estivesse.

E quantos milhares de horas facturará ao ano em assessoria jurídica?


Conclusões do Joãozinho




"Oh Papá … quando os portageiros foram falar contigo (cf. aqui, capítulo 27)… podiam-te ter dito qual era o preço da portagem ...ou tu devias ter perguntado… tinha-se evitado tudo isto…"

tradição de portageiros

O historiador americano Samuel Huntington tem uma tese muito interessante acerca da decadência portuguesa nos séculos que se seguiram aos Descobrimentos.

Diz ele que depois de terem descoberto os caminhos marítimos para os novos mundos, os portugueses, em lugar de desenvolverem a indústria e o comércio nos lugares aonde chegaram, instalaram-se nos estreitos a cobrar portagens àqueles que por lá passavam.

Segundo ele, esta nossa tradição de portageiros foi-nos fatal.

os donos da estrada

Ao final do dia, que destino é dado ao dinheiro cobrado em portagens?

-Uma parte é para remunerar a portageira. Mas o grosso do dinheiro é para os donos da estrada.

17 novembro 2019

Portageira

Se eu hoje, em retrospectiva, tivesse de definir numa só palavra a Cuatrecasas-Porto no tempo em que o Paulo Rangel foi seu director (2012-16) e que, no essencial, coincide com o tempo em que o PSD esteve no poder (2011-2015), que palavra utilizaria eu?

-Portageira.

A Cuatrecasas-Porto era quem cobrava as portagens a norte.

um forrobodó

Foi um forrobodó desde que o PSD chegou ao Governo em 2011. Paulo Rangel, que já era sócio e, em breve, ascenderia a director da Cuatrecasas-Porto (2012) facturava ao seu camarada Rui Rio, na Câmara Municipal do Porto (CMP), milhares de horas ao ano em assessoria jurídica, à taxa média de 55 euros por hora (cf. aqui).

A coisa, aparentemente, prolongou-se depois de Paulo Rangel ceder a direcção  da Cuatrecasas-Porto ao seu braço direito, Filipe Avides Moreira (2016), embora a um ritmo menos intenso porque, entretanto, o executivo camarário também mudou.

Declarações recentes do próprio executivo camarário dão conta que nos últimos 9 anos a CMP pagou mais de um milhão de euros em assessoria jurídica à Cuatrecasas (cf. aqui), o que, à taxa de 55 euros à hora, significa mais de 18 mil horas em assessoria jurídica, uma média superior a duas mil horas por ano.

É, de facto, muita hora, sobretudo sabendo-se que a CMP tem o seu próprio departamento jurídico (acontece o mesmo com o Hospital de S. João).

sobrefacturação

A operação Lava Jato no Brasil assentou largamente em esquemas de sobrefacturação a empresas públicas e outras instituições públicas brasileiras (cf. aqui e aqui)

200 toneladas


Uma frota de camiões-TIR transporta da casa-mãe em Barcelona 200 toneladas de horas de assessoria jurídica para os armazéns da Cuatrecasas em Sacavém e na Maia

440 euros ao dia

Da informação contida neste post (cf. aqui) e fornecida pelo próprio director da Cuatrecasas-Porto na altura, Paulo Rangel, deduz-se que a Cuatrecasas facturava a Câmara Municipal do Porto (CMP) à taxa média de 55 euros à hora, portanto, 440 euros ao dia (considerando um dia normal de 8 horas de trabalho).

Só deste cliente - e só deste - a Cuatrecasas-Porto tirava uma renda mensal de quase 15 mil euros ao mês (cf. aqui). Que bom. Fora os outros...

55 mil horas


O armazém de Sacavém


Fazendo contas à la Guterres, depreende-se da informação contida neste post (cf. aqui) que a Cuatrecasas, entre 2011 e 2013, facturava a Câmara do Porto à taxa média de 55 euros à hora pelos seus serviços de assessoria jurídica. Nada mau, para quem tinha, já nessa altura, um armazém na Maia com capacidade para armazenar 120 milhões de horas de assessoria jurídica todas prontas a ser facturadas (cf. aqui).

Havia que escoar o stock. Uns milhares para a Câmara do Porto, talvez um pouco menos para as Câmaras de Boticas, Marco de Canavezes e Santa Maria da Feira, mais uns milhares para o Hospital de São João e a Associação Comercial do Porto e, em menos de um fósforo, o armazém ficava esvaziado.

A curiosidade é que, sendo na altura o Paulo Rangel o director da Cuatrecasas, todas estas instituições tinham à frente gente do PSD. É mais fácil escoar o stock quando o dinheiro é público e do outro lado está uma mão amiga para assinar o cheque.

Verdadeiramente bombástico, porém, em relação à Cuatrecasas não é o que se passou nos últimos anos no seu escritório do Porto em termos de ajustes directos, mas o que se passou em Lisboa este ano, de tal modo que mereceu o destaque do "contrato da semana" em Abril passado. Por ajuste directo, o Banco de Portugal fechou um contrato com a Cuatrecasas-Lisboa pelo valor de 3 milhões de euros (cf. aqui).

À taxa de 55 euros à hora dá perto 55 mil horas em serviços de assessoria jurídica.

(Nota: O armazém da Cuatrecasas-Lisboa fica em Sacavém e tem capacidade para armazenar 600 milhões de horas de assessoria jurídica)

um armazém na Maia

A sociedade de advogados Cuatrecasas tem um pequeno escritório no Porto, no edifício Oceanus, na Avenida da Boavista. Mas consegue facturar milhares de horas de assessoria jurídica ao ano a vários dos seus clientes. Por exemplo, em 2011, só à Câmara do Porto, dirigida por Rui Rio, a Cuatrecasas-Porto, dirigida por Paulo Rangel, facturou 2459 horas de assessoria jurídica (cf. aqui). 

Fui investigar e desvendei o mistério. A Cuatrecasas-Porto tem um armazém na Maia com capacidade para armazenar 120 milhões de horas de assessoria jurídica. É de lá que vêm as horas que ela depois factura a partir do seu pequeno escritório da Avenida da Boavista.

Vítima da corrupção

"Vítima da corrupção não é apenas a pessoa que possa ter sido injustamente preterida num concurso ou numa decisão. É, sobretudo, o interesse público que foi sacrificado com essa decisão. Por isso, a corrupção tem, além do mais, sempre um custo económico que pode até ser quantificado. Pode ser quantificado, por exemplo, o custo económico acrescido de obras públicas que poderiam implicar menos despesas se tivessem sido seguidos critérios legais de imparcialidade". (cf. aqui, p. 4, ênfase meu).

E o que dizer do custo económico acrescido de decisões judiciais que poderiam implicar menos despesas se tivessem sido seguidos critérios legais de imparcialidade? (cf. aqui)

16 novembro 2019

THE BLUE BAG (VII)

(Continuação daqui)

Branca


Capítulo 43 (Conclusão). Foi Branca, a burra mirandesa, que levou Peter Throw  a regressar ao país e a entregar-se às autoridades. Zurrava toda a noite, não deixava ninguém dormir, a começar pelo pobre Castro. Que não, que não, que não queria ficar na América Latina. Aquele calor atraía muito as moscas e ela não ia criar os filhos no meio daquele mosquedo todo.

Além disso, no Brasil não sabiam falar português e, no Paraguai, quando se infiltrou pela selva dentro, um leão tinha-se mesmo metido com ela. Não havia direitos dos animais na América Latina e havia muito assédio sexual. Queria voltar para Miranda do Douro, porque em Portugal até havia um partido, de que ela era militante, que defendia os direitos dos animais e estava em grande crescimento. Ela própria tinha esperanças de um dia chegar a ministra da Cultura.

Peter Throw ainda procurou consolar Branca prometendo-lhe uma linda vida no Brasil juntamente com Castro, mas não havia meio de a convencer. Quanto ao Castro, estava por tudo, ele iria para onde a Branca fosse feliz. Tinha ouvido dizer que em Portugal havia muitos burros com o nome Castro, e pensava que mais um, embora argentino, não havia de acrescentar muito mal ao país.

Peter Throw acabou julgado no Tribunal de Matosinhos, onde foi condenado. Apelou para a Relação do Porto e aplicaram-lhe a triplicar. Está agora condenado a pagar uma pequena fortuna ao Paulo Artur Dos Santos Castro De Campos Rangel e à sociedade de advogados de que ele era director. A menos que vença nos recursos. E pode dar muitas graças a Deus porque o magistrado Tony Meadow E Castro, substituído no tribunal de Matosinhos pelo seu colega - o magistrado X -, pedia a pena de morte (cf. aqui).

THE BLUE BAG (VI)

(Continuação daqui)


Capítulo 37. Foi com a precisão de uma relógio suíço, e as indicações dadas pela juiz Cathy Littleriver, a partir de Matosinhos, que o helicóptero pilotado por Ramon Lopez chegou à clareira da selva do Paraguai onde se encontravam Peter Throw e o burro Castro. Quando Branca saiu do helicóptero, Castro ficou de olhos esbugalhados. Enquanto o presidente e Magellan abraçavam Throw, Castro e Branca, discretamente e aos beijinhos, desapareceram floresta dentro (cf. aqui).

Capítulo 38. As imagens do Porto Canal com a notícia de que a missão portuguesa, tendo à frente o presidente, conseguira localizar Peter Throw nas profundezas da selva do Paraguai correram imediatamente mundo e foram passadas em todas as televisões, incluindo a CNN e a Fox. Os americanos não acreditavam que os portugueses tivessem capturado Peter Throw em dez meses quando eles próprios tinham demorado dez anos a capturar bin Laden. Não se sabe se por temor se por despeito, o Presidente Trump mandou levantar um esquadrão de aviões de uma base em Virgínia para fazer apagar para sempre esta vergonha da história dos EUA (cf. aqui).

Capítulo 39. Às duas da manhã do dia seguinte, a juiz Cathy Littleriver De Almeida foi acordada por um telefonema do magistrado Meadow em Buenos Aires a informá-la que os americanos estavam a caminho para bombardear o local onde tinha sido descoberto Peter Throw. A juiz Cathy deu instruções para a descolagem, mas havia dois problemas. O principal é que Castro e Branca ainda não tinham regressado da floresta. Meadow insistia para que o helicóptero descolasse só com o presidente e Magellan a bordo deixando para trás Peter Throw e os burros expostos aos bombardeamentos dos americanos, mas a juiz recusava, sem que Meadow pudesse compreender porquê. A situação acabaria por se resolver in extremis poupando a vida de todos (cf. aqui).

Capítulo 40. Como parte das condições impostas por Peter Throw à prima para aceitar tornar o presidente De Susa o herói da investigação criminal internacional, e o Ministério Público português por arrasto, figurava a de que o destino seguinte seria Cancun, onde uma ardente namorada mexicana o esperava. Aconteceu, porém, que o helicóptero não tinha combustível para chegar a Cancun. Foi nessa altura que, sob uma enorme pressão, a juiz Cathy Littleriver  se socorreu de um seu velho conhecido da região de Aveiro, um amigo de infância que era agora um famoso criminoso - o Sucateiro de Ovar. Este homem, que tinha sido condenado pelos tribunais portugueses a dezoito anos de cadeia, estava agora de férias no Rio de Janeiro enquanto aguardava os recursos. Foi a ele que a juiz recorreu para uma aterragem de emergência e reabastecimento do helicóptero (cf. aqui).

Capítulo 41. As últimas duas horas tinham sido de grande tensão para a juiz Cathy Littleriver em Matosinhos  até ao momento em que o piloto Lopez reportou que tinha acabado de aterrar em segurança no quintal do Sucateiro de Ovar no Rio de Janeiro. A juiz ainda não tinha tido oportunidade de descontrair e já recebia um telefonema indignado de Tony Meadow em Buenos Aires. Ele não compreendia por que é que a juiz não deixara Peter Throw na selva do Paraguai exposto às bombas dos americanos. A discussão tornou-se violenta. A juiz argumentava que não encontrava qualquer crime em Peter Throw. Até que o magistrado Meadow explodiu. Claro que havia crime em Throw e era um crime infame. Ele tinha posto fim ao saco azul do Hospital de São João (cf. aqui)

Capítulo 42. O resto da conversa foi praticamente um monólogo irado do magistrado Meadow para fazer ver à juiz a gravidade do crime cometido por Peter Throw. Se o exemplo pegava, como é que poderiam viver as instituições públicas do país, o Tribunal de Matosinhos, o próprio Ministério Público? Não podiam. Onde é que se iria arranjar o dinheiro para traficar as influências que permitiam aos magistrados do MP ganhar mais que o próprio primeiro-ministro? Além disso, a ideia do Joãozinho era uma ideia genial, a de utilizar como pretexto crianças doentes para encher o saco, já que para o esvaziar qualquer ideia vulgar servia. Peter Throw merecia a pena de morte! (cf. aqui).

dez

Os dez posts mais partilhados da semana:

1. THE BLUE BAG (I)
2. vendedor de coco
3. O Zé não é empreendedor
4. assobiar para o ar
5. O DIAP e o Joãozinho (II)
6. THE BLUE BAG (IV)
7. imagens de 2015
8. O DIAP e o Joãozinho (IV)
9. THE BLUE BAG (V)
10. a mais de um milhão

THE BLUE BAG (V)

(Continuação daqui)


Capítulo 30. Ao cabo de cinco meses, os membros da missão, cujo número ascendia a 147, continuavam a discutir o per diem. O presidente organizava conferências de imprensa diárias para dar conta dos progressos tendentes à captura de Peter Throw, mas a partir de certa altura a notícia mais nova tinha vários meses de idade. Das notícias tinha passado à especulação, ou que Peter Throw nunca sairia vivo da selva ou que, saindo, iria demorar dezoito meses, segundo estimativas do INE. Entretanto, por unanimidade foi aprovado um per diem de mil euros para todos os membros da missão (cf. aqui).

Capítulo 31. A missão de Buenos Aires estava a dar cabo dos esforços de contenção do défice pelo Governo em Lisboa. Já ia no dia 173 … vezes 147 pessoas… vezes mil euros ao dia… era só fazer as contas... O Governo deu ordem de regresso imediato a Portugal. Nesse mesmo dia foi captada uma nova chamada para Peter Throw feita de uma cabine telefónica de Buenos Aires. A mensagem permanecia misteriosa, mas a voz feminina era a mesma. Podia agora discernir-se que se tratava de uma prima de Peter Throw, embora os serviços secretos argentinos nunca tivessem  conseguido deslindar se era uma prima pelo lado dos De Almeida ou pelo lado dos Throws (cf. aqui).

Capítulo 32. Um dia depois de a missão ter regressado a Portugal, deixando em Buenos Aires apenas o presidente e o magistrado Meadow, a televisão argentina divulgou um vídeo onde se via Peter Throw a divertir-se com uma amiga numa discoteca do norte do país, enquanto Castro esperava cá fora. Eram as últimas imagens conhecidas de Peter Throw antes de entrar na selva (cf. aqui).

Capítulo 33. Foi o embaixador Borges o primeiro a notar alguns sinais perturbadores no presidente, talvez devido ao desgaste de tantos meses de conferências de imprensa sem progressos visíveis na caça a Peter Throw. Tudo se ampliou, e complicou bastante, quando o presidente deu uma entrevista ao diário La Nación onde confessava em grandes parangonas: "Tenho muitas saudades de Peter Throw" (cf. aqui).

Capítulo 34. Foi assim que a juiz Cathy Littleriver, de regresso a Matosinhos, planeou secretamente  com o magistrado Tony Meadow, em Buenos Aires, a operação que iria tornar mundialmente famoso o presidente português, ao mesmo tempo dando aura mundial à tradição de investigação criminal do Ministério Público -  a de localizar e prender o grande criminoso Peter Throw no meio da selva latino-americana. Da última vez que o MP tinha organizado uma operação de caça ao homem como esta tinha sido num bairro da Amadora para prender um sem-abrigo (cf. aqui).

Capítulo 35. Este é o momento em que, após o jantar na embaixada, o magistrado Tony Meadow informa o presidente que Peter Throw tinha sido localizado na selva do Paraguai. O presidente estava realmente orgulhoso, os americanos tinham demorado dez anos para localizar bin Laden no Paquistão, os portugueses apenas demoraram dez meses para localizar Peter Throw no Paraguai. O magistrado Tony Meadow aproveitou para lembrar o presidente que o chefe do seu sindicato, Toni Ventinhas, andava muito deprimido porque os magistrados do Ministério Público já não eram aumentados há sete meses. (cf. aqui).

Capítulo 36. No dia seguinte, às sete da manhã, o presidente estava no aeroporto de Buenos Aires a aguardar a chegada do F-16 da Força Aérea Portuguesa, procedente do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, que trazia a bordo o jornalista Jules Magellan do Porto Canal, e Branca, a burra mirandesa. Mal se abriram as portas, os passageiros fizeram o transbordo para um helicóptero emprestado pelo Governo argentino, estacionado ali perto, onde também embarcou o presidente português. Dez minutos depois o helicóptero estava no ar e com ele estava desencadeada a mais complexa operação de caça ao homem alguma vez realizada pelo Ministério Público português em solo estrangeiro. A operação era comandada a partir de uma sala do Tribunal de Matosinhos pela juiz Cathy Littleriver, sob o nome de código Liz, com a assistência do magistrado Tony Meadow, na embaixada portuguesa de Buenos Aires, que adoptou o nome de código Ass (cf. aqui).


(Continua)

15 novembro 2019

encerrado de 26 a 28

Relatório semanal do Hospital de São João sobre o progresso da obra da nova ala pediátrica: Banco de Sangue estará encerrado de 26 a  28 de Novembro (cf. aqui)

THE BLUE BAG (IV)

(Continuação daqui)


Capítulo 22. A perseguição a Peter Throw decorria já há um ano quando foi publicado num jornal um artigo bombástico com o título "Agora vamos prender o Peter Throw?". Os fogos de Pedrógão Grande foram imediatamente esquecidos e metade da população portuguesa dedicou-se à caça de Peter Throw, até ao dia em que um jornal argentino mostrou uma fotografia de Throw e do seu burro Castro a caminharem lentamente no norte do país. Quem não deixou passar a oportunidade para intervir foi o presidente da república que, dias antes, tinha desvendado a causa dos fogos de Pedrógão. Uma comitiva chefiada pelo presidente partiu imediatamente para Buenos Aires para organizar a caça a Peter Throw. A comitiva incluía militares e políticos como as manas Deadwater e o presidente do Parlamento, Iron Rodrigues. A juiz Cathy Littleriver também foi, sentada no assento 24B do avião da TAP, ao lado da sua homóloga, a deputada Cathy Martins (cf. aqui).

Capítulo 23. Parecia que os portugueses estavam a conquistar outra vez a América Latina. O presidente português chegou a  Buenos Aires e instalou-se com a sua comitiva como se estivesse em casa, repetindo uma atitude que tinha tido meses antes no Brasil. O presidente argentino ainda protestou ameaçando gerar um incidente diplomático, mas o presidente De Susa ameaçou-o com uma guerra total, fazendo uso do arsenal nuclear que estava religiosamente guardado na base aérea de Tancos. No dia da sua chegada, à noite, o presidente português já distribuía beijinhos às velhinhas nas imediações da embaixada portuguesa na capital argentina. O Papa Francisco que nesse dia tinha ido a casa visitar a irmã, passou pela embaixada para cumprimentar o presidente de Portugal (cf. aqui).

Capítulo 24. Uns dias antes da chegada da comitiva portuguesa a Buenos Aires, Peter Throw e o burro Castro fizeram uma paragem na estação central de Correios de Tukuman, a cidade fundadora da Argentina. Throw ia levantar uma encomenda que lhe tinha sido enviada pela prima, a juiz Cathy Littleriver. A encomenda continha a pulseira electrónica e uma nota de desculpas a dizer que não tinha sido possível enviar a burra. Mas que seguiria, em breve, por outra via. Chamava-se Branca. Entretanto, no Tribunal de Instrução Criminal de Matosinhos foi aberto um inquérito-crime pelo desaparecimento de uma pulseira electrónica (cf. aqui).

Capítulo 25. Há cinco meses a viver em Buenos Aires, o magistrado Tony Meadow estava agora perfeitamente familiarizado com a vida nocturna da cidade. No dia da chegada da comitiva do presidente, que incluía 26 magistrados do Ministério Público, o magistrado Meadow deixou a todos os seus colegas uma nota no quarto do hotel a convocá-los para a farra num night club da cidade a partir das 10:45 da noite (cf. aqui).

Capítulo 26. No dia seguinte à chegada da comitiva, logo pela manhã, o presidente convocou uma conferência de imprensa na embaixada de Portugal onde estiveram presentes os principais órgãos de comunicação social internacional. No seu discurso, o presidente De Susa transmitiu ao mundo quão importante era para Portugal e para o mundo a captura de Peter Throw, o maior criminoso da história de humanidade, cuja importância, em termos futebolísticos, ele igualou à de Cristiano Ronaldo. No termo da conferência de imprensa e já com os jornalistas pelas costas, tomou a palavra um distinto advogado português, Tony Wolf, membro do Conselho de Estado, que ofereceu os serviços da sua sociedade de advogados para negociar com o Governo português o per diem que os membros da comitiva iriam receber enquanto durasse a sua missão em Buenos Aires. A proposta foi aprovada por unanimidade. Tony Wolf orgulhava-se de a sua sociedade ser perita em planificação fiscal e de ter como cliente Cristiano Ronaldo (que, em Espanha, estava em risco de ir parar à prisão por causa de um esquema de fuga ao fisco) (cf. aqui). 

Capítulo 27. Um mês depois da chegada da comitiva portuguesa a Buenos Aires não tinha havido progresso algum na perseguição a Peter Throw e o presidente todos os dias era questionado pela imprensa internacional sobre o assunto. O telefone de Peter Throw estava sob escuta pelos serviços secretos argentinos. Num desses dias, a partir de um telefone público de Buenos Aires, foi gravada uma chamada para Peter Throw que, na altura, se encontrava já na foz do Iguaçu, onde a Argentina faz fronteira com o Paraguai e o Brasil, acompanhado do seu burro Castro. O conteúdo da conversa era misterioso, mas a voz era de mulher (cf. aqui).


(Continua)

THE BLUE BAG (III)

(Continuação daqui)


Capítulo 16. Chegado a Buenos Aires, o magistrado Tony Meadow foi abanar o capacete para as discotecas locais, o seu passatempo favorito, para distrair o espírito que, nos últimos tempos, tinha andado excessivamente concentrado, para não dizer obcecado, em Peter Throw. Ironicamente, Throw encontrava-se a uma distância tão curta do magistrado Meadow como já não estava há meses. Pelo décimo dia consecutivo, a norte da pequena cidade de Luján, no centro das Pampas argentinas, Castro, o burro, recusava-se a andar (cf. aqui).

Capítulo 17. Tudo começara mais de uma semana antes depois de uma tórrida conversa telefónica entre Peter Throw e Ofélia em antecipação do seu encontro em Cancún. A partir daí, Castro, o burro, que tinha ouvido a conversa, baixou os olhos, entristeceu, e recusava-se a andar. Certo dia, pareceu mesmo a Throw ver-lhe as lágrimas nos olhos. Mas foram necessários dez dias para Pater Throw compreender as razões da profunda depressão em que tinha caído o seu burro. Eram ciúmes. Nesse dia, prometeu-lhe uma burra portuguesa, branquinha, linda de morrer, da espécie mirandesa que só existia em Portugal. Ao escutar a promessa, Castro arrebitou muito as orelhas, abriu muito os olhos e, embora vagarosamente, lá se decidiu a andar (cf. aqui).

Capítulo 18. Peter Throw tinha ficado profundamente ofendido por, no Tribunal de Instrução Criminal de Matosinhos, o terem tratado por de Almeida ao passo que ao seu opositor o tratavam por Dos Santos Castro e De Campos Rangel. A questão estava no de (cf. aqui). Ele tinha agora um plano para se vingar. De uma cabine telefónica perto de Luján, com o burro Castro a olhar sem compreender, resolveu telefonar para o Tribunal de Instrução Criminal de Matosinhos, pedindo para falar com a juiz Cathy Littleriver, que também era de Almeida (cf. aqui).

Capítulo 19. Quando Peter Throw chegou à fala com a juiz Cathy Littleriver, reclamou. Não havia direito que nos documentos da acusação, ele fosse tratado por de Almeida e o Rangel fosse tratado por Dos Santos Castro e por De Campos Rangel. Ela própria também era tratada por de Almeida e o magistrado Tony Meadow por e Castro. Era um caso claro do crime de discriminação de letras, previsto na carta dos direitos humanos da ONU. Além disso, havia evidência que o Rangel e o magistrado Meadow eram primos, embora o Rangel fosse Dos Santos Castro e o magistrado Meadow simplesmente e Castro. Mas a principal conclusão que resultou da conversa foi a de que primos eram mesmo Peter Throw e a juiz Cathy Littleriver. Eram ambos da família dos De Almeida ali da região de Aveiro. Castro, o burro, assistiu a toda a conversa sem compreender (cf. aqui).

Capítulo 20. Menos de duas semanas depois foi recebida uma carta no Tribunal de Instrução Criminal de Matosinhos dirigida à juiz Cathy Littleriver. Assinando como Primo Zé De Almeida, Peter Throw pedia à prima que lhe enviasse com urgência uma burra mirandesa pelo avião da TAP porque o Castro estava insuportável e recusava-se a andar. Pedia-lhe também que lhe comutasse a medida de coacção de termo de identidade e residência para pulseira electrónica. A razão é que ia entrar na selva latino-americana e a pulseira electrónica dava jeito para o localizar a ele e ao burro, caso se perdessem (cf. aqui).

Capítulo 21. Entretanto, três meses após ter chegado a Buenos Aires, o magistrado Tony Meadow enviava para a Procuradoria Geral da República em Lisboa o primeiro relatório sobre a sua perseguição a Peter Throw (cf. aqui).

(Continua)