23 Novembro 2014

a culpa não é nossa

Os portugueses nunca elegeram José Sócrates para primeiro-ministro porque as eleições em Portugal não são nominais. Os portugueses, em 2005, deram a maioria ao PS liderado por José Sócrates contra o PSD, liderado por Santana Lopes. E em 2009 o PS repetiu a vitória, desta vez contra o PSD, liderado por MFL.
O que podemos afirmar é que os portugueses escolheram, quer em 2005 quer em 2009, "do mal o menos". Não devemos esquecer que Santana Lopes tinha acabado de ser "demitido" por alegada incompetência e que em 2009 José Sócrates era o "incumbent" (o primeiro-ministro em exercício).
A culpa portanto não é nossa, ao contrário do que afirma a Helena Matos.
Os culpados, se é que os há, estarão certamente entre as altas patentes do PS que permitiram e até facilitaram a ascensão de tão sinistra figura, como Sócrates, à liderança do partido. Recomendando-o aos portugueses para primeiro-ministro.
A culpa não é nossa, repito, porque nunca tivemos uma verdadeira escolha.

PS: Mas há culpados, Jorge Sampaio e António Guterres, por exemplo, são nomes que me ocorrem imediatamente.

22 Novembro 2014

não tem condições

Um ex-colaborador íntimo e ex-braço direito de um ex-primeiro-ministro detido por fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, não tem condições para vir ele próprio a ser primeiro-ministro.
António Costa é a primeira baixa do caso Sócrates. Se o próprio não entender isto estará a pretender colocar-se acima do País. O PS necessita com urgência de sangue novo.

fracasso II

O regime político nacional está em colapso. O "caso Sócrates" afecta a credibilidade de todos os políticos, de todos os partidos.
Eu diria até mais: este caso afecta a credibilidade de todos os portugueses, eis a verdadeira dimensão do problema.

Ler aqui a notícia no El País, dá para perceber a leitura dos acontecimentos

21 Novembro 2014

fracasso

No post anterior justifiquei o fenómeno Podemos como o culminar de uma escalada de assalto aos direitos cívicos, usando a metáfora da "droga - loucura - morte". No essencial, apenas repesquei o velho argumento libertário de que tolerar o pequeno assalto à propriedade privada abre a porta à abolição do direito à propriedade, com as respectivas consequências.

Neste artigo do Observador, o João Marques de Almeida opta por uma perspectiva diferente: ‹‹o Podemos é o resultado de um fracasso›› - diz. O fracasso dos partidos democráticos do arco da governação (em Espanha, claro).

O que importa aqui sublinhar é o seguinte: o Podemos é o resultado PREVISÍVEL de uma governação escabrosa. O JMA espera que tal fenómeno nunca ocorra em Portugal.

Veremos.

20 Novembro 2014

o socialismo é o ópio do povo


Nos anos setenta havia uns cartazes espalhados por Lisboa que ameaçavam:
DROGA – LOUCURA – MORTE
Era uma progressão que aterrorizava a classe média quando os respectivos descendentes entravam no ciclo infernal que se iniciava com uns charros, passava para o haxixe, chegava às anfetaminas e à coca e acabava na heroína; com a crescente alienação mental da realidade, loucura e finalmente a morte.
Esta expectativa catastrófica sobre as drogas concretiza-se no plano social com outra droga que, para mim, é o socialismo. Com o desrespeito pelos direitos cívicos, pela propriedade privada e, em última análise, pela vida.
A democracia-cristã são os charros, a social-democracia é o haxixe, o socialismo é a cocaína e, por fim, o comunismo é a heroína e o ópio. À medida que uma sociedade desce por esta quelha surge a loucura e a morte, isto é: a ingovernabilidade e, eventualmente, a guerra civil.
O Podemos, esse partido asqueroso que cativa os “nuestros hermanos” é um “pusher” da pesada. Não é a religião que é o ópio do povo, é o socialismo estúpidos.
Quando leio críticas destas, penso: então não viram no que isto ia dar? Não perceberam que o assalto à propriedade privada e a violação da liberdade individual nunca conheceria limites. Não sabem que cesteiro que faz um cesto faz um cento?
Os Podemos deste mundo são os cesteiros do socialismo. Que isto vai acabar mal é evidente, como também é evidente que não foram eles que atiraram a primeira pedra ao edifício civilizacional.

PNL

A Programação Neuro-linguística não é uma filosofia nem uma psicologia alternativa. Eu vejo-a como uma "praxis".
Os seus criadores e mentores partem de um princípio muito simples: para ter sucesso em qualquer área, o caminho mais fácil é imitar (modelar) as pessoas de génio nessa mesma área.
Nesse sentido desenvolveram uma série de pressupostos que são os alicerces, por assim dizer, da PNL:

  1. O mapa não é o território
  2. Ter escolhas é melhor do que não as ter
  3. As pessoas fazem as melhores escolhas que podem na altura
  4. As pessoas agem de modo perfeito
  5. Todos os comportamentos têm um propósito
  6. Todos os comportamentos têm uma intenção positiva
  7. A comunicação é o “feed-back”
  8. Temos todos os recursos de que precisamos e a capacidade de criar novos
  9. A mente e o corpo são um todo
  10. Não há fracassos, apenas “feed-back”
  11. A pessoa com mais flexibilidade num grupo é a mais influente
  12. Modelar o sucesso leva à excelência
  13. Todos os processos devem procurar a congruência
  14. Se queres compreender - age
:-)

quando + é -

Mais governo significa mais potencial de corrupção

Comentário: O artigo do Daily Beast refere-se à Ucrânia mas o princípio que destaquei aplica-se a qualquer país.

19 Novembro 2014

o obscurantismo é o pechisbeque dos pobres de espírito


No Domingo passado li um texto muito feio - Medicinas em confronto - de um senhor chamado Belo. Deixo aqui uma amostra:
...
Se é certo que não sou leitor de livros de medicina, acontece todavia que utilizei uma bibliografia de alguns volumes de biologia e neurologia moleculares com outros textos doutras ciências (antropologia, linguística, psicanálise, física e química), na tentativa de cumular as lacunas científicas e filosóficas da tradição fenomenológica, as carências do sujeito e da consciência em termos de corpo biológico, sociedade, linguagem, sexualidade e sua restrição pela lei tribal. Ora, para meu grande espanto, os vários livros de biologia e neurologia que li e em que tanto aprendi ignoravam, todos, qualquer referência à anatomia, incorrendo no que diagnostiquei como um preconceito filosófico – também encontrado nas outras ciências, excepto na linguística estrutural (que foi a minha ciência base de abordagem, aliás) – que consiste no privilégio da ‘substancialidade’ interna sobre a cena exterior donde todavia procede a ‘substância’. Ou seja, o raciocínio predominante nesses textos de biologia passava da determinação dos genes para o conjunto do organismo sem a mediação da anatomia, feita em todos os animais para comerem, caçarem sem serem caçados.

Na altura pensei escrever um post sobre o assunto, mas acabei por não o fazer. Hoje, também no Público, um senhor chamado Marçal escreve um belo texto - Amestrar dragões - que, na prática, é uma resposta ao texto feio do senhor Belo. Sem me perder no "privilégio da substancialidade interna sobre a cena exterior", aqui fica também uma amostra deste último.

De facto, os remédios homeopáticos não têm nada a não ser água e açúcar, porque são preparados através de uma série de diluições sucessivas. Começa-se com uma gota de qualquer coisa (não interessa quão asquerosa ou venenosa seja) e dilui-se em 99 gotas de água. Dá-se três pancadinhas, retira-se um gota dessa diluição e dilui-se novamente em 99 gostas de água. Estas duas diluições consecutivas são equivalentes a uma diluição global de 1 para 10.000. Repete-se o procedimento 28 vezes e obtém-se um preparado homeopático com a “potência 30C”, uma solução tão diluída que a probabilidade de lá encontrar uma única molécula da substância original é equivalente à de ganhar o Euromilhões várias vezes seguidas. Qualquer pessoa com conhecimentos rudimentares de química sabe disto. O secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, que assina a portaria, é químico e sabe de certeza. Os homeopatas também sabem e é por isso que dizem que a água retém uma memória das moléculas que teve dissolvidas. Mas essa memória não existe, tendo a suposta prova da sua existência, publicada em Junho de 1988 na Nature, sido uma das maiores fraudes científicas de sempre (se existisse, imagine os traumas de uma molécula de água depois de saltar de um autoclismo). Os remédios homeopáticos não funcionam melhor do que comprimidos de açúcar, porque são comprimidos de açúcar. E é isso que demonstra um extenso corpo de ensaios clínicos (não, não são precisos mais estudos, assim como não são precisos mais estudos para avaliar se a Terra é plana). O secretário de Estado adjunto da Saúde, Fernando Leal da Costa, que também assina a portaria, médico especialista em hematologia, também o saberá.
Em conclusão pergunto: a quem é que o leitor típico do Público dará crédito? Ao senhor Belo, mais às suas manigâncias retóricas pejadas de irracionalidade e de obscurantismo. Ou ao senhor Marçal e ao seu discurso científico, de uma lógica à prova de bala.
Com certeza que ao senhor Belo, o obscurantismo é o pechisbeque dos pobres de espírito. E pobres de espírito sempre os teremos entre nós.

complementaridade

A complementaridade da mulher e do homem provoca urticária na esquerda. A Lei Natural também.

mais livres

Os portugueses sentem-se mais livres do que os norte-americanos

18 Novembro 2014

a minha sogra está aterrorizada

Depois do pânico do ébola cai-nos em cima a legionella e agora vem aí a gripe das aves...

- Doutor - disse-me - dizem que o vírus pode aparecer em qualquer lugar, a qualquer momento. No Egipto já morreram duas pessoas...
- Não se consuma D. L., o que tem de ser pode muito - comentei, explorando a sua crença no destino.

80 milhões

80 milhões de bactérias são trocadas num beijo de 10 segundos

PNL - Linguagem Corporal

17 Novembro 2014

-1 semana de vida

Afonso, 8 anos. Nasceu com 23 semanas.


a diferença que 1 semana faz

Em Portugal o aborto é feito a pedido da mãe e financiado pelos contribuintes. Em certos casos (malformações fetais) até às 24 semanas e a "mãe" ainda tem direito a uma licença de 14 a 30 dias de baixa.
A maioria dos portugueses parece favorável a esta permissividade (Lei foi aprovada após referendo).
Mas se um prematuro resolver abandonar o útero materno às 25 semanas e fazer pela vida, os mesmos contribuintes também estão imediatamente dispostos a gastar dezenas de milhares de Euros para lhe dar uma ajudinha. Mesmo considerando que prematuros com este tempo de gestação têm poucas possibilidades de sobreviver e ainda menos de virem a desfrutar de uma existência saudável.
A finalidade deste post não é tomar partido na questão do aborto, nem criticar os meus colegas da neonatologia.
Apenas refletir sobre a diferença que 1 semana faz. Fará?

que se passa com a casta superior do regime?

Há quem, por oposição à sociedade civil ou aos mercados, só tenha fé no Estado como centro de racionalidade e foco de padrões morais. Que pensar, quando o próprio Estado se torna a base dos comportamentos mafiosos? É a humanidade que é fraca, esteja num banco ou numa repartição pública? Ou é o Estado, envolvido em quase tudo, que gera demasiadas tentações e oportunidades?

Rui Ramos, no Observador