25 julho 2016

tentativa de tradução

O Amor Depois Do Amor

O tempo virá
Em que, com exultação,
Vais cumprimentar-te à chegada
À tua própria casa, no teu espelho,
E ambos sorrirão com as boas-vindas.

E dirás: senta-te e come.
E amarás o estranho que eras tu.
Dá-lhe vinho. Dá-lhe pão. Dá o teu coração,
De volta, ao estranho que te amou

Toda a tua vida, e que ignoraste
Por outro que te conhece de cor.
Tira as cartas de amor da estante,

As fotografias, as notas desesperadas,
Arranca a tua imagem do espelho.
Senta-te e celebra a tua vida.


Darek Walcott

o tempo virá

Love After Love - Poem by Derek Walcott


The time will come
when, with elation
you will greet yourself arriving
at your own door, in your own mirror
and each will smile at the other's welcome,

and say, sit here. Eat.
You will love again the stranger who was your self.
Give wine. Give bread. Give back your heart
to itself, to the stranger who has loved you

all your life, whom you ignored
for another, who knows you by heart.
Take down the love letters from the bookshelf,

the photographs, the desperate notes,
peel your own image from the mirror.
Sit. Feast on your life. 

23 julho 2016

a tranquilidade de Caminha

18 julho 2016

num mundo paralelo

16 julho 2016

iluminismo

14 julho 2016

13 julho 2016

O descrédito

É uma miríade de comportamentos  e de atitudes que tomamos sob o efeito da cultura, que é aquilo que dizemos e fazemos sem nos apercebermos porquê. Nenhum desses comportamentos e atitudes só por si provaria a nossa falta de cultura democrática.

Postos em conjunto são fatais. A cultura democrática não está lá, entre nós, portugueses. É uma cultura monárquica - e de monarquia absoluta -, uma cultura de soberanos e de súbditos. Falta acrescentar que numa cultura democrática as leis e os princípios valem para todos, sem excepção. Numa cultura monárquica - e de monarquia absoluta - só valem para os súbditos, os soberanos estão acima deles.

Este episódio é de cabo-de-esquadra.   O próprio acha a coisa naturalíssima, um direito seu a aceitar um lugar que lhe ofereceram no topo da hierarquia do maior banco de investimento do mundo. O Presidente da República vai mais longe, dizendo que é um orgulho para Portugal que ele tenha chegado ao topo da hierarquia empresarial (embora - acrescento eu - sem subir a escadaria hierárquica, pelo contrário, aterrando lá de helicóptero). E o Dr. Marques Mendes, num comentário recente na TV, disse que quem critica o visado só o pode fazer por inveja.

São três políticos portugueses e todos partilham a mesma cultura - mas não certamente a democrática. Valha-nos, nesta instância, o Bloco de Esquerda.

Então um homem que, ao longo de dez anos, presidiu à Comissão Europeia, que, no âmbito das suas funções públicas (não para dez milhões, mas para quase 400 milhões de pessoas), adquiriu uma rede de contactos e informações (muitas delas confidenciais), vai agora vendê-las à Goldman Sachs e actuar como um lobista para o maior banco de investimento do mundo?

Mas então, faz-se carreira nas instituições europeias, para depois se ir vender a rede de contactos e informações (muitas dela confidenciais) ao primeiro que apareça a oferecer o melhor preço? O descrédito para a UE, e para os europeístas, é total.

Mas há mais. Não surpreende que por essa Europa do Norte fora - onde nasceu e está a cultura democrática - os protestos sejam enormes, e venham, frequentemente dos socialistas, uma família à qual, como membro e ex-Presidente do PSD, o visado pertence.

Este socialista, que começou a carreira como um socialista radical no MRPP, a incendiar carros em protesto contra os capitalistas, que mais tarde se converteu ao socialismo moderado (PSD) que, não obstante, continua a ser a ideologia adversária do capitalismo, acaba a carreira a vender-se a um ícone do capitalismo como é a Goldman Sachs?

Da próxima vez que eu vir um socialista (ou um europeista), seja ele radical ou moderado, porque ele foi tudo isso, vou dizer: "Olha...deve ser outro Durão Barroso...". E é isso que os seus colegas socialistas pensam também. E não lhe perdoam. Ele desacreditou-os a todos.