19 Setembro 2014

Os Países Bálticos

Portanto, declaram guerra à Alemanha por causa da Polónia, invadida por Estaline 15 dias depois de Hitler, e...:

http://www.latvians.com/index.php?en/CFBH/StalinSveics/HSGTBS-050-britishbaltia.wiki

"A quite well informed participant of the top level negotiations among the Allies reports:
Ever since (his) visit to Moscow in the winter (of 1941/42), ... Eden ...argued that the recognition of the boundaries Stalin claimed was a small price to pay for Soviet cooperation in the war, even if this meant that the peoples of Estonia, Latvia and Lithuania were forever consigned to Russian overlordship.
"(British Ambassador to the U.S.) Halifax reported, "Mr. Eden cannot incur the danger of antagonizing Stalin, and 18 the British War Cabinet have ...agree(d) to negotiate a treaty with Stalin, which will recognize the 1940 frontiers of the Soviet Union..."[4]
The British were determined to conclude as soon as possible an Anglo-Soviet treaty of alliance, whatever the price. The secret correspondence between Churchill and Roosevelt is very informative. It includes a letter of March 7, 1942, in which Churchill writes:
[I] feel that the principle of the Atlantic Charter ought not to be constructed so as to deny Russia the frontiers she occupied when Germany attacked her. This was the basis on which Russia accepted the Charter, and I expect that a severe process of liquidating hostile elements in the Baltic States, etc., was employed by the Russians when they took these regions at the beginning of the war. I hope, therefore, that you will be able to give us a free hand to sign the treaty, which Stalin desires as soon as possible.[5]
The consent was evidently given, and the treaty was signed on May 26, 1942. Roosevelt seems to have accepted the argument that it would not be fair to deny the Baltic countries to the Russians, who had worked so hard "severely eliminating hostile elements" there...
What about the solemn promises in the Atlantic Charter? It seems to have been mere wartime propaganda ploy to be applied or disregarded at will. It was not applied either to the British or the Soviet empire. Churchill confirms that in a secret letter to Roosevelt on Feb. 2, 1943:
Russia has signed a treaty with Great Britain on the basis of Atlantic Charter binding both nations mutually to aid each other....By it and by Atlantic Charter the two nations renounce all idea of territorial gains. Russians no doubt (! - V.V.Š.) interpret this as giving them right to claim ...their frontier of June 1941...[6] 19 
Churchill also agreed with Stalin to divide their spheres of influence in Eastern Europe when they met in Moscow, October 9, 1944. In the words of the British Prime Minister himself:
The moment was apt for business, so I said, "Let us settle about our affairs in the Balkans. - - - Russia ...(is) to have ninety per cent predominance in Rumania, for us to have ninety per cent of the say in Greece, and to go fifty-fifty about Yugoslavia....
Churchill then added a 50-50 split for Hungary and gave Stalin a 75-25 predominance in Bulgaria.
It was all settled in no more time than it takes to set down. ... The pencilled paper lay in the center of the table. At length I said, "Might it not be thought rather cynical if it seemed that we had disposed of these issues, so fateful to millions of people, in such an offhand manner? Let us burn the paper." — "No, you keep it," said Stalin.[7]""

Os outros é que são imperialistas II

Churchill, 1942:" It seems probable however that... the British Empire, far from being exhausted, will be the most powerfully armed and economic bloc the world has ever seen"

http://www.whitehousehistory.org/whha_classroom/classroom_documents-1941_c.html

microclima

... uma turma validada pelo Ministério da Educação e que tem como objectivo "criar um microclima favorável à aprendizagem daquelas crianças". Isto porque a turma exclusiva de ciganos tem apenas 12 alunos e não mais de duas dezenas como as restantes, o que "permite à professora dar um acompanhamento mais personalizado a cada criança".

Ionline

aos filhos

E por que é que as ideologias e o protestantismo, pensando por exclusão (dialogicamente), pensam mal, e são sistemas de pensamento próprios de adolescentes e jovens adultos?

De outra maneira: Por que é que um adolescente ou um jovem adulto pensa por exclusão e, portanto, ao  excluir uma parte da realidade, pensa mal?

O que é que falta a um adolescente ou a um  jovem adulto (que pensa por exclusão, e portanto, mal) e que está presente num homem maduro, por exemplo, um velho pai de família (que pensa por analogia, por inclusão, em termos comunitários), e mais ainda numa velha mãe de família?

O que é que lhe falta?

Falta-lhe conhecer e amadurecer o maior, o mais forte, e o mais duradouro de todos os amores.

Que é o amor aos filhos.

É esta experiência que diferencia a maneira de pensar de um homem maduro (e mais ainda de uma mulher madura) da maneira de pensar do adolescente ou do jovem adulto. E o diálogo torna-se praticamente impossível. Só a experiência (que não o intelecto) ditará quem tem razão.

Deve ser o velho pai de família e a velha mãe de família (porque têm mais experiência).

18 Setembro 2014

na tenra idade

Se você amputar a linha horizontal da sua parte direita a partir do centro, então o liberalismo é de direita, o nazismo e o fascismo também, embora ambos à esquerda do liberalismo.

(Mussolini, o fundador do fascismo, era um dissidente do partido socialista que, tal como todo o socialista, procurou organizar a sociedade a partir do Estado. Quanto ao partido nazi de Hitler, o seu nome não deixa dúvidas a ninguém: Partido Nacional-Socialista).

Mas isto só é assim porque você decidiu amputar a parte direita da linha horizontal e ver o mundo como se o catolicismo não existisse. Na verdade, nas universidades (faculdades de economia, direito, etc.) discute-se o liberalismo e o socialismo - isto é, em ambos os casos: protestantismo -, mas o pensamento social católico nunca é discutido. É como se não existisse.

(Em termos práticos, isto significa que os países de grande influência protestante como os da América do Norte e do Norte da Europa não ligam nada aos países católicos e à sua cultura ou maneira de viver - é algo que não lhes interessa e de onde nada pode vir de interessante, é coisa para esquecer).

Esta amputação da realidade é uma das características da esquerda, mais vincada no socialismo do que no liberalismo. O Papa Bento XVI referindo-se ao pensamento do Kant (o primeiro teórico do socialismo) disse que ele fazia uso de uma razão amputada.

E por que é que a esquerda (socialista ou liberal) amputa a razão, por que é que ela pensa sempre em termos partidários ou sectários, e se mostra incapaz de pensar em termos comunitários, como faz o catolicismo?

Para responder vou de volta a uma analogia que dei anteriormente (um homem de direita pensa por analogia, ao passo que um homem de esquerda pensa por dialogia, que significa separação, exclusão ou amputação). A primeira seita protestante (luterana) mais não é do que um grupo de irmãos (liderados por Lutero) que se separa da família ou comunidade (Igreja Católica).

Ora a Igreja Católica tem um pai (Papa) que pensa em termos de toda a comunidade (que é o significado da palavra Igreja), e não em termos deste ou daquele grupo ou seita - um pai que pensa em termos do bem comum.

Ora, o grupo de irmãos não tem lá no meio esta figura. Para se pensar em termos comunitários é preciso em primeiro lugar presidir a uma comunidade, e é isso que o Papa faz (como de resto faz o vulgar pai de família). O grupo de irmãos é um grupo de adolescentes, que pensam em função dos seus interesses ou das suas ambições de poder, mas jamais em termos do bem-comum.

As ideologias - seja a liberal seja a socialista - são sistemas de pensamento de adolescentes, ou de jovens adultos. Lutero e Calvino nunca tinham  presidido a uma comunidade quando se revoltaram contra a Igreja. Eram jovens adultos na tenra idade dos 30 anos. ( O Papa Francisco, a propósito da sua própria pessoa, referiu-se recentemente à "louca idade dos 30 anos").

não tem partido

Recentemente, escrevi neste blogue que o liberalismo é a primeira ideologia de esquerda e que a direita é o pensamento católico que enformou toda a organização social da Europa Ocidental desde a Idade Média até à modernidade.

O socialismo só surgiu cerca de um século depois do liberalismo, e colocou-se à sua esquerda porque é uma pensamento social ainda mais ofensivo do catolicismo do que o liberalismo. Todos os outros ismos derivam destas duas ideologias. Assim, por exemplo o libertarianismo deriva do liberalismo e o fascismo é uma deriva do socialismo, o mesmo acontecendo com o nazismo.

(A primeira característica do socialismo é a de querer organizar a sociedade a partir do colectivo - o Estado -, ao passo que o liberalismo a organiza a partir do indivíduo e o catolicismo a partir da família)

Ao dizer que o liberalismo e o socialismo são ambos de esquerda, figurei uma linha horizontal onde à esquerda está o liberalismo e onde, ainda mais à esquerda, está o socialismo, mas deixei em branco aquilo que está à direita.

É altura de mencionar um elemento central do pensamento social de direita. Faço-o a propósito de um ou dois posts publicados há tempos, suponho que  pelo Joaquim, em que, depois de dizer que os maiores partidos portugueses são todos de esquerda, lamentava a ausência de um partido de direita em Portugal.

Ora, uma das características - seguramente uma das mais importantes -, do pensamento social de direita é a de que é apartidário. É comunitário. Um homem de direita não tem partido. A direita não tem partidos.

repulsivo

A finalidade da moda não é realçar a beleza feminina?

Ver aqui

a verdadeira notícia

Ministros da Saúde da UE propõem um cartel bom

estalinista

A verdade é outra: as dificuldades, maiores ou menores, que há todos os anos por altura da abertura do ano escolar são uma consequência directa do gigantismo paquidérmico do Ministério da Educação, do seu centralismo e da sua obsessão monopolista. É também uma consequência de o foco das suas políticas ser há muitos anos os professores, as suas carreiras e os seus direitos, e não os alunos e as suas famílias.
Basta olhar para o mastodonte. O Ministério da Educação não é só a maior “empresa” portuguesa, com mais de 150 mil funcionários e uma burocracia que vomita directivas sobre directivas. O ME é também uma empresa com milhares de locais de trabalho diferentes, com necessidades diferentes, mas que está capturado por interesses sindicais que o obrigam a tratar todos os funcionários e todos os candidatos a funcionários de forma uniforme e centralizada.
Comentário: Passa-se o mesmo na saúde e na segurança social.

desafio à UE


16 Setembro 2014

Os outros é que são imperialistas


um dos melhores do mundo

Portugal considerado um dos melhores países do mundo para viver.

You might be surprised to know that Portugal is one of the most peaceful countries in the world, but it’s true. The country has been a member of the EU for roughly 26 years and it forms a part of the European Monetary System and use the single European currency. Portugal is the world’s 43rd largest economy according to the World Bank and it has one of the highest GDP growth rates among the OECD countries. The country has the low crime rates, great standards of living and a stable government. Plus, fascinating sandy beaches, golden plains and impressive mountains, a millennial heritage and vibrant cities make Portugal one of the best places to live in.

a verdadeira notícia

O aumento do salário mínimo vai direitinho para os supers

15 Setembro 2014

a tradição impõe-se sempre

The Gods of the Copybook Headings 



AS I PASS through my incarnations in every age and race,
I make my proper prostrations to the Gods of the Market Place.
Peering through reverent fingers I watch them flourish and fall,
And the Gods of the Copybook Headings, I notice, outlast them all.

We were living in trees when they met us. They showed us each in turn
That Water would certainly wet us, as Fire would certainly burn:
But we found them lacking in Uplift, Vision and Breadth of Mind,
So we left them to teach the Gorillas while we followed the March of Mankind.

We moved as the Spirit listed. They never altered their pace,
Being neither cloud nor wind-borne like the Gods of the Market Place,
But they always caught up with our progress, and presently word would come
That a tribe had been wiped off its icefield, or the lights had gone out in Rome.

With the Hopes that our World is built on they were utterly out of touch,
They denied that the Moon was Stilton; they denied she was even Dutch;
They denied that Wishes were Horses; they denied that a Pig had Wings;
So we worshipped the Gods of the Market Who promised these beautiful things.

When the Cambrian measures were forming, They promised perpetual peace.
They swore, if we gave them our weapons, that the wars of the tribes would cease.
But when we disarmed They sold us and delivered us bound to our foe,
And the Gods of the Copybook Headings said: "Stick to the Devil you know." 

On the first Feminian Sandstones we were promised the Fuller Life
(Which started by loving our neighbour and ended by loving his wife)
Till our women had no more children and the men lost reason and faith,
And the Gods of the Copybook Headings said: "The Wages of Sin is Death." 

In the Carboniferous Epoch we were promised abundance for all, 
By robbing selected Peter to pay for collective Paul; 
But, though we had plenty of money, there was nothing our money could buy, 
And the Gods of the Copybook Headings said: "If you don't work you die." 

Then the Gods of the Market tumbled, and their smooth-tongued wizards withdrew
And the hearts of the meanest were humbled and began to believe it was true
That All is not Gold that Glitters, and Two and Two make Four
And the Gods of the Copybook Headings limped up to explain it once more.

As it will be in the future, it was at the birth of Man
There are only four things certain since Social Progress began. 
That the Dog returns to his Vomit and the Sow returns to her Mire, 
And the burnt Fool's bandaged finger goes wabbling back to the Fire;

And that after this is accomplished, and the brave new world begins
When all men are paid for existing and no man must pay for his sins, 
As surely as Water will wet us, as surely as Fire will burn, 
The Gods of the Copybook Headings with terror and slaughter return! 


Poema de Kipling, citado neste artigo do Roger Cohen

foi na festa de S. Lourenço


J. Rentes de Carvalho
"Aqui Nasceu"
Pintura a óleo s/ tela, 50x70 - Adélio Martins


Foi nesta casa em Vila Nova de Gaia que a 15 de Maio de 1930, nasceu o escritor J. Rentes de Carvalho. O seu monte, a sua rua, a sua casa com escadas.
Nove meses após a festa de S. Lourenço em Estevais de Mogadouro, Trás-os-Montes, nascia J. Rentes de Carvalho. Foi nessa festa a 10 de Agosto de 1929 que o escritor julga que foi gerado. São revelações do seu romance "Ernestina" para mim, a sua melhor obra.
Esta era a casa do seu avô José Maria, um seu herói, e onde Rentes de Carvalho foi criado. José Maria, guarda-fiscal de profissão, comandou o posto da Afurada, era um pedagogo nato, e era ao colo do avô, que através da janela, o jovem Rentes de Carvalho aprendeu a ver a cidade do Porto, o panorama do rio Douro, as suas cheias, a ponte de D. Luiz, os armazéns do Vinho do Porto, o fogo de artifício na noite de S. João.
O avô através da janela tudo lhe ensinava. Ansioso esperava o seu herói sentado no cimo das escadas. O avô era a calma e o aconchego. Em frente a sua casa ficava o Largo do Monte dos Judeus, isto na boca do povo, hoje chama-se: Monte Coimbra. Para o jovem Rentes este largo era vasto como um mundo, hoje é um espaço diminuto ao cimo de uma tosca e estreita escadaria medieval. Brincava à porta de casa, um espaço não calcetado, poiso de cães e gatos vadios, esperando pelo avô, que trazia o "Janeiro" onde aprenderia a ler. Aqui passou a adolescência na companhia da avó Maria, com quem aprendeu a rezar, do pai Afonso e da mãe Ernestina.
São memórias do seu romance "Ernestina" inspirado na sua mãe e onde o escritor nos conta a sua infância em Vila Nova de Gaia, a vida escolar, a descoberta do Porto a grande cidade, e as férias sempre passadas na terra Natal dos seus pais e avós, em Estevais de Mogadouro.

Fui descobrir o local onde nasceu o enorme escritor J. Rentes de Carvalho, e tentei recriar o que seria o Monte dos Judeus em 1940.

Adélio Martins

indigesto

Li o primeiro capítulo e desisti. O texto é enfadonho e repleto de lugares comuns. Aparentemente os bifes também o acharam indigesto.

14 Setembro 2014

Reinar

Um regime republicano pode ser mais ou menos presidencialista e, portanto, o Presidente da República pode governar mais ou menos. Num regime monárquico a função principal do Rei nunca é a de governar.

Então é o quê?

Reinar.

o médico II


Quando ouço um elogio saco logo da pistola (just joking). Daí que quando comecei a ler esta redação do João César das Neves sobre os médicos, com tantas loas e encómios, fiquei logo à espera da provocação. E ela veio nos parágrafos seguintes: os médicos são broncos (... com menos sensibilidade diplomática, social, relacional e artística... que os porteiros ou mineiros) mas, de tão eruditos, nunca se dão conta disso.
‹‹Pistola amiga, volta para o coldre››. Eu não sabia que ele sabia que eu não sabia, de tanto saber, aquilo que não sabia. Confusos? É a minha falta de sensibilidade relacional.
Mas vamos ao que mais me despertou a atenção: “um espírito clínico nunca conseguirá dominar a lógica económica”; “nem entender os pormenores de um orçamento”. Porquê? Porque os médicos lidam com a vida e a vida não tem preço (deduzo do texto).
Ora a minha experiência revela exatamente o contrário. Os médicos são gestores naturais, habituados a racionalizar os recursos existentes e a maximizar a utilidade que deles extraem.
Se parece que não se interessam por orçamentos é porque nos serviços de saúde os seus objectivos não estão alinhados com os objectivos da organização, provocando tensões que apenas traduzem conflitos de interesse.
É interessante que a maior parte dos economistas não entenda esta problemática. Mas como passam pouco tempo a estudar matérias tão vastas, escapa-se-lhes um elemento essencial: os médicos são pessoas como as outras.
Pessoas cuja verdadeira erudição não vem dos livros, mas do contacto com outras pessoas. Daí Abel Salazar afirmar que “o médico que só sabe medicina, nem de medicina sabe”. E qual é o valor mais importante que os médicos aprendem no exercício da sua profissão?
‹‹Eu sei que o João César das Neves sabe que eu sei que ele sabe que eu sei››: é a Caridade. Um valor omnipresente na clínica pela exposição constante à dor e ao sofrimento humano.
Valor que só uma pequena elite de conomistas conhece, sendo de realçar que o João faz parte, seguramente, desse clube restrito.

o médico


... o médico ...  é um personagem muito especial. Pertence à classe da sociedade que exige mais reflexão e conhecimentos. Não existe outra profissão que imponha tantos anos de preparação e estudo. Além disso, lidando toda a vida com a dor e o sofrimento, necessita de grande solidez anímica e sentido ético. Mas, por outro lado, não há nenhuma outra formação tão estreita, dirigida e especializada. O médico gasta anos apenas para estudar o funcionamento de um pequeno mecanismo, o mais complexo e sofisticado do universo conhecido, mas muito reduzido. Trabalha durante décadas para compreender o joelho, o ventrículo esquerdo ou uma infecção particular da córnea. Nunca tanta energia humana foi aplicada em espaço tão minúsculo.
Dada a magnitude da preparação e a exiguidade do âmbito de aplicação não admira que se gerem enormes distorções pessoais. Os grandes médicos são génios incomparáveis num campo muito limitado. Isso significa que os clínicos são, em geral, pessoas cuja enorme educação superior os privou de conhecimentos na área relacional, política, comunitária e até pessoal. Por formação, têm menos sensibilidade diplomática, social, relacional e artística que os juristas, arquitectos, militares, até que os engenheiros, porteiros ou mineiros. Mas, de tão eruditos, nunca se dão conta disto.
Se o problema é genérico, existe um campo em que se manifesta particularmente nítido. Em especial, há um elemento radicalmente oposto à mentalidade médica: a economia. Um espírito clínico nunca conseguirá dominar a lógica económica. Um médico faz muitas escolhas na vida, talvez mais do que qualquer outra profissão. Mas em todas as suas opções entra um elemento absoluto, irredutível e incomparável, a vida. Por isso lhe é tão difícil compreender as subtilezas da negociação, do compromisso, do equilíbrio. Esta é uma característica que partilha com os padres. Não se pode pedir a alguém que passou o dia a decidir sobre a vida dos outros que entenda os pormenores de um orçamento.
...

João César das Neves

a Monarquia

Recentemente, em duas ocasiões distintas, conversava com  pessoas conhecidas acerca dos problemas de Portugal.

Às tantas, fui metendo o tema da Tradição e, discretamente, acabei por avançar: "Sabe, a nossa tradição é monárquica e devíamos voltar à monarquia...".

Em ambos os casos, a reacção foi de surpresa, acompanhada de um torcer de nariz e de duas ou três observações depreciativas acerca da pessoa de D. Duarte Pio de Bragança.

Mudei rapidamente de assunto, pensando para com os meus botões, em ambos os casos: "Este homem gostava de ser ele a escolher o Rei. Pensa como um republicano. Na República é que as pessoas escolhem o Chefe de Estado. Na Monarquia ele não é escolhido por ninguém. É escolhido por Deus".

E esta é uma das grandes - uma das maiores - vantagens da Monarquia sobre a República. Porque, quando nos pomos a escolher, não só não sabemos escolher - a propósito: se fosse você a escolher o seu Pai teria tido um melhor Pai do que aquele que tem, e que não foi escolhido por si? - como nos dividimos na escolha e nos pomos uns contra os outros. Acabou-se a comunidade.

O regime político da tradição católica é a Monarquia.

Comparado com a República, a Monarquia é o único regime político que preserva o sentimento de comunidade. A Monarquia une. A República divide.

Foi você...?

O paradigma de organização social da cultura católica é a família. O paradigma de organização social da cultura protestante é um grupo de irmãos separados da família e em conflito com ela.

Como se escolhe o Chefe (Chefe de Estado)?

Na cultura protestante, o processo de escolha do Chefe deve parecer agora óbvio. Os irmãos vêem-se a todos como iguais, ninguém reconhece a um mais importância do que a outros. Vão a votos, uma cabeça um voto, a solução igualitária. Aquele que receber mais votos é o Chefe. É o sistema de democracia de sufrágio universal.

Na família o Chefe é o Pai.

E numa comunidade de cultura católica como é que se escolhe o "Pai" (Chefe de Estado)?

Antes de responder a esta questão gostava de lhe fazer duas perguntas, para que reflectisse sobre elas:

-Foi você que escolheu o seu Pai?
-Acha que, se tivesse sido você a escolher o seu Pai, teria tido um melhor Pai do que aquele que tem, e que não foi escolhido por si?

Razões para não sair do €

Crescimento dos balaços dos bancos centrais ("imprimem" moeda e compram activos financeiros, antes era só dívida pública, agora incluem dívida privada). Fonte: The Economist.


Embora, como é clássico, a deflaçãofobia estrutural, venha a piorar a coisa.

diferença de culturas

Vou prosseguir agora o post anterior para ilustrar a diferença de ideias prevalecentes na família (cultura católica) e no grupo de irmãos que se separaram da família (cultura protestante) que referi aqui.

Não serei exaustivo e deixarei ao leitor a tarefa de completar este exercício.

Na família existe diferença (e hierarquia) e todos se apercebem das diferenças, um é o pai, a outra é a mãe, existem depois os filhos. Pelo contrário, no grupo de irmãos aquilo que prevalece é a igualdade, eles vêem-se a si próprios como iguais. Daí o ênfase católico na diferença e o ênfase protestante na igualdade.

Há certas questões essenciais da vida às quais o grupo isolado de irmãos nunca conseguirá responder, por exemplo: "Quem é o nosso pai?". Para saberem a verdade acerca desta questão eles precisavam de estar junto da Mãe, a única pessoa que lhes pode responder com verdade absoluta a esta interrogação. Quando muito eles podem formular opiniões ou conjecturas, mas não podem nunca chegar à verdade. Daí o ênfase protestante na opinião (por exemplo, Kant, o filósofo do protestantismo luterano, é categórico acerca de que o homem não pode chegar à verdade) e o ênfase católico na verdade (os filhos que permaneceram na família e junto da Mãe podem saber a verdade acerca desta questão).

Na família a pessoa mais importante é a Mãe, e os filhos que permanecem na família vão dar-se conta disto. Entre outras coisas é a Mãe que  resolve a maior parte dos conflitos entre os filhos, sem necessidade de intervenção do Pai. Pelo contrário, no grupo isolado de irmãos os conflitos vão ser resolvidos, em última instância, pela força física e aí prevalece a dos homens. Por isso, a cultura católica é uma cultura feminina, dando prevalência à mulher, enquanto a cultura protestante é uma cultura masculina, dando prevalência ao homem.

Os problemas da família resolvem-se normalmente em privado e daí o carácter privado da cultura católica. Pelo contrário, os problemas que afectam o grupo separado de irmãos  vão-se discutir e resolver em público, e daí o carácter público da cultura protestante. Na realidade, foi trazendo a público  - e, por essa via, angariando apoios para a sua causa - problemas que deveriam ter sido tratados na privacidade da família, que eles se constituíram em grupo separado, cresceram e aumentaram o seu poder e influência. 

Na família há regras e códigos de comportamento, mas umas e outros são não-escritos. Os pais estabelecem para os filhos regras e códigos de comportamento que herdaram dos seus próprios pais e avós, com um ou outro ajustamento aos novos tempos e ao lugar. A família é governada pela Tradição e são os pais (e avós) que a passam aos mais novos. No grupo separado de irmãos, não há tradição porque eles vivem apartados da família. Como é que eles se vão então organizar para viverem em conjunto? Vão de volta aos livros (aquilo que os protestantes primeiro fizeram foi ir de volta às Escrituras e renegar a Tradição, impondo o princípio "Sola Scriptura"), estudá-los, discuti-los em público e depois, logo que haja um consenso mínimo, impor as regras e os códigos de comportamento através de Leis escritas.
Daí o ênfase católico na Tradição e o ênfase protestante na Lei.

O valor principal prevalecente na família é o amor e está lá em diferentes variantes - paternal, filial, fraternal, maternal, romântico. O mais importante, e o mais forte de todos, é o amor maternal e é ele também o mais decisivo para manter a família unida, isto é, como uma comunidade, e não meramente como uma associação ou sociedade. No grupo separado de irmãos existe o amor fraternal, mas este não é, nem de longe, a variedade mais forte do amor. Presta-se a ser facilmente desalojado por outras tendências do espírito humano, como o interesse ou o desejo de poder.
O lema da família é "Um por todos e todos por um", enquanto o lema prevalecente no grupo de irmãos facilmente se torna diferente, por exemplo, "Cada um por si" (calvinismo, liberalismo) ou "Todos por todos" (luteranismo, socialismo).
Daqui resulta o ênfase católico no amor por contraposição ao ênfase protestante no interesse-próprio ou no poder das massas.

13 Setembro 2014

Está preso

Eu gostaria agora, através de um conjunto de posts, de descrever a Reforma Protestante com o mais baixo nível de abstracção possível, a fim de analisar e dar significado concreto a muitas instituições e ideias que dela saíram.

Não sem antes chamar a atenção para o facto de todos os conceitos que referi aqui estarem presentes na família. Na realidade, o modelo de organização social do catolicismo, que o João César das Neves anda agora, e  apropriadamente, à procura - o seu verdadeiro paradigma - é a família.

É precisamente utilizando o paradigma da comunidade familiar que me proponho prosseguir o meu exercício, e responder à questão: por que é que as duas grandes ideologias modernas que sairam do protestantismo - o liberalismo (a partir do calvinismo) e o socialismo (a partir do luteranismo) passam o tempo a falar de liberdade?

Imagine uma família formada pela Mãe (analogia de Igreja, Santa Madre Igreja), o Pai (Papa) e muitos filhos. A certa altura um deles (Lutero) começa a criticar violentamente a  Mãe (Igreja).

(A palavra criticar tem a sua origem mais remota na palavra grega krisis, que significa separar. Portanto, já se está a ver o que é que vai resultar das críticas do filho à Mãe - separação.)

(Já agora, e a propósito de crítica e do seu significado, ocorre-me ao espírito aquele filósofo cujos principais livros têm por título "Crítica da ...".  Não é difícil  antecipar o efeito que a filosofia deste homem produz na comunidade - separação, divisão, no fim todos à bulha uns com os outros).

O Pai (Papa) ainda tentou intervir para repreender o filho (Lutero) pelas críticas à Mãe (Igreja). Mas sem resultado. As críticas subiram de tom e o Pai não teve outro remédio - pôs o filho fora de casa (excomunhão de Lutero).

Tudo teria ficado por aqui, não é inédito um Pai pôr um filho fora de casa. O problema é que outros filhos, que o pai nunca punira, seguiram o irmão - auto-excluiram-se da família, largamente pela influência que o irmão tinha sobre eles.

Formaram assim uma seita (Luteranismo). Aquilo que os ligava era um conjunto de ideias críticas (uma ideologia)  acerca da Mãe ( Igreja), e, já agora, também acerca do Pai (Papa), que insistia em proteger a Mãe (Igreja).

(Mais tarde, outro filho (Calvino) faria o mesmo, dando lugar a  uma segunda seita e a uma segunda ideologia).

Em seguida, foi como se tivessem subido a um monte, que lhes dava a superioridade necessária para analisar do alto  os defeitos da família - isto é, para a criticar. A força do grupo permitiu-lhes construir um castelo, que o irmão sozinho nunca teria construído, e conferiu-lhes segurança mútua. E tendo construído o castelo, fecharam-se lá dentro e declararam-se sitiados. E desataram a disparar sobre a família todo o tipo de insultos, injúrias e deprecações, enfim, todo o tipo de críticas. Chegaram a chamar puta (Whore of Babylon) à Mãe.

E nunca mais deixaram de falar em Liberdade.

O outro grupo de irmãos - o de Calvino - fez o mesmo. Separaram-se da família, subiram ao alto, construíram um castelo, fecharam-se lá dentro, declararam-se sitiados, e depois dispararam sobre a família.

E também nunca mais deixaram de falar em Liberdade.

Porquê, por que é que nem uns nem os outros nunca mais deixaram de falar de Liberdade,  será  que não se consideravam livres?

Claro que não. Cada grupo estava lá auto-sitiado em seu próprio castelo.

Se você subir a um monte, construir um castelo, se fechar lá dentro e depois desatar a disparar sobre quem passa cá em baixo, você acha que é um homem livre?

Claro que não é. Está preso no castelo que você próprio construiu. Experimente sair dele e vai ver o que é que lhe acontece. Na realidade, só ousará sair  se trouxer a seita toda atrás de si para o proteger. E mesmo assim...eu cá tinha medo.

Então, e quem são os homens livres? Aqueles filhos que ficaram na família, aqueles que continuaram a fazer a sua vida normal e regular cá em baixo na planície enquanto ocasionalmente escutavam os insultos e as críticas que vinham do castelo, aqueles, enfim,  que continuaram a respeitar a Mãe (Igreja, do grego ekklesia, comunidade) e a obedecer ao Pai.

A Liberdade está na obediência, não na desobediência (de Lutero ou de Calvino).

um castelo

Numa certa fase da minha vida e da minha carreira académica participei e assisti a várias conferências e reuniões de organizações como o Instituto von Mises, incluindo este.

Nunca consegui aderir a nenhuma.

Porquê?

Era um sentimento que  essas organizações produziam em mim, que durante vários anos eu não consegui racionalizar e só com o tempo se veio a tornar explícito no meu espírito.

É o seguinte.

Uns tipos, irmanados por um certo conjunto de ideias, sobem a um monte e constroem lá um castelo.

Depois, metem-se todos lá dentro e declaram-se sitiados.

Em seguida, desatam a  disparar sobre toda a gente que se encontra cá em baixo na planície à sua volta.

conceitos

E que conceitos são esses?

Os seguintes (entre parêntesis, os correspondentes protestantes; havendo dois, o primeiro é o calvinista e o segundo o luterano)

-Comunidade (em lugar de sociedade)
-Pessoa (em lugar de indivíduo)
-Caridade ou amor (em lugar de interesse ou poder)
-Diferença (em lugar de igualdade)
-Autoridade (em lugar de liberdade)
-Cooperação (em lugar de competição ou de luta)
-Dádiva (em lugar de troca ou de imposição)
-Bem comum (em lugar de interesse público ou bem-estar social)
-Povo (em lugar de classe média ou massa)
-Deus (em lugar de homem ou de sociedade)
-Mulher (em lugar de homem)
-Tradição (em lugar de Lei)
-Verdade (em lugar de opinião)
-Sentimento privado (em lugar de opinião pública)
-Universalismo (em lugar de internacionalismo)
-Coração (em lugar de razão)
-Doutrina (em lugar de ideologia)
-Privacidade (em lugar de publicidade)
-Passado (em lugar de futuro)
-Simplicidade (em lugar de complexidade)
-Inclusividade (em lugar de exclusividade)
-Totalidade (em lugar de parcialidade)
-Pensamento analógico (em lugar de dialógico)

sem comentários

Portugal não é um problema - entrevista

Os portugueses não conhecem o país real onde vivem. Portugal não é pobre, nem é pequeno e não está na cauda da Europa. João César das Neves defende que Portugal não é um problema, apesar de ter muitos problemas. Para os resolver, o professor de Economia da Universidade Católica propõe uma abordagem diferente, baseada em conceitos da Igreja Católica.

tendencialmente pago

O Serviço Nacional de Saúde apertou o cinto, as famílias pagaram mais. Entre 2011 e 2012 a despesa do Serviço Nacional de Saúde diminuiu e aumentaram "sucessivamente" os gastos das famílias com saúde, revela um balanço divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Estatística. As famílias chegaram a pagar do seu bolso, além dos impostos que financiam o SNS, 28,8% do montante nacional gasto na área da saúde, valor recorde nos últimos anos.

Ionline

Comentário: O SNS faliu e ninguém deu por nada. Num país em que há um serviço de saúde público, geral, universal e tendencialmente gratuito, o facto das famílias suportarem cerca de 30% da despesa total diz tudo.

bicefalia II

Como era previsível e como eu previ aqui