22 fevereiro 2024

MEDITATION

MEDITAÇÃO


Pintura a óleo de Ryan Lauder

 

Numa entrevista sobre budismo, perguntaram a um monge tibetano se meditava todos os dias.

 

— Sim, medito todos os dias. – respondeu o monge.

— Quanto tempo? – perguntou o jornalista.

— Depende, às vezes apenas cinco minutos ou até menos. Tenho de tratar da horta. – esclareceu o monge.

 

Um dos muitos equívocos sobre a meditação é que ocupa muito tempo e que é pouco compatível com as exigências da vida moderna. Na realidade, porém, o que é necessário é criar um hábito e disciplinarmo-nos a meditar todos os dias. O ideal serão 15 a 20 minutos, mas se tivermos de “tratar da horta” podem ser apenas 3 minutos.

 

Um segundo equívoco é que, durante a meditação, é necessário travar o trem de pensamentos e contemplar o vazio. Ora esse objectivo, por ser inatingível, desencoraja os iniciantes, que acabam por desistir.

 

O essencial é apenas focar a atenção e isto consegue-se se nos focarmos na respiração. Podemos manter um ritmo normal de respiração e apenas focarmo-nos nos movimentos respiratórios e nas sensações correspondentes ou adotarmos técnicas respiratórias de relaxamento, que diminuem a frequência cardíaca e baixam a tensão arterial.

 

Diversos estudos científicos (1) demonstram que a meditação diária tem impacto na estrutura do cérebro, com aumento do volume da massa cinzenta do córtex pré-frontal e do lobo parietal (estudos com Ressonância Magnética).

 

Estas alterações, que poderão constituir a base neurológica para a diminuição do stress, da ansiedade e de sintomas depressivos, surge precocemente e pôde ser documentada após 20 minutos de meditação diária durante 20 dias.

 

Aparelhos de bio feedback, que monitorizam o traçado eletroencefalográfico durante a meditação, podem ser utilizados, especialmente pelos neófitos, mas são dispensáveis.

1)    Yuan, J., Connolly, C., Blom, E., Sugrue, L., Yang, T., Xu, D., … & Tymofiyeva, O. (2020). Gray matter changes in adolescents participating in a meditation training. Frontiers in Human Neuroscience, 14.

21 fevereiro 2024

MINDFULNESS


Mindfulness” é definida por diversos autores (1,2,3) como ‹‹um estado mental caracterizado pelo foco no momento presente, reconhecendo e aceitando os pensamentos, sentimentos, sensações físicas e ambiente circundante sem preconceitos nem resistências››.

 

No limite, esta definição quase se sobrepõe à definição de saúde da OMS: ‹‹Um estado de completo bem-estar físico e psíquico›› ou ao conceito budista de Nirvana; proposições que representam mais uma utopia do que uma realidade existencial.

 

Limito-me, portanto, a sublinhar o foco no momento presente e a oposição ao multitasking que nos querem fazer engolir à força.

 

Viver no presente, que é a nossa realidade, implica distanciarmo-nos de eventos passados que nos podem estar a diminuir e aceitar os riscos e incertezas relativamente ao futuro.

 

Toda a vida é movimento e focar no presente não é cair num estado apático e semicomatoso. No presente podemos estar a planear o futuro e devemos estar focados nessa tarefa, nesse momento. Isto é mindfulness!

 

O futuro está repleto de incertezas e pode gerar ansiedade e stress, distraindo-nos da certeza do presente e da felicidade que a existência oferece. A mindfulness ajuda a desfrutar do presente, sem renegar a inevitabilidade de mudanças.

 

Imaginemo-nos num barco a remos que navegamos calmamente num rio de águas mansas, num resplandecente dia de verão. A mindfulness inspira que desfrutemos da felicidade suprema do momento, a luminosidade, as vistas, os cheiros, a sensações corporais, sem esquecer que temos um destino.

 

Digamos que a mindfulness é sobretudo uma atitude, uma postura e um estado de espírito. É sair da autoestrada (life in the fast track) e aventurarmo-nos pelos caminhos sinuosos e lentos da paisagem circundante. É descobrir o que estamos a perder.

 

O burnout é provocado pelo excesso de trabalho, pelo multitasking, pelo stress constante e pela falta de reconhecimento e de suporte emocional; uma atitude de mindfulness é profilática e terapêutica do burnout.

 

 

1)    Baer, R., Smith, G., Hopkins, J., Krietemeyer, J., & Toney, L. (2006). Using self-report assessment methods to explore facets of mindfulness. Assessment, 13(1), 27-45.

2)    Krusche, A., Jack, C., Blunt, C., & Hsu, A. (2019). Mindfulness-based organisational education: an evaluation of a mindfulness course delivered to employees at the royal orthopaedic hospital. Mindfulness, 11(2), 362-373.

3)    Lampe, L. and Müller-Hilke, B. (2021). Mindfulness-based intervention helps preclinical medical students to contain stress, maintain mindfulness and improve academic success. BMC Medical Education, 21(1).

Mil e uma (7)

 (Continuação daqui)



7. Imita tudo

Seria difícil imaginar os ingleses, que têm uma cultura fortemente influenciada pelo anglicanismo e pelo protestantismo calvinista, ambicionarem algum dia imitar o regime de Salazar que vigorou em Portugal até 1974.

Mas não é nada difícil imaginar os portugueses a imitar o regime de democracia liberal inventado pelo ingleses e que eles praticam há séculos sem interrupção e felizes com eles próprios. Desde 1820 que Portugal procura imitar o regime de democracia liberal britânico, uma imitação só interrompida entre 1926 e 1974 com o regime do Estado Novo.

Na realidade, desde 1820 Portugal conheceu todos os regimes políticos e ideologias que é possível imaginar, monarquia absoluta, monarquia constitucional, democracia, ditadura, república, socialismo, liberalismo. A maior parte são "fatos" que não lhe servem, como é o caso da democracia liberal.

Mas porquê esta tendência para imitar tudo o que se passa na civilização, incluindo regimes políticos e ideologias que definitivamente não fazem parte da sua tradição, e estão destinados a ser fatos que não lhe servem.

A razão é a sua cultura católica, uma palavra que, do grego, significa universal. Ora, uma cultura universal tem de ter tudo aquilo que existe no mundo. Trata-se de uma cultura imitadora por excelência. A cultura católica imita tudo para permanecer uma cultura verdadeiramente católica ou universal.

Como sucede com todas as imitações, umas são boas e outras são francamente más. Acontece assim com a democracia liberal, imitada dos países protestantes do norte da Europa.  

Mil e uma (6)

 (Continuação daqui)



6. Solus Christus

Por entre as cinco "Solas" que constituem o lema comum às diferentes correntes do protestantismo, "Solus Christus" é um dos mais decisivos.

O catolicismo venera Cristo, a sua mãe Maria e os santos e, por um daqueles paradoxos em que o catolicismo é pródigo, a tradição popular chega a dar mais centralidade a Maria, que não é deusa nenhuma do que ao próprio Cristo, que é Deus. 

O protestantismo tirou Maria do pedestal em que o catolicismo a coloca, e ela e os santos desapareceram do altar para deixar lá apenas a figura de Cristo, a única que é objecto de veneração.

Onde o catolicismo coloca uma Mulher como centro da comunidade, o protestantismo colocou lá um Homem.

A democracia assenta no princípio da igualdade entre todos os cidadãos, um princípio que é fácil aceitar entre os homens, mas muito mais difícil de fazer vingar entre as mulheres.

É difícil encontrar no mundo duas mulheres em que uma aceite ser igual à outra. 

A democracia está condenada ao insucesso em Portugal, um país de cultura profundamente católica.


(Continua acolá)


Mil e uma (5)

 (Continuação daqui)



5. Não é para donzelas

A democracia é um produto das sociedades protestantes do norte da Europa, que são sociedades masculinas, tendo no centro a figura de Cristo. A cultura católica, pelo contrário, é uma cultura feminina, tendo no centro a figura de Maria.

A democracia traduz-se, por isso, num debate musculado de ideias acerca da maneira como cada um vê a sociedade e as propostas que tem para ela. A democracia não é para donzelas, para pessoas que se ofendem facilmente.

Um exemplo ocorreu esta semana com a ministra Ana Abrunhosa que se comportou como uma verdadeira donzela na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, num ambiente que lhe era favorável e onde ela se deve ter sentido particularmente mimada para tomar aquela atitude (cf. aqui e aqui). 

(Continua acolá)

20 fevereiro 2024

Mil e uma (4)

 (Continuação daqui)





4. Os juristas

-Qual é a classe socio-profissional que num país de tradição católica, como Portugal, mais contribui para arruinar a democracia?

-Os juristas.


(Escusado será dizer que esta resposta não envolve qualquer julgamento moral dos juristas. Falo de culturas e de tradições e a verdade é que a cultura católica detesta os juristas, como irei demonstrando no seguimento. Basta ver que a Igreja Católica não contém qualquer assembleia legislativa).

(Continua acolá)

Mil e uma (3)

(Continuação daqui)



3. Emprenha pelo ouvido

É talvez a mais decisiva consequência da reforma protestante que ocorreu nos países do norte da Europa e que serviu de berço ao desenvolvimento da democracia - o Princípio Sola Scriptura.

O catolicismo acredita que Deus está nas Escrituras mas também na Tradição, e quem interpreta as Escrituras à luz da Tradição é a Igreja. A Verdade é, portanto, institucional e comunicada pela elite  (padres, professores) ao povo (leigos, ignorantes). O povo não tem que se esforçar para chegar à Verdade porque ela vem de cima, da autoridade institucional. Para utilizar uma expressão popular, num país de tradição católica o povo "emprenha pelo ouvido", não tem opiniões próprias, nem quer tê-las, porque quem as teve foi frequentemente perseguido pela Inquisição.

Para os protestantes, Deus está apenas nas Escrituras (Princípio Sola Scriptura) e, tendo o protestantismo banido a Igreja e os padres, qualquer pessoa que queira chegar a Deus (Verdade) tem de estudar as Escrituras e discutir a sua interpretação com outras pessoas igualmente empenhadas nesse fim. A Verdade é pessoal e chega-se a ela pela discussão livre das ideias (daqui a importância da liberdade de expressão para os protestantes que viria a ser o direito fundacional da democracia).

A democracia tem sido definida como o "governo por opinião" e é aqui que surgem vários problemas com a implantação da democracia num país de tradição católica, como Portugal.

Primeiro, o povo está habituado a lidar com verdades e não com meras opiniões. Segundo, e mais importante, o povo está habituado a que as verdades lhe venham de cima, da autoridade institucional, e não a ser ele a procurá-las, muito menos a ter de estudar para as fundamentar. Terceiro, quanto ao debate livre das ideias, é qualquer coisa que o povo de tradição católica não conhece nem sabe para o que serve.

(Continua acolá)

Mil e uma (2)

 (Continuação daqui)



2. Padres e leigos


A democracia assenta no princípio essencial da igualdade entre todas as pessoas. 

Pelo contrário, a cultura católica assenta sobre o princípio da diferença - a diferença entre a elite e o povo.

Uma sociedade de cultura católica está dividida entre padres - uma figura que representa o pai ou o professor - e leigos (uma palavra que significa ignorante), os quais constituem o povo.

Ora, a democracia, ao entregar o poder ao povo, entrega-o aos ignorantes.

Não é difícil adivinhar o destino de uma sociedade governada por ignorantes.

Governantes eleitos pelo povo num país de cultura católica nunca serão respeitados pelo povo porque o povo olha para eles como sendo tão ignorantes quanto ele.

Num país de cultura católica, como Portugal, o povo não sabe governar. Nem o próprio povo acredita que aqueles que ele próprio elegeu para a governação o saibam fazer (precisamente porque também são povo). 

A desconfiança nos políticos eleitos democraticamente é a regra.

(Continua acolá)

Mil e uma (1)

 



1. Mil e uma

Existem mil e uma razões para acreditar que a democracia liberal (partidária) não tem futuro em Portugal, mas quase todas se resumem numa só - a cultura católica dos portugueses.

É o que pretendo mostrar nesta série de posts, sintetizando o muito que tenho escrito sobre esta matéria neste blogue, e servindo também de previsão para o futuro - a democracia liberal em Portugal vai falir outra vez (a última vez foi em 1926).

(Continua acolá)

19 fevereiro 2024

Um passo de gigante (191)

 (Continuação daqui)


191. Mortal para a democracia


Eu não estou nada optimista acerca do futuro da democracia em Portugal. 

Por isso, decidi revisitar uma série de posts que escrevi há cerca de seis anos sob o título  "Como morre uma democracia?" (reunidos aqui), para avaliar se Portugal fez algum "avanço" nesse sentido.

A resposta é afirmativa.

Num dos posts da série (cf. aqui) escrevi assim:

"Existem três poderes distintos numa democracia - o poder executivo (Governo), o poder legislativo (Parlamento) e o poder judicial (Tribunais).
Os políticos e os seus partidos actuam no âmbito do poder legislativo e do poder executivo e é aí que os vemos em acção, no Parlamento e no Governo. Já no âmbito do poder judicial os actores são os juízes.
Existem várias diferenças entre os políticos, enquanto titulares dos poderes legislativo e executivo, por um lado, e os juízes, que são os titulares do poder judicial, por outro. Mas existe uma que é absolutamente decisiva para a sobrevivência da democracia.
Trata-se da exposição à crítica pública de uns e de outros.
Criticar publicamente os políticos é normal numa democracia e é salutar, sobretudo se as críticas forem justas. Mas criticar publicamente os juízes é mortal para a democracia".


Ora, é isto que já está em curso - a crítica pública aos juízes.

-E quem a desencadeou?

-Quem havia de ser? 

-O Ministério Público (cf. aqui).

Para matar democracias nos países de cultura católica, como Portugal, não há como o Ministério Público, ex-Inquisição. 

A Inquisição foi criada precisamente para isso.

BURNOUT

 


Sentes-te derrotado pela vida? Acordas sem energia para o trabalho, perdeste o apego a tudo o que amavas, sentes-te desesperado e sem futuro?

 

BURNOUT!

 

Todos esses sintomas são um sinal claro de burnout. Significa que exigem de ti mais do que aquilo que tens capacidade de contribuir e que acumulaste um défice emocional e de reconhecimento que te deixa infeliz. Pensa, porém, que não estás sozinho.

 

O número de trabalhadores que apresentavam sinais de burnout, nos EUA, atingiu 60% em 2022. Uma cifra inimaginável que nos obriga a refletir e a perguntar porquê? E o que fazer?

 

Percebemos que não há Paraíso na Terra e que as mais das vezes parece que estamos numa corrida de ratos (rat race) de esforço intenso, mas uma corrida que, neste milénio, se transformou numa corrida de ratos na roda de exercício – esgota e não vamos a lado nenhum.

 

A evolução tecnológica, em vez de servir-nos, escravizou-nos. Perdemos toda a privacidade e somos assoberbados por solicitações constantes de todas as direções possíveis e imagináveis.

 

A financeirização da economia, no Ocidente, com a sua obsessão pelos lucros de curto prazo e consequente contenção de custos, cooptou-nos como colaboradores forçados e não remunerados. Como exemplo: somos obrigados a controlar a leitura dos contadores de gás, eletricidade e água; temos de fazer de caixa nos supermercados; temos de meter gasolina e pagar num caixeiro automático; temos de comprar bilhetes online e ainda têm a lata de nos perguntar se apreciamos o serviço.

 

No antigo paradigma, cada um tinha o seu emprego e tempo livre para si e para a família. No novo paradigma temos dezenas de “empregos” (funções) e muito pouco tempo para nós próprios. É a corrida na roda de exercício.

Claro que os cortes na despesa não se traduziram numa diminuição dos preços, antes pelo contrário. A inflação tem vindo a arruinar a classe média e é outro factor de burnout: vivemos mês a mês, sem segurança profissional e pessoal.

 

Milhentas solicitações e “ruído” deixam-nos num estado permanente de alerta e obrigam-nos a embarcar no chamado “multitasking”. Enquanto escrevemos um email, atendemos o telefone, respondemos a uma mensagem no WhatsApp e ainda vemos um clip no Youtube.

 

Esta dispersão prejudica a produtividade, em termos quantitativos e qualitativos, mas deixamo-nos cair na armadilha. De início porque não antevimos as consequências e depois porque não determinamos as causas e continuamos a enterrarmo-nos cada vez mais.

 

O burnout afeta também as relações pessoais, especialmente as relações familiares porque chegamos a casa exaustos e exasperados, sem paciência para dedicar atenção aos cônjuges e aos filhos. Assim, acabamos por alienar as pessoas que nos estão mais próximas, em quem mais confiamos e que mais nos poderiam ajudar.

 

Em particular, é difícil a intimidade conjugal sobreviver ao burnout dos parceiros, destruindo um alicerce importante da família.

 

Mudar de curso é fundamental, mas planear a longo prazo é quase impossível em burnout. A força de vontade é esmagada e as vítimas continuam a cavar depois de terem caído no poço.

 

O primeiro passo é fazer o diagnóstico do burnout. Algo que é mais difícil do que parece porque as circunstâncias que levam ao burnout parecem louváveis quando isoladas. O “workaholic” é o funcionário exemplar, o multitasking é um superpoder e as relações pessoais e familiares são caruncho do passado que podem ser substituídas pelos encontros do Tinder.

 

O burnout, porém, é uma realidade que se pode tornar fatal, como o “karochi” no Japão (morte por excesso de trabalho).

 

Depois de fazer o diagnóstico, o passo seguinte é reorganizar o nosso quadro de valores e focarmo-nos nos que são verdadeiramente importantes. Nesta fase, uma ajuda profissional pode fazer toda a diferença.

16 fevereiro 2024

Um passo de gigante (190)

 (Continuação daqui)


190. Portugal inteiro


Portugal inteiro está agora a chegar à conclusão que eu ando aqui a afirmar há anos, a saber, que o Ministério Público é uma corporação de criminosos porque:

-acusa pessoas inocentes (crime de calúnia)

-prende pessoas inocentes (crime de sequestro)

-escuta os telefones e faz rusgas a casas de pessoas inocentes (crime de devassa da vida privada)

-apreende os bens de pessoas inocentes (crime de roubo)


(Continua acolá)


MULTITASKING

 MULTITASKING


O termo “Multitasking” surgiu pela primeira em 1966 para promover o supercomputador IBM System/360, que alegadamente teria capacidade para processar várias tarefas em simultâneo. 

Nos anos 70, o termo foi cooptado pela psicologia para designar a capacidade do cérebro humano para tratar de várias tarefas também em simultâneo.

 

As mulheres, que com a entrada no mercado de trabalho se sentiram arrasadas pelas solicitações constantes, adoptaram o multitasking como a ferramenta indispensável para lidar com as responsabilidades familiares e profissionais. O sexo fraco — os homens — não teriam essa capacidade ou seriam um bastardos preguiçosos que exploravam o trabalho das mulheres, enquanto discutiam futebol com os amigos.

 

Quantas discussões e divórcios não terão resultado desta desarticulação:

 

— Chego a casa esgotada e ainda tenho de fazer o jantar, enquanto tu estás ao computador a escrever...

— Tenho de entregar este trabalho amanhã e tenho de estar focado no que estou a fazer.

— Pois, eu tenho de fazer o jantar, ajudar as crianças com os TPC e ainda responder aos emails do escritório. Não há criadas em casa!

— Não posso fazer tudo ao mesmo tempo.

— Coitadinho, tens um cérebro de galinha — explica a mulher.

 

A verdade é que nem o IBM tinha capacidade para multitasking nem o cérebro humano a consegue realizar.

 

Devido à enorme rapidez de processamento de dados, o que o computador faz é interromper uma tarefa por milissegundos para executar outra, antes de voltar à inicial. O termo mais adequado seria “Switchtasking”.

 

De igual modo, o cérebro humano só pode focar-se numa tarefa de cada vez, mas (tal como o IBM 360) troca de tarefas com rapidez, criando a ilusão do multitasking.

O problema do switchtasking é que diminui a produtividade, aumenta os erros e provoca ansiedade. A experiência de conduzir e responder a mensagens, ao mesmo tempo, ilustra o perigo do multitasking.

 

Quando desviamos a atenção de uma tarefa para outra, há uma pausa que resulta em perda de produtividade. Estamos a responder a um email, por exemplo, e temos de atender a quem bateu à porta, quando retomamos o email precisamos de tempo para retomar a tarefa.

 

Curiosamente, diversos estudos parecem demonstrar que a pausa do switchtasking é mais curta para as mulheres e talvez seja essa a razão porque elas têm mais fé no multitasking.

 

A vida moderna, com os computadores e smartphones, agravou a multitude de solicitações. Os emails, as mensagens e as notificações, são distrações constantes que retiram qualidade de vida ao nosso tempo.

 

A explosão de doenças mentais que vemos neste século XXI parece muito relacionada com todas estas “modernidades”. É fundamental conhecermos e aceitarmos as limitações humanas.

 

 

 

 

15 fevereiro 2024

Um passo de gigante (189)

 (Continuação daqui)


Miguel Alves, ex-presidente da Câmara Municipal de Caminha e ex-secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro


189. Mais uma


RTP: "Julgado por alegada prevaricação. Ex-autarca de Caminha Miguel Alves absolvido" (cf. aqui)

Comentário: Mais uma palhaçada do Ministério Público, mais uma acusação a um inocente, mais uma demissão sem razão.

(Continua acolá)

14 fevereiro 2024

Um passo de gigante (188)

 (Continuação daqui)




188. Pô-los na prisão

Expresso: "Corrupção na Madeira: os três arguidos ficam em liberdade, juiz diz que não encontrou um único indício de crime" (cf. aqui)

Comentário: Os criminosos do Ministério Público não têm emenda, deitaram abaixo um governo regional mais um governo autárquico, estragaram carreiras políticas, lesaram empresas e empresários, mantiveram três pessoas inocentes indevidamente na prisão durante três semanas.

Nos debates eleitorais a justiça nem sequer é mencionada pelos partidos e nos programas eleitorais não existe uma proposta sequer para disciplinar estes criminosos do Ministério Público e, em caso de reincidência, pô-los na prisão. 

A prisão proporciona o ambiente certo para quem se dedica a inventar crimes. É só perguntar ao vizinho do lado para ganhar inspiração.

(Continua acolá

CHEGA (16)

 (Continuação daqui)



16. As corporações da justiça


Quem ler o programa do Chega rapidamente se apercebe que foi feito por advogados e se destina a tornar felizes as corporações que dominam a justiça e, em primeiro lugar, a dos próprios advogados.

Eis um exemplo. O público, que é quem o sistema de justiça devia servir, nem sequer é mencionado, e o processo é suspenso perante uma advogada (ou solicitadora ou agente de execução) que tenha dado à luz há dois meses:

26. Responder às reivindicações dos advogados, solicitadores e agentes de execução: • Permitir a escolha entre a inscrição na Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores e o regime da Segurança Social; • Actualizar a tabela de honorários do acesso ao Direito, assegurar o pagamento de despesas no âmbito da representação de beneficiários deste sistema e ainda um sistema de pagamento progressivo;  • Ponderar a alteração do método de distribuição dos processos a Agentes de Execução, passando nomeadamente para um processo de distribuição aleatória, com critério de proximidade; • Assegurar a suspensão dos prazos em caso de morte de filho, assim como  garantir apoios em caso de doença grave ou prolongada; • Garantir às mães com bebés recém-nascidos (até aos 4 meses) a possibilidade de proceder ao adiamento das diligências; • Prever condições para o exercício dos mandatos, junto dos tribunais, nomeadamente disponibilizando acesso à internet.

Fonte: cf. aqui, p. 15


CHEGA (15)

 (Continuação daqui)

                                          


15. O hino

Tenho de admitir que entre as medidas contidas no Programa do Chega, talvez a mais surpreendente é a que respeita à zoofilia (cf. aqui).

Desde então, tenho andado a pensar que os animais vítimas de abusos sexuais por parte dos humanos, mereciam talvez um hino que chamasse a atenção da opinião pública para este gravíssimo problema social.

Depois de muito pensar, e sujeito a aprovação por parte de uma comissão interpartidária que, além do Chega, inclua também o PAN, decidi propor como hino do combate à zoofilia a canção da Rosinha "Eu levo no pacote" (cf. aqui

(Continua acolá)

CHEGA (14)

(Continuação daqui)



14. Síndrome de Noé


340. Criar equipas municipais que incluam, por exemplo, o médico-veterinário municipal, psicólogo, delegado de saúde, assistente social e que sejam capazes de prevenir, identificar e acompanhar situações de acumulação de animais (Síndrome de Noé).


Fonte: cf. aqui, p. 103

(Continua acolá)