30 Julho 2014

políticas monetárias expansionistas aumentam a desigualdade

Federal Reserve Chair Janet Yellen has said the central bank's goal is "to help Main Street not Wall Street," and many liberal commentators seem convinced that she is advancing that goal. But talk to anyone on Wall Street. If they are being frank, they'll admit that the Fed's loose monetary policy has been one of the biggest contributors to their returns over the past five years. Unwittingly, it seems, liberals who support the Fed are defending policies that boost the wealth of the wealthy but do nothing to reduce inequality.

WSJ

29 Julho 2014

um líder necessita de uma imagem positiva


Quando se procura um líder não chega o CV, é necessário conhecer o passado da pessoa em causa e o que pensam dela.
A crise do BES serve para ilustrar esta afirmação. Entre as muitas dezenas de pessoas com competência para liderar o banco, foram escolher alguém com uma imagem pública positiva e portanto com um capital significativo de “goodwill”. Deste modo a liderança ficou facilitada.
Passa-se o mesmo na política. É impossível governar contra a generalidade dos média e o coro dos profetas da desgraça. Um líder com boa imagem pública e boa imprensa tem, obviamente, mais condições de sucesso.
Passos Coelho nunca desfrutou de uma boa imagem mediática e isso dificultou a sua acção governativa. António Costa, candidato a candidato a primeiro-ministro, pelo contrário, parece andar “ao colo de toda a gente”. A Helena Matos diz a propósito, e com muita piada, que não se via nada assim desde as aparições de Fátima.
Ora este factor é algo de extremamente positivo para um futuro governo que António Costa possa vir a liderar. Podemos contar com menos “virgens ofendidas”, menos greves, e até talvez com um entusiasmo diferente no TC. Isto é negativo? Para os correligionários da coligação PSD/CDS sim, é injusto. Mas já são meninos crescidos e não devem ficar a chorar – é a vida.
Para o Paa s﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽o da populaçgueses não TC. Isto izadasverno que Antntram dele.ís é positivo. Se atendermos a que as políticas do PS e do PSD/CDS são iguais, é evidente que é preferível ter um líder com menos anticorpos. A coligação teve a sua hipótese de marcar a diferença e claudicou.

28 Julho 2014

as moscas mudam...


Mais treta menos treta, não é possível distinguir entre o PS e a coligação PSD/CDS. Após três anos desta última, o País está basicamente na mesma. Na saúde, na educação e na segurança social, que são áreas críticas, não ocorreu qualquer reforma.
É verdade que as contas estão um pouco mais equilibradas, mas não de uma forma estrutural e a economia, claro, continua sufocada. Se o PS tivesse continuado no governo teria feito, mais ou menos, o mesmo. Os impostos teriam sofrido o mesmo “enorme aumento” e a despesa estaria ao mesmo nível. Até porque estamos condicionados pela UE.
Sócrates foi um trágico epifenómeno, na história de um partido que tem revelado sentido de Estado e que, neste capítulo, não fica atrás do PSD. Pelo contrário, os socialistas têm demonstrado mais pejo de se intrometerem na vida privada dos cidadãos.
Não se compreende portanto o ânimo de tantos panditas, bloguers e comentadores, contra António Costa. Veja-se, por exemplo, a questão do aumento do salário mínimo que César das Neves considera criminosa: António Costa quer aumentá-lo e o governo também, embora possa haver uns trocos de diferença.
Assim sendo, a que se devem os “tiros ao Costa”? Procurarei responder a esta pergunta em futuros posts.

inovação no Turismo


A nossa principal atividade económica é, cada vez mais, o turismo, apesar dos nossos queridos concidadãos tudo fazerem para a descredibilizar. Por falta de educação, maus hábitos de higiene e por se vestirem tão mal que “metem medo ao susto”. A exibição do toucinho, as tatuagens burlescas e até os chanatos, espantam a clientela.
As mulas mostram mais do que deviam e os jumentos, de cabelo à CR7 e brinco na orelha, emparelham à maneira. Ora como ultrapassar este senão?
O problema poderia ficar minorado se todos adotássemos, no dia-a-dia, as fardas de trabalho. As pessoas licenciadas em hotelaria e turismo, por exemplo, usariam as suas fardas de empregados de mesa; os polícias, bombeiros e militares, o fardamento habitual, o pessoal de saúde idem e por aí fora. Os desempregados e os beneficiários do RSI poderiam usar fardas azuis à Mao Tsé-Tung.
As exceções dependeriam de licença a obter nas Lojas do Cidadão e estariam sujeitas a uma taxa que poderia ser cobrada pela Via Verde/ Fisco. A prevaricação seria punida com coimas proporcionais ao rendimento individual.
Esta proposta daria ao País um ar organizado, até aprumado, e constituiria um atrativo adicional para os turistas. Os povos do Norte iriam adorar, especialmente os alemães com aquele fraco pelos uniformes. Por fim, não será despiciendo mencionar o imaginário erótico desta iniciativa que bem poderia contribuir para reacender as paixões dos nossos visitantes e trazê-los de volta sempre que estivessem de férias.
:-)

26 Julho 2014

demography is destiny

Entre 1720 e 1750 a população total das colónias inglesas na América do Norte passou de 445 000 habitantes para 1 200 000.
Foi um aumento devido sobretudo à elevada taxa de natalidade, vinte e quatro vezes superior ao crescimento da população de Inglaterra.

Paul Johnson, in George Washington - The Founding Father

neoliberalismo repressivo

O neoliberalismo repressivo é contra a principiologia que estipula que todos os homens nascem com igual direito à felicidade

Comentário: Vale a pena ler esta entrevista de Adriano Moreira. Apesar de confusa e até contraditória contém algumas reflexões interessantes. A primeira, desde logo, identifica o carácter repressivo do actual regime: ‹‹neoliberalismo repressivo, com a multiplicação de sanções, de aumento de impostos, de restrições, etc. Sou contra o neoliberalismo repressivo.››. Estou de acordo com o repressivo só não podemos é chamar-lhe neoliberal ou liberal.

Liberal tem a mesma etimologia de liberdade e portanto não existe liberalismo repressivo, é uma contradição de termos. O actual regime é repressivo mas não é neoliberal.

Outra confusão é a identificação do "Estado Social" com o "direito à felicidade". Ninguém nasce, nem pode nascer, com direito à felicidade - um conceito desde logo subjectivo. Tudo o que podemos aceitar é que possam nascer com o direito a procurar a felicidade, uma peregrinação que nem sempre encontra o seu destino mas em que o que conta é o caminho.

Leiam e façam o vosso juízo.

25 Julho 2014

too big to fail

Depois do too big to fail temos:

Too knowledgeable to fail

Ozymandias

Of course, in the long run nothing lasts. But history is lived in the here and now. The Soviets had only 70 years, Hitler a mere twelve. Yet it was enough to murder millions and rain ruin on entire continents. Bashar Assad, too, will one day go. But not before having killed at least 100,000 people.
All domination must end. But after how much devastation? And if you leave it to the forces of history to repel aggression and redeem injustice, what’s the point of politics, of leadership, in the first place?
The world is aflame and our leader is on the 14th green. The arc of history may indeed bend toward justice, Mr. President. But, as you say, the arc is long. The job of a leader is to shorten it, to intervene on behalf of “the fierce urgency of now.” Otherwise, why do we need a president? And why did you seek to become ours?

a alegria de viver


24 Julho 2014

um País perigoso

É pior levar um grupo económico à falência do que um País

Sobre a dupla Ricardo Salgado e José Sócrates

Ler também estes posts do CGP e do vitorcunha

23 Julho 2014

o socialismo e a social-democracia

A social-democracia é pior do que o socialismo puro e duro. Cheguei a esta conclusão depois de comparar a ação dos governos do PS com os do PSD.
Os socialistas não acreditam no socialismo, consideram-no uma fase intermédia no caminho para uma sociedade sem classes. Consideram que os mais desfavorecidos, sem educação gratuita, sem SNS e sem apoios sociais, não sairiam da cêpa torta.
Os sociais-democratas não alimentam a utopia da sociedade sem classes, para eles é como se tivéssemos chegado ao Fim-da-História. Tratam então de melhorar o sistema soviético da educação, o sistema soviético da saúde e da segurança social. Como? Empresarializando.
Enquanto um socialista cria empregos na função pública por “caridade”, um pouco à Salazar, o social-democrata quer pôr o funcionário público a trabalhar como se estivesse no privado, muitas vezes por uma “esmola”.
Com os socialista no poder, os portugueses ficam “pobretes mas alegretes”. Trabalham 100 dias por ano – deixem-me ser optimista – gozam as suas pontes no Algarve e reformam-se ao 50 anos. Com os sociais-democratas trabalham como os americanos e ganham como os marroquinos.
Os sociais-democratas não libertam a sociedade do peso do Estado, de modo a criar riqueza e a melhorar o nível de vida colectivo. Pelo contrário escravizam o cidadão e condenam-no à mera sobrevivência, quase sem direitos cívicos (direito à propriedade, por exemplo).
Comparando estas duas experiências, eu julgo que a maioria dos portugueses fica melhor com os socialistas.

aventuras na Sovietolândia

Na Sovietolândia, o camarada presidente Madurovsky decidiu controlar o preço do papel higiénico para garantir a igualdade no acesso a este produto de primeira necessidade.
Esta medida clarividente provocou vários efeitos indesejáveis, devidos à usura dos industriais e dos comerciantes e à falta de formação dos consumidores. Diminuição da qualidade do papel higiénico, escassez e mercado negro.
O governo da Sovietolândia confrontou o problema e depois de soltar a ASSAE às canelas dos produtores, distribuidores e comerciantes, atacou também os consumidores.
O camarada presidente nunca usa mais de 2 folhinhas de papel de cada vez e deixa-as de lado para reutilização. A populaça necessita de ser educada e os vendedores necessitam de formação.
Madurovsky ordenou então um concurso para vendedores de papel higiénico ao qual se candidataram dezenas de milhares de sovietolândicos. Como a selecção era complicada, o camarada presidente ordenou que o IEOP – Instituto de Execução das Ordens do Presidente – realizasse uma Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades.
Alguns críticos consideraram, sem ofensa, que esta prova era uma m”#$a. Mas pensem bem, qual era a alternativa: liberalizar a venda do papel higiénico? Nem pensar!

Conflito Israelo-Palestiniano em equilíbrio de Nash?

Existem 3 possíveis cenários para o conflito Israelo-Palestiniano: a aceitação de dois países completamente independentes, a integração de ambos os povos num só país e a continuação do conflito armado.

Israel tem o absoluto predomínio militar mas, ao mesmo tempo, obrigações perante a comunidade ocidental da qual faz parte, incluindo a necessidade de continuar a ser, formalmente, uma democracia. A aceitação da Palestina como estado independente teria, a prazo, que incluir aceitar que esse país tivesse o seu próprio exército e material de guerra sofisticado. Com feridas abertas de décadas, a mínima convulsão política poderia levar novamente à guerra, mas desta vez com um inimigo muito melhor preparado e capaz de provocar dano. Alternativamente, Israel, poderia utilizar o seu poderio militar para simplesmente ocupar todo o território Palestiniano, impondo a solução de um estado. Mas, sendo Israel uma democracia, o mais provável é que cedo a população árabe constituisse a maioria dos eleitores e tomasse o poder nesse novo estado, acabando efectivamente com o estado judeu pela via democrática. A melhor solução para Israel efectivamente a do eterno conflito que lhe permite exercer controlo sobre todo o território palestiniano a um custo relativamente baixo em termos de baixas de guerra. Como os palestinianos não são legalmente cidadãos do estado de Israel, apesar de estarem sob seu domínio, Israel pode continuar a ser considerada uma democracia: "a única do Médio Oriente"

O Hamas, por seu lado, tem no conflito a razão da sua existência. Qualquer solução que traga a paz levaria à perda de importância do movimento. As perdas humanas desproporcionais dos Palestinianos reforçam ainda mais a sua capacidade de captação de membros e a sua popularidade.

O conflito armado pode, de facto, ser a situação de equilíbrio naquela zona do Mundo. A sobrevivência do Hamas e do Estado judeu dependem da sua continuação.

a diferença entre uma , e um ;

A chamada Prova de Avaliação de Conhecimentos e de Capacidades - preparada pelo IAVE (nome que evoca uma empresa de camionagem...) é, na minha opinião, uma aberração total. Não vou porém perder tempo a explicar porquê. Basta dizer que é um aborto de um sistema já de si aberrante que é o nosso sistema de educação. É uma espécie de fruto de tara genética.

Os socialista inventaram o ensino público gratuito da pré-primária ao doutoramento e agora estão a tentar colmatar as falhas das "consequência indesejáveis" (Hayek) da intervenção do Estado. Problema deles.

Neste contexto o que se poderia esperar de uma prova destas? Que fosse capaz de seleccionar bons professores? Está quieto, um bom professor nunca pode ser um apparatchik do ME. Talvez seleccionar bons burocratas.

Pessoas capazes de compreender a diferença capital entre uma vírgula (,) e um ponto e vírgula (;). Reparem nesta pergunta:

Item 24

24. Indique a opção que contém uma frase incoerente.

(A) O certificado foi devolvido aos serviços administrativos, pois omitia a designação completa do curso realizado, apesar de mencionar o grau obtido e a respetiva classificação.
(B) O certificado mencionava o grau obtido e a respetiva classificação; porém, omitia a designação completa do curso realizado, razão pela qual foi devolvido aos serviços administrativos.
(C) O certificado mencionava o grau obtido e a respetiva classificação, mas foi devolvido aos serviços
administrativos por omitir a designação completa do curso realizado.
(D) O certificado omitia a designação completa do curso realizado; no entanto, mencionava o grau
obtido e a respetiva classificação, razão pela qual foi devolvido aos serviços administrativos.


IAVE - Prova de Avaliação de conhecimentos e de capacidades

Item 33 (link retirado deste post do André Azevedo Alves)

Desde a promoção de uma alimentação saudável às regras de higiene, do consumo de substâncias tóxicas à iniciação das práticas sexuais, da prevenção em espaço público à preservação do ambiente, existem domínios diversos em que a escola é chamada a exercer a sua função educadora. Se a família o faz menos, a escola terá de compensar, e vice-versa.

David Justino, Difícil é Educá-los, Oeiras, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2010, pp. 101 e 102
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David Justino, no texto acima transcrito, sintetiza a diversidade de tarefas e de missões atribuídas à escola pela sociedade.

33. Escreva um texto em que exponha a sua opinião sobre a perspetiva expressa por este autor, fundamentando-a através de uma linha argumentativa coerente.

A extensão do seu texto deve situar-se entre um mínimo de 250 e um máximo de 350 palavras.

Observações:
1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen. Qualquer número expresso por algarismos conta como uma única palavra.
2. Serão classificadas com zero pontos as respostas em que se verifique: (a) afastamento integral do tema; (b) extensão inferior a 150 ou superior a 450 palavras; (c) mais de seis erros de sintaxe; (d) mais de dez erros inequívocos de pontuação; (e) mais de dez erros de ortografia ou de morfologia.

Comentário: Não é um bocado patético e até incestuoso que numa Prova de Avaliação de Conhecimentos e de Capacidades se inclua uma referência a um texto de um ex-ministro da educação. Ainda por cima, um texto salazarento e mal escrito.
Repare-se nesta afirmação que pode ser extraída da referida prosa:
‹‹ ... a escola é chamada a exercer a sua função educadora... na iniciação das práticas sexuais››.
Com aulas teóricas ou práticas? Escolha múltipla ou "prova oral"?