26 Novembro 2014

o espírito liberal

uma oportunidade de ouro para os liberais


A prisão preventiva de José Sócrates é uma oportunidade de ouro para os liberais se pronunciarem contra a prisão preventiva, nos moldes em que esta existe em Portugal.
É normal que o Estado detenha cidadãos que são suspeitos de atividades criminosas, mas o direito à liberdade e a um julgamento justo e rápido obriga a que a lei imponha um prazo máximo de detenção que nunca deve ultrapassar as 48 horas.
Se após esse período não for deduzida acusação, o detido deve sair em liberdade. Apenas em casos de violência é que, depois de deduzida a acusação, um juiz deve poder determinar a prisão preventiva, até ao respetivo julgamento.
Em nenhum caso, na minha opinião, deve ter lugar a prisão preventiva para investigação, sem acusação formulada. Ora é nesta situação que se encontra José Sócrates. Sócrates e mais umas centenas de pessoas.
É uma ótima altura, portanto, para os amantes da liberdade expressarem as suas opiniões sobre este assunto e persuadirem os socialistas do PS de que se deve pôr fim à “prisão preventiva”.
Claro que Sócrates está preso injustamente e nenhum liberal pode defender a sua situação.
Tenhamos a nobreza de espírito necessária para defender os nossos ideais, mesmo quando a vítima não nos merece nenhum respeito. Uma petição para acabar com a prisão preventiva, neste momento, pode recolher apoios que de outro modo nunca conseguiria.

25 Novembro 2014

oximoro

Prisão preventiva - um oximoro. A prisão preventiva é prisão que é imposta sem propósito punitivo. Mas se aceitarmos o princípio de que qualquer restrição da liberdade é uma punição, a prisão preventiva é o que não pretende ser.

No meu entender, a prisão preventiva, numa república democrática, deve estar reservada para indivíduos violentos que constituam uma ameaça para a sociedade. E a detenção sem acusação não deve ultrapassar 48 horas.

Manter em prisão preventiva um cidadão que está a ser investigado há meses, sem acusação, é uma violação grosseira do direito individual à liberdade. Violação que em Portugal é perfeitamente legal.


Cavaco Silva


irrelevância

Um dia, numa hecatombe anunciada, cai o grupo financeiro mais estruturante do sistema, num novelo de fraudes. De seguida, a gloriosa empresa nacional de telecomunicações, metida em cavalarias baixas com emergentes em crise, cai em maus lençóis. Surge uma rede criminosa de corrupção, em que parece estarem envolvidas altas figuras da administração. Na sequência, um ministro cai. Nem uma semana era passada e é detido um antigo primeiro-ministro, acusado de várias malfeitorias.

Se, apesar do efeito reputacional destes eventos, o país não se afundar perante o mundo, só uma conclusão é legítimo tirar: já não somos nós que nos sustentamos perante o mundo, é apenas a nossa irrelevância no jogo global que nem sequer nos permite sermos sujeitos da nossa própria crise. Porventura, é melhor assim.

Seixas da Costa, no DE

Sócrates conjuga a imprevisibilidade com o mal

Em Março de 2011, deixei aqui um post apelidando o então primeiro-ministro de Cisne Negro (título do livro de Nassim Taleb) pela sua imprevisibilidade. Destaquei ainda o carácter corrosivo desta imprevisibilidade por estar conjugada com o Mal.

O Cisne Negro - 2011

O Cisne Negro parece-me a alcunha ideal para José Sócrates. O Mentiroso desprestigia-nos a todos, como se nos tivéssemos deixado ludibriar por um trapaceiro.
Os Cisnes Negros popularizaram-se com o livro do Nassim Taleb e, mais recentemente, com um filme que ainda deve estar em exibição. No livro, o cisne negro é invocado como símbolo do imprevisível. No filme, o cisne negro é uma encarnação do mal e da destruição. Para nossa grande infelicidade, José Sócrates conjuga a imprevisibilidade com o mal. A simples perda da independência financeira e económica do País, só para dar um exemplo, representa um mal terrível para todos os portugueses. A destruição do Estado (e da democracia?), outro.
Por estas razões, quando me surge a imagem do primeiro-ministro penso logo no Cisne Negro. Quem podia adivinhar que o PS indigitava uma pessoa com as características de José Sócrates para primeiro-ministro?

Recordo ainda dois outros posts sobre José Sócrates:

Não é um gentleman - 2009

Sócrates não é um gentleman, pelo menos no sentido que Burke e Popper lhe atribuíam. Leva-se demasiado a sério e não tem qualquer sentido do dever. O primeiro-ministro José Sócrates é um representante da populaça que chegou ao poder e que se comporta com todos os defeitos e vícios desta classe.
Penso que Maria Filomena Mónica afirmou isto mesmo, quando lhe chamou: “Um rapaz da província”. A populaça é inimiga da liberdade e da chamada “sociedade aberta”. A populaça tem demasiada fé no historicismo e no racionalismo para compreender que não é possível “construir o futuro”. O futuro é o resultado da livre interacção de todos.
Esta fé, que Sócrates partilha, faz com que Portugal se esteja a tornar numa sociedade menos aberta. Por fim, Sócrates acredita no positivismo ético que conduz “à desmoralização da sociedade e, por essa via, à abolição do conceito de liberdade e de responsabilidade moral do indivíduo” (1). Para Sócrates, na República a ética é a Lei (como também afirmou Guterres). Por isso Sócrates passa o tempo a afirmar que não cometeu quaisquer ilegalidades, quando o que interessa é se cometeu imoralidades.

(1) Este post foi inspirado pela leitura do livro – A Tradição Anglo-Americana de Liberdade, de João Carlos Espada, 2008.

Dar uma de Sócrates - 2011

Estou convencido que "dar uma de Sócrates" vai entrar rapidamente para o léxico português. Quando alguém ignorar completamente a realidade e se obstinar numa narrativa construida para se desculpar e responsabilizar terceiros pelos seus actos, estará a "dar uma de Sócrates".

24 Novembro 2014

Rui Tavares tem razão

Há uma carga injusta de humilhação e vergonha que só será ultrapassada se o país, as suas instituições, os seus magistrados, os seus políticos, os seus jornalistas e os seus cidadãos souberem ser exemplares.

Comentário: É raro mas acontece, concordo em absoluto com o Rui Tavares. O caso Sócrates humilha-nos e envergonha-nos, não há volta a dar. Nem interessa se esse estigma é injusto, apenas que está lá.

O socialismo nos nossos genes

How Farming Almost Destroyed Ancient Human Civilization

Roughly 9,000 years ago, humans had mastered farming to the point where food was plentiful. Populations boomed, and people began moving into large settlements full of thousands of people. And then, abruptly, these proto-cities were abandoned for millennia. It's one of the greatest mysteries of early human civilization(...)
Here's where things get weird. In the mid-5000s BCE, Çatalhöyük was suddenly abandoned. The same thing happened to several other outsized village-cities in the Levant. Their populations drained away, and people returned to small village life for thousands of years.(...)
The problem is that people in Neolithic mega-villages had inherited a system of social organization and spirituality from their nomadic forebears. Because nomadic life requires everyone in the group to share resources to survive, these groups would develop rituals and customs that reinforced a very flat social structure. Certainly there would be families that had more prominent positions in a hunter-gatherer group or small village, but if they ever started hoarding resources too much that would be bad for the entire group. So people would strongly discourage each other from ostentatious displays of social differences.   

Vale a pena ler o resto aqui (por indicação do Filipe Faria). 

estados de alma


Os estados de alma são o que nos ajuda a tomar as decisões certas. Quem tiver dúvidas que leia “O Erro de Descartes”, do Damásio.
Seja na gestão, seja na política, os estados de alma são fundamentais. Iluminam o caminho e ajudam-nos a intuir as consequências dos nossos actos.
Quando ouvi, há uns meses, o ex-presidente da PT afirmar que não tinha estados de alma (relativamente ao cambalacho com o BES) pensei: que palhaço. Como é que esta gente chegou onde chegou, custa a crer.
Relativamente ao caso Sócrates, todos devemos ter estados de alma. Zangados, claro. Fulos, com certeza. O meu estado de alma relativamente a este assunto, contudo, é apenas de tristeza.
Fico triste com o que se está a passar porque nos prejudica a todos, prejudica a imagem de Portugal. E este estado de alma ajuda-me a perspetivar a melhor "receita".
Neste caso, o melhor teria sido isolar a socrática figura de qualquer influência política e varrer o assunto para debaixo do tapete. Poderia não ser a solução mais justa, mas seria certamente a que nos prejudica menos a todos.

de bestial a besta

Na página 4 do Público de hoje, na secção Destaque, o nome de Sócrates aparece ao lado do de Al Capone.
Um péssimo servicinho deste diário.

23 Novembro 2014

a culpa não é nossa

Os portugueses nunca elegeram José Sócrates para primeiro-ministro porque as eleições em Portugal não são nominais. Os portugueses, em 2005, deram a maioria ao PS liderado por José Sócrates contra o PSD, liderado por Santana Lopes. E em 2009 o PS repetiu a vitória, desta vez contra o PSD, liderado por MFL.
O que podemos afirmar é que os portugueses escolheram, quer em 2005 quer em 2009, "do mal o menos". Não devemos esquecer que Santana Lopes tinha acabado de ser "demitido" por alegada incompetência e que em 2009 José Sócrates era o "incumbent" (o primeiro-ministro em exercício).
A culpa portanto não é nossa, ao contrário do que afirma a Helena Matos.
Os culpados, se é que os há, estarão certamente entre as altas patentes do PS que permitiram e até facilitaram a ascensão de tão sinistra figura, como Sócrates, à liderança do partido. Recomendando-o aos portugueses para primeiro-ministro.
A culpa não é nossa, repito, porque nunca tivemos uma verdadeira escolha.

PS: Mas há culpados, Jorge Sampaio e António Guterres, por exemplo, são nomes que me ocorrem imediatamente.

22 Novembro 2014

não tem condições

Um ex-colaborador íntimo e ex-braço direito de um ex-primeiro-ministro detido por fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, não tem condições para vir ele próprio a ser primeiro-ministro.
António Costa é a primeira baixa do caso Sócrates. Se o próprio não entender isto estará a pretender colocar-se acima do País. O PS necessita com urgência de sangue novo.

fracasso II

O regime político nacional está em colapso. O "caso Sócrates" afecta a credibilidade de todos os políticos, de todos os partidos.
Eu diria até mais: este caso afecta a credibilidade de todos os portugueses, eis a verdadeira dimensão do problema.

Ler aqui a notícia no El País, dá para perceber a leitura dos acontecimentos

21 Novembro 2014

fracasso

No post anterior justifiquei o fenómeno Podemos como o culminar de uma escalada de assalto aos direitos cívicos, usando a metáfora da "droga - loucura - morte". No essencial, apenas repesquei o velho argumento libertário de que tolerar o pequeno assalto à propriedade privada abre a porta à abolição do direito à propriedade, com as respectivas consequências.

Neste artigo do Observador, o João Marques de Almeida opta por uma perspectiva diferente: ‹‹o Podemos é o resultado de um fracasso›› - diz. O fracasso dos partidos democráticos do arco da governação (em Espanha, claro).

O que importa aqui sublinhar é o seguinte: o Podemos é o resultado PREVISÍVEL de uma governação escabrosa. O JMA espera que tal fenómeno nunca ocorra em Portugal.

Veremos.

20 Novembro 2014

o socialismo é o ópio do povo


Nos anos setenta havia uns cartazes espalhados por Lisboa que ameaçavam:
DROGA – LOUCURA – MORTE
Era uma progressão que aterrorizava a classe média quando os respectivos descendentes entravam no ciclo infernal que se iniciava com uns charros, passava para o haxixe, chegava às anfetaminas e à coca e acabava na heroína; com a crescente alienação mental da realidade, loucura e finalmente a morte.
Esta expectativa catastrófica sobre as drogas concretiza-se no plano social com outra droga que, para mim, é o socialismo. Com o desrespeito pelos direitos cívicos, pela propriedade privada e, em última análise, pela vida.
A democracia-cristã são os charros, a social-democracia é o haxixe, o socialismo é a cocaína e, por fim, o comunismo é a heroína e o ópio. À medida que uma sociedade desce por esta quelha surge a loucura e a morte, isto é: a ingovernabilidade e, eventualmente, a guerra civil.
O Podemos, esse partido asqueroso que cativa os “nuestros hermanos” é um “pusher” da pesada. Não é a religião que é o ópio do povo, é o socialismo estúpidos.
Quando leio críticas destas, penso: então não viram no que isto ia dar? Não perceberam que o assalto à propriedade privada e a violação da liberdade individual nunca conheceria limites. Não sabem que cesteiro que faz um cesto faz um cento?
Os Podemos deste mundo são os cesteiros do socialismo. Que isto vai acabar mal é evidente, como também é evidente que não foram eles que atiraram a primeira pedra ao edifício civilizacional.

PNL

A Programação Neuro-linguística não é uma filosofia nem uma psicologia alternativa. Eu vejo-a como uma "praxis".
Os seus criadores e mentores partem de um princípio muito simples: para ter sucesso em qualquer área, o caminho mais fácil é imitar (modelar) as pessoas de génio nessa mesma área.
Nesse sentido desenvolveram uma série de pressupostos que são os alicerces, por assim dizer, da PNL:

  1. O mapa não é o território
  2. Ter escolhas é melhor do que não as ter
  3. As pessoas fazem as melhores escolhas que podem na altura
  4. As pessoas agem de modo perfeito
  5. Todos os comportamentos têm um propósito
  6. Todos os comportamentos têm uma intenção positiva
  7. A comunicação é o “feed-back”
  8. Temos todos os recursos de que precisamos e a capacidade de criar novos
  9. A mente e o corpo são um todo
  10. Não há fracassos, apenas “feed-back”
  11. A pessoa com mais flexibilidade num grupo é a mais influente
  12. Modelar o sucesso leva à excelência
  13. Todos os processos devem procurar a congruência
  14. Se queres compreender - age
:-)

quando + é -

Mais governo significa mais potencial de corrupção

Comentário: O artigo do Daily Beast refere-se à Ucrânia mas o princípio que destaquei aplica-se a qualquer país.