10 Novembro 2009

como cresce o estado

Num mundo ideal, viveríamos sem estado e sem política. Nesse mundo, a ordenação social seria feita por via contratual, onde os directos interessados estabeleceriam as convenções e os acordos que entendessem e melhor servissem as suas necessidades e interesses. O respeito por essas convenções e por esses contratos estaria assegurado por normas jurídicas gerais e abstractas de geração espontânea, e por um aparelho de justiça inteiramente dedicado à sua fiscalização e à aplicação dessas normas. O desrespeito pelas decisões judiciais seria penalizado por agências criadas especificamente para mobilizarem a força necessária e suficiente para as fazerem acatar, e para reporem a ordem social espontânea e os direitos individuais.

No mundo em que vivemos – em que sempre os homens viveram – as coisas não são assim e não se bastam por elas mesmas. O nosso mundo é o da política – foi-o sempre -, e da política nasceu o estado, o governo e as demais instituições representativas que cumprem aquelas funções e outras que vão sendo resultado de necessidades sociais sentidas e da racionalidade do aparelho de poder, ele mesmo gerador de finalidades e objectivos próprios. O problema do estado reside essencialmente no seu crescimento e nas formas de o conter.

Como cresce o estado? E como se pode impedir o seu crescimento para além dos limites naturais que o pacto social liberal concebe? A resposta a estas questões não é linear, mas também não é impossível. Historicamente, nas sociedades europeias é relativamente fácil entender como cresceu o estado: pela ausência da sociedade civil. Frequentemente, do esvaziamento desta, promovido ao longo dos anos por quem detém o poder público. Esta racionalidade de crescimento da soberania não depende de regimes políticos, e atravessa-os mesmo quando neles se verificam rupturas violentas. Foi o que ocorreu em França, na passagem do Ancien Régime para o novo estado saído da Revolução iniciada em 1789. A França, país modelo do estatismo europeu, não enveredou pela centralização e pelo estatismo a partir da Revolução, como habitualmente se acredita. Essa transição começou muito tempo antes e manteve-se e desenvolveu-se depois. O aparelho administrativo do estado francês só foi, de resto, desmobilizado, apenas na aparência, após a Revolução. O que lhe era essencial manteve-se e aprofundou-se. O estatismo é uma força que não se deixa abater por revoluções.

Alexis de Tocqueville, um conservador-liberal francês preocupado com o estatismo do seu país, descreveu exemplarmente este processo no seu livro O Antigo Regime e a Revolução. Segundo Tocqueville, a centralização inicia-se, pelo menos, na segunda metade do século XVI, com o esvaziamento dos corpos sociais intermédios, da nobreza e dos municípios, em favor de uma burocracia régia, progressivamente centralizada em Paris. A nobreza mantém os seus privilégios – nomeadamente os fiscais -, mas perde progressivamente poder. Ao invés da aristocracia inglesa – a quem se aplicavam, por igual, as mesmas regras fiscais dos outros corpos sociais (os privilégios eram somente concedidos aos mais desfavorecidos) -, a nobreza francesa deixa-se docemente adormecer nessas aparentes vantagens, deixando de ser uma aristocracia, no sentido originário do termo, passando a ser uma casta. Esta estagnação impediu a selecção social das pessoas mais dotadas e a sua ascendência natural nas funções sociais. Os processos sociais normais de ascensão são substituídos pela decisão burocrática. A quase impossibilidade de casamentos entre nobres franceses e pessoas provenientes de outros estratos sociais (que não ocorria, há muito, em Inglaterra) agravou mais ainda essa situação. Por sua vez, as liberdades locais das cidades e municípios são também progressivamente diminuídas em favor da centralização. Para se ter ideia do nível que atingiu a burocracia e o aparelho de estado, basta referir – como faz Tocqueville – que Richelieu, que não era propriamente um liberal, se viu na necessidade de extinguir mais de cem mil ofícios, no seu tempo, em pleno século XVII. Quando surge a Revolução, ela ocorre essencialmente em Paris, e as reacções locais ou não se fazem sentir, ou são facilmente esmagadas pelos representantes da capital.

Dito de outro modo, o modelo estatista francês, que serviu de exemplo para a maioria dos países da Europa Continental, impôs-se progressivamente, ao longo dos anos, por uma estratégia de esvaziamento da sociedade e dos corpos sociais autónomos. Este caminho encontramo-lo em muitos outros países, como por exemplo Portugal, onde, provavelmente se terá iniciado muito tempo antes de ter começado em França. A Revolução e o posterior modelo napoleónico limitaram-se a conferir-lhe modernidade e a agravar procedimentos, tornando-os mais complexos e eficazes. O caminho do estatismo é, assim, inversamente proporcional ao de uma sociedade livre e desenvolvida, geradora de oportunidades e de procedimentos autónomos do estado e da burocracia. Em contrapartida, como é fácil de entender, a contenção do estado passa pelo crescimento da sociedade e pela sua capacitação de que deve ser autónoma e suficiente.

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canticum calamitatis IV

É necessário controlar o crescimento da população para salvar o planeta.
OPT
PS: OPT - Optimum Population Trust, querem nome mais nazi do que este?

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canticum calamitatis III

"O aquecimento global vai provocar fome, à escala global, se não forem tomadas medidas urgentes".
Caritas, Cruz Vermelha e outras ONG's.
Ler aqui

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canticum calamitatis II

"O mundo está agora no princípio da pandemia de gripe de 2009."
Directora geral da OMS, Margareth Chan

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canticum calamitatis I

Terramoto como o de 1755 vai voltar a acontecer e ocupação da costa vai tornar fenómeno numa "grande calamidade".
O DN publica esta notícia em "ciência".

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já ninguém acredita no socialismo

Imagine you had been told five years ago that a huge economic crisis would erupt, prominently featuring irresponsible financiers, and that governments would come to the rescue of firms and families. You would probably have predicted that, politically, the right (the party of bankers) would do badly and the left (the party of bureaucrats) would do well. You would have been wrong. It's not just the Republicans who came out ahead. Last month a conservative coalition swept into power in Germany. In France, Nicolas Sarkozy's party has considerable public support. In Britain, conservatives are poised to win their first national election in 17 years. Even in Denmark and Sweden, where social democrats usually win, the right is in power. In fact, across continental Europe, only one major country, Spain, has a left-wing ruling party.

Why? Part of the answer is that despite the economic turmoil, few people seriously believe the answer is a turn to socialism.

Fareed Zakaria
PS: Portugal, com o seu proverbial atraso, ainda vive no 8 de Novembro.

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09 Novembro 2009

uma pergunta aos liberais

Numa altura em que o socialismo dominante na Europa visa como programa político, em primeira instância, as chamadas "causas fracturantes", sendo que com estas se pretende a transformação profunda de algumas instituições tradicionais da vida social, a atitude liberal deve: a) acompanhar essas intenções; b) remeter para a decisão individual a adesão a cada uma delas; c) defender a conservação das instituições sociais tradicionais? Aguardo que me respondam, se considerarem o assunto relevante.

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não esquecer

"A posição que em determinada época podemos definir correctamente como conservadora depende, portanto, do rumo das tendências existentes no momento."

F. A. Hayek, Os Fundamentos da Liberdade, escrito em 1960.

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Finibanco

Já começou!

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os limites da acção do estado

Ao invés do que o Carlos Santos defendeu neste interessante texto (mais um), a natureza das fontes de direito vigentes numa dada ordem jurídica é muito importante. Ela é mesmo, em minha opinião, o aspecto que determinou a centralização e o estatismo dominantes nas sociedades europeias ocidentais dos nossos dias, correspondendo a um novo paradigma de intervencionismo ilimitado do governo na vida dos cidadãos. Tocqueville viu esse processo com muita clareza, ainda nos meados do século XIX, ao escrever, no Ancien Régime, que a disputa histórica entre os parlamentos e os reis se dera mais pelo poder de fazer a lei, do que pelo exercício directo da administração. Esse conflito tem já alguns séculos, na altura em que Tocqueville escreve, e foi acompanhado, ao longo da História, por um outro: o da afirmação do princípio da legalidade sobre o da concorrência entre as fontes de direito, nomeadamente as de natureza consuetudinária e jurisprudencial, concentrando na soberania o privilégio da criação de direito. Com a eclosão dos regimes democráticos, onde a soberania é sufragada pelo voto universal, essa sua aparente legitimidade de poder dispor, quase sem limites, da determinação do conteúdo da lei, foi reforçada, ampliando desmesuradamente a capacidade interventora do estado em todos os domínios da vida social.

O que torna interessante a ordem jurídica da União Europeia é que ela retoma – ao invés da tradição jurídica europeia continental mais recente (com excepção do que ainda se vai passado em Inglaterra) – o sistema concorrencial das fontes de direito, e aplica-o na ordem jurídica interna de países que o tinham eliminado. Ela aceita não somente o direito legislado, como também aquele que resulta da jurisprudência e mesmo do costume, o que o torna muito mais próximo das boas práticas resultantes da interacção social estabelecida entre os indivíduos, as empresas e as instituições judiciais que tutelam a normalidade dos seus comportamentos. Assim, as normas jurídicas que equilibram o funcionamento do mercado, quando e se originárias pela jurisprudência e pelo costume – ou mesmo pela lei, se esta se limitar a transpor o que aquelas outras fontes revelam, em vez de gerar “soluções” a régua e esquadro -, não são imposições normativas do legislador, nem formas de intervencionismo estatal na economia, mas processos auto-regulatórios provenientes do próprio mercado. Nada contra, portanto.

Em abstracto, eu poderia até admitir que o estado e o legislador pudessem intervir no mercado e na vida dos cidadãos, sempre que eles não conseguem – de imediato – determinar a melhor solução para as questões que os afligem ou prejudicam. A questão – para mim, enquanto liberal – não reside nesse mínimo de intervenção que a própria existência do estado e do governo, só por si, já significam - embora eu prefira tendencialmente uma solução de mercado a uma decisão impositiva do poder soberano -, mas nos limites praticamente inexistentes dessa intervenção, que decorrem exactamente da convicção democrática da soberania legislativa ilimitada e da racionalidade inerente à própria natureza do poder público. Porque, como penso que o Carlos reconhecerá, o estado democrático em que vivemos não conhece verdadeiros limites para os seus poderes de intervenção, e entra-nos casa dentro sempre que quer, quando lhe apetece e lhe convém. Essa é a sua racionalidade, e é por causa dela que o liberalismo se justifica. A questão que eu colocaria ao Carlos é, portanto, a seguinte: prefere o Carlos, como princípio social, a intervenção do estado ou a decisão em processo de mercado? Na hipótese de preferir a primeira, ou de a considerar constantemente necessária em virtude da falibilidade permanente da segunda, reformulo a minha pergunta, perguntando-lhe como vê o Carlos os limites da actuação do estado e como e quem ele acha que definirá esses limites e os fiscalizará com eficácia?

Nenhuma destas questões é do domínio do “reino da fantasia”, onde o João Galamba presume viverem os liberais. Elas são, em minha opinião, mais próprias de um verdadeiro reino de terror para onde o estatismo nos tem remetido, e que tem trepanado a sociedade, empobrecido o nosso país, esvaziado a iniciativa privada e destruído o tecido empresarial. Quando o Carlos refere – e bem – as inúmeras dificuldades que um trabalhador português sente, quando desempregado, para encontrar uma nova colocação profissional, isso deve-se, em minha opinião, apenas ao facto do país não ter empresas que lhe ofereçam emprego e não da falta de mecanismos legais que “protejam” os trabalhadores, que, de resto, há-de o Carlos reconhecer, proliferam abundantemente pelo nosso ordenamento jurídico. Nas últimas décadas, as dificuldades criadas às empresas e aos empresários – sempre em abono e em defesa dos direitos dos trabalhadores – criaram uma situação tal, que o risco empresarial raramente é compensador e apelativo. O estado substituiu-se a quem podia criar emprego e, agora, o emprego é um bem escasso, quase em vias de extinção. Por essas e por outras, é que a AutoEuropa, um exemplo que o Carlos trouxe à colação, está a pensar retirar-se de Portugal, como muitas outras empresas estrangeiras o fizeram nos últimos anos. E que o investimento estrangeiro desceu, em 2007, para a metade do ano anterior, quando cresceu em todos os outros 26 países da União no mesmo período. A outra pergunta que eu coloco aqui ao Carlos é, portanto, a seguinte: acredita ele no estado para recuperar as empresas e fazer empresários, ou prefere que eles possam naturalmente nascer do livre jogo do mercado? No fim de contas, é a pergunta anterior com palavras diferentes, ou seja, a seguinte: até onde acha o Carlos que o estado deve ir?

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too busy

Sorry I can't go to Berlin, I'm too busy.

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o muro do socialismo

Para Durão Barroso o principal muro que existe na Europa é o muro da pobreza. "Depois da queda do muro de Berlim, há 20 anos, continuam a existir muros na Europa, quiçá mais difíceis de derrubar".
Trata-se de uma declaração politicamente correcta, do Presidente da Comissão Europeia, mas trata-se também de uma meia-verdade, ou até de uma falsidade.
Depois da queda do muro de Berlim, todos pudemos contemplar a diferença de nível de vida entre as duas Alemanhas. A Alemanha Ocidental, com uma democracia liberal e capitalista, tinha enriquecido e a Alemanha Oriental, com um regime comunista/socialista, tinha empobrecido. Deixarmo-nos de socialismos, na Europa, é portanto o passo mais importante para minorar a pobreza.
O muro a derrubar é o da fé no socialismo e no papel do Estado. Um muro difícil de derrubar, porque a fé é cega e os argumentos racionais não demovem os crentes. Por outro lado, o socialismo e a social-democracia, enquanto formas atenuadas da doença, não se manifestam com a mesma virulência e, portanto, geram menos anticorpos, apesar de também serem letais.
Quem quiser dar o seu contributo para diminuir a pobreza, deve pegar na pena e, qual picareta, malhar no muro do socialismo. Esse é o muro que começou a ser derrubado há 20 anos, mas que ainda subsiste, de forma virtual, em quase todos os países da Europa.
PS: Os portugueses são, de todos os europeus, as principais vítimas contemporâneas do socialismo.

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Casas fantasma (*)


NOTA (*): Excepcionalmente, decidi publicar aqui no PC o último artigo que escrevi na Vida Económica (6/11), dedicado ao mercado imobiliário. Hoje, o DE traz um suplemento, acerca do mesmo tema, em que diz o seguinte: "Se quer comprar casa, é melhor aproveitar agora". Enfim, duas visões distintas sobre o mesmo sector.

De acordo com dados divulgados recentemente pela Associação de Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), existem no nosso país mais de cem mil casas que ninguém consegue vender. São as chamadas casas fantasma, localizadas sobretudo nos arredores das grandes cidades como Lisboa e Porto. Inicialmente, pensadas para a classe média baixa, a verdade é que permanecem à venda. Estes números, apesar de tudo, parecem pecar por defeito, pois a confirmarem-se, quererão dizer que o tempo médio que cada imóvel permanece à venda é de oito meses, o que me parece pouco tempo. Em 2008, segundo a APEMIP, venderam-se em Portugal 170 mil casas. Este ano, a APEMIP estima que se venderão cerca de 150 mil – um decréscimo de sensivelmente 10% – mas que, mais uma vez, me parece pouco.

Enfim, há muito que escrevo que os portugueses não têm poder de compra para os preços que se praticam no imobiliário em Portugal. A preocupação da APEMIP parece confirmar essa tese. Porque, de facto, não é preciso pensar muito para chegarmos a alguns elementos inquietantes, sobretudo para aqueles que estão vendedores. Primeiro, os elementos empíricos, ou seja, a evidência de que em todo o lado existem inúmeras tabuletas a dizer “Vende-se”. Segundo, os números, que mascaram uma bolha estrutural nos preços do imobiliário no nosso país.

A avaliação imobiliária em Portugal é difícil de se fazer. Por um lado, trata-se de um sector muito atomizado – por exemplo, só a APEMIP conta com 3400 associadas – e marcado pela predominância de micro empresas. Por outro lado, o parque imobiliário encontra-se muito concentrado na mão dos bancos que, nos últimos anos, fomentaram o crescimento exponencial do crédito à construção. Destes dois factores, resulta um terceiro: a informação não está uniformizada nem está estruturada. É escassa e pobre. Por isso, o indicador mais relevante acaba por ser a estatística publicada pelo INE referente ao preço por metro quadrado, em média, associado às avaliações que os bancos fazem dos imóveis que financiam.

Ora, aquilo que o INE e os bancos nos dizem é o seguinte: cada metro quadrado residencial em Portugal vale 1164 euros, sendo que a zona mais valorizada do país é o Algarve onde cada metro quadrado é avaliado pela banca em cerca de 1460 euros. Agora, façamos o seguinte exercício: em Portugal, os agregados familiares possuem em média 3 pessoas, significando isso que necessitam de uma área residencial não inferior a noventa metros quadrados – isto num país onde a população activa corresponde a metade da população e em que o rendimento médio de cada cidadão ronda os 750 euros mensais. Pois então, se fizermos a conta, concluiremos que, em média, cada agregado familiar gasta quase 8 anos de rendimentos anuais na compra de uma casa – um ano mais que em Espanha, que por sua vez é tida como a principal bolha imobiliária na Europa, e quatro anos mais que nos Estados Unidos onde os preços, de máximo a mínimo, já corrigiram 30%.

Porém, os preços que hoje ainda vigoram no mercado português não são os preços da avaliação bancária. Na realidade, os preços que ainda são tidos como referência são muito superiores àqueles que mencionei antes. Por exemplo, em meados de Outubro, um portal imobiliário (a http://www.lardocelar.com/) cotava o metro quadrado de um T2 novo em Lisboa a 1761 euros. Assim, regressando ao exercício anterior, o agregado familiar típico em Portugal gastaria mais de 11 anos de rendimentos anuais para comprar o dito apartamento. Ou seja, se analisarmos o preço médio do imobiliário em função dos rendimentos anuais dos portugueses, concluiremos que as nossas casas estão caras e que é por isso que não se vendem. Aliás, não se vendem nem se compram! As casas fantasma estão para ficar.

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o liberalismo conservador não existe




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08 Novembro 2009

aos liberais

Não fossem o estado e a política inevitáveis e a propensão para o crescimento de ambos uma fatalidade, o liberalismo seria desnecessário.

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vale dos reis

Cavaco Silva está em queda. A explicação é simples: mexeu-se. Ora, um Presidente da República, na tradição portuguesa, não deve aparentar sinais de vida, pelo menos ao longo do seu primeiro mandato. No segundo já não importa, porque não há terceiro. De Carmona a Soares, de Thomaz a Sampaio, sem esquecer a bizarra galeria de ilustres chefes de estado da Primeira República e o monóculo do General Spínola, a mumificação é a regra. Há que preservá-la docemente, sem sobressalto.

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uma ideia serôdia

Oráculo da Faculdade de Psicologia do Porto faz psicanálise à televisão e descobre nova doença: o bloqueio psicológico colectivo ou BPC, como começa a ser conhecida esta maleita, nos meios científicos internacionais.
Via Público

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kelly

All the dolphins at the institute are trained to hold onto any litter that falls into their pools until they see a trainer, when they can trade the litter for fish. In this way, the dolphins help to keep their pools clean.

Kelly has taken this task one step further. When people drop paper into the water she hides it under a rock at the bottom of the pool. The next time a trainer passes, she goes down to the rock and tears off a piece of paper to give to the trainer. After a fish reward, she goes back down, tears off another piece of paper, gets another fish, and so on. This behaviour is interesting because it shows that Kelly has a sense of the future and delays gratification. She has realised that a big piece of paper gets the same reward as a small piece and so delivers only small pieces to keep the extra food coming. She has, in effect, trained the humans.

Her cunning has not stopped there. One day, when a gull flew into her pool, she grabbed it, waited for the trainers and then gave it to them. It was a large bird and so the trainers gave her lots of fish. This seemed to give Kelly a new idea. The next time she was fed, instead of eating the last fish, she took it to the bottom of the pool and hid it under the rock where she had been hiding the paper. When no trainers were present, she brought the fish to the surface and used it to lure the gulls, which she would catch to get even more fish. After mastering this lucrative strategy, she taught her calf, who taught other calves, and so gull-baiting has become a hot game among the dolphins.

Via First Order Goods
PS: Sobre as origens do capitalismo. Pergunta: Kelly teria desenvolvido esta estratégia empresarial se, cada vez que apanhasse uma gaivota, todos os golfinhos repartissem a recompensa?

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07 Novembro 2009

a Polónia não está à venda

La Pologne refuse les vaccins H1N1

Le premier ministre polonais Donald Tusk a accusé aujourd'hui les sociétés pharmaceutiques de chercher à rejeter sur les gouvernements la responsabilité pour d'éventuels effets secondaires des vaccins contre la grippe H1N1, justifiant ainsi le refus de la Pologne de les acquérir.

"Nous savons que les sociétés qui offrent les vaccins contre la grippe H1N1 ne veulent pas prendre la responsabilité des effets secondaires de ce vaccin", a déclaré Tusk à la presse. "Elles refusent de les mettre sur le marché, parce que leur responsabilité juridique serait alors plus grande. Elles demandent des clauses qui ne sont probablement pas conformes à la législation polonaise, et qui rejettent toute la responsabilité sur le gouvernement d'un pays en ce qui concerne les effets secondaires et des indemnisations éventuelles,", a-t-il ajouté.

La Pologne refuse pour l'instant d'acheter des vaccins contre la grippe H1N1, estimant qu'ils n'ont pas encore été suffisamment testés par les autorités médicales.

Via Le Figaro
PS: O PM polaco é um ignorante que não percebe nada de virologia e de epidemiologia. Verdadeiro ou falso?

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o papel de um líder, num momento difícil

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estímulos

Via WSJ

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alhos e bugalhos



Obama mistura acontecimentos em Fort Hood com economia e desemprego. Fónix!

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the clash

Maj. Nidal Malik Hasan:
I am a Muslim first and an American second.
Via NYT

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06 Novembro 2009

verdadeiro ou falso?

Investigações do MP a José Manuel Godinho podem agravar desemprego.
Verdadeiro ou falso?

Caso se confirme o chumbo do Tribunal de Contas às novas estradas, o combate ao desemprego fica comprometido.
Verdadeiro ou falso?
Ver aqui.

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mercado ou estado?

O Carlos Santos retorquiu neste post, como se era de esperar, muito bem feito, os meus pontos de vista sobre o estado e o mercado, concluindo pela insuficiência do segundo e pela necessidade interventora do primeiro para lhe corrigir as ineficiências. O Carlos Santos é um defensor enérgico do Estado Social, a meu ver, o mais capaz da blogosfera portuguesa. Uma vez mais, tem razão em muito do que escreve, mas é inconclusivo nalguns pontos essenciais.

Para já, gostaria de adiantar que o liberalismo não tem que ficar refém do Leviathan de Hobbes, nem do optimismo antropológico de que os críticos do liberalismo frequentemente o acusam. Como também não faz parte do pensamento liberal clássico a negação da existência de instituições sociais e políticas, de normas de direito que relacionem os indivíduos e imponham limites (morais, éticos e simplesmente procedimentais) à sua liberdade, tão pouco a necessidade do estado político em substituição do estado de natureza. Nunca passou pela cabeça dos clássicos negar a necessidade dessas instituições – entre elas o estado, o governo e as instituições de justiça -, e, salvo melhor opinião, a sua rejeição não cabe no liberalismo, pertencendo antes às utopias construtivistas e (algumas) revolucionárias, que refutam todos os pressupostos sobre o qual assenta.

Para o liberalismo, o homem é propensamente sociável e da sua liberdade nasceu a sociedade, a cooperação, a divisão do trabalho e todos os valores morais e éticos onde assentam a liberdade e a sociedade. Mas o homem não faz parte da corte dos anjos e, por isso, do exercício da sua liberdade individual resulta o conflito, o desentendimento e a violação constante dos direitos individuais alheios. Para diminuir essa conflitualidade, que é também natural no homem e na vida em sociedade, os homens deixam livremente o estado de natureza e instituem a sociedade política, isto é, um aparelho de poder cuja finalidade, subscrevendo Locke, reside em assegurar-lhes a propriedade, a vida, em suma, a liberdade e as condições para a exercerem. Este é, no essencial, o mito fundador do estado, segundo o Liberalismo Clássico.

Numa perspectiva liberal, essas instituições funcionam – ou deveriam funcionar – inspiradas em regras gerais e abstractas, buriladas pelo tempo e pela tradição, das quais resultam os melhores processos de selecção de soluções para os problemas que mais os afligem. É certo que - a meu ver infelizmente - nem todas as sociedades se estruturam política e juridicamente deste modo, tendo muitas (entre elas, a nossa) seguido outra tradição distinta - concretamente a romanística do Baixo Império - segundo a qual o legislador dispõe quase livremente da norma jurídica, desde que tenha legitimidade política (uma das muitas "legitimidades" enunciadas ao longo da História...) para o fazer. É por essa razão que os liberais sentem mais afinidade com a common law e com a tradição jurídica anglo-saxónica, do que com o racionalismo jurídico francês burilado pelo Ancien Régime e consagrado na Revolução Francesa (vale a pena ver o que a respeito desta tradição centralista e estatista escreve Tocqueville no L’Ancien Regime et la Révolution).

Nesta perspectiva das coisas, a defesa dos direitos individuais violados pela livre disposição das vontades individuais em processos de mercado, alegada pelo Carlos, ocorre, em primeira instância, pela liberdade contratual individual – que nos permite firmar, ou não, os vínculos que entendemos -, e, em segunda instância, pelas normas jurídicas resultantes de procedimentos consuetudinários e jurisprudenciais, que o estado e o legislador asseguram e garantem, se necessário. Nessa medida, nem o liberalismo ignora a conflitualidade social, nem a necessidade dos indivíduos se protegerem uns em relação aos outros, tão pouco a existência de outros poderes operantes na sociedade, que não apenas o estado.

O exemplo dado pelo Carlos Santos sobre as normas comunitárias relativas à protecção da concorrência é, de resto, excelente. Sendo eu um entusiasta da cataláxia comunitária, e vendo nos seus princípios fundamentais do mercado livre e concorrencial os próprios princípios do Liberalismo Clássico (para mim, sabendo embora que isto é, para muitos liberais, uma heresia, Jean Monnet foi um dos últimos liberais clássicos relevantes na política europeia), lembro ao Carlos que essas normas jurídicas, hoje fundamentais na construção comunitária, foram resultado, não do legislador comunitário, mas do seu Tribunal de Justiça, em resposta às necessidades sentidas pelos cidadãos e pelas suas empresas. Tratou-se de um processo normativo resultante da jurisprudência e não de declarações legislativas soberanas, há que notar. Muitos desses princípios liberais da construção comunitária – por exemplo, a livre-concorrência, a livre circulação de capitais, pessoas e bens, etc. – tiveram que ser “impostos”, na prática, pela fiscalização permanente do Tribunal de Justiça e da jurisprudência que dela decorreu, contra a própria vontade dos estados, que os não teriam facilmente aceite de outro modo. E que, de resto, hoje mesmo ainda, os violam frequentemente, o que leva à interposição de processos judiciais naquele Tribunal.

Os outros casos referidos pelo Carlos – nomeadamente os abusos das entidades patronais, inequivocamente dotados de um poder superior ao dos trabalhadores – não são desconsiderados pelo liberalismo. Sobre isso, há que dizer, em primeiro lugar, que o liberalismo não considera perfeito o mecanismo do mercado. O que diz é que ele é menos imperfeito do que os processos de intervenção pública nos processos de mercado. Ou seja, numa relação laboral, desde logo, um trabalhador descontente poderá desvincular-se da empresa que o maltrata e procurar uma outra que lhe reconheça os méritos que julga possuir. Aí, infelizmente, o liberalismo não partilha do igualitarismo biológico de alguma esquerda, essa sim muito optimista sobre o género humano, segundo a qual todos somos iguais e todos teremos direito a posições sociais idênticas, em virtude dessa suposta igualdade. As pessoas são diferentes e, sendo certo que as condições de partida podem agravar essas diferenças, os talentos de cada um e o destino que lhes é dado pela sua aplicação, pelo seu trabalho e pelo seu esforço, podem nivelar e até mesmo superar essas diferenças. Felizmente, nas sociedades de origem capitalista onde vivemos, a relativa liberdade económica existente foi permitindo que as pessoas pudessem dispor de bens e serviços essenciais à sua formação, a preços razoáveis, que lhes permitem ultrapassar as diferenças de origem, conseguindo conquistar as posições que merecem. Mas mais ainda: não vejo nenhuma violação de princípios liberais – bem antes pelo contrário – na associação livre de trabalhadores para a constituição de sindicatos ou de grupos de pressão sobre os empresários. Vejo até utilidade nisso, e acredito que essas associações – ou sindicatos – possam conseguir melhores contratos de trabalho para os seus associados, e melhores condições de trabalho. Mas já considero grave e violador da liberdade económica e empresarial, que o legislador conceda benefícios proteccionistas a essas associações, em sistemático detrimento dos empresários e das suas empresas. Trata-se, a meu ver, da consagração legal do princípio marxista da luta de classes, em sociedades onde devia prevalecer o princípio da cooperação, que decorre do intervencionismo estatal e da convicção de que ele pode superar as imperfeições do mercado. Porque razão hão-de os empresários estar obrigados ao salário mínimo, a regras draconianas para o despedimento dos trabalhadores que os tribunais especializados sempre aplicam em seu desfavor, ao direito à greve e à proibição do lock-out, e por aí em diante? E que consequências têm estas medidas para a liberdade económica e para o crescimento e desenvolvimento dos países onde vigoram? A este propósito, quase me atreveria a sugerir ao Carlos que observasse com atenção o que se passa, neste domínio, na legislação laboral brasileira, que nós ingenuamente pensamos ser ultra-proteccionista, mas que garante os direitos dos trabalhadores decorrentes da sua liberdade contratual, sem paralisar as empresas e os empresários com imposições, na prática, dirigistas das suas empresas. Vale a pena conhecê-la, até porque ela explica muito do crescimento recente do país e o abandono massivo da situação de miséria em que se encontrava, até há nem pouco tempo, parte substancial do povo brasileiro, decorrente de legislação, essa sim, ultra-proteccionista vinda ainda do tempo da ditadura...

Retorquindo, finalmente, ao Carlos invertendo a sua própria argumentação, eu acredito que o crescimento dos poderes do estado e as consequências socialmente asfixiantes que dela decorrem, são inevitáveis num Estado Social que privilegie o princípio do intervencionismo em detrimento da liberdade de mercado, e que dê plena liberdade ao legislador para agir sempre e quando vê ou antevê uma “falha” do mercado. A realidade portuguesa está aí, em minha opinião que sei não ser a do Carlos, para o demonstrar: o país tem-se vindo a afundar numa economia cada vez mais depauperada, em favor de umas finanças públicas que “corrigem” as suas ineficiências. O problema é que, para satisfazer a conta do estado, cada vez mais há menos economia. Por outras palavras, o Estado Social tem em si mesmo os germes que levam à sua própria destruição. Como, de resto, os últimos governos têm constatado, sem conseguirem oferecer alternativas e soluções dentro do quadro geral do estatismo e do proteccionismo cultural e politicamente dominantes.

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estado e liberalismo

O Miguel Botelho Moniz replicou os meus últimos posts sobre o estado n’O Insurgente, com observações interessantes e pertinentes. Antes de ir ao que me interessa, uma rápida observação para dizer que não fiz coincidir plenamente, nesses textos, as minhas opiniões com as de Nozick, limitando-me somente a constatar que o autor de Anarchy, State e Utopia me parece o único liberal contemporâneo a preocupar-se sensatamente com a origem do estado, dando-lhe uma explicação plausível e fora do comum no universo liberal. Isto, naturalmente, percebendo que nem todos os estados têm a mesma origem, e que se os há que resultam de processos naturais de agregação espontânea, outros resultam inequivocamente de processos de imposição violentos. Só um reparo a este respeito: estes últimos não costumam perdurar, o que abona em favor dos primeiros, que se perpetuam no tempo. Por alguma razão será.

Mas o que me interessa principalmente – e que é, de resto, o ponto central dos meus posts sobre o tema – é uma observação do Miguel feita no seu texto, seguida de outra do Filipe Abrantes em comentário ao mesmo. Diz o primeiro: “Um minarquista pode reconhecer a origem fáctica de um estado como sendo resultado de um processo violento e ilegítimo sem necessariamente querer acabar com ele.” Acrescenta o segundo: “Espontâneo ou não, acho que interessa pouco.”

Ora, a meu ver, negar a natureza espontânea da maior parte dos estados, como resultado de um processo pacífico de associação entre indivíduos que pretendem reforçar os seus laços de cooperação, instituindo regras de convivência e instituições representativas que as assegurem, é negar a própria essência do liberalismo, que, como todos sabemos, parte do princípio da sociabilidade. Porque hão-de, então, os liberais olhar sempre para o estado como o resultado da violência e não da cooperação? E como se pode dizer que “interessa pouco” a origem dos estados? Então, para os liberais torna-se indiferente o que os indivíduos querem e as instituições resultantes dos seus processos de livre cooperação? É que olhar para isto apenas a jusante, como se não existisse montante, distorce a realidade e a percepção que temos das coisas. Faz-nos, de resto, cair em tentações revolucionárias e voluntaristas (a transformação, aí sim, impositiva da realidade), que nada têm a ver com o liberalismo.

É por esta ordem de razões que tenho insistido com alguma ênfase na necessidade do liberalismo se aproximar da tradição e do conservadorismo, o que lhe dará, em minha opinião, uma boa dose de realismo e de um certo humanismo, que julgo continuam a faltar em muitas das suas abordagens. Essa é, de resto, uma das causas do seu efectivo insucesso.

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10 razões para odiar os médicos 10

1.Quase sempre têm razão e raramente se enganam.
2.Tem chusmas de corporativismo.
3.São mais inteligentes que o resto da manada.
4.São a elite das elites.
5.Dizem coisas incompreensíveis.
6.Não são uma cambada de comunistas.
7.Veneram o capital.
8.Usam camisas lavadas.
9.Recusam a vacina da gripe A e sabem porquê.
10.Sabem localizar o ponto G, às escuras e sem mãos.

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la libertad

Los motivos por los cuales decidi no continuar en la brigada estan muy lejos de ser economicos, aunque continuamente enfrente ese tipo de problemas como el no recivir el salario completo de un mes en tiempo, sin poder siquiera preguntar porque ocurria aquello, mi decision fue debido al abuso constante y la limitacion del todos mis derechos pero especialmente la libertad.

Iniciando porque ningun cubano puede siquiera portar su pasaporte pues se nos es retirado inmediatamente como en mi caso, por miedo a que intentemos escapar, yo solicite mi pasaporte para indentificarme y recivir dinero no se me entrego sino a otra persona conciderada “segura” la cual me custodio actuando de policia para que no escapara con el, se nos prohibe hablar o tener relaciones con personas no nacionales especialmente con los llamados por la brigada “enemigos” como los ciudadanos australianos y son limitadas las que podemos mantener con Timorenses.

En mi caso especifico, tenia un diario personal en internet, de los llamados Blogs donde narre los dificiles momentos que pasaba y el trabajo que hacia a diario durante los momentos de la crisis politica en Timor Leste y al ser descubierto fui llamado por el jefe de la brigada bajo amenza de ser enviado de regreso a cuba, pues yo NO tenia derecho a opinar ni expresarme de ninguna manera a no ser la que ordenaba la brigada. Desde es momento pase a ser conciderado como una persona “problematica” y “no confiable’. Se me utilizaba solo por mis conocimientos de informartica cuando era estrictamente necesario.

No podemos aceptar invitaciones o compatir con medicos de otras nacionalidades y se sanciona cambiando de distrito, enviando de regreso a cuba o a zonas de malas condiciones de trabajo dentro del pais a quien mantiene relaciones con no nacionales. No se nos permite salir o viajar dentro del pais a no ser en funciones de trabajo y solo en horarios establecidos, no por motivos de seguridad sino para no tener contacto con extranjeros.


Blogue de Alexis O. Rodriguez Caceres. Médico cubano da "Brigada Médica Cubana" de Timor.

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05 Novembro 2009

Um novo Deuteronómio

Os dez pilares da civilização:

1.Há imperativos morais absolutos.
2.A violência é sempre condenável.
3.A democracia é a forma de governo menos má.
4.O princípio da Lei é supremo.
5.A defesa do indivíduo está acima de quaisquer outros interesses.
6.A classe média é estruturante para qualquer sociedade.
7.A liberdade deve prevalecer sobre outros desígnios públicos.
8.O uso correcto da linguagem é fundamental numa sociedade civilizada.
9.Devemos confiar na ciência.
10.Nada nos deve afastar da procura e do reconhecimento da verdade, porque esse é o cerne da civilização.

De um texto muito interessante de Paul Johnson: A New Deuteronomy. Resumi os dez princípios que Paul Johnson considera fundamentais para a vida em sociedade.

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1 faculdade, duas opiniões

O presidente da Associação Portuguesa de Bioética, Rui Nunes, Professor da Faculdade de Medicina do Porto, considerou que a recusa de médicos e de outros profissionais de saúde deve ser aceite com "prudência e bom-senso" porque acha esta reserva "natural" quando se trata de profissionais que "estão mais envolvidos no meio; sabem mais do ponto de vista técnico/científico o que se passa e sabem que não há ainda resultados verdadeiramente sólidos que permitam determinar com clareza se a pessoa deve ser vacinada".
Via DN
“Esses medos não ficam muito bem aos médicos, faz falta que leiam. Os médicos não são todos peritos em gripe e comportam-se neste domínio como doentes, como pessoas da população geral”, lamentou Agostinho Marques, Director da Faculdade de Medicina do Porto.
Via Público

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poder político e poder civil

A distinção entre poder civil e poder político é essencial para se compreenderem as relações entre o estado e os indivíduos. O poder político arroga-se da faculdade da soberania, isto é, da possibilidade de decidir sem o consentimento dos destinatários. A eficácia dessas decisões assenta sobre um aparelho de poder e de coacção que pode operar contra a vontade dos indivíduos. A legitimidade destas faculdades tem variado ao longo do tempo, na sua fundamentação teórica e nos requisitos para a sua verificação, mas hoje é quase unanimemente encontrada no sufrágio universal. O poder civil não dispõe de quaisquer prerrogativas soberanas, resultando da vontade dos indivíduos manifesta através de relações de troca contratualizadas juridicamente. As regras de funcionamento do poder civil e do poder político, bem como as normas que estatuem as relações entre ambas, são regras de direito ou normas jurídicas que têm também origem e fundamentos distintos. Assim, enquanto que o poder político é conformado por regras enunciadas por declarações solenes proferidas por assembleias constituintes, que habitualmente se esgotam no espírito da época em que são feitas, as normas jurídicas que estabelecem as relações civis são buriladas pelo tempo, e mesmo quando fruto de leis e códigos legislativos, costumam incorporar e aceitar esse património e esse legado, por vezes ancestrais.

O liberalismo é uma doutrina política que se situa âmago do poder civil. Preocupa-se com as relações deste com o poder político e com a soberania, e cuida de o preservar contra a coacção do estado, em relação à qual a sua defesa é sempre muito limitada, lenta e frequentemente ineficaz. O Estado de Direito contemporâneo pressupõe que ela se faça nos limites do direito vigente, utilizando para isso o aparelho judicial, que deve ser independente do poder político. Mas esquece-se que a justiça aplica normas que são – pelo menos nos sistemas romanísticos, como o nosso – da inteira criação da soberania, o que distorce completamente as relações de poder entre as partes. Se a isto acrescentarmos o facto de que a interpretação política e legislativa da volonté générale quase não deixa limites objectivos à soberania e ao legislador, que não sejam os direitos fundamentais enunciados nas Constituições democráticas em formas muitas vezes abstractas e facilmente contornáveis por um legislador astuto, o cenário piora francamente.

Neste processo de vasos comunicantes que são as relações de poder entre a sociedade civil e a sociedade política, onde o que é habitual é o desiquilíbrio em benefício da segunda e em prejuízo claro da primeira, o que se torna cada vez mais importante é encontrar mecanismos de defesa dos indivíduos face ao estado. É certo que esses mecanismos são tanto mais fáceis de encontrar e de aplicar em sociedades economicamente desenvolvidas, prósperas, com instituições e empresas que não dependam do estado para a sua existência e subsistência. Não existem sociedades economicamente desenvolvidas e com uma classe média forte que suportem, por muito tempo, estados opressivos. Não é manifestamente o caso português, onde o excesso de estatismo se deve à ausência de sociedade civil. Situação que, de resto, resultou de um longo processo histórico de centralização e esvaziamento desta última por um estado que é dos mais velhos da Europa, onde nunca houve feudalismo e onde o regime senhorial foi precocemente combatido, onde o municipalismo foi funcionalizado pelos poderes públicos, e onde a liberdade económica foi sempre muito condicionada. Sair daqui não é fácil. E, provavelmente, não é mesmo possível.

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Leitura recomendada (III)


"É que o essencial do problema que enfrentamos é mesmo o risco da própria autodissolução do povo que perdeu todas as ilusões sobre esta classe política. Um povo que perdeu mesmo a vontade de ser representado por ela e, por isso, de votar, mesmo que nos últimos anos o exercício do voto se tenha transformado tão só num ritual de desresponsabilização ou de castigo. E é essa teia irrespirável de desresponsabilização, bem expressa numa abstenção galopante, ou de mera punição, que envolve um sistema político e uma sociedade incapazes de inverterem a caminhada para o abismo.", Eduardo Dâmaso no livro "Portugal, que futuro?"

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Leitura recomendada (II)


"O caso Face Oculta é mais uma acha na fogueira em que a credibilidade do regime vai ardendo. Mas é, também, uma nova oportunidade para encontrar a vontade política e os meios necessários para dar combate sério à corrupção. Num país em que crescem as desigualdades, aumenta a pobreza e o Estado não pára de estender o seu peso sobre a sociedade civil, desperdiçar a ocasião será brincar com o fogo em que a democracia se há-de consumir", João Cândido da Silva, no seu editorial de hoje no Jornal de Negócios.

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Leitura recomendada



"Chegámos, pois, a um ponto em que se torna imperiosa a revolução da legalidade e de mentalidades na classe política. A reposição de credibilidade dos actores do Estado - não meramente dirigentes políticos mas também magistraturas, polícias e outros altos funcionários - é dramaticamente urgente para que as pessoas acreditem no funcionamento das instituições, nos mecanismos de fiscalização. Para que as pessoas acreditem naquilo a que o filósofo italiano e director da imprescindível revista Micromega, Paolo Flores d'Arcais, chama "o poder dos sem poder", ou seja, uma legalidade que, ao funcionar plenamente, representa a única forma de autonomia real do indivíduo face ao poder, transformando-se num verdadeiro bem material", Eduardo Dâmaso, director do Correio da Manhã, no livro "Portugal, que futuro?", escrito em co-autoria com Medina Carreira.

Quiçá, a investigação "Face Oculta" possa constituír uma lufada de ar fresco...

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de quem fala o professor rosas?

O Professor Cardoso Rosas escreveu mais um artigo sobre a direita, tema em que ameaça tornar-se especialista, ainda que quase sempre se engane a respeito. Desta vez, o Professor Rosas analisa as atitudes da esquerda e da direita portuguesas em resposta à crise financeira, entusiasmando-se com o «combate agressivo» que a primeira lhe moveu, e frustrando-se com a falta de soluções da segunda. De passagem, assinale-se que o dito «combate agressivo» consiste em «investimento público, grandes obras, enfim, activismo do Estado», provavelmente o tal «liberalismo de esquerda» de que o Professor Rosas nos tem academicamente falado com rigor científico e dogmático. Já a direita nada fez ou sugeriu para resolver uma crise que iria pôr em causa, segundo o Professor Rosas, «o processo de privatizações e de desregulamentação que ela própria liderou». Fala em quê e em quem, o Professor Rosas? Nos governos de António Guterres e de José Sócrates? Nas privatizações de Cavaco Silva, sem as quais não nos teríamos sequer conseguido manter na União Europeia? O Professor Rosas acha que, numa sociedade de esquerda «liberal», a banca e os jornais devem ser do estado? Ou será que foi o errático governo de Durão Barroso e o longo consolado de Santana Lopes que causaram a infelicidade da desregulamentação? De que fala e de quem fala o Professor Rosas, afinal?

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Afeganistão / Iraque


A guerra no Afeganistão e no Iraque continua a fazer vítimas todos os dias, em especial entre as tropas norte-americanas e britânicas. A situação torna-se cada vez mais insustentável e dificilmente os governos ocidentais conseguirão manter a opinião pública sob controlo.

Contudo, no Iraque, onde os EUA construiram a maior embaixada norte-americana em todo o mundo, as forças ocupantes deverão manter-se - na maior impunidade do direito internacional - independentemente do número de vítimas. A razão é simples: a presença no Iraque é estratégica no contexto dos interesses petrolíferos e militares que a América tem na zona em conjunto com os seus aliados regionais (Arábia Saudita, Koweit, Qatar e outros que tais) e que, ao mesmo tempo, serve também para intimidar o Irão.

Pelo contrário, no Afeganistão, onde, apesar de tudo, os EUA até tiveram, inicialmente, razão para (contra)atacar, aos olhos da opinião pública, começam a não existir razões estratégicas para lá permanecer. Primeiro, porque os taliban, embora não tenham sido derrotados, foram arredados do poder onde agora se encontra um governo patrocinado pelos EUA. Segundo, porque a verdadeira preocupação norte-americana naquele país resume-se à vigilância e controlo da fronteira do Afeganistão com o Paquistão, porventura, o maior barril de pólvora no mundo. Contudo, esse é em primeiro lugar um problema do Paquistão, que decididamente não o pretende ou não o consegue resolver.

Uma coisa me parece certa: histórias como esta que o The Sun, um jornal populista, nos relata, vão contribuindo para que cada vez mais as pessoas se interroguem "Mas que raio estamos lá a fazer?". É que no Iraque ainda se pode manipular a opinião pública com o argumento Irão. Já no Afeganistão é difícil argumentar com o tema Paquistão - as pessoas não entendem nem querem saber do assunto.

E, pronto, assim se chega a uma situação catastrófica. Onde os EUA/RU não deveriam estar - no Iraque - vão permanecer. Onde, apesar de tudo, deveriam permanecer - no Afeganistão - vão retirar. É só uma questão de tempo. Enfim, teorias idiotas - como o conceito da guerra preventiva ("pre-emptive") - dão nisto.

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Lobby


Uma das principais notícias da imprensa financeira de hoje diz respeito aos CTT. De acordo com o seu presidente, Estanislau Mata Costa, em declarações transcritas no DE e no JdN, "em Portugal só não se confia nos CTT para ter um banco". Ou seja, os Correios querem fundar um banco, mas o Banco de Portugal não lhes dá licença. Acrescenta ainda o dr. Mata Costa que "qualquer bicho careta em Portugal pode ter um banco", assim sustentando a sua indignação pela forma como a sua organização tem sido tratada pelas autoridades no seu objectivo de criar uma entidade bancária.

De facto, é difícil entender por que é que os Correios em Portugal, contrariamente ao que se passa noutros países europeus, não podem ter um banco...Mas pensando bem e observando que os CTT ainda devem ser os principais intermediários na entrega das reformas aos reformados, em particular àqueles mais idosos, então sim, poderemos perceber melhor a potencial ameaça que um banco CTT poderia representar junto dos outros bancos já instalados. Por outras palavras, o dr. Estanislau está a ser vítima do poder de lobby da Associação Portuguesa de Bancos.

Entretanto, até 2011 o sector dos Correios estará totalmente liberalizado. É provável que nessa altura os CTT consigam constituir o seu banco.

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a escravatura é crime

A escravatura é uma forma de trabalho forçado. O escravo é alguém que é privado do direito de sair, de se recusar a trabalhar ou de receber compensação pelo seu trabalho. Partindo desta definição, poderemos afirmar que os médicos cubanos que vieram para Portugal, ao abrigo de um acordo entre o MS e o governo cubano, são escravos?
Pelo relato do Sindicato dos Médicos, a resposta é um inequívoco sim.

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04 Novembro 2009

socialistas promovem escravatura

"As imoralidades encontradas" incluem um dia por semana para descansar (que, de 15 em 15 dias, se transforma em dois). Um horário semanal de 64 horas (40 de segunda a sexta e mais 24 de urgência ao fim-de-semana). Impossibilidade de visitar a família e telefonemas sempre mediados por um médico "controleiro" também cubano. "Não auferem vencimento nem são directamente remunerados pelo trabalho. Às famílias em Cuba é posto à disposição o vencimento que o médico ali receberia normalmente. E este, em Portugal, recebe um subsídio via Embaixada de Cuba que se cifra em 500 euros, depois de se ter iniciado em 300."

Os clínicos "afirmam-se voluntários" num acordo que desconhecem e que pode durar de um a três anos, ser interrompido a qualquer momento por decisão de Portugal ou de Cuba, não estando previsto qualquer tipo de indemnização, refere o sindicato.

"A situação laboral dos médicos cubanos é inaceitável à luz da legislação portuguesa e comunitária. Mas, sobretudo, é muito preocupante perante valores de humanismo, de socialismo democrático, de solidariedade, de igualdade de oportunidades e de equidade", refere o SIM.

Via i
PS: É urgente que a Ordem dos Médicos esclareça se os colegas cubanos têm independência para exercer a profissão.

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o problema do estado

O único liberal contemporâneo que escreveu, com lucidez, sobre a origem do estado terá sido Robert Nozick, que dissertou inteligentemente sobre o tema no seu famoso livro Anarchy, State and Utopia. Segundo ele, o estado é um produto da ordem espontânea, resultante de necessidades individuais e colectivas de protecção, que levam à instituição, primeiro, de um “estado ultra-mínimo”, num momento em que não existe ainda a monopolização das suas funções por uma única agência política, que acaba sempre para evoluir para um “estado mínimo”, onde, por via dos processos de eliminação da concorrência, essa monopolização já se verifica. A visão de Nozick inspira-se no contrato social de Locke e não agrada a um número substancial de liberais, que preferem ver a constituição do estado com um processo artificial de conquista de poder e de vastos domínios territoriais por genuínos grupos de malfeitores (vd. a crítica a Nozick feita por Rothbard no The Ethics of Liberty), do que o resultado de necessidades espontâneas dos indivíduos e das suas formas societárias de agregação.

A verdade, é que Nozick tinha razão, e a maior parte das críticas que lhe foram movidas carecem de bom senso e rigor histórico. De facto, se olharmos para a História, encontraremos a situação descrita por Nozick em praticamente todos os momentos registados da constituição de estados e, antes deles, de instituições de governo (ou estados lato sensu, se preferirmos). Verificaremos que foram as necessidades de protecção sentidas o primeiro sentimento instituidor das formas primevas do estado nas cidades da Antiguidade Clássica, na organização feudal da Idade Média, e detectaremos também, logo em seguida, a eclosão de conflitos pela posição dominante desse mercado. A passagem desse “estado ultra-mínimo” para um “estado mínimo” opera-se, efectivamente, com a assunção do monopólio do uso da força por um desses grupos, em processos frequentemente muito turbulentos e de conflitualidade elevada.

É certo que a evolução desse mínimo evolui, uma vez consolidado o monopólio, para um estado tão grande quanto lhe for permitido crescer. Aí, alguns liberais ignoram em absoluto a natureza da política e tentam fazer de conta que ela não existe. É um erro enorme voltar as costas à natureza política do homem, à sua vocação pelo domínio e pelo poder. Qualquer abordagem etológica do comportamento humano explica a base instintiva e genética da vontade de domínio e do desejo de poder. O espírito de cooperação e de contrato, que são a essência da vida social privada, coexistem, nem sempre da melhor maneira, com a soberania e o poder público. Mas nunca encontramos um sem o outro.

A História evidencia também que esse impulso político é ameaçador da liberdade e que o estado e o aparelho de poder são frequentemente postos à disposição de interesses egoístas e de grupo, prejudicando gravemente a liberdade individual e os direitos fundamentais que deveriam caber aos cidadãos. O modo de restringir o impulso totalitário de todo o poder não é, todavia, negar a existência inevitável de um domínio político nas sociedades humanas, pelo contrário, é aceitá-lo e encontrar as formas de o limitar e reconduzir às suas funções pactícias originárias.

Foi isso que fizeram os movimentos constitucionais oitocentistas, de forte inspiração liberalizadora, quer pela intenção de conter o poder de soberania e conformá-lo por regras jurídicas gerais e abstractas às quais ele teria que obedecer, quer pela consagração de um núcleo de direitos fundamentais dos indivíduos que os poderes públicos teriam de respeitar, quer pela consagração do princípio da separação funcional e orgânica dos poderes soberanos, quer ainda pela completa autonomização da função judicial dos demais poderes do estado. Como bem explicou Hayek no seu livro The Constitution of Liberty, nos séculos XVII e XIX, Constituição era sinónimo de “poder limitado”. Esse sentido original está hoje muito esquecido.

O constitucionalismo oitocentista conseguiu efectivamente recolocar o estado nos seus limites pactícios originários, o que levou Karl Marx a classificar, e bem, os estados europeus constitucionais de democracias burguesas. Na verdade, fora a burguesia ascendente que, a partir da sociedade civil e não da sociedade política, conseguira fazer-se respeitar e impor limitações ao poder do estado. Conseguira, também, fazer valer as suas aspirações à protecção da propriedade e da liberdade de comércio. Graças a isso, os benefícios gerados abrangeram um número elevado de pessoas e o século XIX foi, na generalidade dos países ocidentais, um período de desenvolvimento, de crescimento económico, e de aumento de bem-estar para um número crescente de pessoas que anteriormente não possuía as mínimas condições de vida, muitas delas não conseguindo sequer sobreviver por muito tempo. Os avanços tecnológicos e os desenvolvimentos científicos acompanharam este movimento geral de progresso.

Posteriormente, este desenvolvimento e crescimento social geraram novos problemas e outras necessidades. O desejo de protecção cresceu e originou uma nova forma de estado, visível já no fim daquele século, e florescente desde os primórdios do passado século XX. A leitura feita pelas populações dos desequilíbrios sociais sentidos foi deficiente e originou o Estado Social, na maior parte dos casos a pedido das pessoas que julgaram vir a beneficiar desse proteccionismo. Hoje mesmo, com a falência generalizada do estado contemporâneo, esse instinto de protecção é quase sempre superior ao desejo racional de liberdade.

A missão dos liberais contemporâneos é hoje muito semelhante à dos constitucionais de oitocentos: eles precisam de refundar o Estado Constitucional e de voltar a remeter o poder político para os parâmetros que justificam o pacto social, explicando às pessoas que elas têm a ganhar com menos estado do que com o estado que hoje têm. Mas não vale a pena dizer-lhes que viverão sem estado, por que não só elas não o desejam, como nunca acreditarão nessa possibilidade.

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oração à Terra









Terra cheia de graça,
Somos os teus escravos.
Bendita sois Vós entre os planetas,
E benditos os frutos do Vosso ventre.
Santa Terra, Terra mãe,
Rogai por nós, poluidores, agora e na hora da nossa morte.
Amém.

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acreditas?

Uma nova religião.
Via O Insurgente

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sic semper tyrannis

Um aviso!

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yes, Sensei


Reparem no estilo com que o presidente do BCP "assassinou" o seu braço direito. Yes, Sensei.

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