26 Julho 2014

neoliberalismo repressivo

O neoliberalismo repressivo é contra a principiologia que estipula que todos os homens nascem com igual direito à felicidade

Comentário: Vale a pena ler esta entrevista de Adriano Moreira. Apesar de confusa e até contraditória contém algumas reflexões interessantes. A primeira, desde logo, identifica o carácter repressivo do actual regime: ‹‹neoliberalismo repressivo, com a multiplicação de sanções, de aumento de impostos, de restrições, etc. Sou contra o neoliberalismo repressivo.››. Estou de acordo com o repressivo só não podemos é chamar-lhe neoliberal ou liberal.

Liberal tem a mesma etimologia de liberdade e portanto não existe liberalismo repressivo, é uma contradição de termos. O actual regime é repressivo mas não é neoliberal.

Outra confusão é a identificação do "Estado Social" com o "direito à felicidade". Ninguém nasce, nem pode nascer, com direito à felicidade - um conceito desde logo subjectivo. Tudo o que podemos aceitar é que possam nascer com o direito a procurar a felicidade, uma peregrinação que nem sempre encontra o seu destino mas em que o que conta é o caminho.

Leiam e façam o vosso juízo.

25 Julho 2014

too big to fail

Depois do too big to fail temos:

Too knowledgeable to fail

Ozymandias

Of course, in the long run nothing lasts. But history is lived in the here and now. The Soviets had only 70 years, Hitler a mere twelve. Yet it was enough to murder millions and rain ruin on entire continents. Bashar Assad, too, will one day go. But not before having killed at least 100,000 people.
All domination must end. But after how much devastation? And if you leave it to the forces of history to repel aggression and redeem injustice, what’s the point of politics, of leadership, in the first place?
The world is aflame and our leader is on the 14th green. The arc of history may indeed bend toward justice, Mr. President. But, as you say, the arc is long. The job of a leader is to shorten it, to intervene on behalf of “the fierce urgency of now.” Otherwise, why do we need a president? And why did you seek to become ours?

a alegria de viver


24 Julho 2014

um País perigoso

É pior levar um grupo económico à falência do que um País

Sobre a dupla Ricardo Salgado e José Sócrates

Ler também estes posts do CGP e do vitorcunha

23 Julho 2014

o socialismo e a social-democracia

A social-democracia é pior do que o socialismo puro e duro. Cheguei a esta conclusão depois de comparar a ação dos governos do PS com os do PSD.
Os socialistas não acreditam no socialismo, consideram-no uma fase intermédia no caminho para uma sociedade sem classes. Consideram que os mais desfavorecidos, sem educação gratuita, sem SNS e sem apoios sociais, não sairiam da cêpa torta.
Os sociais-democratas não alimentam a utopia da sociedade sem classes, para eles é como se tivéssemos chegado ao Fim-da-História. Tratam então de melhorar o sistema soviético da educação, o sistema soviético da saúde e da segurança social. Como? Empresarializando.
Enquanto um socialista cria empregos na função pública por “caridade”, um pouco à Salazar, o social-democrata quer pôr o funcionário público a trabalhar como se estivesse no privado, muitas vezes por uma “esmola”.
Com os socialista no poder, os portugueses ficam “pobretes mas alegretes”. Trabalham 100 dias por ano – deixem-me ser optimista – gozam as suas pontes no Algarve e reformam-se ao 50 anos. Com os sociais-democratas trabalham como os americanos e ganham como os marroquinos.
Os sociais-democratas não libertam a sociedade do peso do Estado, de modo a criar riqueza e a melhorar o nível de vida colectivo. Pelo contrário escravizam o cidadão e condenam-no à mera sobrevivência, quase sem direitos cívicos (direito à propriedade, por exemplo).
Comparando estas duas experiências, eu julgo que a maioria dos portugueses fica melhor com os socialistas.

aventuras na Sovietolândia

Na Sovietolândia, o camarada presidente Madurovsky decidiu controlar o preço do papel higiénico para garantir a igualdade no acesso a este produto de primeira necessidade.
Esta medida clarividente provocou vários efeitos indesejáveis, devidos à usura dos industriais e dos comerciantes e à falta de formação dos consumidores. Diminuição da qualidade do papel higiénico, escassez e mercado negro.
O governo da Sovietolândia confrontou o problema e depois de soltar a ASSAE às canelas dos produtores, distribuidores e comerciantes, atacou também os consumidores.
O camarada presidente nunca usa mais de 2 folhinhas de papel de cada vez e deixa-as de lado para reutilização. A populaça necessita de ser educada e os vendedores necessitam de formação.
Madurovsky ordenou então um concurso para vendedores de papel higiénico ao qual se candidataram dezenas de milhares de sovietolândicos. Como a selecção era complicada, o camarada presidente ordenou que o IEOP – Instituto de Execução das Ordens do Presidente – realizasse uma Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades.
Alguns críticos consideraram, sem ofensa, que esta prova era uma m”#$a. Mas pensem bem, qual era a alternativa: liberalizar a venda do papel higiénico? Nem pensar!

Conflito Israelo-Palestiniano em equilíbrio de Nash?

Existem 3 possíveis cenários para o conflito Israelo-Palestiniano: a aceitação de dois países completamente independentes, a integração de ambos os povos num só país e a continuação do conflito armado.

Israel tem o absoluto predomínio militar mas, ao mesmo tempo, obrigações perante a comunidade ocidental da qual faz parte, incluindo a necessidade de continuar a ser, formalmente, uma democracia. A aceitação da Palestina como estado independente teria, a prazo, que incluir aceitar que esse país tivesse o seu próprio exército e material de guerra sofisticado. Com feridas abertas de décadas, a mínima convulsão política poderia levar novamente à guerra, mas desta vez com um inimigo muito melhor preparado e capaz de provocar dano. Alternativamente, Israel, poderia utilizar o seu poderio militar para simplesmente ocupar todo o território Palestiniano, impondo a solução de um estado. Mas, sendo Israel uma democracia, o mais provável é que cedo a população árabe constituisse a maioria dos eleitores e tomasse o poder nesse novo estado, acabando efectivamente com o estado judeu pela via democrática. A melhor solução para Israel efectivamente a do eterno conflito que lhe permite exercer controlo sobre todo o território palestiniano a um custo relativamente baixo em termos de baixas de guerra. Como os palestinianos não são legalmente cidadãos do estado de Israel, apesar de estarem sob seu domínio, Israel pode continuar a ser considerada uma democracia: "a única do Médio Oriente"

O Hamas, por seu lado, tem no conflito a razão da sua existência. Qualquer solução que traga a paz levaria à perda de importância do movimento. As perdas humanas desproporcionais dos Palestinianos reforçam ainda mais a sua capacidade de captação de membros e a sua popularidade.

O conflito armado pode, de facto, ser a situação de equilíbrio naquela zona do Mundo. A sobrevivência do Hamas e do Estado judeu dependem da sua continuação.

a diferença entre uma , e um ;

A chamada Prova de Avaliação de Conhecimentos e de Capacidades - preparada pelo IAVE (nome que evoca uma empresa de camionagem...) é, na minha opinião, uma aberração total. Não vou porém perder tempo a explicar porquê. Basta dizer que é um aborto de um sistema já de si aberrante que é o nosso sistema de educação. É uma espécie de fruto de tara genética.

Os socialista inventaram o ensino público gratuito da pré-primária ao doutoramento e agora estão a tentar colmatar as falhas das "consequência indesejáveis" (Hayek) da intervenção do Estado. Problema deles.

Neste contexto o que se poderia esperar de uma prova destas? Que fosse capaz de seleccionar bons professores? Está quieto, um bom professor nunca pode ser um apparatchik do ME. Talvez seleccionar bons burocratas.

Pessoas capazes de compreender a diferença capital entre uma vírgula (,) e um ponto e vírgula (;). Reparem nesta pergunta:

Item 24

24. Indique a opção que contém uma frase incoerente.

(A) O certificado foi devolvido aos serviços administrativos, pois omitia a designação completa do curso realizado, apesar de mencionar o grau obtido e a respetiva classificação.
(B) O certificado mencionava o grau obtido e a respetiva classificação; porém, omitia a designação completa do curso realizado, razão pela qual foi devolvido aos serviços administrativos.
(C) O certificado mencionava o grau obtido e a respetiva classificação, mas foi devolvido aos serviços
administrativos por omitir a designação completa do curso realizado.
(D) O certificado omitia a designação completa do curso realizado; no entanto, mencionava o grau
obtido e a respetiva classificação, razão pela qual foi devolvido aos serviços administrativos.


IAVE - Prova de Avaliação de conhecimentos e de capacidades

Item 33 (link retirado deste post do André Azevedo Alves)

Desde a promoção de uma alimentação saudável às regras de higiene, do consumo de substâncias tóxicas à iniciação das práticas sexuais, da prevenção em espaço público à preservação do ambiente, existem domínios diversos em que a escola é chamada a exercer a sua função educadora. Se a família o faz menos, a escola terá de compensar, e vice-versa.

David Justino, Difícil é Educá-los, Oeiras, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2010, pp. 101 e 102
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David Justino, no texto acima transcrito, sintetiza a diversidade de tarefas e de missões atribuídas à escola pela sociedade.

33. Escreva um texto em que exponha a sua opinião sobre a perspetiva expressa por este autor, fundamentando-a através de uma linha argumentativa coerente.

A extensão do seu texto deve situar-se entre um mínimo de 250 e um máximo de 350 palavras.

Observações:
1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen. Qualquer número expresso por algarismos conta como uma única palavra.
2. Serão classificadas com zero pontos as respostas em que se verifique: (a) afastamento integral do tema; (b) extensão inferior a 150 ou superior a 450 palavras; (c) mais de seis erros de sintaxe; (d) mais de dez erros inequívocos de pontuação; (e) mais de dez erros de ortografia ou de morfologia.

Comentário: Não é um bocado patético e até incestuoso que numa Prova de Avaliação de Conhecimentos e de Capacidades se inclua uma referência a um texto de um ex-ministro da educação. Ainda por cima, um texto salazarento e mal escrito.
Repare-se nesta afirmação que pode ser extraída da referida prosa:
‹‹ ... a escola é chamada a exercer a sua função educadora... na iniciação das práticas sexuais››.
Com aulas teóricas ou práticas? Escolha múltipla ou "prova oral"?

22 Julho 2014

aritmética sexual

Qual é a frequência ideal de sexo num casal? A própria pergunta já tem qualquer coisa de esquisito, como se houvesse uma frequência normal ou até ideal. Tudo o que há são médias, medianas e desvios padrão, de estudos alegadamente científicos sobre esta matéria.

Quando um casal está apaixonado pode passar dias inteiros a desfrutar do sexo, até semanas seguidas. Quando o amor falece, meus amigos, o sexo passa ao estritamente necessário para marcar o ponto.

No calor da paixão ninguém se dedica à aritmética sexual nem recorre a folhas Excel. Pelo contrário esta aritmética emerge quando as coisas já não correm bem, como é patente nesta notícia.

Com o passar dos anos a maior parte dos casais cai obrigatoriamente na tal média. Sempre insuficiente para os homens e excessiva para as mulheres. Num filme do Woody Allen, quando um terapeuta conjugal pergunta ao marido se o casal ainda tem sexo este responde: raramente, 2 a 3 vezes por semana. Quando repete a mesma pergunta à mulher esta responde: constantemente, 2 a 3 vezes por semana.

A referida folhinha de Excel tornou-se viral porque retrata uma situação banal. O marido, de Marte, regista a produtividade sexual como um trabalhador do sector privado – está focado nos objectivos. A mulher, de Vénus, encara a sexualidade como uma funcionária pública com contrato vitalício – está focada no estatuto e nos direitos adquiridos. As médias são o ponto de equilíbrio entre estes dois opostos. Quando são invocadas é um péssimo sinal.

21 Julho 2014

pensar

Porque é que os cientistas não pensam?

Pensar obriga a um "Estado Mental" adequado. Eu, por exemplo, prefiro pensar de manhã, sem pessoas à volta, com uma boa chávena de café ao lado, rodeado de livros e de computador. Também necessito de papel e caneta. Uso folhas A4 e canetas de tinta que importo do Japão, via Amazon.

O papel e a caneta são uma espécie de âncora que me ajudam a encontrar o Estado Mental adequado à tarefa de pensar.

Se me enfiassem num quarto sem decoração e sem objectos pessoais ia ter uma grande dificuldade em concentrar-me e lá ia para o rol dos que "têm aversão a estar sozinhos com os pensamentos". Eu que adoro estar sozinho a pensar.

perdidos na net


Um amigo meu está apaixonado pelas novas tecnologias. Passa o tempo no Facebook, no Linkedin e no Gmail, e não tem outra conversa que não esteja relacionada com a rede e com a “realidade virtual”, por assim dizer.
De manhã, quando nos encontramos para o pequeno almoço, saca do seu Ipad e pimba: começa o rosário dos comentários, das fotos e dos “likes”. Quando solicita a minha opinião dou-lhe para trás e manifesto desinteresse pelo assunto. A verdade é que não tenho Face e detesto, não uso o Linkdin e apenas recorro ao email por motivos profissionais.
Como acompanho as novas tecnologias desde sempre, não tenho deslumbramento pela Net, nem pelas redes sociais, prefiro as pessoais. Suponho, contudo, que quem tenha aterrado na Cyberia, no século XXI, se sinta esmagado pelo “novo mundo”, confundindo o real e o virtual.
Pergunto-me se este problema será frequente? Quantos amigos não andarão perdidos nos labirintos da Web, desaparecidos para o convívio tradicional. Não é uma pena?

20 Julho 2014

inversão de valores

"Seria um privilégio para o país poder ter o engenheiro António Guterres como Presidente da República" - António Costa

O normal é as pessoas sentirem-se honradas e privilegiadas por servir o País, não é o País ficar priviligiado (o que quer que isso queira dizer...) por ter alguém de serviço.

diz-me com quem andas

É este o mistério de Ricardo Salgado. Segundo consta, andava de Mercedes, passava as férias na Comporta com Marcelo Rebelo de Sousa, talvez fosse de quando em quando a Nova Iorque e a Paris, mas não se lhe conhece a menor extravagância ou o menor vício. Os vinte anos de glória do “Dono disto tudo” são anos de funcionário, que se consolava com a ideia imaginária do poder. Para quê, então, os riscos sem nome que tomou? Para quê a arrogância vácua que ele pessoalmente gostava de exibir? Suspeito porque, no fundo, ele não tinha mais nada na cabeça.

VPV, no Público 

Comentário: Interessante o destaque que VPV dá às férias de Marcelo

Problema de "natalidade"

Os problemas de natalidade têm sido amplamente discutidos um pouco por todo o Mundo desenvolvido, em especial na Europa que apresenta os níveis de fecundidade mais baixos do Mundo. As consequências deste desastre demográfico, dizem, são diversas a começar pelo colapso dos sistemas de segurança social e no crescimento mais lento da economia devido ao envelhecimento da população activa. 
Mas, em contraste, a população mundial não pára de crescer. Nos últimos 50 anos duplicou. Foi apenas em 1960 que a humanidade atingiu os 3 mil milhões de habitantes. Os 3 mil milhões seguintes foram atingidos em apenas 39 anos. A taxa de fecundidade a nível mundial continua nuns saudáveis 2,4, bem acima do necessário para substituir a população. À escala mundial o declínio demográfico não existe. As dezenas que morrem no Mediterrâneo e nos deserto de Sonora demonstram que se abríssemos as fronteiras a sul, o problema demográfico seria rapidamente ultrapassado.
A que nos referimos então quando falamos de declinínio demográfico? A respota simples é: falta de homens brancos. Quando discutimos o problema da "natalidade" e as soluções para o ultrapassar, o que estamos realmente a fazer é encontrar formas de proteger a raça caucasiana.

tempo contado

aqui recomendei o livro ‹‹Portugal a Flor e a Foice›› de J. Rentes de Carvalho. Hoje recomendo o blogue ‹‹Tempo Contado›› do mesmo autor.