16 novembro 2019

THE BLUE BAG (VII)

(Continuação daqui)

Branca


Capítulo 43 (Conclusão). Foi Branca, a burra mirandesa, que levou Peter Throw  a regressar ao país e a entregar-se às autoridades. Zurrava toda a noite, não deixava ninguém dormir, a começar pelo pobre Castro. Que não, que não, que não queria ficar na América Latina. Aquele calor atraía muito as moscas e ela não ia criar os filhos no meio daquele mosquedo todo.

Além disso, no Brasil não sabiam falar português e, no Paraguai, quando se infiltrou pela selva dentro, um leão tinha-se mesmo metido com ela. Não havia direitos dos animais na América Latina e havia muito assédio sexual. Queria voltar para Miranda do Douro, porque em Portugal até havia um partido, de que ela era militante, que defendia os direitos dos animais e estava em grande crescimento. Ela própria tinha esperanças de um dia chegar a ministra da Cultura.

Peter Throw ainda procurou consolar Branca prometendo-lhe uma linda vida no Brasil juntamente com Castro, mas não havia meio de a convencer. Quanto ao Castro, estava por tudo, ele iria para onde a Branca fosse feliz. Tinha ouvido dizer que em Portugal havia muitos burros com o nome Castro, e pensava que mais um, embora argentino, não havia de acrescentar muito mal ao país.

Peter Throw acabou julgado no Tribunal de Matosinhos, onde foi condenado. Apelou para a Relação do Porto e aplicaram-lhe a triplicar. Está agora condenado a pagar uma pequena fortuna ao Paulo Artur Dos Santos Castro De Campos Rangel e à sociedade de advogados de que ele era director. A menos que vença nos recursos. E pode dar muitas graças a Deus porque o magistrado Tony Meadow E Castro, substituído no tribunal de Matosinhos pelo seu chefe Tony Guimarães, pedia a pena de morte (cf. aqui).

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