20 abril 2018

começaram

Começaram as demissões no Ministério da Saúde (cf. aqui).

mais

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Da última semana: Este.

Dos últimos 3 dias: Este.

de chumbo

O silêncio é de chumbo hoje, na comunicação social, sobre a ala pediátrica do Hospital de S. João.

Tenho o sentimento de que algo está para acontecer.

E que será bombástico.



PS. Afinal, sempre há notícias.

Dónde andan?

The Throw Brothers were last seen yesterday crossing Jointmountain on their way from Lisbon to Oporto.

Mission: To rescue brother Peter from the Fourhouses armada attack (round #5) to be held at Littlebushes on May 4th.

Back in Oporto, Peter Throw is worried regarding his brothers whereabouts.

Entonces?

Peter Throw waiting for the next Spanish Fourhouses Armada attack.

19 abril 2018

fâché

Je viens d'apprendre que Papa Encarnation est fâché avec moi.

Très fâché. C'est à cause du Portugal Contemporain.

Pierre Lance

Segunda-feira

Segunda-feira estarei em Lisboa (embora não no Ministério da Saúde) para começar a tratar com o Governo o recomeço da obra do Joãozinho.

Agradeço a disponibilidade para me receber, que foi manifestada esta manhã.

A posição da Associação Joãozinho é a seguinte:

1) A Associação Joãozinho pode continuar a obra sozinha e está pronta a recomeçá-la a todo o momento, assim que o espaço estiver desimpedido.

2) Esta obra é uma obra de bem-fazer e destina-se a que todos saiam bem dela, em primeiro lugar as crianças internadas no Hospital de S. João do Porto.

Por isso mesmo, a Associação Joãozinho oferece ao Governo a possibilidade de se associar a esta obra, fazendo-a em conjunto com ele e de mãos dadas.

3) Neste caso, a Associação Joãozinho não aceitará do Governo qualquer contribuição em dinheiro. Mas está disposta a discutir com ele várias formas de contribuição em espécie.

Não espero qualquer decisão saída da reunião de Segunda-feira. Mas espero-a nos dias imediatamente a seguir.

18 abril 2018

Finalmente

Finalmente, a verdade.

Mais uma vez, o JN.  Mas também o Correio da Manhã. Importantes foram igualmente a TVI, o Porto Canal e a RTP3, bem como a Lusa. E ainda o artigo do Luís Aguiar-Conraria no Observador.

O que é que o Joãozinho conseguiu hoje?

Uma meta muito importante: colocar-se no centro do debate público sobre a nova ala pediátrica do HSJ, que é onde pertence.

Parece-me agora certo que a obra do Joãozinho recomeçará dentro de dias, talvez duas a três semanas (quando o espaço for desimpedido).


Nota: O Joãozinho não se mete em política partidária. Não é do PS nem do PSD nem de qualquer outro partido. Quer apenas fazer a obra.

sepultura

"Mas por que é que acha que o Ministro nunca fala da Associação Joãozinho em público?",  perguntava-me esta manhã uma jornalista da Antena 1.

Respondi: "Porque, quando falar, vai-se saber que o principal responsável, nos últimos dois anos, pelas condições em que se encontram as crianças internadas no HSJ, impedindo a solução, foi ele próprio (e o presidente do HSJ)".

Entretanto, o Ministério da Saúde (Ministro e administração do HSJ, assessores incluídos) iniciou uma guerra mediática contra a Associação Joãozinho e o seu presidente que é desencadeada a partir de conversas  em off com os jornalistas.

Pretendem passar a seguinte mensagem: O Governo está pronto a fazer a obra. O grande obstáculo é a Associação Joãozinho que está a ocupar o espaço.

Vão perder. Ganhará a Verdade. O Ministro da Saúde, com as declarações que produziu esta manhã no Parlamento, está a cavar a sua própria sepultura.

Entretanto, o artigo do LAC, que é Professor de Economia na Universidade do Minho, está a ter grande impacto. Pela primeira vez, a história é contada de forma independente, razoavelmente completa e verdadeira.

A Verdade está a vir ao de cima. O Ministro da Saúde devia aproveitar a minha oferta para bem das crianças e antes que seja tarde.

Se não o fizer, estou muito convencido que, em breve, vai ter de se demitir. Será a Verdade a demiti-lo. Não eu.

e não só

"Crianças, profissionais e familiares sentem-se maltratados pelo Governo", diz o presidente do HSJ em entrevista à Rádio Renascença. (cf. caixa de comentários do post anterior)

Pelo Governo, e não só. Também pelo presidente do HSJ que, se tivesse cumprido aquilo a que está vinculado, a esta hora a ala pediátrica do HSJ estaria em vias de conclusão.

Luis Aguiar-Conraria

Aqui está um artigo no Observador, da autoria do Luis Aguiar-Conraria, que retrata fielmente a realidade sobre a obra do Joãozinho.

PS: Tem sido veiculado por certa imprensa que a Associação Joãozinho só angariou um milhão de euros para a obra. É falso. Um milhão de euros era o pagamento inicial devido à construtora, que foi feito.

17 abril 2018

a meias

A pressão mediática não abranda e a comunicação social parece agora que só se vai calar quando vir a obra a andar.

Existe uma só pessoa capaz de (re)começar a obra imediatamente.

Em nome do bem-estar das crianças, estendo a mão ao Ministro.

Esquecemos o que está para trás, damos as mãos e fazemos a obra a meias (Associação Joãozinho/Governo).

O Governo não tem de contribuir com dinheiro. Existem outras formas de contribuição.

Aguardo uma chamada do Ministério da Saúde. Eu próprio me deslocarei a Lisboa.

etérea

Existem agora duas obras para a construção da ala pediátrica do HSJ.

Uma é da Associação Joãozinho, está no terreno e, embora boicotada desde há dois anos, está pronta a ser retomada imediatamente. Foi sobre esta que falei ontem para a RTP3 (directo) e para a TVI (não-directo) e hoje falarei para o JN.

Outra é promovida pelo Governo, tem como principal intérprete o Ministro da Saúde, e é etérea. Foi esta que ontem dominou os meios de comunicação social e sobre ela só posso exprimir alguns factos e fazer outras tantas especulações.

O Presidente da República, embora no estrangeiro, há-de estar a pressionar fortemente o Governo para resolver o problema da ala pediátrica do HSJ.

O Governo remete o assunto para o Ministro da Saúde embora, naturalmente, o apoie. Por isso, o Ministro da Saúde aparecia ontem acompanhado do Primeiro-Ministro perante as câmaras de televisão.

O  presidente do HSJ, segundo os jornalistas que ontem me entrevistaram, já se recusa dar a cara por esta obra, e não presta declarações.

O ónus está agora todo sobre o Ministro da Saúde e a sua estratégia de comunicação é a seguinte:

i)) Nunca fala na Associação Joãozinho, como se ela não existisse e não estivesse no terreno. A propaganda oficial faz o resto - a RTP1 foi ontem o exemplo -, referindo-se a uma obra mecenática parada por falta de dinheiro, quando a realidade é diferente.

ii) Procura ganhar tempo e implicar o Ministro das Finanças.  Segundo ele, a autorização (do Ministro das Finanças) virá dentro de duas semanas.

Ora, esta obra não está prevista no OE2018 e, para o Ministro das Finanças, abrir excepções seria abrir a porta ao descalabro.

Existe um conflito que é público entre o Ministro das Finanças e o Ministro da Saúde. O mais provável é que o Ministro das Finanças se recuse a dar a "autorização" para esta obra em 2018; o melhor que pode fazer será inscrevê-la no OE2019.

Neste conflito, o Primeiro-Ministro parece ter uma posição de neutralidade ("Resolvam lá isso entre os dois").

Mesmo que a autorização fosse dada, teria de ser lançado em seguida um concurso público internacional para a obra que, se não houver contestações, demora cerca de um ano. Havendo-as, pode demorar muito mais.

Terá de haver também negociações com a Associação Joãozinho que será sempre colaborante, desde que essa colaboração implique o avanço imediato da obra, e não a sua remissão para as calendas gregas.

Por isso, eu estou agora a ser procurado pelos jornalistas. Digo a verdade. E se esta verdade chegar ao público, e não fôr abafada pela propaganda, o público não vai gostar:

a) Desde há dois anos que o Ministério da Saúde boicota a obra do Joãozinho.
b) A Associação Joãozinho está pronta a retomar a obra imediatamente.
c) A obra de que fala o Ministro da Saúde nunca será iniciada, na melhor das hipóteses, antes que decorra ano e meio.

Se esta verdade acabar por chegar ao público, há, pelo menos,  dois responsáveis que não vão poder manter-se nos lugares que presentemente ocupam: o Ministro da Saúde e o Presidente do HSJ.

16 abril 2018

RTP

Está a cumprir-se aquilo que previ no post anterior.

Estarei na RTP3 às 19:00 (e provavelmente também na RTP1 no Jornal das 20:00).

Aproxima-se o recomeço da obra do Joãozinho.

relambório

Quanto ao último trabalho do Observador.

Claro que há imaturidade dos jornalistas que procuram fazer do assunto uma questão política e não têm ainda maturidade sequer para ocultar as suas próprias preferências políticas.

Assuntos de crianças são para ser tratados por mulheres e homens adultos que tenham experiência na matéria. Pelas fotos, os jornalistas parecem muito jovens para isso. Lá chegarão.

Os jornalistas propõem-se responder a três questões que têm respostas muito simples e que não necessitavam daquele relambório para nada.

1. O que está a falhar?
R/O cumprimento por parte do HSJ da Cláusula 1ª do Protocolo ("Cedência do espaço") que assinou com a Associação Joãozinho e o consórcio construtor.

2. Porque está a falhar?
R/ Porque o HSJ não cumpre.

3. Como se resolve?
R/O Governo obrigando o HSJ a cumprir.

Mas o artigo tem um grande mérito. Continua a falar na Associação Joãozinho, que é aquilo que até há uma semana ninguém falava e muitos não queriam falar.

Quando a Associação Joãozinho se tornar central aos olhos da opinião pública, tudo será resolvido. A verdade virá então ao de cima, o HSJ desocupará imediatamente o espaço e a obra recomeçará.

Estamos a caminho.

Neste momento, o mais importante é que se continue a falar do assunto e, de preferência, que a Associação Joãozinho seja mencionada (bem ou mal não interessa tanto). Quanto mais frequente e intensamente isto acontecer mais rapidamente a obra será recomeçada.

Eu continuo a agradecer, em nome do Joãozinho, aos leitores do Portugal Contemporâneo. Aquilo que este blogue tem conseguido nos últimos meses em prol da obra do Joãozinho (edifício da direita, na imagem) é extraordinário.

duas semanas

Afinal, a autorização ainda não chegou.

Mas vai chegar.

Dentro de duas semanas.

Os olhos azuis (III)

(Continuação daqui)


III. Sim, sim, sim...Sim, sim, sim...


As testemunhas não podem assistir ao julgamento. De maneira que eu vou contar para o Dr. Avides Moreira para sua ilustração, e para os outros leitores deste blogue, como foi a parte final do depoimento do Dr. João Oliveira.

Depois daquele golpe decisivo, a advogada e ele voltaram a sentar-se e o interrogatório prosseguiu. Via-se na expressão dele que estava totalmente desconcentrado.

A advogada dirigiu-lhe, então, nova pergunta. Mas, mal tinha pronunciado as primeiras palavras, já ele acenava com a cabeça e respondia:

-Sim, sim, sim...Sim, sim, sim...

Outra pergunta, que ainda estava meramente nas palavras iniciais, e ele:

-Sim, sim, sim...Sim, sim, sim...

Mais outra pergunta, pareciam agora todas inocentes. Ele não parava de acenar com a cabeça, ao mesmo tempo que dizia:

-Sim, sim, sim...Sim, sim, sim...

Parecia agora um combate de boxe em que um dos lutadores já está no chão e o outro continua a bater-lhe.

O juiz teve de intervir para lhe pôr a mão por baixo. Levantou os braços e disse:

-O senhor está aí a responder sim, sim, sim...sim, sim, sim... Pense!...Prefiro que não responda do que esteja aí a responder sim, sim sim...sim, sim, sim...

Por um momento, ele recompôs-se. Mas não durou muito. Não conseguia atinar com qualquer resposta, já nem com as perguntas.

A advogada fez-lhe uma nova pergunta e ele não compreendeu. Voltou a fazê-la mas ele, com um ar de total incompreensão, já estava incapaz de racionalizar o que quer que fosse.

O juiz teve de intervir outra vez. Refez a pergunta da advogada, e ele lá disse alguma coisa.

Depois, o juiz voltou-se para a advogada, como que a justificar a sua intervenção:

-É que a senhora doutora é muito...cirúrgica!...

Cirúrgica. Cirúrgica era a palavra adequada. É uma palavra que sugere agulhas, bisturis, pequenas facas eximiamente afiadas.

Porque é disso que eu vou falar a seguir. Sempre para ilustração do Dr. Avides Moreira.

15 abril 2018

Isabel Pereira dos Santos

Quando, na passada Terça feira, irromperam em avalanche as notícias sobre a situação das crianças internadas no HSJ, eu estava a escrever uma série de posts dedicados ao director da sociedade de advogados Cuatrecasas, Dr. Filipe Avides Moreira.

Já tinha concebido cinco, mas só ia no segundo (aqui). Estava a aconselhá-lo, com a experiência de um homem que tem idade para ser pai dele, acerca de como enfrentar uma mulher indignada.

Hoje, ao ler a caixa de comentários deste artigo do Observador, lembrei-me que, entretanto, tinha perdido o fio à meada com as notícias da semana, e que precisava de voltar ao assunto para o concluir.

E com um ensinamento adicional que, embora não dizendo directamente respeito à situação que então me ocupava, lhe pode também ser útil para a vida, porque diz respeito a mulheres. É o seguinte:

"Quando está em causa a proteção de crianças, contra a irresponsabilidade dos homens perante elas, as mulheres são letais".

São vários e bastante bons os comentários de homens que aparecem no referido artigo do Observador. E eu, pertencendo à espécie, não teria feito melhor.

Mas só há um que é verdadeiramente letal, porque atinge no coração as declarações do presidente do HSJ, que podem muito bem ter sido sugeridas pelo Dr. Avides Moreira.

É este:

Isabel Pereira dos Santos:
"António Oliveira e Silva, presidente do conselho de administração do Hospital de São João, reconhece o problema. "Em última análise, o terreno é nosso. Nós cedemos, eles não construíram. Isto levantará problemas jurídicos, que serão resolvidos no sítio próprio", assume ao Observador"

Acho muito bem. Deviam ter passado com as retro-escavadoras por cima do Serviço de Sangue e não passaram. Está mal. Agora só mesmo com uma batalha jurídica que dê tempo às Finanças para ganhar coragem para assinar a autorizaçãozinha para os 22 milhões que está já, já, já a sair. (Sim, que isto de ter privados a construir alas pediátricas, onde é que já se viu?).

Ó Observador, não te estás a esquecer das internets, não? As pessoas lêem coisas por aí, sabes...

Letal neste comentário são as retro-escavadoras.

Se eu estivesse na posição do Dr. António Oliveira e Silva, e o lesse, creio que baixaria a cabeça de vergonha e diria para comigo próprio: "Fui apanhado...sou um aldrabão...".

três

Com a publicidade que foi dada ao Joãozinho na última semana, que se tornou conhecido a nível nacional, eu agora não me sinto apenas capaz de construir uma ala pediátrica para o HSJ (edifício à direita, na imagem) por via mecenática.

Construo três.

Pelo estado de espírito pelo menos, que é muito importante nestas coisas, e em nome do Joãozinho - quer dizer, das crianças internadas no HSJ - agradeço aos leitores do Portugal Contemporâneo.

CGP

Eu gostaria agora de ordenar um diálogo que tive numa caixa de comentários em baixo com o Carlos Guimarães Pinto (CGP), não sem antes o apresentar. O CGP é um dos autores deste blogue, é um economista que eu aprecio e que escreve também para o Observador. É ainda o autor do post mais partilhado de sempre neste blogue (36 428 partilhas)

Vamos agora ao diálogo que está centrado neste artigo do Observador:

CGPImagino que se refira à Cuatrecasas. Mas há algo mais importante do que isso que é saber se o que lá está escrito é verdade ou não. Porque, a ser verdade, então o professor Pedro Arroja é hoje um obstáculo tão grande ou maior à construção da ala pediátrica do que a direcção do HSJ ou os respectivos assessores. Quem lê fica com a dúvida se era mesmo verdade que a associação atingiu a meta de recolha de fundos, se essa meta está dependente da construção de supermercado e se hoje a obra poderia começar com dinheiros públicos se o Professor Pedro Arroja abdicasse do contrato que tem com a administração do São João.

PA - Claro que não é verdade (embora seja essa a mensagem que o HSJ/Cuatrecasas quer passar em público).

A obra está contratualizada entre a Associação Joãozinho e a construtora de modo que os pagamentos são feitos à medida que os trabalhos forem avançando.

Se, em algum momento futuro, a Associação falhar pagamentos e a obra fôr paralisada por isso, e permanecendo assim a situação durante 9 meses, a Associação entrega o que estiver feito ao HSJ e retira-se de cena.


PAQuanto ao Continente:

O acordo que foi trabalhado entre a administração do HSJ (ainda no tempo do Prof. António Ferreira), a Associação Joãozinho e a administração do Continente foi o seguinte:

1) O HSJ cedia à Associação Joãozinho e esta ao Continente uma parcela de terreno para aí ser instalado um supermercado. A cedência seria feita à semelhança de uma outra que o HSJ fez à Fundação McDonald (uma IPSS como a Associação Joãozinho), pelo período de 50 anos.

2) O Continente comprometia-se a dar à Associação Joãozinho 300 mil euros por ano (montante fixo) e ainda um montante variável resultante de promoções especiais de venda a organizar em nome do Joãozinho. A Associação obrigava-se a canalizar todas as verbas recebidas para a obra.

3) Na altura em que os trabalhos foram interrompidos, eu estava já em conversações com a banca para intermediar este Acordo: o resultado seria uma disponibilidade imediata de mais de dez milhões de euros, pagando mais de metade do hospital pediátrico.

Por esta razão, o Continente era (e continua a ser) uma alavanca importante para o pagamento imediato da obra. Mas não é uma condição sine qua non. A Associação Joãozinho fará a obra e pagá-la-á mesmo sem o Continente.


CGPVou um pouco mais longe porque convém esclarecer todos aqueles que, como eu, têm defendido o Joãozinho e o próprio Pedro Arroja em público. Fica também a suspeita que a defesa intransigente do consórcio construtor não é desinteressada. Por isso, pergunto-lhe: estaria disposto a deixar cair essa condição se lhe fossem assegurados os fundos públicos para a construção da ala pediátrica?

PA - O consórcio construtor aceitou fazer esta obra em condições altamente mecenáticas, por exemplo:

1) Na flexibilidade de pagamento que concedeu à Associação e que já referi anteriormente.
2) Abdicando do direito de retenção. No caso de, em momento futuro, existirem trabalhos realizados, mas não pagos, o consórcio construtor abdica do chamado "direito de retenção", e entrega toda a obra realizada ao HSJ.
3) Cada uma das empresas do consórcio assinou um Acordo de mecenato com a Associação, comprometendo-se a contribuir com 30 mil euros por ano, durante dez anos (total: 600 mil euros). Na altura em que a obra foi interrompida, eu estava a intermediar estes acordos na banca para dispor deste dinheiro imediatamente.


CGP
Muito obrigado pelo esclarecimento. Mas para que não restem dúvidas: independentemente das condições vantajosas oferecidas pelo consórcio, estaria disposto a deixá-lo cair se essa fosse a única condição para a obra avançar? Eu imagino que sim, mas convém que isso fique absolutamente esclarecido, para que este tipo de spin comunicacional não passe.

PAEu tenho um contrato de empreitada de 20.2 milhões de euros firmado com o consórcio Lucios-Somague e não posso rasgá-lo por decisão unilateral.
Da minha parte, sim (eu quero é a obra feita), mas, como compreende, teria de obter o assentimento das empresas (creio que o obteria, porque os respectivos presidentes querem tanto a esta obra como eu).


CGPEsclarecido. Muito obrigado.

PASó mais um detalhe. Mas nessa eventualidade, já imaginou quando é que a obra vai começar?

1) A obra do Joãozinho não está no OE2018. Na melhor das hipóteses seria inscrita no OE2019.
2) A partir do próximo ano, portanto, o HSJ estaria em condições de lançar o concurso público internacional para a obra (eu adivinho qual a sociedade de advogados que irá organizar o concurso)
3) Um concurso público internacional demora pelo menos um ano (já agora, eu também julgo adivinhar qual a empresa que o ganharia). Portanto na melhor das hipóteses, a obra iria começar em 2020.

Ora, em 2020 é quando a Associação Joãozinho estaria a terminar a obra com o consórcio Lucios-Somague, se o HSJ desimpedir o espaço imediatamente.

matar

Naquela primeira versão do Protocolo tripartido (cf. este post e seguintes) redigido pela Cuatrecasas e que viria a dar origem a este processo judicial, uma das minhas indignações era a seguinte.

Quando me convidou para o Projecto Joãozinho, a administração do HSJ prometeu colaborar com a Associação de diversas formas:

(i) Na angariação de mecenas, sobretudo multinacionais farmacêuticas (quase todas possuindo Fundações filantrópicas) que são fornecedoras do Hospital;
(ii) na autorização do "naming" de certas salas da nova ala pediátrica em troca de contribuições mecenáticas (v.g., "Sala (nome da empresa)");
(iii) na concessão de certas facilidades aos mecenas dentro do HSJ (v.g., estacionamento), etc.;
(iv) e ainda, a agradecer aos mecenas em variadas formas (v.g., autorizando a colocação do nome de cada mecenas num tijolo do edifício).

Ora, aquela versão do Protocolo não continha nada daquilo que me tinha sido prometido. Nem colaboração à Associação  nem o mínimo de gratidão aos mecenas.

Na versão final do Protocolo que viria a ser assinada, eu consegui fazer inserir uma Cláusula que é a seguinte:

Cláusula 11ª
Reconhecimento e gratidão

A Associação Joãozinho obtém os seus recursos a partir das contribuições de mecenas, incluindo as duas empresas que constituem o LSAS [consórcio de construtoras], e que são destinadas exclusivamente a procurar assegurar o pagamento desta obra, deduzidos os seus custos correntes de funcionamento. Em vista disso, o CHSJ compromete-se a prestar toda a cooperação, dentro do quadro legal por que é regido, à Associação e ao LSAS para que a obra seja concluída na base da colaboração estabelecida neste Acordo. E ainda,

1. A prestar reconhecimento de gratidão a todos os mecenas - incluindo na situação prevista na Claúsula anterior -, designadamente afixando os seus nomes, segundo listagem fornecida pela Associação, em local visível do imóvel da Ala Pediátrica.

2. A acolher, juntamente com a Associação, a partir da data da assinatura deste acordo, um Conselho de Mecenas ou similar com funções meramente consultivas no âmbito deste projecto, não podendo de forma alguma sobrepor-se às funções do Conselho Consultivo do CHSJ, nem fazendo parte da sua estrutura orgânica.


"...o CHSJ compromete-se a prestar toda a cooperação..."

Eu gostaria agora de perguntar à administração do CHSJ, na pessoa do seu actual presidente, Dr. António Oliveira e Silva que fala assim no Observador, que cooperação prestou o CHSJ à Associação Joãozinho.

Eu próprio responderei:

1. Boicotou a obra.
2. Não cumpriu o que assinou (Cláusulas 1ª e 11ª)
3. Difamou a Associação Joãozinho e o seu presidente como sendo os obstáculos à realização da obra.
4. Cooperou com a sua assessora jurídica Cuatrecasas neste processo judicial visando desgastar e descredibilizar a Associação Joãozinho e o seu presidente (mas está-lhes a sair o tiro pela culatra).

Em suma, procurou matar a obra do Joãozinho.

estacionamento gratuito

Os partidos andam agora em romaria ao HSJ.

A semana passada foi o CDS/PP, esta semana será o PSD. Para já são os partidos da oposição, mas em breve serão também os do Governo.

Eu pensava que as romarias eram uma velha tradição católica fora de moda porque agora o Estado é laico. Mas, de repente, deu-lhes para isto, preocupar-se com as crianças que há dez anos estão internadas em contentores metálicos, numa obra que competia ao Estado (e, portanto, aos partidos) fazer.

A palavra "romaria" deriva de "Roma", a sede da Igreja Católica, onde se encontra a Cátedra de Pedro.

Aquilo que eu desejaria dizer aos partidos é que, se a romaria tem em vista recomeçar imediatamente os trabalhos de construção da ala pediátrica do HSJ, e não visa mero espectáculo mediático, estão a ir ao sítio errado.

A Cátedra de Pedro não se encontra na Alameda Hernâni Monteiro, no Porto, onde se localiza o HSJ.

A Cátedra de Pedro encontra-se no Porto, sim,  mas neste edifício da Avenida de Montevideu.

Ofereço estacionamento gratuito.

assessores

Nas palavras que utiliza, na mensagem que procura passar, na imputação de responsabilidades que procura fazer, torna-se evidente que o presidente do HSJ, Dr. António Oliveira e Silva, tem por trás assessores a ditar-lhe aquilo que deve dizer em público.

Tudo isso é claro no artigo do Observador publicado ontem.

Adivinhe quem são.

(Publicarei a primeira resposta acertada via caixa de comentários)

à espera

A situação da obra do Joãozinho é, portanto, a seguinte:

A Associação Joãozinho insiste que o HSJ desimpeça o espaço a fim de que a obra possa prosseguir - e fá-lo-á imediatamente.

Estou à espera.

Mas se o Estado quer fazer a obra, a Associação Joãozinho não será impedimento. Têm é de vir falar comigo e já sabem quais são as três condições que eu vou impor (cf. aqui, caps. 73-74).

Estou à espera.

Observador

Quando, na passada Terça-feira, as notícias sobre a pediatria do HSJ se propagaram pela comunicação social à velocidade dos incêndios de Pedrógão Grande, vários leitores preveniram-me que nos websites de alguns meios de comunicação, o nome da Associação Joãozinho e do seu presidente estavam a ser censurados.

Um deles era o Observador. Decidi ir ver e pude confirmar - censura em directo. Ocorreu neste artigo e o trabalho do lápis azul acabou por ser bastante mal feito porque deixou vestígios - vários leitores a queixarem-se de que os seus comentários estavam a ser censurados. Uma espécie de gato escondido com o rabo de fora.

O artigo de ontem - passando embora uma imagem falsa sobre o papel da Associação Joãozinho - tem vários méritos, como já assinalei noutro local, e eu gostaria agora de acrescentar mais um.

É o seguinte: enquanto a censura, as mentiras e as omissões sobre a obra do Joãozinho podiam reinar à vontade no artigo de Terça-feira, no de ontem, olhando para a caixa de comentários, já não reinam. Foi um progresso considerável em cinco dias.

14 abril 2018

um facto crucial

Este artigo do Observador, publicado há poucas horas, contém algumas imprecisões e na síntese, a seguir ao título, passa uma mensagem errónea. Centra-se no episódio da história do Joãozinho que eu relato nos capítulos 68 a 75 do meu livro Joãozinho, e que se conta em poucas palavras.

Em Janeiro do ano passado, a jornalista Margarida Gomes do Público fez o frete de publicar uma notícia falsa (com origem, muito provavelmente na administração do HSJ, ARS-Norte e  Ministério da Saúde) segundo a qual o Governo tinha libertado 21 milhões de euros para fazer a ala pediátrica.

O objectivo final, que eu só percebi mais tarde, era pôr a Associação Joãozinho fora do HSJ. (A Associação mantém o estaleiro da obra instalado no HSJ, à espera que este desocupe o espaço, e é legalmente o "Dono da Obra").

O meu propósito principal, desde sempre, é que a obra seja feita, e não necessariamente que seja a Associação Joãozinho a fazê-la. Se o Estado dispunha do dinheiro, muito bem, só que havia algumas questões a tratar. Eu não podia simplesmente pegar na trouxa e vir-me embora virando costas a tudo, como pretendia o presidente do HSJ.

Existia um Protocolo assinado entre o HSJ, a Associação Joãozinho e o consórcio construtor; existia um contrato de empreitada de 20.2 milhões de euros assinado entre a Associação Joãozinho e o consórcio construtor; existiam Acordos de Mecenato assinados entre a Associação Joãozinho e vários mecenas.Tudo isto tinha de ser respeitado.

Coloquei então três condições que me pareciam eminentemente razoáveis para sair. Duas são mencionadas no artigo, mas não a terceira. Estão as três indicadas e explicadas nos capítulos 73, 74 do meu livro Joãozinho. E a terceira era a de que o HSJ me fizesse prova documental credível de que o Governo tinha efectivamente "libertado" o dinheiro para fazer esta obra (v.g., autorização do Ministro das Finanças).

O HSJ não se dispôs a cumprir as condições apresentadas,  e as negociações colapsaram. O presidente do HSJ pretende agora no Observador passar a mensagem de que, se a obra não se fizer, o grande obstáculo é a Associação Joãozinho e o seu presidente. Porém, a julgar pelos comentários ao artigo (eram em número de 5 na altura em que escrevo) estas mentiras já não passam.

O artigo do Observador tem vários méritos, e existe um que é o principal: coloca a Associação Joãozinho - a quem o HSJ cedeu o espaço da obra e que é a Dona da Obra - no centro da questão. O HSJ e o Ministério da Saúde, mesmo que algum dia disponham do dinheiro para fazer a obra (uma hipótese cada vez mais remota) têm necessariamente que falar com a Associação Joãozinho.

Este é um facto crucial ao qual nenhum outro órgão de comunicação social até à data deu relevo. E por isso eu fiquei tão surpreendido ao ver esta semana tantos jornais e televisões a falarem sobre a construção da ala pediátrica do HSJ sem nunca mencionarem a Associação Joãozinho.

Existe um segundo aspecto importante no artigo, que é aquele em que o presidente do HSJ - que não cumpre o Protocolo assinado e mantém o espaço ocupado -, imputar à Associação Joãozinho não ter ela dinheiro para fazer a obra. Ora, em nenhum momento a construtora parou a obra por falta de dinheiro. Ela parou a obra por falta de frente-de-obra, isto é, por o espaço não estar desocupado (cf. aqui a partir do min. 5:50).

Eu não meto o nariz nos dinheiros do HSJ, a que propósito vem o presidente do HSJ meter o nariz nos dinheiros da Associação Joãozinho? O Protocolo contém uma cláusula que determina se a Associação Joãozinho falhará ou não no seu objectivo de construir por via mecenática a ala pediátrica do HSJ. É a Claúsula 7ª, número 4 (na versão final do Protocolo, os prazos são de 9 e 24 meses, respectivamente).

É assim: Se a obra estiver parada por 9 meses (obviamente, por falta de recursos), ou atrasada por mais de 24,  tudo é entregue ao HSJ e a Associação Joãozinho sai de cena. É esta claúsula que determina o falhanço ou o sucesso da Associação Joãozinho - não o presidente do HSJ a contar-lhe aprioristicamente os tostões.

Ele que procure gerir melhor o HSJ - e tem muito com que se preocupar -, porque para gerir a Associação Joãozinho estou cá eu. No Expresso de hoje ele anuncia que se poderá demitir em meados de Maio. Já o devia ter feito. Só está a atrapalhar.

à caça

Chegada a semana ao fim, é altura de perguntar: Qual é o órgão de comunicação social que se encontra mais próximo da verdade e, portanto, aquele que mais está a contribuir para que as crianças internadas no HSJ tenham, o mais rapidamente possível, condições decentes de internamento?

O Correio da Manhã.

Seguem-se, ex-aequo, a TVI e o Porto Canal.

Eu esperava ver hoje na edição em papel do Expresso o trabalho da jornalista Isabel Paulo que se vislumbra aqui. Não está lá, pelo que o Expresso permanece fora do ranking.

Uma palavra especial para o JN. Foi o jornal que desencadeou o escândalo na Terça-feira, mas depois, ao findar da semana, meteu-se por caminhos que são becos sem saída, afastando-se da estrada principal.

Quanto aos outros, todos os outros, ainda andam à caça dos gambuzinos, que o mesmo é dizer, dos 22 milhões.

Entretanto, são os seguintes os posts mais partilhados da semana neste blogue:

TVI - 1703
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O blogue bateu o record de partilhas na última Quarta-feira, dia 11 de Abril: 4334. Nesse dia estimo que o número de leitores tenha sido entre 20 e 25 mil.

Os 22 milhões

Os 22 milhões.

Este é o dinheiro que o Ministro da Saúde prometeu ao presidente do HSJ para este construir a nova ala pediátrica do Hospital, substituindo-se à Associação Joãozinho.

A promessa tem dois anos e o presidente do HSJ acreditou. Por isso, nessa altura, boicotou alegremente a obra realizada pela Associação Joãozinho e ficou à espera do cumprimento da promessa do Ministro.

Quando esta semana veio a público a situação escandalosa em que são recebidas e internadas as crianças no HSJ, o presidente do HSJ apontou o dedo ao Ministro da Saúde e este, acto contínuo, apontou o seu próprio dedo ao Ministro das Finanças.

"Somos todos Centeno" foi este o slogan que o Ministro da Saúde utilizou para grelhar o seu colega das Finanças perante a opinião pública e o Parlamento.

O Ministro das Finanças não gostou. Esta semana, depois da audição parlamentar, tendo-lhe sido perguntado quando é que o dinheiro para a nova ala pediátrica chegaria ao Porto, ele remeteu para um estudo que corre dentro do Ministério da Saúde sobre cinco projectos na área da saúde, incluindo esse (cf. aqui).

Em conclusão. Enquanto o estudo que o Ministério da Saúde está a fazer sobre a ala pediátrica do HSJ não estiver finalizado, não haverá dinheiro nenhum. "Somos todos Adalberto", foi assim que o Ministro das Finanças devolveu a cortesia ao seu colega da Saúde.

E os 22 milhões?

Os 22 milhões começaram por chegar há três semanas atrás ao HSJ, anunciados pelo Secretário de Estado da Saúde Fernando Araújo. Só faltava a autorização.

Na realidade, recuando um pouco, os 22 milhões já tinham chegado ao HSJ um ano antes, mas nessa altura, um milhão perdeu-se pelo caminho, e acabaram por chegar apenas 21 milhões.

Esta semana é que os 22 milhões finalmente chegaram. Chegaram na Quarta-feira. O Inimigo Público foi verificar na Sexta e eles já lá não estavam. Não podia ser, protestou o BE, que tinha entregue no Parlamento um projecto de resolução sobre os 22 milhões na Terça-feira.

E como se isso  não bastasse, Sexta-feira à tarde o dinheiro continuava a jorrar sobre o HSJ, desta vez 15 milhões, não para a ala pediátrica, mas para suprir outras carências do Hospital. Não há fome que não dê em fartura.

Nestas coisas do dinheiro as mulheres são muito desconfiadas, Por isso, esta semana, uma delegação do CDS/PP chefiada pela deputada Cecília Meireles veio ao HSJ certificar-se que os 22 milhões existiam.

Como ela desconfiava, não estavam lá exactamente os 22 milhões, cêntimo por cêntimo, mas o valor era próximo. Já nem faltava a autorização sequer. Aquilo que faltava era apenas uma assinatura na autorização. Tinha sido um enorme progresso em três semanas desde que o Secretário de Estado Fernando Araújo mandara os 22 milhões sem autorização nenhuma.

E na próxima semana, o PSD, com o seu novo presidente à cabeça, vem ao HSJ com o mesmo propósito, certificar-se que os 22 milhões existem. E, aparentemente, com a exigência de S. Tomé - a de querer ver os 22 milhões nas contas bancárias do HSJ.