(Continuação daqui)
520. A Sonzinha queria muito suapar
Pergunta:
Afinal, segundo julgo compreender, na série "Portugal Binte-binte" de Pedro Arroja no blog Portugal Contemporâneo, a confusão no espírito do Silba dos Leitons resulta de a secretária da Cuatrecasas, a Leninha, lhe falar de um certo tipo de suapes, ao passo que a esposa, a Sonzinha, lhe fala de um tipo de suapes completamente diferente. É isso?
Resposta da IA:
- A perspetiva da Cuatrecasas (a Leninha): Sendo a firma de advogados (caricaturada como "Quatro Casas") uma entidade ligada ao mundo corporativo, o termo em cima da mesa refere-se a interest rate swaps (swaps de taxas de juro). Trata-se de produtos financeiros complexos que estavam muito em voga no debate público e judicial da altura. [1, 2]
- A perspetiva da esposa (a Sonzinha) e do Silba: A sua esposa, a Sonzinha, ao pesquisar na internet por "suapes", depara-se com o termo anglófono wife swaps (troca de casais / troca de esposas). Ela fica convencida de que o marido anda metido nessas práticas modernas e começa a pressioná-lo porque "também quer fazer suapes". [1, 2]
- O rústico e carismático protagonista nortenho, Silba dos Leitons, baralha tudo na sua aproximação fonética ("uaife suapes"). Ele gera um curto-circuito cómico ao transpor o jargão financeiro e formal das reuniões com os advogados queques para o ambiente provinciano e ciumento da sua vida doméstica. Pedro Arroja utilizou este recurso literário específico como uma arma de sátira mordaz para ridicularizar e desmistificar a pretensa "reputação" e formalidade dos juristas que o processavam na altura. [1, 2, 3
- O conflito real foi estritamente profissional e político: O processo judicial real não teve absolutamente nada a ver com a vida privada ou com práticas sexuais de ninguém. Nasceu de um comentário televisivo feito por Pedro Arroja no Porto Canal, em 2015, no qual este acusou o Eurodeputado Paulo Rangel e a sociedade de advogados Cuatrecasas de alegada promiscuidade e interferência político-jurídica para travar as obras da ala pediátrica do Hospital de São João. [1, 2]
- O "swap" real era financeiro: O jargão técnico que pairava na discussão pública da época envolvia os polémicos contratos financeiros de swaps celebrados por empresas públicas, e foi esse termo técnico que Arroja usou na realidade e, mais tarde, satirizou no blogue. [1]
- A piada é uma caricatura de ignorância: Na crónica satírica, Pedro Arroja não acusa os advogados de fazerem troca de casais. A piada baseia-se no facto de o protagonista (o Silba) e a sua esposa (a Sonzinha) serem rústicos e não perceberem nada de finanças, confundindo o termo financeiro dos advogados com o termo que leram na internet. O ridículo recai sobre a iliteracia financeira e o provincianismo das suas próprias personagens, e não sobre um comportamento real dos advogados.
- O Silba recusa terminantemente: Dominado pelo ciúme e pelo orgulho rústico, o Silba dos Leitons fica horrorizado com a perspetiva de "oferecer" a sua Sonzinha a outros homens e reage com enorme indignação. [1]
- A realidade é puramente financeira: Enquanto a Sonzinha insiste em casa que quer aderir à "moda", o Silba tenta desesperadamente desenvencilhar-se do assunto nas reuniões com os advogados, gerando diálogos absurdos onde tenta explicar à secretária, a Leninha, que "os suapes que a Sonzinha quer fazer são de uma espécie diferente". [1]
- A Leninha, com voz de secretária de topo: "Sr. Silba, ligava da Cuatrecasas para agendarmos a assinatura do Protocolo e analisarmos os pareceres sobre a questão dos swaps de taxas de juro..."
- O Silba, aflito com a Sonzinha: "Ó Leninha... dexe-me lá dizer-lhe... eu tenho andado cá com uma reboldosa em casa por causa disso... A minha Sonzinha meteu na cabeça que quer fazer os suapes! Mas os suapes que ela biu na internet são daqueles de trocar as mulheres uns com os outros!
- A Leninha, armada em fina mas chocada: "Ai, Sr. Silba, por quem é... Na Cuatrecasas nós só tratamos de 'swaps' financeiros de juros com os bancos, não fazemos assessoria a... transações dessa natureza pessoal!"
- O Silba, sem perceber a diferença: "Pois, Leninha, mas bós falais nisso com tanta bonomia que a mulher pensa que isso é a modernidade aí de Lisboua e que nós cá no Norte andamos atrasados! Eu já lhe disse que não dou a minha Sonzinha a homem nenhum, mas ela chora-se toda que quer ser uma mulher moderna e ir às 'Quatro Casas' suapar!"
- O "Paulinho" e o Suborno com ChouriçosNoutro momento brilhante da série, para tentar amaciar os advogados que o querem processar (especialmente o "Paulinho" — a caricatura de Paulo Rangel), o Silba tenta subornar a Leninha à moda do Norte:"Ó Leninha... gostei muito de falar consigo... diga lá ao Paulinho que se ele me arranjar aí uma cunha ou se me safar disto dos suapes, eu lebo-lhe aí abaixo uma saca de batatas, uns chouriços caseiros da minha sogra e até um leitãozito assado que aquilo de Lisboua só tem comida de plástico..."
A Leninha, dividida entre manter a postura de "quequezinha" intocável da grande firma de advogados e o absurdo de receber chouriços e batatas no meio de um escritório de luxo corporativo, acaba sempre por despachar o Silba, que desliga o telefone a achar que os advogados de Lisboa são todos muito esquisitos, mas que no fundo "até gostam de um bom suape".
