(Continuação daqui)
538. Décimo Arroja
Em Julho de 2017 compareci no Tribunal de Instrução Criminal de Matosinhos perante a juíza Catarina Ribeiro de Almeida e o magistrado do Ministério Público, António Prado e Castro, e saí de lá acusado. Eu iria agora ser julgado por dois crimes - ofensa a pessoa colectiva e difamação agravada - cada um dos quais podendo dar prisão.
Por esses dias, tive conhecimento de que iria ter mais um neto, o sétimo, e logo começaram a correr piadas na família de que o neto iria conhecer o avô à prisão. O neto nasceria em Fevereiro de 2018, precisamente o mês em que o avô começou a ser julgado no Tribunal de Matosinhos.
Nesse verão escrevi um post no Portugal Contemporâneo com o título "Sétimo Arroja" (cf. aqui) para celebrar a expectativa do nascimento de mais um neto e as circunstâncias da minha vida em que ele vinha ao mundo. O neto viria a chamar-se Miguel e tem hoje oito anos, o primeiro bracarense da família.
Hoje, escrevo um post com o título "Décimo Arroja". Está iminente o nascimento do Benjamim.
Já não existe o risco de o Benjamim ir conhecer o avô à prisão. Mas vai nascer com um avô formalmente criminoso porque o Estado ainda não cumpriu a decisão do TRP de mandar limpar o meu registo criminal (julgo que compete ao Instituto de Registos e Notariado fazê-lo, a mais calaceira das burocracias portuguesas). Como também ainda não me pagou mais de 30 mil euros da indemnização que ficou obrigado a pagar-me (aqui a burocracia caloteira é o Instituto de Gestão Financeira e das Infraestruturas da Justiça)
Dava-me jeito receber essa pasta. Para no próximo Natal abrir uma conta bancária ao Benjamim e depositar-lhe lá uma fracção desse montante que me permita mais tarde dizer-lhe ao ouvido. "Faz como fez o avô. Nunca te vergues perante patifes, mesmo que eles te apareçam de toga!".






