24 junho 2026

13 milhões

 

"O governador pode ser novo, mas os vícios do Banco de Portugal são os mesmos. Pelo menos em matéria de más práticas na contratação pública. A instituição acaba de efectuar um novo ajuste directo com uma sociedade de advogados. A “sortuda” foi a firma Cuatrecasas, que recebeu quase 1,2 milhões de euros num contrato de mão beijada. 

(...)

"No global, a firma já facturou mais de 13 milhões de euros (com IVA incluído) neste tipo de contratos de mão beijada do Banco de Portugal".

Fonte: cf. aqui


Comentário. Se eles corrompem juízes e magistrados do Ministério Público, quem é que eles não conseguem corromper? Eles são uma máfia legal (cf. aqui)

23 junho 2026

15 anos

 "No centro da sua defesa, o ex-secretário de Estado do Tesouro e Finanças destaca que, após uma década e meia, o tribunal invalidou as suspeitas que recaíam sobre si. “Vi ontem – passados 15 anos! – ser reconhecido pelo Tribunal Central de Instrução Criminal que a acusação que me era dirigida não tinha fundamento, tendo sido considerada improcedente“, afirma o ex-governante"

Fonte: cf. aqui

22 junho 2026

uma década

 

"A acusação do processo das PPP foi conhecida em dezembro de 2021, depois de quase uma década de investigação ao alegado prejuízo do Estado na negociação de concessões rodoviárias em regime de Parceria Público-Privada (PPP)".


Fonte: cf. aqui

21 junho 2026

O fundo

 "Esse fundo será constituído por dois subfundos...": cf. aqui (min 1:54)

18 junho 2026

que mal?



QUE MAL FIZEMOS A DEUS PARA MERECERMOS ESTE CASTIGO?

 

Portugal está estagnado no pântano da mediocridade há mais de 50 anos. Países como a Suíça, Singapura e Holanda, prosperam enquanto Portugal se deixa ultrapassar por países como a Estónia e a Lituânia.

Quando regressei a Portugal em 1990 (da minha formação nos EUA) nunca imaginei que fosse este o nosso destino.

17 junho 2026

Quando?

 


Monte Branco: Ministério Público arquiva processo que investigava maior rede de fuga ao fisco

Mais de 15 anos depois, chega ao fim um processo que chegou a ter três arguidos em prisão preventiva e levou à detenção de Ricardo Salgado em 2014, libertado depois de pagar uma caução de 3 milhões de euros. Em causa está uma rede de branqueamento e fraude fiscal, supostamente encabeçada por Francisco Canas.


Fonte: cf. aqui.


Comentário: Quando é que se põem estes criminosos na prisão?

MACAU & CBI

 

(Stanley Ho era recebido em Portugal com honras de chefe de Estado)


Macau e o CBI: Quando a Ordem Cria Espaço para a Emergência

Macau é normalmente descrito através da linguagem do jogo. Casinos, luzes de néon, salas VIP, mesas de baccarat, turistas chineses e hotéis de luxo. Essa é a versão de postal ilustrado, mas por detrás desse postal esconde-se uma história civilizacional muito mais interessante.

Macau é um território pequeno, mas os territórios pequenos revelam frequentemente grandes verdades. Funcionam como lâminas de laboratório observadas ao microscópio. Como o território é compacto, as mudanças institucionais tornam-se mais fáceis de observar. Antes de 1999, Macau encontrava-se sob administração portuguesa. Após 1999, tornou-se uma Região Administrativa Especial da China. A bandeira mudou, mas a história mais profunda não diz respeito apenas à soberania. Diz respeito à relação entre ordem e emergência.

Sob administração portuguesa, Macau não era um território falhado. Possuía história, encanto, continuidade jurídica e uma identidade cultural singular. Era um dos últimos fragmentos da presença colonial europeia na Ásia, onde igrejas, nomes portugueses, famílias chinesas, procissões católicas, templos, funcionários públicos, comerciantes e jogadores coexistiam num denso mosaico urbano. Contudo, na década de 1990, o sistema estava esgotado.

O sintoma mais visível era a criminalidade. Nos últimos anos da administração portuguesa, Macau foi abalado pela violência associada às tríades e à disputa em torno da economia do jogo. O sector dos casinos não era apenas uma actividade de entretenimento. Constituía a principal artéria económica do território e, onde circulam grandes quantidades de dinheiro sob supervisão insuficiente, as redes criminosas tendem a proliferar. Atentados à bomba, assassinatos, intimidação e escândalos de corrupção prejudicaram gravemente a reputação de Macau. A imagem transmitida não era a de uma governação europeia elegante, mas a de um pequeno território que perdia o controlo das próprias sombras.

No centro dessa economia encontrava-se Stanley Ho. A sua empresa, STDM, recebeu o monopólio do jogo no início da década de 1960 e manteve-o durante cerca de quarenta anos. Ho foi um empresário notável e uma figura essencial na história moderna de Macau. Seria injusto reduzi-lo a um símbolo de estagnação. Construiu infra-estruturas, atraiu visitantes e transformou Macau num destino de jogo reconhecido internacionalmente. Contudo, um monopólio, mesmo quando detido por um monopolista talentoso, possui limitações. Protege mais aquilo que já existe do que aquilo que ainda pode surgir. Cria estabilidade, mas uma estabilidade estreita. Absorve incerteza reduzindo a concorrência.

Na linguagem do CBI, Macau antes de 1999 possuía alguma Capacidade de Absorção de Incerteza (U), mas de forma desigual. A estrutura administrativa existia, mas o ambiente criminal enfraquecia a ordem pública. O sistema jurídico existia, mas a corrupção e as redes informais tornavam difusas as fronteiras entre legalidade e ilegalidade. A economia funcionava, mas encontrava-se aprisionada numa estrutura monopolista. A Capacidade de Emergência (E) também era limitada. Existia actividade empresarial, mas insuficiente abertura concorrencial. Existia turismo, mas ainda sem escala. Existia jogo, mas ainda não uma reinvenção global.

A transferência de soberania para a China alterou esse equilíbrio.

A primeira contribuição chinesa não foi a liberalização económica. Foi a segurança. Pequim tinha todas as razões para tornar Macau estável. Ao contrário de Hong Kong, Macau não se transformou num palco de confrontação política. O seu papel dentro do sistema chinês era diferente. Macau deveria ser previsível, comercialmente útil e politicamente tranquilo. Isso significava restaurar a ordem, reduzir a violência criminal e tornar o território seguro para o investimento.

Este é o aspecto que muitos observadores ocidentais não compreendem. A China não tornou Macau mais rico substituindo mercados por burocracia. Primeiro aumentou a Absorção de Incerteza. Tornou o ambiente mais previsível. Reduziu o espaço disponível para actores criminosos violentos. Reforçou a capacidade do Estado. Deu aos investidores confiança de que Macau não se transformaria numa zona cinzenta pós-colonial.

Mas a ordem, por si só, não teria transformado Macau. Um monopólio perfeitamente seguro continuaria a ser um monopólio.

O segundo passo decisivo foi a liberalização do sector do jogo. Em 2002, o antigo monopólio de Stanley Ho foi quebrado. Novas concessões permitiram a entrada de operadores internacionais como a Las Vegas Sands, a Wynn Resorts, a MGM Resorts International, a Galaxy Entertainment Group e outros. Isso trouxe capital, arquitectura, sistemas de gestão, marcas globais, experiência em entretenimento e uma escala de ambição completamente diferente. A faixa do Cotai não surgiu de um planeamento centralizado ao estilo soviético. Surgiu de uma abertura controlada. O Estado definiu o enquadramento; os empresários preencheram esse enquadramento com energia.

Esta é a principal lição. O boom de Macau não foi produzido pela ordem contra a emergência. Foi produzido pela ordem ao serviço da emergência.

Os resultados foram extraordinários. Macau tornou-se o maior centro mundial de jogo. O PIB per capita disparou. As receitas públicas cresceram dramaticamente. As infra-estruturas melhoraram. O emprego aumentou. O território integrou-se profundamente na economia turística chinesa, sobretudo através dos visitantes provenientes do continente. Um pequeno enclave pós-colonial transformou-se numa máquina global de jogo e lazer.

Isto não significa que Macau se tenha tornado um modelo perfeito. O seu sucesso criou uma nova vulnerabilidade: a excessiva dependência do jogo. Uma civilização, uma empresa ou uma cidade que depende excessivamente de um único motor pode parecer forte enquanto se torna progressivamente frágil. A campanha anticorrupção chinesa expôs mais tarde essa vulnerabilidade ao reduzir os fluxos de jogo VIP. A pandemia de Covid expôs novamente o problema ao interromper o turismo. Mais recentemente, Pequim tem incentivado Macau a diversificar-se para além dos casinos. Trata-se de um reconhecimento implícito de que uma elevada Absorção de Incerteza e uma forte Emergência sectorial não bastam quando a emergência se concentra excessivamente numa única actividade.

Ainda assim, o caso de Macau é poderoso porque contradiz simultaneamente duas narrativas simplistas.

A primeira é a caricatura segundo a qual o Estado apenas impede o crescimento. Em Macau, uma ordem pública mais forte ajudou a desbloquear o crescimento. Sem segurança, o capital estrangeiro teria hesitado. Sem um ambiente jurídico e político previsível, o boom dos casinos teria sido muito mais difícil.

A segunda é a caricatura estatista segundo a qual um Estado forte pode simplesmente decretar prosperidade. A China não transformou Macau num sucesso nacionalizando a imaginação. Permitiu concorrência. Abriu o sector principal. Permitiu que operadores estrangeiros experimentassem num quadro cuidadosamente controlado.

Macau ilustra, portanto, a intuição central do Índice de Equilíbrio Civilizacional (CBI). A prosperidade exige capacidade para absorver incerteza, preservando simultaneamente espaço para a mudança adaptativa. Com pouca ordem, a emergência é capturada pela violência, pela corrupção e pelo caos. Com ordem excessiva, a emergência sufoca sob o peso do monopólio, da burocracia ou do medo. A arte da civilização reside no equilíbrio.

Em 1999, Macau era um pequeno território com encanto, história e dinheiro, mas também com insegurança, monopólio e limitada energia adaptativa. Hoje, Macau é mais rico, mais seguro e mais ligado ao mundo, embora também mais dependente de uma única indústria do que seria desejável num sistema plenamente equilibrado. O seu CBI melhorou substancialmente após a transferência de soberania, não porque a China tenha imposto controlo absoluto, nem porque Macau tenha adoptado uma liberalização absoluta, mas porque ambas as forças se reforçaram mutuamente durante um período crucial.

A China aumentou o U. A liberalização da economia do jogo aumentou o E. Macau prosperou quando ambos evoluíram em conjunto.

É por isso que Macau merece mais atenção. Não é apenas uma cidade de casinos. É um caso de estudo civilizacional em miniatura.

Estimativas do CBI para Macau: 1999 vs. Actual

PeríodoUECBI
1999453815,9
Actual726341,3




16 junho 2026

NICE


 

NICE: Um Nicho de Elevado Equilíbrio Civilizacional

Muitos destinos de férias deixam aos visitantes belas fotografias. Nice deixa frequentemente algo diferente: a sensação de ter descoberto um lugar onde a vida simplesmente funciona.

A primeira impressão é fácil de compreender. A cidade estende-se ao longo de uma das mais belas linhas costeiras da Europa. O Mediterrâneo prolonga-se até ao horizonte em tonalidades de azul que parecem quase exageradas. Palmeiras alinham a famosa Promenade des Anglais. Os cafés espalham-se por esplanadas banhadas pelo sol. Os mercados transbordam de flores, frutas e produtos locais. O clima é extraordinariamente ameno, oferecendo mais de trezentos dias de sol por ano.

Mas a beleza, por si só, não explica Nice.

A Europa está cheia de lugares magníficos. Muitos deles assemelham-se a relicários, encantadores mas congelados no tempo. Outros vivem sobretudo do turismo, tornando-se excessivamente movimentados no Verão e vazios durante o resto do ano. Nice possui uma energia diferente. Por detrás da paisagem digna de um postal ilustrado encontra-se uma cidade verdadeira, habitada por pessoas que escolheram construir ali as suas vidas.

Essa escolha torna-se mais fácil de compreender após alguns dias passados na cidade.

A vida decorre a um ritmo agradável sem nunca transmitir uma sensação de estagnação. Os transportes públicos são eficientes. Os cuidados de saúde são excelentes. As ruas encontram-se geralmente limpas e bem conservadas. A cidade transmite uma sensação de ordem sem parecer rígida. Os visitantes apercebem-se rapidamente de que o quotidiano é notavelmente previsível. As pessoas podem fazer planos, passear pela cidade, encontrar-se com amigos, gerir empresas, criar famílias e desfrutar da reforma sem viverem constantemente preocupadas com as perturbações inesperadas que se tornaram frequentes em tantas partes do mundo.

Esta sensação de estabilidade cria uma forma subtil de liberdade. Quando os sistemas básicos funcionam bem, as pessoas podem dedicar mais energia a viver do que simplesmente a lidar com problemas.

Ao mesmo tempo, Nice permanece intelectualmente e culturalmente viva. Todos os anos chegam estudantes de todo o mundo para frequentar as universidades locais. Investigadores trabalham em áreas que vão da medicina à inteligência artificial. Empresários e engenheiros são atraídos por Sophia Antipolis, um dos mais importantes pólos tecnológicos da Europa. O aeroporto internacional liga directamente a região à Europa, ao Médio Oriente, à América do Norte e, cada vez mais, à Ásia. Novas ideias, novas pessoas e novas oportunidades circulam continuamente pela cidade.

O resultado é uma combinação social rara. Os reformados desfrutam do clima e da qualidade de vida. Jovens profissionais desenvolvem as suas carreiras. Os estudantes trazem energia e curiosidade. Os turistas acrescentam uma atmosfera cosmopolita. As conversas em restaurantes e cafés passam frequentemente, com naturalidade, do francês para o inglês, italiano, alemão e uma dúzia de outras línguas.

As pessoas criativas sentem-se atraídas por este ambiente há muito tempo. Henri Matisse passou anos em Nice, fascinado pela luz extraordinária da cidade. Marc Chagall encontrou inspiração nas proximidades e acabou por fazer da região a sua casa. Friedrich Nietzsche percorreu esta costa enquanto desenvolvia ideias que influenciariam gerações de filósofos. Escritores, artistas, músicos e intelectuais descobriram repetidamente que a Riviera Francesa oferece algo mais valioso do que o lazer: o espaço mental necessário à criatividade.

Talvez não exista elogio maior para uma cidade do que o desejo de nela permanecer mais tempo do que o inicialmente previsto. Nice inspira essa reacção com uma frequência surpreendente. Os visitantes chegam à espera de umas agradáveis férias à beira-mar e começam gradualmente a imaginar como seria ali a sua vida quotidiana. Visualizam passeios matinais junto ao mar, tardes passadas a explorar museus e mercados, fins-de-semana nas montanhas e noites passadas ao ar livre muito depois do pôr-do-sol.

A região envolvente reforça ainda mais essa impressão. A menos de uma hora do centro da cidade encontram-se aldeias medievais empoleiradas sobre cristas montanhosas, vinhas, estâncias de esqui, trilhos pedestres e algumas das paisagens mais espectaculares da Europa. O mar e os Alpes coexistem lado a lado, criando uma extraordinária diversidade de experiências numa área geográfica surpreendentemente pequena.

Talvez este seja o segredo de Nice. A cidade oferece muito mais do que umas férias. Oferece um vislumbre de um modo de vida que cada vez mais pessoas consideram atractivo: seguro sem ser aborrecido, vibrante sem ser exaustivo, internacional sem perder o seu carácter local.

Num mundo onde muitos lugares parecem aprisionados entre a desordem e a estagnação, Nice ocupa um espaço intermédio mais tranquilo e mais apelativo. É uma cidade que combina confiança com abertura, tradição com renovação, beleza com funcionalidade. Muito depois de terminadas as férias, muitos visitantes descobrem que aquilo de que mais se recordam não é um monumento ou um museu em particular, mas uma sensação persistente de que aquele é um lugar onde poderiam verdadeiramente pertencer.

Poucas cidades deixam essa impressão. Nice deixa.