15 fevereiro 2026

Aquilo que se tem de dizer

 


"Chega de exploração, chega de pilhagem”: Guterres exige nova era para os recursos africanos

Fonte: cf. aqui


Comentário: O melhor é os recursos naturais ficarem lá no estado natural em que estão para todos nós os contemplarmos. É nesse estado natural que eles têm contribuído para o enriquecimento dos povos africanos, como está à vista de todos.

Os americanos têm razão, se não forem eles a salvar a civilização ocidental, não é a Europa que o vai fazer (cf. aqui). O secretário-geral da ONU está caquético e não há ninguém que lhe diga. 

O Eng. Guterres é que anda a pilhar os contribuintes dos países que financiam a ONU. Pagam-lhe um salário real para ele andar pelo mundo fora a apregoar umas balelas retrógradas e socialistas. Felizmente, o Trump é que não vai na fita e cortou-lhe a mesada (cf. aqui).

Aquilo que se tem de dizer aos países africanos é para eles imitarem a ética do trabalho e as instituições ocidentais (e, em primeiro lugar, as americanas), incluindo o regime económico que, pela primeira vez na história da humanidade, conseguiu tirar em massa o homem da miséria - o capitalismo (de preferência, na versão americana). Esse mesmo que utiliza os recursos naturais para os pôr ao serviço das pessoas, e não para ficarem lá para os africanos os contemplarem da janela da palhota.

14 fevereiro 2026

um economista de campanário

 

Castro Almeida, o ministro dos Fundos (cf. aqui)


A seguir à ministra da Administração Interna (cf. aqui), o próximo candidato é o ministro da Economia, aliás, o ministro dos Fundos.

O pregão é o seguinte:

"Há fundos... quem quer fundos ... tenho fundos para dar e vender... vai um fundozinho, freguês?.. entrego em casa em 15 dias... qualidade garantida..." [cf. aqui]

Ele faz-me lembrar um seu colega de profissão, o Papá Encarnação (cf. aqui). Ele é um economista de campanário para quem a Economia é atirar dinheiro às pessoas. Há dias, num discurso, quando mencionou o PIB, eu agarrei-me com quantas forças tinha aos braços da cadeira, e tinha razão.

De vez em quando, vai-se reabastecer a Bruxelas (cf. aqui), e volta alegre com o pregão:

"Há fundos... quem quer fundos ... fresquinhos ... acabadinhos de chegar... vai um fundozinho, freguesa... bem fundinho?..."

Numa economia cada vez mais cosmopolita, tecnológica e globalizada, nós temos a ministro da Economia um pacóvio.

O ex-primeiro-ministro Passos Coelho tem a mesma leitura que eu: o ministro da Economia é um burocrata que só atrapalha e empata (cf. aqui).

no topo um homem de elite

 

O presidente Marcelo dá instruções aos engenheiros da Protecção Civil acerca de como reparar um viaduto


Um dos principais mistérios da civilização cristã é a longevidade da Igreja Católica. Atravessou todos os males da humanidade - guerras, revoluções, epidemias, catástrofes - e continua aí dois mil anos depois.

A que se deve este milagre?

Ao seu sistema de governação, que está preparado para lidar com todo o tipo de crises, incluindo a crise permanente. No topo, um homem de elite com poderes supremos e absolutos. Abaixo dele uma força de homens que lhe prometeram submissão (voto de obediência), que não têm outras lealdades, por exemplo, a mulheres e filhos (voto de castidade) e que estão prontos a viver sob condições as mais difíceis (voto de pobreza).

Uma força assim organizada consegue milagres.

Acontece o mesmo na aviação. Em condições normais de voo, o comandante pode dar liberdade aos passageiros para passearem na cabine, às hospedeiras para dormitarem nos seus postos e ao co-piloto para ir aos lavabos. Mas numa situação de emergência, não há liberdade para ninguém e todos fazem o que ele manda. Ninguém imagina o comandante a decidir democraticamente as manobras a efectuar numa emergência.

A instituição militar tem muitas semelhanças com a Igreja Católica. 

Com o Almirante Gouveia e Melo a presidente da República e a comandante supremo das Forças Armadas, os diques já estariam reconstruídos, as estradas reparadas, os caminhos desobstruídos, a electricidade já tinha chegado onde faltou e as populações teriam sido prontamente evacuadas. Pelo contrário, com o presidente Marcelo temos abraços e beijinhos, e discursos para a televisão que só atrapalham os operacionais. O mesmo se diga do primeiro-ministro Montenegro.

Uma conclusão a tirar da longevidade da Igreja Católica é a de que o seu sistema de governação está preparado para enfrentar crises permanentes. A outra é que o sistema de governação democrático não é eficaz em situações de crise. É por isso que, até na muito democrática América, emergiu recentemente um homem com poderes quase absolutos (e que já declarou que gostaria de ser Papa).

13 fevereiro 2026

qualquer panhonha

 


Perante a situação de calamidade que se vive no país, existe uma corrente de opinião em Portugal segundo a qual quem devia estar aos comandos era o Almirante Gouveia e Melo.

Claro que era.

Em situações de crise é que os homens de elite são necessários porque em situações normais qualquer panhonha pode ser chefe.

11 fevereiro 2026

as ondas do mar

 

A próxima grande façanha do Governo português terá lugar na Nazaré (uma pequena multidão já lá está para assistir)


O primeiro-ministro Luís Montenegro está agora na RTP a dizer que o Governo português está a fazer todos os esforços para conter as águas do rio Mondego (a propósito do colapso dos diques neste rio: cf. aqui).

A próxima grande façanha do Governo português vai ser a de alisar as ondas do mar.

Não pela ideologia

 



Os portugueses, tal como outros povos de cultura católica, nunca criaram nenhuma ideologia, seja o socialismo seja o liberalismo ou outra, ou cada uma das suas respectivas variantes.

Mas quando se trata de imitar aquilo que foi criado pelos outros, os portugueses são capazes de levar as coisas ao extremo, e tornarem-se mais papistas que o Papa. Eles são capazes de se zangar com familiares e amigos por causa da ideologia.

É uma das lições que aprendi na vida: "Os portugueses são uns ideólogos do caraças". Nunca vi nada igual. Ideólogos e juristas (as categorias não são mutuamente exclusivas, bem pelo contrário), quem quiser conhecer os melhores do mundo, deve procurar em Portugal.

O meu candidato preferido para presidente da República era o almirante Gouveia e Melo. Mas, não sendo satisfeitos os meus desejos, a minha segunda escolha era o António José Seguro. Não pela ideologia, mas pela personalidade (incluindo a idade). O cargo de presidente da República é de natureza comunitária, não de natureza sectária ou partidária (cf. aqui). 

É esta natureza comunitária que pode mitigar o excesso de sectarismo ou partidarismo (Salazar chamava-lhe "partidarite") que se instalou na sociedade portuguesa, e que não é de bom augúrio.

07 fevereiro 2026

"Baita..."

 



Há cerca de três semanas fui a Torres Vedras e estacionei numa rua com imensos lugares vagos e que tinha o sinal acima, que fotografei na altura. No regresso, tinha um ticket de estacionamento emitido pela Promotorres - a empresa municipal que gere o estacionamento -, pedindo a minha identificação e avisando-me que a coima ia de 60 a 300 euros. Uma multa destas, mas com direito a obscenidade, eu pensei: "Tá ruim mas tá bom" (cf. aqui).

Quatro dias depois,  dirigi-me à Promotorres por e-mail:


"Exmos(as). Senhores (as),

Vivo no Porto e na passada segunda-feira, dia 12, desloquei-me a Torres Vedras em trabalho.

Em má hora.

Vi o sinal de estacionamento reservado a Residentes, zona C (não faço ideia o que significa), na Rua Álvaro Galrão, mas com tantos lugares disponíveis, presumi que a proibição era só à noite (v.g., das 19: às 9:00 do dia seguinte, como existe em tantas cidades).

A mesma dúvida teve outro cidadão que estava a estacionar como eu e com quem conferenciei sobre o assunto.

Acontece que o sinal não dá a informação que devia dar, a saber, que a proibição é aplicável 24/24 horas, e refere uma Zona C que deve ser um código secreto só reservado a torreenses.

Vs. Já devem fazer isto de propósito ou por incúria, para extorquirem mais uns euros aos cidadãos forasteiros e incautos como eu.

É uma vergonha.

E vergonha ainda maior é ´o número de telefone que põem na notificação (261095200) que é só para inglês ver pois ninguém atende o telefone.

Em baixo, os meus elementos de identificação para que me possam enviar a factura. Espero poder contribuir para financiar as novas Linhas de Torres, e que estas dividam o país entre Norte e Sul, ficando Torres Vedras a Sul (porque no Norte ainda existe decência)

(seguem-se os elementos de identificação)"


Eram dez e tal da manhã, os residentes tinham partido para o trabalho, a disponibilidade de espaço para estacionar na rua era enorme. E depois aquele sinal a suscitar a dúvida legítima: "Posso estacionar... não posso estacionar?". A situação é idêntica em outras ruas do centro de Torres Vedras. Não custava nada acrescentar ao sinal a indicação de "24 horas".

(E o que dizer da eficiência com que a Promotorres gere esse recurso escasso que são os espaços de estacionamento no centro da cidade, que ficam livres o dia inteiro à espera que, à noite, os residentes regressem a casa?) 

Ontem, recebi a resposta da Promotorres assinada por um burocrata que é muito seguramente um jurista. Que miserável lenga-lenga jurídica para justificar o injustificável. A Promotorres fornece informação incompleta aos cidadãos, lança a dúvida no espírito das pessoas para mais facilmente as extorquir. Aquela observação final de que tenho direito a contestar é particularmente cínica. É o que vou já fazer: pagar 500 ou mil euros a um advogado para me livrar de uma multa de sessenta euros (ou de trezentos, sabe-se lá, depois de este post chegar à Promotorres, o que acontecerá segunda-feira, o mais tardar).

É um caso típico de exercício abusivo do poder perante o qual nenhum cidadão se deve calar. E o exemplo acabado do abuso por parte dos pequenos burocratas, impantes com os pequenos poderes que a sua condição de funcionários públicos lhes confere. 

Diz assim a resposta:


"Ex.mo(a) Sr.(a),

Conforme o processo levantado, o veículo encontrava-se estacionado em local reservado, mediante sinalização, a veículos com selo de residente não ostentando selo válido da zona, em infração ao disposto no artigo 50.º, n.º 1, alínea f) do Código da Estrada.

O local encontra-se assinalado através de sinal G1 — Zona de estacionamento autorizado, previsto no artigo 32.º do Regulamento de Sinalização de Trânsito (RST). Os referidos sinais são colocados em todos os acessos à área por eles ordenada, sendo todas as saídas sinalizadas com o respetivo sinal de fim de zona, nos termos do prescrito pelo n.º 6 do artigo 33.º do RST e as suas prescrições são válidas em todas as vias integradas na zona delimitada, não carecendo os sinais de repetição, nos termos do preceituado pela alínea a) do n.º 4 do artigo 14.º do mencionado regulamento.

Face ao explanado, o sinal de zona de estacionamento reservada a residentes colocado no lado direito do início da rua Álvaro Galrão é válido na referida rua e em toda a zona delimitada até ao local onde se encontre colocado um sinal de fim de zona de estacionamento.

Se a mesma zona tivesse um limite horário, teria de ter um painel adicional ao sinal de zona de estacionamento com essa informação.

Sem prejuízo do referido, a pessoa arguida no processo contraordenacional poderá, querendo, exercer o direito de audição e defesa, nos termos e prazos indicados, de forma conjugada, na notificação do auto de contraordenação e no artigo 175.º do Código da Estrada.

Assim, confirmamos a validação dos dados remetidos. A notificação do auto de contraordenação será remetida por via postal para a morada indicada.

Atentamente,

Renato Pereira
Assistente Administrativo, Área de Mobilidade
Promotorres EM"


A primeira conclusão que tirei daqui é que para se estacionar em Torres Vedras é necessário primeiro tirar um curso de Direito. A segunda é uma interrogação: "Como responder a este burocrata que é seguramente um jurista?".

Nestas coisas eu sou como o Quim Barreiros que numa entrevista recente dizia que as letras das suas canções não saem dele, mas do povo. Eu queria usar uma expressão que saísse do povo, mas não necessariamente a mais popular de todas, nem sequer a segunda: cf. aqui.

Decidi-me pela terceira, proferida com sotaque nortenho: "Baita...". 

05 fevereiro 2026

Atos próprios de advogados



São os seguintes os atos próprios de advogados (isto é, os atos que só os advogados podem praticar) consagrados na Lei 10/2024 de 19 de Janeiro:


CAPÍTULO II
Atos de advogados e solicitadores
  Artigo 4.º
Atos próprios de advogados e solicitadores
1 - Sem prejuízo do disposto na presente lei, apenas os licenciados em Direito com inscrição em vigor na Ordem dos Advogados e os solicitadores inscritos na Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução podem praticar os atos próprios dos advogados e dos solicitadores.
2 - Sem prejuízo do disposto nas leis de processo, constitui ato próprio exclusivo dos advogados e dos solicitadores o exercício do mandato forense.
3 - São atos próprios exclusivos dos advogados:
a) Os que resultem do exercício do direito dos cidadãos de se fazer acompanhar por advogado perante qualquer autoridade;
b) Aqueles em que o arguido deva ser assistido por defensor, nos termos da lei processual penal.
4 - Os advogados e os solicitadores têm ainda competência para exercer as seguintes atividades:
a) A elaboração de contratos e a prática dos atos preparatórios tendentes à constituição, alteração ou extinção de negócios jurídicos, designadamente os praticados junto de conservatórias e cartórios notariais;
b) A negociação tendente à cobrança de créditos;
c) O exercício do mandato no âmbito de reclamação ou impugnação de atos administrativos ou tributários;
d) A consulta jurídica.
5 - Os atos previstos nos números anteriores apenas consubstanciam atos próprios dos advogados e dos solicitadores se forem exercidos no interesse de terceiros e no âmbito de atividade profissional.
6 - Para os efeitos do disposto no número anterior, não se consideram praticados no interesse de terceiros os atos praticados pelos representantes legais, empregados, funcionários ou agentes de pessoas singulares ou coletivas, públicas ou privadas, nessa qualidade, salvo se, no caso da cobrança de créditos, esta constituir o objeto ou atividade principal destas pessoas.
7 - O exercício do mandato forense por solicitadores está sujeito aos limites do seu estatuto e da legislação processual.
8 - Os atos referidos no n.º 4 não são atos expressamente reservados pela lei aos advogados e solicitadores para efeitos do artigo 30.º da Lei n.º 2/2013, de 10 de janeiro, que estabelece o regime jurídico de criação, organização e funcionamento das associações públicas profissionais.

Fonte: cf. aqui

Mais recentemente, a Lei 4326/25 de 29 de Fevereiro veio juntar os seguintes:

9. Masturbar grilos e outros animais domésticos.

10. Todos os que são próprios de um ministro da Economia.

11. Limpar rabos a meninos.


03 fevereiro 2026

Um parolo

 


Ministro da Economia sugere a vítimas da tempestade que usem o salário de janeiro para "suprir necessidades"

Fonte: cf. aqui.


Ele possui a formação académica que - eu não me tenho cansado de repetir neste blogue - é a mais provinciana que existe no país, a de jurista.

Ele está filiado numa corporação de criminosos, uma filiação que deitou abaixo as expectativas de eleição presidencial do seu companheiro de Partido, Luís Marques Mendes (cf. aqui).

Nós temos a ministro da Economia um advogado. Imagine-se, um advogado!... Já alguém pensou o que seria ter a ministro da Justiça um economista, por exemplo, um economista como eu?

Na sua entrevista de ontem à SIC (cf. aqui) ele revelou tudo aquilo que é.

Um parolo. 

Fernando Pessoa tinha razão, o mal superior português é o provincianismo (cf. aqui).

Nós temos a ministro da Economia um parolo.