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05 setembro 2013

Objectivismo - Sensações, percepções e vontade

Sensações, percepções e vontade

A consciência começa como uma tábua rasa (pag. 38).

O homem é senhor da sua vontade, tem livre-arbítrio

O homem, no Objectivismo, não actua por factores fora do seu controle. O homem é um ser volitivo, dotado de liberdade. Uma determinada sequência de pensamentos ou acção é “livre”.

O princípio da causalidade não se aplica à consciência do mesmo modo que se aplica à matéria. É o próprio homem que escolhe as causas que justificam as suas acções.

Leonard Peikoff

Comentário:

O conceito de tabula rasa foi desenvolvido por John Locke no século XVIII. Na sua teoria da mente, Locke postulou que não há conteúdos mentais inatos e que todo o conhecimento deriva da experiência que obtemos através dos sentidos e da capacidade de perceber a realidade.

Ayn Rand, na sua epistemologia, não faz mais do que recuar até Locke, cerca de 250 anos.

O princípio da tabula rasa foi contudo repudiado e não tem, na actualidade, qualquer apoio científico. Pelo contrário, há um consenso, de que a espécie humana está dotada de uma natureza própria que resulta de um conjunto de regras epigenéticas que condicionam o comportamento.

O modo como nos organizamos em sociedade, por exemplo, ou até o sentimento religioso, são fruto da evolução da espécie e fazem parte da natureza humana.

Estes aspectos têm imensa relevância para a filosofia política. É aqui que as utopias esbarram, não é possível construir um “homem novo” ou uma “sociedade nova”.

Relativamente à fé de Rand no livre-arbítrio, eu tendo a concordar com ela, ressalvando contudo que esse livre-arbítrio está circunscrito à esfera do conhecimento consciente.

01 novembro 2012

um novo bordão



Num impressionante exercício de honestidade intelectual, talvez o mais radical e, também por isso mesmo, o mais interessante a que assisti nos meus dias, o Pedro Arroja tem vindo a desconstruir tudo aquilo em que acreditou ao longo dos anos, tendo-se tornado no mais fervoroso crítico de si mesmo e daquilo que defendia no passado. Este exercício de dúvida metódica e de considerar como tabula rasa todo o conhecimento adquirido é muito próprio da mentalidade racionalista do Iluminismo (a que o Pedro pertence como poucos, embora não tenha a plena consciência disso) e levou-o, num exercício puramente racional, do “tira estado, mete estado”, como ele, com graça, baptizou o liberalismo, para uma outra Verdade, a que poderíamos chamar, por similitude, de “tira Igreja, mete Igreja”. Ou seja, enquanto que, no passado, o Pedro acreditava que a liberdade individual e humana seria tanto maior e mais gratificante quanto menor fosse a presença e a coacção do estado e dos poderes públicos, o Pedro vê agora nisso uma premissa de valor rudimentar e chegou à conclusão de que a liberdade depende da realização humana numa Comunidade Cristã fundada na Bíblia, sob a autoridade do Papa. Neste contexto, o “tira estado, mete estado” deixa de ter qualquer relevância, e passa a ser um produto intelectual subversivo do protestantismo (na versão mais suave) ou do judaísmo conspiracionista (numa versão mais hardcore).

Neste raciocínio do Pedro subsiste, todavia, uma evidente incongruência. É que o maior inimigo da Igreja Católica enquanto Comunidade Universal, a Respublica Christiana medieval, foi precisamente o estado-nação, que eclodiu contra esta ideia de comunidade cristã universal e contra a autoridade do Papa, e se sedimentou nos séculos seguintes, até chegar ao modelo absolutista contra o qual se rebelaram os liberais clássicos. Na verdade, o estado-nação é, antes de mais, nas suas origens, uma afirmação contra o poder do Papa e da Igreja, vindo de comunidades locais com identidade própria (ou nacional), que se transformariam em comunidades políticas soberanas, onde a autoridade da Igreja não era bem vinda. Para evitar ser maçador, pondo de lado os inúmeros conflitos de poder entre os reinos cristãos europeus e o papado, e ficando-me pelas nossas terras, lembraria as dificuldades, puramente políticas, que o nosso primeiro rei teve para conseguir o reconhecimento da sua dignidade de soberano independente pelo Papa (apenas obtido em 1179, com Alexandre III, trinta anos após o Tratado de Zamora), o facto de quase todos os reis da nossa Iª Dinastia terem sido excomungados, o Beneplácito Régio de Pedro I e, já agora, as inúmeras concórdias e concordatas, instrumentos jurídicos que tinham por finalidade resolver conflitos entre a Coroa e a Igreja local ou sediada em Roma. Não é, pois, necessário chegarmos à laicização jacobina e anti-clerical dos séculos XIX e primórdios do XX, de influência da primeira república socialista francesa e não propriamente liberal-constitucional oitocentista (erro muito comum em que inclusivamente caem alguns liberais, como aqui sucedeu com o Carlos Novais), para assistirmos aos conflitos entre o poder do estado e da Igreja Católica.

Em conclusão, o “tira estado, mete estado”, que o Pedro agora ridiculariza, não é, por isso, apenas útil a quem defende uma liberdade-liberal, mas também àqueles que encontram a liberdade na Igreja Católica, sobretudo se virem esta como orientadora da comunidade social e política. É que num estado omnipresente, com muito “mete estado”, portanto, a presença da Igreja será sempre residual. Para melhor compreensão de todos, eu sintetizaria estas minhas conclusões num novo bordão, que deixo à consideração do Pedro: “mete estado, tira Igreja, mete Igreja, tira estado”. Serve assim?

28 agosto 2010

face-lift

O libertarianismo necessita, com urgência, de um “face-lift”. Os seus fundamentos são sólidos, mas têm mais de duzentos anos e nota-se.
O meu querido colega John Locke faleceu em 1704, 105 anos antes do nascimento de Darwin e 167 anos antes da publicação de “A Origem do Homem”. O desenvolvimento científico dos últimos 300 anos modificou radicalmente o conhecimento que temos de nós próprios. A mente, sabemos hoje, não é uma tabula rasa. Herdamos tendências comportamentais específicas e as emoções são tão importantes para os seres humanos como a razão.
Damásio demonstrou, por exemplo, que na ausência de emoções a razão é incapaz de decidir. Ora as emoções fazem parte do património da espécie e influenciam o nosso comportamento num sentido pré-determinado.
A genética, a sociobiologia, a psicologia da evolução, a ética da evolução e tantas outras disciplinas, também produziram conhecimentos que têm de ser incorporados na filosofia libertária.
É necessário que os amantes da liberdade deitem mãos à obra.

25 agosto 2010

os nossos genes são "donos" de nós

Neste post, refutei o conceito de “self-ownerhip” com base apenas na dedução. Não podemos ser proprietários de nós próprios porque os seres humanos não têm as características de uma propriedade. Assim sendo, o conceito de “self-ownership” é irracional e, em termos objectivistas, um Mal.
Proponho-me agora explorar o conceito de “self-ownership” numa perspectiva biológica.
Se fossemos donos de nós próprios (auto-proprietários – AP) teríamos plena liberdade para dispor da nossa existência (física e mental) como muito bem entendêssemos, sem quaisquer limites. Ora esta possibilidade pressupõe que fôssemos uma espécie de tabula rasa, onde tudo se pudesse rascunhar e “construir”. Não somos.
Nós somos mamíferos. Indivíduos de uma espécie superior de primatas, o Homo Sapiens. Somos veículos de expressões genéticas de um “pool” de genes específico, transportando características naturais que influenciam de forma determinante (não determinística) o nosso comportamento.
Não somos plenamente livres e portanto não somos donos de nós próprios, no entendimento que faço de “self-ownership”. Os construtivismos sociais chocam sempre com esta realidade, os seres humanos têm uma natureza própria que lhes molda o comportamento individual e social.
Em termos biológicos, penso até que poderíamos afirmar que são os nossos genes que "são donos de nós" e não o contrário. Uma fórmula interessante que corresponde, em termos metafísicos, a dizer que somos criaturas de Deus e que Lhe pertencemos.

11 novembro 2008

tabula rasa II

Nenhum ser humano é uma tábua rasa em que tudo se pode escrever, como supunha o meu colega John Locke. Já nascemos com características genéticas bem determinadas, mas estas só se desenvolvem se o meio ambiente for propício.
O velho debate entre o papel dos genes e do meio ambiente (nature /nurture) tem-se saldado por um certo equilíbrio entre os dois. Vamos a alguns exemplos inquestionáveis.
A inteligência, medida pelo QI, depende em grande parte dos genes, mas na ausência de um ambiente favorável pode nunca atingir o seu potencial. O génio para a música é outra característica hereditária, mas sem educação musical nunca se daria por ele.
Não me choca nada, portanto, que quaisquer tendências homossexuais (até inatas) que existam na população apenas se expressem a partir de determinados níveis de desenvolvimento económico. Penso também que as sociedades mais ricas são mais tolerantes em relação aos desvios e este pode ser outro factor importante a considerar.

21 fevereiro 2008

tabula rasa

Em posts anteriores (aqui, aqui e aqui) procurei demonstrar a influência genética no comportamento humano. Os genes não determinam o que fazemos, mas condicionam e influenciam.
Esta influência está demonstrada cientificamente e é útil que a tenhamos presente quando fazemos análises políticas ou quando filosofamos. Não somos uma tábua rasa (conceito Aristotélico) onde tudo se pode escrever. As ideias construtivistas, normalmente oriundas dos extremos políticos, estão destinadas ao fracasso. Pena é que esse fracasso só ocorra depois de muito sangue.
A história dos movimentos comunistas demonstra isto mesmo de forma exemplar. Pensar que é possível acabar com as religiões ou com a propriedade privada é pretender negar a natureza humana, o tal factor inato ou genético. Daria vontade de rir se não conhecêssemos a história do século XX.
Os arautos dos extremismos, lunáticos e intéis, sabem que as suas ideias são fracturantes e que pacificamente nunca iriam a lado nenhum. Por isso é que recorrem à violência. Se estudarmos melhor a natureza humana teremos os pés mais assentes na terra e ficaremos vacinados contra os tais “_ismos”.

06 setembro 2007

Ninguém haverá de negar

"Ninguém haverá de negar, creio eu, que os dois objetivos principais da colonização portuguesa em terras americanas foram 1) extrair rápida e vorazmente tudo o que fosse possível extrair, com a imediata remessa para o Reino; 2) converter a sociedade colonial brasileira num imenso Portugal - Oh, tragédia! Oh desgraça! Vocês conseguiram!!...

Devo dizer que os senhores portugas foram muitíssimo felizes na vossa obra amarga de colonizadores incansáveis, sedentos de riqueza, corruptos até à medula dos ossos, babantes de líbido por índias e negras, chafurdados numa burocracia medonha e irresponsável, sob os olhares estupidificados de casas reais taradas e parvas, tudo isso sob a benção de um catolicismo degenerado pelo jesuitismo, atrasado, fanático e ignorante. Bela obra da história portuguesa é o Brasil!...


Tudo o que Portugal tinha de envenenado e imundo em suas entranhas nos foi bondosamente escarrado na cara, a bela Terra de Santa Cruz sendo violentada sem complacência século após século, 400 anos, até que, enfim!!, oxalá!!,viva!!, encontramos a "indempedência" feita por...portugas!!! Como se diz aqui no Brasil, ninguém merece!!...

E seguimos nossa trajetória de nação "livre", agora sob a monarquia da Casa de Bragança. Caramba! Os Bragança? É isto mesmo, nos tornamos "independentes" dando continuação à dinastia dos portugas. Foram sessenta e tantos anos de monarquia no Brasil, o tal do Império do Brasil, estéril, vegetativo, amargo, escravocrata, podre, tendo o catolicismo romano como "religião oficial do estado", mas um povo crente totalmente supersticioso, fanatizado, bestializado nos ritos de uma religião mecânica e autoritária.

Enquanto isso, a quantas ia Portugal século XIX adentro? Tudo o que foi roubado do Brasil acabou em mãos da pérvida Álbion - bem feito! -, e não é à toa que aqui no Brasil temos proverbiais anedotas sobre a burrice lusitana...Vosso país seguia atrasado, entorpecido, fanatizado pelo catolicismo ibérico. No Brasil, seguimos nossa vidinha de água de poçoa até que...surge a república, logo copiada por vocês portugas, talvez caso único no mundo em que antiga potência colonial se mete a copiar os disparates de antiga colônia.


E vamos nós república adentro, de sobressalto em sobressalto, de atraso em atraso, de ditadura em ditadura, de palermice em palermice, até chegarmos ao ponto em nos encontramos hoje, na condição de um dos povos mais burros da face do planeta, governado por um presidente semi-analfabeto que se orgulha de ser justamente semi-analfabeto. Eis aí, a grande obra da história de Portugal!! É o mesmo em África, é o mesmo em Ásia, é o mesmo em toda parte onde Portugal meteu os pés, somente um retrato de atraso, de ignorância, de corrupção, de hábitos sociais lamentáveis e putrefatos.


E se ainda estamos cá a revirar o passado, aqui no Brasil como aí em Portugal, como percebo da leitura deste blog, é porque não encontramos ainda o caminho de nos governarmos a nós mesmos, sem tutores, sem homens providenciais, sem D. Sebastião, sem Salazar, sem Pedro II, sem Getúlio Vargas, sem o Sócrates daí e sem o "Sócrates" daqui (só sei que nada sei...). Por favor, encaremos a realidade: nossa história comum é um enredo de vilipêndio e degenerescência sem par, de covardia e estupidez, de ignorância e fanatismo, de pobreza e de atraso. E não foi por falta de ditaduras, porque as temos tido à larga aqui no Brasil.


Não se me tenha à conta de niilista, de revoltado, de socialista ou de revolucionário. Entendam-me apenas como um liberal latino-americano que, aceitando nossa formação histórica e a estrutura social dela resultante, sem pretender fazer tabula rasa da História ou querer reviver tristezas do passado, entende que a herança cultural luso-brasileira é a matéria-prima sim, sobre a qual devemos trabalhar a construção institucional, o progresso material e a democracia, não sendo absolutamente necessário, por outro pólo, que ajuntemos aos nossos erros e besteiras do passado o sacrifício definitivo da liberdade, e nem acorrentemos nosso destino a determinismos culturais que nada mais são que ideologias, e toda ideologia, como bem notou Jean-François Revel, é uma aberração.


O caminho está, penso eu, tanto para brazucas quanto para portugas, na educação liberal, na construção de uma sociedade que compreenda o liberalismo e adquira o gosto por se governar a si mesma, enfim, na adoção do único modelo socio-político e econômico que até hoje, sabe-se porque cargas d'água, não tivemos a ventura de experimentar."

Luis Gustavo
Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil.
(comentário ao post eu confesso grande medo)