31 outubro 2017

secessionista

Simbolicamente, faz hoje 500 anos que a população cristã do norte da Europa se separou da Igreja Católica.

Passado todo este tempo essa liberdade de separação não é reconhecida pela muito católica Espanha à população da Catalunha.

Se Cristo fosse chamado a dirimir o conflito entre Madrid e a Catalunha, estou certo que optaria pela Catalunha. Ele próprio foi um secessionista.

A independência da Catalunha é agora um processo imparável, uma questão de meses ou de poucos anos. (Seria mais rápida se o Puigdemont tivesse aproveitado a oportunidade única que Madrid lhe ofereceu esta semana para se fazer prender).

30 outubro 2017

26 outubro 2017

75 mil anos

18 dias de trabalho só para o processo, 283 dias para os apensos, 73 dias para as escutas, 28 milhões de dias para os ficheiros informáticos

Isto é só pelo lado da acusação. Falta agora o lado da defesa (são quase 200 os réus).

Conclusão: só Deus vai conseguir julgar isto.

Como exercício de justiça dos homens é uma palhaçada.

Stanley G. Payne


Em defesa de Espanha


24 outubro 2017

a Providência

"É triste ligarmos para os Serviços Florestais às 17:03 de sexta-feira, a solicitar-lhes o que a Lei determina que eles façam, e para o qual eles se deveriam ter organizado, e a resposta da senhora que atende é a de que: “o horário de saída é às 17:00, e além do mais deram-nos a tarde de sexta para compensar as horas no incêndio”. (aqui, faça click em "publicada na íntegra")"

Não tenho experiência com incêndios, mas tenho com hospitais pediátricos. Não fazem nem deixam fazer. Vivem num mundo à parte, um mundo que é deles e só para eles. Os outros, que são a esmagadora maioria, não interessam nada - excepto para pagar.

O incêndio de Pedrógão Grande, que matou 64 pessoas, teve lugar a  um Sábado, e os incêndios mais recentes, que vitimaram mais 45 pessoas, tiveram lugar a um Domingo - ambos, portanto, em dias de fim-de-semana. Esta coincidência já me tinha sugerido alguma coisa.

A carta-aberta do chefe dos Bombeiros da Marinha Grande foi o clique final e que é o seguinte.

Para evitar mortes devidas a incêndios em Portugal, para além de todas as medidas que adoptou no passado Sábado, o Conselho de Ministros devia ter feito aprovar uma lei que seria  a medida mais eficaz de todas. A lei seria a seguinte:

"São proibidos os incêndios aos Sábados, Domingos e Feriados e fora dos horários de expediente da função pública. Os incêndios só podem ser autorizados por despacho do Ministro da Administração Interna, depois de ouvido o Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública e negociado o pagamento pelas horas extraordinárias".


PS. Nós precisamos de um Voltaire que faça ao Estado-Providência o mesmo que ele fez à instituição que, antes do Estado, representava a Providência na terra - a Igreja.

22 outubro 2017

Lendas Negras da Igreja

Um livro interessante que corrobora algumas teses aqui apresentadas pelo PA

http://www.traditio-op.org/apologetica/Leyendas_negras_de_la_Iglesia.pdf



21 outubro 2017

a ordem natural

O Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, colocou esta semana no seu facebook o seguinte texto:

"Para que nos serve o Estado?

Como nos podemos defender, quando o Estado, que tem o monopólio da força, nos falha?

Como entender as prioridades de um País cuja administração cresce sucessivamente, carregando o seu peso num retalho cada vez mais pequeno? Quando a governação depende dessa administração que deveria comandar? Quando se inverteu a ordem natural da hierarquia democrática?

Como avaliar as prioridades nacionais? Como se pode falar sempre e obsessivamente de direitos adquiridos quando não se defendem os direitos primários e inatos?

Como tolerar tudo isto? Como acreditar no futuro? Como esquecer o que se viu? E o que, a propósito, se ouviu e não ouviu?

Sim, as palavras do Presidente transmitem-nos muita e muita caridade. Teria tocado o coração de todos, e não apenas  de todos aqueles que estão feridos, despojados, órfãos, atónitos, tristes, zangados, se não se desse o caso de os outros, muitos e muitos outros, não estarem interessados em mudar nada, nada, nada.

Está em causa a coesão de Portugal. Porque já não há um Estado uno. Há um Estado exíguo, entrincheirado. Há um pseudo-Estado, sem soberania, sem territorialidade.

Para que nos serve esta impostura, quando a Nação se sente abandonada?

São estes os factos. Levará tempo, é uma característica nossa, mas é inevitável que estes factos se transformem em argumentos."

18 outubro 2017

medo

É um problema cultural e que não se resolve facilmente nem no curto prazo. Foi um factor nas recentes tragédias que motivaram mais de cem mortes em incêndios nos últimos quatro meses. Creio que foi um factor importante.

Refiro-me à relação entre a população portuguesa e o poder político.

Os portugueses têm medo do poder político. É o resultado de uma tradição de muitos séculos de poder absoluto no país. Mas se a democracia é para prevalecer em Portugal esta tradição tem de ser alterada. É o poder político (legislativo, executivo e judicial) que tem de passar a ter medo dos portugueses.


17 outubro 2017

on Fire

From his office in Matosinhos - a small Portuguese city internationally known as Little Bushes -, after thoughtful consideration and careful analysis of the World map, prosecutor Tony Meadow concluded that the incendiary terrorists who over the last four months assembled in Portugal, and stayed there for Summer vacations,  could come only from two places in the World: Fire Island and Land of Fire.

This was specially the case of those incendiary criminals who set up the fires in the small village of Holy Cross of the Bishop in whose investigations Meadow had been personally involved.

In the affidavit submitted to instruction-judge Cathy Littleriver he wrote: "Only  these people are born on fire, live on fire and die on fire. They are permanently on fire. They are fire natives and fire professionals. We must issue rogatory letters to the Governments of Cape Green and Argentina to question them all".

"Moreover - Meadow added with remarkable logic - Land of Fire was discovered by Magellan. Now, Magellan is the name of the school computer introduced in Portugal by ex-prime-minister Joe Socrates after he visited Finland.
Therefore, these incendiary terrorists are related to him and to banker Rick Salted in Operation Marquis. The fact that Finland is in the North Pole and Land of Fire is in the South Pole is only a disguise made up by indicted Socrates to divert the investigations.
Corruption in the Lisbon Government and fires in the Portuguese villages are one and the same thing and both should be treated as such in this hyper-mega-criminal-investigation which, accordingly, should be renamed as Operation Marquis on Fire."

Instruction-judge Cathy Littleriver signed below.

Disguised

Disguised Public Ministry's magistrate Tony Meadow (first left) discreetly observing  incendiary suspects in a small Portuguese village near Matosinhos.

os incendiários

Talvez aproveitando o boom do turismo, os incendiários de todo o mundo convergiram para Portugal, respondendo ao apelo: "Incendiários de todo o mundo, uni-vos!".

Devem ter vindo nas low-cost.

E sentiram-se tão bem que ficaram. E agora andam por aí em congressos e também dando aulas práticas.

Podiam ter escolhido outro país. Mas Portugal está na moda.

O resultado é o que se vê.

Podemos, no entanto, estar descansados porque o Ministério Público vai resolver isto.

Existe apenas um problema. Eles são especialistas em crimes de papel (e aqui, papel, só se for queimado), a sua investigação criminal desenrola-se só em gabinetes,  e eu não estou a ver os magistrados do MP a irem para a mata à caça de incendiários com as urtigas e os lacraus que por lá existem.

Mas, em Portugal, tudo é possível.

a comunidade

A propósito dos incêndios, tenho notado os apelos à comunidade no discurso oficial, como foi ontem o caso de primeiro-ministro.

Os partidos e o Estado estragam a comunidade e quando se precisa dela, ela já lá não está.

Devem estar à espera que uma calamidade - sob a forma de um incêndio ou de um temporal - se abata sobre as crianças internadas no Hospital de S. João do Porto para depois apelarem à comunidade.

Nesse dia, vão ver a respostas que terão.

Faz no dia 11 de Dezembro dois anos que obstruem uma obra que hoje já estaria quase pronta.

Uma obra da comunidade.



13 outubro 2017

Diabo à Solta


O livro "Diabo à Solta - O Ministério Público em Portugal" é uma novela e ainda não está terminado. A seguinte é a primeira versão, ainda incompleta e sujeita a trabalho editorial:

Capítulo 1      Capítulo 2      Capítulo 3      Capítulo 4      Capítulo 5      Capítulo 6      Capítulo 7
Capítulo 8      Capítulo 9      Capítulo 10    Capítulo 11    Capítulo 12    Capítulo 13    Capítulo 14
Capítulo 15    Capítulo 16    Capítulo 17    Capítulo 18    Capítulo 19    Capítulo 20    Capítulo 21
Capítulo 22    Capítulo 23    Capítulo 24    Capítulo 25    Capítulo 26    Capítulo 27    Capítulo 28
Capítulo 29    Capítulo 30    Capítulo 31    Capítulo 32    Capítulo 33    Capítulo 34    Capítulo 35
Capítulo 36    Capítulo 37    Capítulo 38    Capítulo 39    Capítulo 40    Capítulo 41    Capítulo 42
Capítulo 43    Capítulo 44    Capítulo 45    Capítulo 46    Capítulo 47    Capítulo 48    Capítulo 49
Capítulo 50    Capítulo 51    Capítulo 52    Capítulo 53    Capítulo 54    Capítulo 55    Capítulo 56
Capítulo 57    Capítulo 58    Capítulo 59    Capítulo 60    Capítulo 61    Capítulo 62    Capítulo 63
Capítulo 64    Capítulo 65    Capítulo 66    Capítulo 67    Capítulo 68    Capítulo 69    Capítulo 70
Capítulo 71    Capítulo 72    Capítulo 73    Capítulo 74    Capítulo 75    Capítulo 76    Capítulo 77
Capítulo 78    Capítulo 79    Capítulo 80    Capítulo 81    Capítulo 82    Capítulo 83    Capítulo 84
Capítulo 85    Capítulo 86    Capítulo 87    Capítulo 88    Capítulo 89    Capítulo 90    Capítulo 91
Capítulo 92    Capítulo 93    Capítulo 94    Capítulo 95    Capítulo 96    Capítulo 97    Capítulo 98
Capítulo 99    Capítulo 100  Capítulo 101  Capítulo 102  Capítulo 103  Capítulo 104  Capítulo 105
Capítulo 106  Capítulo 107  Capítulo 108  Capítulo 109  Capítulo 110  Capítulo 111  Capítulo 112
Capítulo 113  Capítulo 114

no Afeganistão

Já consegui encontrar um processo judicial onde o despacho de acusação também contém 4000 páginas. Foi no Afeganistão:

The prosecutors delivered their completed file to the judges on April 27, and the trial began just five days later. It was not clear whether the judges had even had time to review the more than 4,000 pages of material, according to international and Afghan lawyers who closely followed the case.

Também há um caso na India.

um Voltaire

Ao ver na TV uma conferência de imprensa dos advogados de defesa de José Sócrates, a conclusão que tirei é que a sua defesa tem sido mal conduzida. Como comunicadores, aqueles advogados são uma miséria. E se é certo que os arguidos da Operação Marquês necessitam de advogados para se defenderem, eles necessitam muito mais de humoristas e cartoonistas.

A Operação Marquês é uma guerra política conduzida por via mediática. Neste ponto, o Ministério Público tem marcado pontos em relação aos arguidos. Estes precisam de contratar mais cartoonistas e humoristas e menos advogados.

Aquele despacho de acusação de 4000 páginas deve conter episódios que, devidamente trabalhados, hão-de dar para rir às gargalhadas. E para rebolar a rir.

Objectivo: descredibilizar publicamente os procuradores do Ministério Público, porque é isso que eles visam fazer em relação aos arguidos.

Parece-me tão fácil a tarefa que até me arrepia pensar que nunca tenha ocorrido aos arguidos.

É que os magistrados do MP, de facto, não são pessoas credíveis pelo simples facto de terem inteira liberdade de mentir e de fazerem todas as tropelias no exercício da sua profissão sem responderem por elas - um privilégio que não assiste ao comum dos mortais.

Não é preciso um Voltaire para desancar nesta rapaziada. E é um serviço que se presta à verdadeira democracia porque o Ministério Público é a PIDE da democracia.

apenas um

Se o Ministério Público quisesse fazer justiça, e não política, não produziria um despacho de acusação de quatro mil páginas, 28 arguidos e 167 crimes imputados.

Faria de modo muito diferente.

Por exemplo, em relação ao Eng. Sócrates, ao qual são imputados 31 crimes, escolheria um desses crimes - apenas um.

Qual?

Aquele para o qual tivesse as provas mais sólidas e irrefutáveis.

Depois, produziria um despacho de acusação de vinte ou trinta páginas anexando as provas relativas a este crime.

"Deste não escapas!".

E só depois, eventualmente, seriam produzidas as outras acusações.

Ora, aquilo que o Ministério Público fez foi dar tiros para o ar, 31 a ver se acertava no Eng. Sócrates, 136 a ver se acertava nos outros arguidos.

O Ministério Público não anda a fazer justiça. Anda a fazer política, e a pior das políticas, porque vem disfarçada de justiça. A consequência é arruinar a credibilidade da justiça, ainda mais do que ela já está.

12 outubro 2017

judicial clownery

Confia nos indícios.

Ao fim de tanto tempo, era de supor que tivessem arranjado provas.

Mas não. São só indícios.

Em Março, a coisa já ia assim.

O processo Sócrates contém os crimes de papel (cf. Capítulo 21 aqui) que põem em delírio os funcionários do Ministério Público: 4000 páginas de acusação (*), 91 volumes, milhões de ficheiros informáticos. (Milhões!).

E o que dizer dos milhares de horas a escutar a vida privada das pessoas? Deve cá dar um gozo...

No total, são imputados 167 crimes aos arguidos. Isto, de facto, à dúzia, é mais barato.

Pois eu, que sou um santinho, somente por um comentário televisivo, apanhei com três.

Por acaso, os arguidos do caso Sócrates tiveram muita sorte porque na equipa de procuradores não estava o magistrado Tony Meadow. É que com o Meadow lá metido, o Sócrates também teria sido incriminado por apropriação indevida de nome de filósofo e o Ricardo Salgado por excesso de sal no nome.

In this Reuters photo you can see Tony Meadow producing crimes at his factory in Matosinhos.

In this other Reuters photo you can see how Peter Throw's donkey, named Castro, received the news of the four-thousand-page indictment (with millions of computer files attached) of philosopher Socrates, banker Richard Salted and their accomplices for their 167 crimes, each bearing a prison sentence.

"What a judicial clownery!...", exclaimed Peter Throw in estrangeiro because in Portuguese "Que palhaçada judicial!..." is a crime if Meadow is around.  (And he is really around, in Matosinhos, while Throw is secretly in Oporto visiting his wife to file the Tax return).

But, definitely, this week great Portuguese hero is prosecutor-in-chief Rosary (how nice his sun glasses). He promises 15 more mega-investigations: 15 times 4000 pages is 60 000 pages, so that we can enjoy criminal literature for the rest of our lives.


(*) Uma página A4 mede 29 cm. Já se imaginou a ler um texto com 1160 metros de extensão (4000x29 cm)?

11 outubro 2017

4000

Impressionante: 4000 páginas.

Que bem empregado foi o dinheiro dos contribuintes ao longo de 4 anos: 4000 páginas.

Qual é o ser humano, qual é o juiz capaz de ler um documento de 4000 páginas (mais outras tantas que se esperam da defesa) ainda por cima escritas em burocratês judicial?

Daqui não vai resultar Justiça nenhuma, vai resultar a impossibilidade de se fazer Justiça.

O Ministério Público, mais do que qualquer outra pessoa ou instituição, tem contribuído para destruir a Justiça em Portugal.

08 outubro 2017

de meios

A democracia partidária é um regime político de meios, não de fins. Trata-se de um regime político que define um conjunto de regras - um enquadramento - dentro do qual cada pessoa, sozinha ou em grupo, é livre de definir os fins que se propõe atingir na vida, e prossegui-los.

É ao contrário o regime político que emana da Igreja Católica - em reacção ao qual o anterior surgiu - e que tem como arquétipo precisamente a organização política do Estado do Vaticano. Este é um regime político de fins - o Bem, a Verdade, a Vida, a Justiça, etc., que são as várias manifestações de Deus. Neste regime existe um homem que, em cada momento e em cada circunstância, interpreta estes valores e os impõe à comunidade.

(É preciso salientar que mesmo neste regime, a adesão à comunidade é voluntária e, por isso, a Igreja sempre se opôs ao esmagamento das comunidades nacionais que resultaram da emergência do Estado-nação a partir do século XVI)

A Espanha viveu quase toda a sua história sob este último regime. Mas já não vive. Vive em democracia partidária e, sob este regime, os catalães têm toda a legitimidade para decidirem viver de forma independente do resto de Espanha e ninguém tem que se lhes meter no caminho.

Que o façam através de um referendo é uma homenagem que eles prestam à democracia já que a esmagadora maioria dos países independentes que hoje existem no mundo não o fizeram por via democrática e referendária (v.g., Portugal).

O primeiro-ministro Mariano Rajoy - suportado por aqueles que o apoiam - deve julgar que é um rei absoluto ou um Franco. Mas não é. As regras do jogo agora são outras. Ele ainda não meteu isso na cabeça e ainda acabará a gerar violência.


as tropas

Um dos maiores choques culturais que tive quando fui viver para o Canadá aconteceu logo no segundo ano quando, em 1980, foi organizado um referendo sobre a independência do Québec.

Existiam algumas semelhanças com a situação da Catalunha de hoje. Também no Governo Provincial do Québec estava um partido independentista, o Parti Québecois. No Governo Federal em Ottawa estava o Partido Liberal (centro-esquerda) do primeiro-ministro Pierre Trudeau, pai do actual primeiro-ministro canadiano.

E o que é que mais me impressionou?

A urbanidade de comportamento de todos os canadianos perante a decisão que iria ser tomada no Québec, que é a maior província do Canadá representando mais de um terço da sua população.

A atitude era: "Decidam lá isso e far-se-á de acordo com a vossa vontade".

E o que é que me chocou?

Eu próprio quando me pus a questão: "Se isto fosse em Portugal e  a Madeira, por exemplo,  quisesse organizar um referendo sobre a independência, o que é que aconteceria?"

A resposta veio pronta, e era uma resposta que eu próprio subscreveria na altura: "O Governo de Lisboa mandava para lá as tropas".

Como explicar a  diferença de atitudes?

Era uma diferença cultural. Eu vinha de um país com uma cultura absolutista de muitos séculos e a maior parte da minha própria vida, na altura, tinha sido passada sob um regime político que tinha muito de absolutista.

Os canadianos, pelo contrário, pertenciam a um país que já nascera democrático e que herdara da nação-mãe - a Grã-Bretanha - uma tradição democrática de séculos.

Acabei por me render à evidência. Democracia, no caso concreto,  era aquilo que eu via, e não aquilo que eu pensava.

Foi uma lição que, quase quarenta anos depois, o primeiro-ministro Mariano Rajoy parece nunca ter  aprendido. É que ele está pronto a mandar as tropas para a Catalunha.

Vai-lhe sair mal. A independência da Catalunha é agora inevitável. Nada a pode parar - excepto o fim da democracia e o regresso do absolutismo.


07 outubro 2017

semana

Posts mais lidos da semana:

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abogados del estado

Mr Rajoy’s government is stuffed with abogados del estado—state lawyers who form an elite bureaucratic corps—but is short of politicians and communicators.

Pois, só com os abogados del estado o Governo de Madrid não vai conseguir chegar a lado nenhum.

Os abogados del estado - conhecidos entre nós como magistrados do Ministério Público - são a PIDE da democracia: podem prender sem culpa formada, podem perseguir pessoas por delito de opinião, podem devassar a vida dos cidadãos, podem confiscar-lhes a propriedade, podem arruinar a sua reputação para a vida. Podem tudo, que nada lhes acontece.

06 outubro 2017

Catalunha

Fico surpreendido quando vejo pessoas que eu aprecio como opinion-makers, como é o caso do Rui Ramos, exprimirem opiniões como esta.

Mas, então, os catalães não têm o direito de se pronunciar se querem viver juntos ou separados de Espanha?

Mas, então, aquilo que foi bom para nós, portugueses - a separação de Espanha-, é mau para os catalães?

Mas, então, a democracia partidária (está no nome: partidária, de partir) não é precisamente o regime que encoraja a partir (a comunidade), a separar?

Tenho muita dificuldade em compreender os democratas que se opõem ao referendo na Catalunha e - sendo Sim a resposta -, à sua independência. São os democratas da paulada.

Invocar a Lei - incluindo a Constituição - como argumento é irrisório, porque numa democracia partidária "A Lei é aquilo que a gente quiser". E "gente" define-se também como "aquilo que a gente quiser" (os catalães definem-na à sua maneira - são eles)

Quanto a essa do Estado de Direito é uma das maiores patranhas da modernidade (só podia ser uma invenção do protestantismo alemão). O Estado de Direito é o estatuto político que substitui a Bíblia pela Constituição e os padres pelos juristas. Mal por mal, eu prefiro a Bíblia e os padres porque já cá andam há mais tempo e os padres não têm famílias para sustentar.

chamava-se Luís

Por uma razão qualquer que eu desconheço, o post hoje mais lido neste blogue é um post que eu escrevi fez ontem exactamente quatro anos.

Já não me lembrava dele. É bom para mudar de assunto.

E também para nos lembrarmos que há coisas na vida que precisam de ser feitas e que não podem esperar porque a vida é precária e a qualquer momento nos podemos sentir arrependidos e mesmo culpados de não as ter feito.

O post é este.

05 outubro 2017

de Lisboa

Não aceito que o presidente do Hospital de S. João, desde que tomou posse (Fevereiro 2016), tenha passado todo este tempo (20 meses) a obstruir uma obra de mecenas, em prejuízo das crianças internadas no seu próprio Hospital, e que ao fim deste tempo todo tenha de vir de Lisboa o Ministro da Saúde dar-lhe ordens para ele cumprir aquilo a que o seu Hospital está vinculado em documento assinado - desimpedir o espaço para que a obra do Joãozinho possa prosseguir.

Este homem tem de se demitir. Ou então tem de haver alguém que o demita.

Esta é uma história de arrepiar, em que as principais vítimas são as crianças internadas no HSJ,  e cujos contornos eu próprio só vou descobrindo com o desenrolar do tempo.

2 de Novembro de 2015. É iniciada a obra com o HSJ a desocupar velhas construções existentes no local e a construtora a avançar com os trabalhos de demolição. Neste dia é também assinado um protocolo mediante o qual o HSJ cede à Associação Joãozinho por três anos (renovável) o espaço da obra, destinado à construção da nova ala pediátrica.

11 de Dezembro de 2015. A Associação Joãozinho, que é o Dono da Obra, recebe a informação da construtora de que o HSJ parou os trabalhos de desimpedimento do espaço. O Serviço de Sangue, instalado numa construção térrea no perímetro da obra (e destinada a ser demolida) continua por desocupar. A manter-se a situação - avisa a construtora - os trabalhos irão parar dentro de pouco tempo.

Neste momento o novo Governo do Primeiro-Ministro António Costa tinha entrado em funções há duas semanas e no HSJ continua em exercício a administração do Professor António Ferreira. Fico na dúvida se foi a administração do Hospital ou o novo Ministério da Saúde que deu a ordem para parar o desimpedimento do espaço e boicotar a obra. Inclino-me para a segunda alternativa (que viria a provar errada)

Fevereiro de 2015. Entra em funções a nova administração do HSJ, presidida pelo Dr. António Oliveira e Silva, médico da mesma especialidade (medicina interna) do Professor António Ferreira e seu amigo pessoal.

Março de 2016  A construtora informa, por carta, a Associação Joãozinho de que se viu forçada a parar os trabalhos por falta de frente-de-obra (O Serviço de Sangue continua por desocupar).

Actuo repetidamente junto do novo presidente do HSJ para que cumpra o protocolo assinado e desimpeça o espaço a fim de que a obra possa continuar.  Sem resultado. Actuo também junto da tutela - Ministério da Saúde -, na pessoa do Secretário de Estado Manuel Delgado (e do seu chefe de gabinete, Dr. Poole da Costa), para que pressione a administração do HSJ a cumprir o protocolo que assinou e a desimpedir o espaço. Nenhum resultado. Durante todo este período, continuo inclinado a pensar que foi o Ministério da Saúde que deu ordem para paralisar a obra.

27 de Setembro de 2017. Num almoço de trabalho com o Ministro da Saúde pergunto-lhe directamente se foi ele ou alguém do Ministério que deu ordem ao HSJ para parar os trabalhos de desimpedimento do espaço e inviabilizar a obra. A resposta foi espontânea e genuína: "Não". A tal ponto que, perante os presentes, o Ministro da Saúde dá instruções ao presidente do HSJ para desimpedir o espaço (Por outras palavras: "Cumpra aquilo que o seu Hospital assinou"). Só nesse dia eu pude chegar à verdade da situação.

Conclusão: É a administração do HSJ  - e não o Ministério da Saúde - que desde há quase dois anos anda a inviabilizar a obra - uma obra que ela própria pediu à Associação Joãozinho para realizar e para a qual prometeu colaboração. Na realidade, tem sido o seu maior impedimento.(Sem este impedimento, por esta altura, e de acordo com o plano original, a obra estaria a entrar na sua fase final. Assim, está ainda quase tudo por fazer, à excepção dos primeiros trabalhos de demolição). (*)

Só vejo uma pessoa em exercício e responsabilizável por tudo isto: o actual presidente do HSJ, já que ao anterior é difícil ir agora pedir responsabilidades.


(*) Vou agora ter de corrigir algumas injustiças de julgamento que cometi no meu livro Joãozinho em relação ao Secretário de Estado Manuel Delgado e ao seu chefe de gabinete, Dr. Poole da Costa. Eles terão feito aquilo que lhes pedi mas não foram atendidos.

convicção e certeza

Éramos seis pessoas à mesa.

Quando me sentei para almoçar, tinha a convicção de que o principal inimigo da obra do Joãozinho estava sentado à minha frente - era o Ministro da Saúde.

Quando terminei o almoço, tinha a certeza de que o principal inimigo da obra do Joãozinho estava sentado à minha direita - era o presidente do Hospital de S. João. (E que o Ministro da Saúde não tinha nada que ver com a paralisação da obra ao longo do último ano e meio).

Talvez por isso agora ele não tenha cara para me falar.

04 outubro 2017

vogal

Eu creio que a actual administração do HSJ se demitirá em breve, e vai fazê-lo por causa do Joãozinho.

Quando a nova administração for nomeada, vou oferecer-me ao Ministro da Saúde para fazer parte dela, na condição de vogal, somente com o pelouro de realizar a obra do Joãozinho por via mecenática.

Não aceitarei qualquer remuneração.

abanam a cabeça

-Então, mas o Continente não pagava a obra ?...

-Sim ...pagava metade da obra... mas o Estado não quer...

-Não quer!?...

-Não...não quer... não quer com Continente nem sem Continente...não quer!...


As pessoas ficam a olhar para mim com um sorriso de incompreensão, abanam a cabeça e vão-se embora.



PS. Eu devo agora ser mais específico. Quem não quer é a administração do HSJ. Porque o Ministro da Saúde quer (como o anterior também queria).

um carácter subversivo

Claro que existe um carácter subversivo ou revolucionário na obra do Joãozinho que tem sido a origem de muitas das suas dificuldades, e que se exprime assim:

Se nunca ninguém se tivesse posto à frente - em primeiro lugar e principalmente, a administração do HSJ - a obra do Joãozinho, no valor de vinte milhões de euros, estaria pronta e paga no prazo da sua execução (dois a três anos). E isto sem o Estado gastar um cêntimo.

As pessoas não deixariam de se interrogar: "Que milagre é esse?".

O Centro Materno-Infantil do Norte, recentemente inaugurado - e que é, por assim dizer, a pediatria do Hospital de S. António - demorou 35 anos a fazer pelo Estado e custou muitos milhões de euros aos contribuintes. E quanto à ala pediátrica do HSJ, já se fala nela há pelo menos vinte anos.

A própria administração do HSJ teve a tutela do projecto Joãozinho durante cinco anos. Quando chegou a altura de transferir para a Associação o montante de fundos angariados durante esse período, transferiu 549 mil euros.  A este ritmo, demoraria 182 anos a angariar os vinte milhões necessários para depois fazer a obra.

Dois meses depois de começar a trabalhar no Joãozinho enviei um e-mail a uma colaboradora do Professor António Ferreira e, se estou recordado, a ele próprio, com a mensagem seguinte: "Pensem já no próximo projecto porque este vai ser muito fácil"

É claro que o argumento do projecto Joãozinho é, talvez, o melhor argumento que se pode ter para um projecto mecenático - crianças doentes. Ninguém deixa de estender a mão a uma obra destas, um hospital para crianças. Por isso, logo depois de estabelecer os primeiros contactos, eu me convenci que seria fácil demais.

Na cultura do Estado e da administração pública, o dinheiro pré-existe à obra. Nada é começado sem o dinheiro estar orçamentado e afectado a esse fim. Ora, aquilo que eu me propunha (e proponho) fazer é pôr a obra à frente do dinheiro, porque com a obra a andar é mais fácil obter dinheiro para a pagar. Ora, isto é um choque para a cultura burocrática do Hospital de S. João.

Existe outro choque. No sector público, todas as obras desta natureza se fazem com dinheiro. Ora, eu proponho-me fazer uma parte da obra com contribuições em espécie, aproveitando a proximidade das numerosas empresas industriais da região Norte. Para uma empresa, sobretudo se está em dificuldades financeiras, é mais fácil contribuir com os seus materiais e os seus produtos do que com dinheiro.

Mas a melhor ideia que tive - genial, na opinião do ex-secretário de Estado Manuel Teixeira, também ele economista - foi a de associar um negócio de massa ao projecto mecenático do Joãozinho. Ter ali um Continente-Joãozinho a espargir permanentemente dinheiro para alimentar a construção de um hospital de crianças é uma ideia que ainda hoje me faz delirar.

Ainda por cima, tornando a obra mecenática  inclusiva, fazendo participar o Estado através de uma contribuição em espécie - a cedência de um pedaço de terreno que não tem utilização útil. Esta não seria uma obra da sociedade civil contra o Estado. O Estado também pode participar.

Finalmente, a questão das construtoras. Quem vai fazer a ala pediátrica do HSJ são as empresas cujos presidentes mais gostaram da obra e mais se ofereceram para dar de variadas maneiras em benefício dela. Sinto uma imensa gratidão pelo presidente da Lucios e pelo presidente e ex-presidente da Somague. Ainda hoje permanecem firmes à espera que eu resolva todos os impedimentos para que as suas empresas se possam lançar de novo ao trabalho. As crianças estão à espera.

É claro que tudo isto é subversivo para a cultura burocrática que prevalece no HSJ e instituições afins, em que o dinheiro cai do céu (Ministério das Finanças), os concursos públicos internacionais chegam a demorar anos, mais as hordas de consultores (técnicos, jurídicos, etc.) que normalmente acompanham uma obra destas e a tornam ainda mais cara.

É uma obra subversiva para a cultura burocrática do HSJ. Mas não para as crianças que lá estão internadas. Porque essas não querem burocracias, querem espontaneidade. A espontaneidade que a saúde dá.




choque de culturas

Resolução do Conselho de Administração do Centro Hospital de S. João, EPE

O projecto "Um Lugar para o Joãozinho", visando a construção da ala pediátrica do Centro Hospitalar de S. João - Hospital Pediátrico Integrado, atingiu um nível de notoriedade que o torna irreversível. Importa, por isso, encontrar métodos de agilizar os processos e incrementar a angariação de fundos que permitam a concretização da obra. O início da construção da ala pediátrica constituirá uma forma de incentivara  notoriedade e facilitar a obtenção dos meios adicionais necessários.

O Exmo. Senhor Professor Doutor Pedro Arroja, personalidade de reconhecido mérito académico, profissional e social, disponibilizou-se para criar uma associação sem fins lucrativos, de carácter humanitário, que tenha como objectivo a concretização do Hospital Pediátrico Integrado.

O Conselho de Administração do Centro Hospitalar de S. João congratula-se com a proposta apresentada. decide apoiá-la e considera-a de extrema utilidade para a prossecução dos objectivos estratégicos e assistenciais desta unidade de saúde.

Finalmente, considera que uma vez constituída a referida associação, deve propor a assinatura de um protocolo que formalize e regule as relações entre as duas entidades e estabeleça o modo como se concretizará o apoio do Centro Hospitalar à associação que vier a ser criada.

Porto, 13 de Dezembro de 2013
Presidente do Conselho de Administração
Prof. Doutor António Ferreira


Como é que se passa daqui para a situação que vivi ontem em que o Presidente do HSJ, Dr. António de Oliveira e Silva, me dirige um e-mail dizendo que não falará mais comigo, quer em termos pessoais quer em termos profissionais?

Como decorre do meu livro Joãozinho (vol. I) creio que existem dois momentos definidores que ocorrem ambos ainda sob a administração do Prof. António Ferreira (de quem o Dr. Oliveira e Silva é amigo e colega de especialidade, e a quem sucedeu em Fevereiro de 2016).

O primeiro, ainda no início de 2014, é quando a administração do HSJ se apercebe que a Associação Joãozinho lhe vai entregar a obra, e não dinheiro.

O segundo ocorre um ano depois, no início de 2015, quando a administração do HSJ se apercebe que nunca controlará a Associação Joãozinho, não apenas porque a lei não lho permite fazer mas também pela personalidade do presidente da Associação.

Desde aí inicia-se o boicote por parte da administração do HSJ à actividade mecenática da Associação em favor das crianças internadas no HSJ, e que dura até hoje - passaram, entretanto, mais de dois anos e meio.

A racionalidade do Joãozinho para a administração do HSJ, era uma racionalidade assente no dinheiro e no poder. Para a Associação é uma racionalidade assente no amor (caridade).

É este choque de culturas que está em jogo, entre, por um lado o Estado - onde prevalecem relações de dinheiro e de poder,  frequentemente um reforçando o outro - e, por outro lado, a Associação Joãozinho - onde prevalecem relações de caridade.

Na nossa cultura cristã e europeia, existe uma hierarquia destas relações. As relações de caridade (amor) precedem as relações de dinheiro e estas as relações de poder. Nós não existimos por virtude do dinheiro ou do poder. Existimos por virtude do amor de uma mulher (a qual poderia ter acabado connosco ainda antes de nascermos).

Por isso, a Associação Joãozinho acabará por prevalecer.

o último obstáculo

Há dois dias enviei ao presidente do Hospital de S. João o seguinte e-mail:


Caro Dr. Oliveira e Silva,

No seguimento da nossa conversa da passada Quarta-feira com  o Senhor Ministro da Saúde, venho pedir-lhe que:

a) logo que possível me confirme a disponibilidade do espaço e o recomeço da obra para 30 de Outubro, conforme ficou tentativamente acordado, a fim de que eu possa fazer os arranjos necessários com a construtora;

b) à sua conveniência, me indique uma data para reunirmos com a construtora a fim de que esta tome conhecimento das alterações ao projecto inicial do hospital pediátrico.

Muitos cumprimentos.

Pedro Arroja
Presidente
Associação Humanitária "Um Lugar para o Joãozinho" 


Respondeu-me dizendo que não falaria mais comigo nem em termos pessoais nem em termos institucionais.

Não fiquei inteiramente surpreendido. É a maneira - talvez a última maneira - de boicotar o recomeço da obra previsto para 30 deste mês. Tem sido assim continuamente.

Ficou amuado por o Ministro da Saúde não lhe ter dado aquilo que queria e, pelo contrário, tê-lo obrigado a cumprir aquilo a que o HSJ está vinculado - desimpedir o espaço para que a obra conduzida pela Associação Joãozinho possa prosseguir.

Perdeu a face. Só lhe resta uma saída. Sair da frente. Demitir-se. É mesmo o último obstáculo no caminho do Joãozinho.

03 outubro 2017

o maior obstáculo

Quem ler este livro provavelmente vai chegar à conclusão que o autor quis transmitir.

Que o grande obstáculo, o maior obstáculo de todos à realização da obra do Joãozinho tem sido a administração do Hospital de S. João - a anterior e a actual.

Hoje recebi sinais de que este obstáculo pode estar em vias de sair do caminho porque aparentemente não gostou da decisão do Ministro da Saúde tomada a semana passada, que foi a de lhe dar instruções para que cumpra o protocolo que assinou e desimpeça o espaço, a fim de que a obra possa prosseguir.

02 outubro 2017

Mr. Of with a big O

According to the city of Oporto President, one of the great losers of the day was Mr. Paul Arthur Of Saints Castro Of Fields Rangel (*), also known as Mr. Of with a big O.

(A class-action is under consideration before the UN Court for the Rights of Man - see chapter 93 of this book)

Peter Throw was right, he is a second-rated politician

Poor little Paul ... he is such a sensitive man... he should be very depressed.

Well... Perhaps Throw will pay him 50 thousand bucks to make him happy.

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(*) Oh...my God! I just noticed he is also a Castro.

Let me take the opportunity to submit my readers to a little quizz.

In this novel there are four Castro's. They show up, respectively, in chapter 34, chapter 39, chapter 88 and chapter 104

Now, pick up the right answer:

A) The four Castro's belong to the same family.
B) Only three of the four Castro's belong to the same family.
C) Only two of the four Castro's belong to the same family.
D) None of the four Castro's belongs to the same family.

Only the right answer will be published.