24 setembro 2008

nunca terão


O João Miranda, que tem sido o principal dinamizador na blogosfera da discussão acerca da actual crise financeira, trata neste post da questão da previsibilidade da crise. Eu gostaria de relacionar esta questão com o tema da opinião pública em Portugal que levantei brevemente neste post.

É claro que houve economistas que previram a crise e foram vários em todo o mundo. Por exemplo, este. Prever uma crise grave, como esta, é importante porque permite às pessoas tomarem acções preventivas que as defendam dela.
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O problema em Portugal é que, sobre a actual crise financeira, ou sobre outro qualquer assunto, as pessoas não ouvem e não dão importância a especialistas que sejam independentes. Os portugueses só ouvem e dão importância aos especialistas que pertencem ao governo ou, pelo menos, a algum partido político - isto é, àqueles que têm alguma forma de poder - embora esta seja precisamente a situação em que os especialistas passam a ter poderosos incentivos para omitirem a verdade, senão mesmo mentirem às pessoas.

A atitude cultural implícita é a de que "a palavra de quem não tem poder não conta", uma atitude que está nos antípodas de uma cultura democrática que os portugueses não têm e que - cansado de esperar por ela - eu vaticino que nunca terão.

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