(Continuação daqui)
458. No dia seguinte
O acórdão do Tribunal da Relação do Porto que foi conhecido esta semana (cf. aqui) foi muito importante para mim. Pôs fim a dez anos de um sentimento de profunda injustiça, vivido todos os dias sem excepção.
Eu não vou agradecer aos juízes que o subscreveram - Isabel Matos Namora, William Themudo Gilman e Maria Dolores da Silva e Sousa - porque eles apenas cumpriram a sua missão de fazer Justiça. E não fosse o recurso a um tribunal internacional como o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, eles nem sequer teriam sido chamados a fazer justiça. Eu ficaria injustiçado e criminoso para a vida num caso de ostensiva perseguição pessoal e política usando o processo penal.
Este sentimento de injustiça que habitou em mim ao longo dos últimos dez anos, exprimi-o de várias formas, a mais numerosa de todas neste blogue, a mais pública de todas na minha adesão ao Chega. Para mim, que sou economista, o mais importante problema da sociedade portuguesa é a Justiça, e eu tinha sido vítima da sua corrupção, agora confirmada neste acórdão.
Num post de 2021, sob o título "Por que vou votar no André Ventura" (cf. aqui) expliquei que era a Justiça que me levava a apoiá-lo, porque ele tinha prometido uma "profundíssima reforma da justiça" se conseguisse vencer na política. Pouco depois, fui mandatário nacional do Chega às eleições de 2022, e autor do seu programa de Economia, na mesma expectativa, a de uma "profundíssima reforma da justiça".
Mais recentemente, declarei com toda a clareza que foi a condenação criminal de que fui alvo (e que agora foi revertida) que me levou a ir mais longe, tornando-me mesmo militante do Chega (cf. aqui).
Durante todo este tempo, eu fui alimentando o caso neste blogue e na comunicação social que era um caso paradigmático de corrupção da justiça, e que poderia servir de leitmotiv para a profundíssima reforma da Justiça que o Chega prometia. Na minha perspectiva, era um presente servido em bandeja de ouro ao Chega.
Pois bem, uma semana depois de ser conhecido o acórdão do Tribunal da Relação do Porto, nem uma palavra do Chega. Não incomoda em nada o Chega ter a Ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros um criminoso que utiliza o sistema de justiça para caluniar, extorquir, atentar contra o mais fundamental dos direitos de um Estado Democrático de Direito - o direito à liberdade de expressão - e que, ainda por cima, consegue enriquecer à custa disso (cf. aqui). O Chega tem assuntos mais importantes para o país.
Nada a criticar. Eu vou apenas dizer que, se até ao dia 12 de Outubro, o Chega não levantar publicamente o assunto da corrupção da Justiça que envolve uma importante figura do Governo - na realidade a segunda figura mais importante do Governo -, eu vou cumprir a minha promessa de, nesse dia, votar no Miguel Corte Real para a presidência da Câmara Municipal do Porto (cf. aqui).
Mas vou deixar de acreditar no Chega para fazer aquilo que eu julgo ser o mais importante para Portugal - a reforma da Justiça. E, no dia seguinte, renuncio à condição de militante do Partido.
(Continua acolá)

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