Chega, IL e a Bússola Libertária: Quem Segue o Norte?
Os princípios libertários podem funcionar como uma bússola política, apontando na direcção do respeito pela vida e pela liberdade (expus essa hipótese neste post).
Pergunto agora: quais são os partidos que mais podem beneficiar dessa orientação?
A resposta é bastante clara. Em primeiro lugar, os partidos populistas, representados em Portugal pelo Chega; num segundo lugar, bem mais distante, os liberais, representados pela Iniciativa Liberal.
Os populistas reivindicam representar a vontade do povo — nua e crua, bruta, muitas vezes irresponsável e contraditória, mas também enraizada na cultura e nas tradições. Exemplos? Querem pagar menos impostos, mas exigem mais serviços públicos; querem escolas e hospitais privados, mas pagos pelo Estado; exigem mais empregos, mas impõem o salário mínimo; falam de meritocracia, mas vivem das cunhas. A lista seria interminável.
Um partido como o Chega poderia usar o libertarianismo como critério de orientação: uma ferramenta para decidir que propostas políticas priorizar. Sobrecarregar o Orçamento de Estado, agravando o esforço fiscal, é, evidentemente, contrário aos princípios libertários.
Coloco os partidos liberais num distante segundo lugar porque, apesar de conhecerem os imperativos da liberdade e do respeito pela propriedade privada, acabam por se submeter ao sistema. Comprometem princípios que deveriam ser inegociáveis, na esperança de suavizar a corrupção dos apparatchiks. Sabem que estamos a ser roubados, mas suplicam, de chapéu na mão, que o roubo seja mais moderado.
A bússola libertária não é tão necessária aos liberais: eles sabem onde fica o “Norte”; o problema é que acreditam que podem lá chegar caminhando para Sul e dando a volta ao planeta. Para os liberais, o libertarianismo serve mais como lembrete de que a distância mais curta entre dois pontos é uma linha recta — e que andar “à volta do bilhar grande” é pura perda de tempo.
Como bússola política, o libertarianismo pode conquistar um papel relevante no debate partidário. O que deve evitar a todo o custo é afundar-se no lodo da política programática.
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