03 maio 2025

A Bússola: do Cristianismo ao Libertarianismo


 

A BÚSSOLA


Todas as sociedades precisam de uma bússola — um indicador que aponte a direção mais correta a seguir, tanto do ponto de vista coletivo como individual.


Durante séculos, o Cristianismo desempenhou esse papel, instigando a sociedade a procurar a Verdade (Deus), a vida e a imortalidade — por obra e descendência.


À luz do Catecismo, essa bússola condenava, por exemplo, o aborto, a usura, a falsidade e a eutanásia. Era fácil distinguir os que prosseguiam o Bem daqueles que enveredavam pelo Mal.


Com a laicização do Estado, após a Revolução Francesa, a bússola cristã apagou-se, e parece que as sociedades ficaram à deriva — sem destino, sujeitas aos líderes do momento ou à ditadura das maiorias.


Na minha opinião, o libertarianismo, por se fundamentar no ius naturale de Santo Agostinho — o Direito Natural — pode tornar-se esse instrumento fundamental, essa nova bússola que nos aponte o caminho certo. Certo, porque afirma o direito inalienável à vida; e errado seria o caminho da morte, se realmente pretendermos alcançar o futuro.


Os direitos à liberdade, à propriedade e à busca da felicidade são corolários desse direito à vida — e sine qua non, pois sem eles a vida torna-se indefesa.


As guerras perpétuas, a perseguição política, a censura, a violação da integridade física, o esbulho fiscal e a aplicação discricionária da lei não passariam no crivo do libertarianismo — e seriam, desde logo, denunciados como pecado, como Mal.


Conta-se que um jovem peregrino encontrou Confúcio numa bifurcação da estrada. De imediato, perguntou-lhe com reverência:


— Mestre, que estrada devo tomar, a da esquerda ou a da direita?

Confúcio terá inquirido:

— Para onde pretendes ir?

— Não sei, mestre...

— Então, tanto faz! — terá respondido Confúcio.


Sem uma bússola, vamo-nos encontrar muitas vezes na posição deste jovem: sem saber que caminho tomar. O libertarianismo pode ser essa bússola.

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