21 setembro 2014

ouviu-me em silêncio

Uma cultura católica é uma cultura de tudo. Há de tudo, há sempre um caminho para se chegar a um certo fim. É preciso é procurá-lo. Acabará por se encontrar com certeza.

Foi assim que desde Janeiro eu me dediquei a procurar esse caminho, um caminho que libertasse Portugal deste regime político que nos sufoca e nos envergonha, que destruiu as instituições - a justiça, a economia, a protecção da velhice, a própria família -, e que não tem futuro nenhum. E um caminho que fosse pacífico, que tivesse o consentimento dos portugueses.

No final de Junho, depois de muito silêncio, telefonei ao Joaquim:

 "Joaquim, estou a pensar em candidatar-me a Presidente da República no próximo ano.
   O meu programa eleitoral é simples e que anunciarei claramente a todos os portugueses:
   1. Só ocuparei o cargo durante três anos (e não pelos cinco do mandato) e sairei para nunca mais  ocupar nenhuma função pública.
   2. Declararei imediatamente o estado de emergência económica e financeira do país e suspenderei a Constituição e os partidos políticos, governando com plenos poderes.
   3. O meu programa de governo só tem um objectivo - o bem comum (não me perguntem por medidas particulares porque essas serão tomadas conforme as circunstâncias da altura e obedecendo a este critério).
   4. Nesses três anos, restauro as instituições e o crescimento económico e elaboro uma nova Constituição conforme às tradições portuguesas (que incluirá partidos políticos, embora com outro nome e outro arranjo organizacional que os fará concorrer para o bem comum). Esta Constituição será sujeita a referendo.
   5. A nova Constituição prevê a restauração da Monarquia, uma das maiores tradições portuguesas. Ao fim de três anos, renuncio ao cargo de Presidente da República e o D. Duarte Pio de Bragança reassume o Trono de Portugal. Estabeleço com ele um acordo verbal de que só reinará durante três anos, ao fim dos quais abdica a favor do seu filho Afonso. Será o "começar de novo" para Portugal".

O Joaquim ouviu-me em silêncio.

Se perder?

Não há problema nenhum. Quem dá o que tem...

Uma colaboradora minha, a quem antes tinha exposto a mesma ideia, respondeu-me: "O Professor ainda leva mas é um tiro na cabeça..."

E eu fiquei a pensar: E qual seria o problema?

27 comentários:

manel z disse...

Restaura o crescimento económico? Carrega no botão e o crescimento económico aparece.

Bmonteiro disse...

Talvez seja a Economia que faz os presidentes, não um presidente que vai dar origem ao crescimento económico.

Anónimo disse...

Tem já o meu voto e o apoio que poder dar nas conversas nas cozinhas e na salas de jantar que poderei frequentar.

É um Homem.

Anónimo disse...

Revejo no seu projecto uma ínfima esperança de rejeitarmos o modelo importado que tão execráveis consequências tem vindo a gerar.
A Tradição Portuguesa é Católica.
A Instituição cuja legitimidade provém da Tradição é a Monarquia.
Com um programa de Governo assim teria o meu apoio.
Infelizmente o contágio do vírus Protestante será quase impossível de travar enquanto não houver uma crença geral de que esse Vírus É a Causa da Doença de padecemos.

Libertas disse...

Antes de tudo, PA terá de passar do Porto Canal para a TVI ou para a SIC.

Libertas disse...

PA teria sempre o meu voto e o da minha família.

zazie disse...

O Birgolino ouviu-o em silêncio.

Pois é. Foi pena não ter falado assim ao nosso reizinho. Se calhar dava uma gargalhada

":OP

O PA é que é o reizinho do Otto Soglow.

Anónimo disse...

Gostei do plano Pedro.

Euro2cent disse...

Bem ... as hipóteses são poucas, mas como toda a gente sabe, "million-to-one chances crop up nine times out of ten."

Se o PA está disposto a arriscar, que remédio temos nós senão dar o apoio que pudermos ;-)

Eu até nem tenho de ir lavar o cabelo nesse dia ...

José Lopes da Silva disse...

Também já tenho a minha resposta: ser o voto popular a legitimar D. Duarte Pio. De facto, ultrapassaria com estilo as facções do partido (pois é. O PA tem razão. O PPM não deixa de ser um partido) popular monárquico.

simon disse...

Era bom, mas inviável.
O povo vai mais em batatas e murros, ainda que mentirosos, mas ditos como verdades à vista.
E depois ainda há esperança.
O Governo está a trabalhar”
É engraçado, “governo está a trabalhar”… Hoje, a ação de “roubar” os mais fracos, trabalhadores e pensionistas, diz-se que é “trabalhar”. E o povo, por vingança, gosta, pois que diz ele, é aos outros, que se lixem.
E é muito bem visto !

http://www.ionline.pt/artigos/portugal/governo-esta-trabalhar-reducao-da-carga-fiscal

E Don Pio não vai lá, já, antes da última guerra, dentro em breve, que também dizem terceira.

E eu votaria em si, levado em sua proposta, mon cher Pierre Arroja, de toda a maneira .

Anónimo disse...

Deixa o vinho.

Pedro Sá disse...

Não existe a figura de "estado de emergência económica e financeira". Fora isso não pense que os outros órgãos lhe permitiriam fazer tal coisa.

Entretanto, e por curiosidade mórbida: qual é esse arranjo organizacional?

Rui Alves disse...

Então faça o favor de se despachar e encontrar 7499 pessoas dispostas a assinar pela sua candidatura. Não se preocupe em procurar a assinatura nº 7500 porque já a tem, será a minha.

mujahedin مجاهدين disse...

A questão aqui é mesmo o Rei.

Votar para reis é uma parvoíce. Os reis não são votados pelo povo, são aclamados.

Mas seria Duarte Pio - ou o filho, para o efeito - aclamado pelo povo?

E porque o seria?

Primeiro, não se vê em lado nenhum. Pessoalmente, não estou muito pelos ajustes de ter um indivíduo que apenas se conhece (bem ou mal, justa ou injustamente) das revistas cor-de-rosa, com uma atitude passiva perante o grave problema nacional, à espera que o ponham no trono. Também estou céptico em relação a certas opiniões que parece subscrever, nomeadamente acerca da legitimidade da guerra em África.

Que saia à rua. Calcorreie o país. Em cada recanto diga quem é e ao que vem. Com ou sem constituição.

O que me leva à questão da legitimidade. É Duarte Pio o legítimo herdeiro do trono português?
Poderá sê-lo por hereditariedade. Mas é esse o único critério? É esse o critério mais importante?

E faz sentido uma monarquia sem fidalguia? Uma monarquia onde todos são iguais? Se todos são iguais, porque há um que mais igual e manda?
Em que critérios se fundamentaria o reconhecimento e atribuição de um título desses?

Serviria e submeter-me-ia a um Rei português sem pestanejar. Mas um Rei a sério. Um Rei que chefiasse, não um personagem que é posto ou deposto conforme sopre o vento.

O Rei que tome o reino se acha que lhe pertence.

Se está à espera que lhe seja dado, então por mim pode esperar deitado. De mim não obterá senão desprezo.

A tradição monárquica não pode ser restaurada porque já não existe. Precisa de ser refundada.

Anónimo disse...

Este post e comentários diz-nos muito sobre o que é ser português, um fator que não tem nada a ver com ser católico ou protestante; apenas com maturidade. Em que outro pais, que não este, pessoas aparentemente cultas e razoáveis comentariam com tanta candura um post destes, aceitando discuti-lo e dando sugestões? Em paises como o Brasil, é natural apresentarem-se candidatos assim, mas mesmo aí poucas pessoas minimamente escolarizadas os levam a sério. Resta, é claro, uma multidão suficiente para os eleger para um lugar de deputado, dando-lhes alguma glória provisória. Por exemplo, se aparece um candidato a prometer acabar com a inflação por decreto, ou a dizer “em três anos mudo isto, elejam-me que depois penso como fazer”, alguém votará nessa pessoa, é óbvio. Noutros paises, coisas destas são remetidas para o baú das curiosidades, uma espécie de freak show da internet.
Ou os senhores estão afinal gozando com o professor Arroja, fingindo que o levam a sério?

mujahedin مجاهدين disse...

Em português escreve-se "factor". E "freak show" é língua bárbara.

Ora o senhor, se não é português, que tem que botar opinião sobre o que discutem ou como discutem os portugueses?

Vá lá para esses países botá-la a ver o crédito que lhe dão...



Camisa disse...

Louvo-lhe a coragem, não de ousar ser diferente, mas de estar disposto a assumi-lo publicamente num país como o nosso. Confesso que eu não seria capaz.

zazie disse...

O que mais é napoleões de hospício e nunca vi ninguém "louvar-lhes a coragem".

":OP

zazie disse...

Na volta tu não eras capaz porque já estás com a camisa

":O))))

Camisa disse...

Além disso parece que já estou a imaginar a esposa do PA a revirar os olhos a primeira vez que ouviu esta teoria, se bem que ela já adivinhasse ainda antes do PA onde isto iria parar!

mm disse...

Pedro Arroja, mas isto que você está aqui a tentar é coisa de massas, ou seja, cenas de protestantes (tipo Arroja can!).

Os homens providenciais da cultura católica não vêm das massas; são seleccionados pelos guardiões da tradição quando o meomento certo chega.

Ou sou eu que não tenho percebido nada?

Anónimo disse...

mm,

Você tem razão.
Eu devia ter acrescentado: "Mas só faço se me pedirem".
PA

Anónimo disse...



"Uma colaboradora minha, a quem antes tinha exposto a mesma ideia, respondeu-me: "O Professor ainda leva mas é um tiro na cabeça..."

Esperta, a rapariga. Ó senhor doutor, o senhor, que é tão inteligente e capaz de influenciar o povo, um verdadeiro homem providencial da elite, é melhor não manifestar as suas ideias em público, que há gente que se pode sentir ameaçada..."
Eu quero assim uma colaboradora. Eu acho que o joaquim já deve andar a rondar. "joaquim, você é um machão, ui, só por ser visto consigo as minhas amigas roem-se de inveja"

Vivendi disse...

"Os homens providenciais da cultura católica não vêm das massas; são seleccionados pelos guardiões da tradição quando o momento certo chega."

Ou assim o é ou nada.

Primeiro temos de encontrar os homens dispostos a proteger a tradição. Esqueça as massas.

Vivendi disse...

As elites procuraram Salazar. Hitler procurou as massas.

Vivendi disse...

Guardiões da tradição:

Igreja

Forças Armadas

Tribunais