28 outubro 2008

Nenhuma outra instituição


... Foi fatalidade da América Latina ser colonizada por um país que, embora admirável em muitos aspectos, começava na altura a rejeitar o espírito emergente do modernismo e a criar barreiras contra a afirmação do racionalismo, do empiricismo e do pensamento livre - isto é, contra as bases da sociedade industrial moderna e da revolução liberal, e do desenvolvimento económico capitalista.

Nenhuma outra instituição como a Igreja Católica contribuiu tanto para determinar aquilo em que a América Latina se tornou e aquilo em que ela não se tornou.

...A história da América Latina é o testemunho do falhanço do Catolicismo, por oposição ao Protestantismo, ou pelo menos da derrota da ética católica perante a ética protestante, a qual enformou o desenvolvimento dos Estados Unidos.

... A sociedade protestante da América do Norte parece mais cristã, ou talvez menos anti-cristã, do que a sociedade católica da América Latina. Ela exige dos seus seguidores um padrão de comportamento social que dita razoável boa-fé nos negócios diários, e nas relações interpessoais, e exige acção socialmente construtiva mesmo daqueles que estão na oposição.

A sociedade católica latino-americana satisfaz-se facilmente com as aparências: com a exibição de ser um bom pai, de se comportar bem, de possuír talento, honestidade, erudição, patriotismo; com a exibição exterior de radicalismo revolucionário ou de conduta sexual apropriada; com a exibição da religião. Ao mesmo tempo, esta sociedade impôs limites muitos estritos aos comportamentos socialmente permíssíveis. Apenas a influência norte-americana lhe permitiu em anos recentes ser mais tolerante em relação a padrões sociais não-conformistas.

A sociedade protestante norte-americana, em comparação, exige dos homens e das mulheres, muito mais estritamente, que façam prova daquilo que realmente são, em lugar daquilo que dizem ser. Esta exigência pragmática e do senso comum deu aos EUA o seu dinamismo, porque assegura um número constante de pessoas com experiência a desempenhar papeis dominantes em sectores chave da política nacional e do desenvolvimento.
(Carlos Rangel, The Latin Americans: Their Love-Hate Relationship with the United States, New York: H.B. Jovanovitch, 1977)

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