07 junho 2008

que fazer?

Esta semana a televisão passou uma reportagem sobre os velhos que as famílias abandonam nos hospitais. Penso que em Évora, mas o cenário bem se poderia passar em qualquer outro ponto do País. Depois de internados para tratamento de problemas agudos, quando chega a hora da alta as famílias não aparecem.

A reportagem mostrava alguns destes velhos. Acamados, por vezes com sondas diversas, estuporosos e sobretudo totalmente dependentes. É chocante pensarmos que foram abandonados pelas famílias, mas também compreendemos que as tais famílias não têm quaisquer condições para os terem em casa. Os hospitais fazem o que podem, mas também necessitam de libertar recursos para outros doentes e não há lares de terceira idade, para idosos com este elevado grau de dependência, em número suficiente.

Quando residia em Nova Iorque, visitei, por motivos profissionais, alguns lares para idosos com elevado grau de dependência. É uma experiência muito desagradável, são armazéns de mortos-vivos arrepiantes. Contudo, talvez sejam uma solução piedosa para estes casos. Num país rico, claro está!

E este é o problema essencial que me leva a escrever este post. Portugal não tem meios para tratar “condignamente” de todos os velhos que estão nesta situação. Se desviarmos recursos para esse fim, eles faltarão para outras prioridades. Isto é muito fácil de compreender quando se analisa o caso concreto de uma família que tem de optar entre cuidar dos velhinhos ou melhorar a habitação, trocar de carro, aulas de inglês ou de piano para os meninos, etc. É porem difícil de compreender em termos colectivos, porque todos desejam que os outros disponham dos seus recursos para tratar dos nossos velhinhos.

Num post anterior formulei a hipótese de que Portugal não está em condições de adoptar as políticas sociais dos países ricos do norte da UE. Ora o modo como tratamos dos velhos é um exemplo paradigmático desta situação. Se adoptarmos políticas sociais desfasadas do nosso grau de desenvolvimento económico, ficaremos sem meios para investimento e a nossa economia colapsará. De algum modo é isto que está a acontecer e que nos está a transformar numa economia submergente.

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