06 fevereiro 2025

O Muro da Vergonha (28)

 (Continuação daqui)




28. O muro espiritual


O Muro da Vergonha é a expressão concreta da diferença entre duas culturas, a cultura predominantemente protestante (WASP) da América do Norte e a cultura predominantemente católica da América Latina.

Mas esse muro real e concreto é apenas a expressão de um muro espiritual - feito de ideias, crenças e tradições - que lhe deu origem. Esse muro espiritual não existe somente entre os EUA e a América Latina, existe também em relação aos dois países europeus que mais levaram a cultura católica para a América Latina - Espanha e Portugal.

O meu propósito neste post é exemplificar esse muro espiritual.

Os ventos da América de Trump estão também a chegar à Europa e com toda a força, como, por exemplo, no sector da Defesa. O Presidente Trump já declarou que não se conforma que os encargos com a Defesa, em torno da NATO, sejam sobretudo financiados pelos EUA e que os países europeus não estejam a cumprir com a sua parte.

É o caso de Portugal que devia contribuir com 2% do PIB para a NATO e contribui apenas com 1,1%.

Esta é a primeira diferença que pretendo enfatizar entre a cultura protestante dos EUA e a cultura católica de Portugal. Em Portugal prevalece a cultura do safado, que não cumpre os seus compromissos, e que vive à conta dos outros - uma manifestação da "cultura dos pobrezinhos... coitadinhos" de que o Papa Francisco é um carinhoso intérprete.

Perante as ameaças de Trump, o primeiro-ministro português já veio declarar que sim, que é favorável ao aumento das contribuições dos países europeus para a NATO, incluindo Portugal (cf. aqui). 

Segunda diferença. A protestante América toma a liderança, ao passo que o católico Portugal, falho de iniciativa, muito menos liderança, segue a reboque, e frequentemente só depois de ser ameaçado. Só pega de empurrão.

Mas depois, o primeiro-ministro português acrescentou uma ideia francamente genial à ideia de cumprir os seus compromissos na NATO (2% do PIB, ou até mais, se for necessário). É a de que se crie no seio da União Europeia uma espécie de PRR para a Defesa. Quer dizer, Portugal está pronto a aumentar as suas contribuições para a NATO mas é com o dinheiro dos outros (cf. aqui).

A ideologia católica do pobrezinho sempre presente, a ideia de viver à custa dos outros, a cultura do safado ou chico-esperto, aqui protagonizada por um dos mais altos representantes da nação.


(Continua acolá)

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