(Continuação daqui)
27. O sonho americano
O Muro da Vergonha é também uma defesa da cultura WASP que fundou os EUA, e de que o Presidente Trump é um excelente intérprete, contra a ameaça católica que vem da América Latina. Em 1980 a população de origem latino americana nos EUA representava 7% da população total, agora representa 19%.
Hoje em dia, um em cada cinco americanos são hispânicos. A continuar este ritmo, daqui por duas ou três gerações os EUA estarão transformados num grande México, num grande Brasil ou numa grande Colômbia ou Argentina, e de uma grande máquina trituradora de pobreza serão transformados numa grande máquina produtora de pobreza, como qualquer destes países.
Os EUA nasceram praticamente sem católicos, porque o catolicismo estava então proibido no Reino Unido e, portanto, também na sua colónia americana. Os primeiros colonos católicos a emigrar para os EUA foram irlandeses durante o século XIX e hoje em dia o catolicismo é a maior denominação religiosa nos EUA, abrangendo cerca de 23% da população americana (embora as denominações protestantes em conjunto excedam largamente essa percentagem).
Num excelente artigo publicado no site dos Catholic Missionary Disciples do Texas (cf. aqui) Marcel LeJeune mostra conclusivamente como o sonho americano é incompatível com o catolicismo de tal maneira que um migrante católico que chegue aos EUA e que deseje perseguir o sonho americano - que é o que todos desejam ao emigrar para lá - acabará inevitavelmente por se tornar menos católico.
Esta conclusão tem uma interpretação a contrario. É a de que um migrante católico que chegue aos EUA e que deseje permanecer fielmente católico vai-se revoltar contra o sonho americano e tornar a sua realização mais difícil para todos os outros. Por outras palavras, a cultura católica é profundamente anti-americana.
LeJeune começa por identificar o que é o sonho americano (ênfases meus):
"Let us start with identifying the American Dream. The phrase was coined by James Truslow Adams, when he wrote:
“But there has been also the American dream, that dream of a land in which life should be better and richer and fuller for every man, with opportunity for each according to his ability or achievement. It is a difficult dream for the European upper classes to interpret adequately, and too many of us ourselves have grown weary and mistrustful of it. It is not a dream of motor cars and high wages merely, but a dream of social order in which each man and each woman shall be able to attain to the fullest stature of which they are innately capable, and be recognized by others for what they are, regardless of the fortuitous circumstances of birth or position.”
A incompatibilidade com o catolicismo já se adivinha. Não há lugar neste sonho para o preconceito aristocrático da cultura católica. O sonho é individual e não comunitário. Triunfa o mérito e ninguém se pode meter no caminho de ninguém (certamente que não o Estado com o seu monopólio da força), deixando abertas as oportunidades para todos.
LeJeune detalha em seguida os "ensinamentos" católicos que são incompatíveis com este sonho americano:
"If we believe the values of Jesus [à luz do catolicismo], then we must live as he did. He values [à luz do catolicismo]:
- Others over himself
- Humility over pride
- The meaning of suffering over what comfort gains us
- Faithfulness over success
- Spiritual poverty over material success
- Evangelizing others over social status
- Serving others over being served
- Community/relationships over power/prestige"

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