21 julho 2021

auto-vitimização

Numa série de posts que escrevi recentemente (cf. aqui: um, dois, três, quatro, cinco) tratei o princípio da auto-responsabilidade (um assunto ao qual voltarei brevemente) para dizer, entre outras coisas, que o Programa do CHEGA está assente neste princípio, e que ele se opõe ao princípio da auto-vitimização, que é o princípio em que assenta o socialismo em qualquer das suas variantes, desde a comunista à social-democrata.

Em síntese, o princípio da auto-responsabilidade afirma que cada um é o principal responsável pelo seu próprio destino; o princípio da auto-vitimização, pelo contrário,  afirma que cada um é vítima do seu próprio destino, isto é, de factos e circunstâncias da vida que ele próprio não pode controlar.

Um político na posição do eurodeputado Paulo Rangel, após a divulgação do vídeo que agora circula na internet (cf. aqui), e que se guiasse pelo princípio da auto-responsabilidade, começaria por se perguntar o que é que ele próprio fez de errado para que isto acontecesse.

A resposta seria imediata. Fez duas coisas erradas.  A primeira, foi embebedar-se, o que revela falta de julgamento e de auto-controlo para quem desempenha funções públicas de grande responsabilidade. O segundo, e ainda mais importante, foi vir para a rua exibir a bebedeira em público, ainda por cima numa cidade como Bruxelas onde existem muitos portugueses (incluindo jornalistas) e onde ele próprio há-de ter muitos adversários políticos.

De que é que ele estava à espera, que, à sua passagem, lhe batessem palmas pela monumental bebedeira?

Em seguida, pediria desculpa por esta dupla falta de julgamento a todos os portugueses que ele representa e calava-se, esperando que eles lhe perdoassem.

Isto é o que faria um político guiado pelo princípio da auto-responsabilidade. Mas como agiu o eurodeputado Rangel? Como bom socialista, agiu segundo o princípio da auto-vitimização (cf. aqui):

-Coitadinho de mim...  violaram a minha privacidade... filmaram-me nas ruas de Bruxelas a cambalear...  estava eu bêbado que nem um casco... Não há direito!...

O sistema dirigido pelo PS e pelo PSD que governa o país há quarenta anos, atingiu os limites da impunidade. Os políticos já esperam que os cidadãos lhes aturem até a exibição pública das suas mais copiosas bebedeiras.

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