08 abril 2017

um acaso especial

Esta notícia interessou-me logo no dia em que saiu em vários jornais. Afinal, é o acaso que determina o cancro, e não o estilo de vida. A ciência parece estar a lançar uma nova moda, em substituição da anterior, mas eu devo afirmar que prefiro a nova.

Começo a descrer de muito daquilo que a ciência diz. É de modas, hoje é uma coisa, amanhã é outra.
Eu estava convencido que a principal causa do cancro era o tabaco, o álcool, os enchidos, o açúcar, etc. Afinal, não é nada disto. A principal causa do cancro é o acaso.

Cito a notícia a partir do DN por causa de um comentário que lá aparece de um leitor que se chama Jorge Martins Silva. E cito-a porque, no essencial, concordo com o comentário, que diz que é o acaso que nos dá vida, que nos arranja uma profissão, até um clube de futebol, e o acaso é também casamenteiro.

Tenho apenas duas observações a fazer.

A primeira é que, podendo reclamar alguma competência em Teoria das Probabilidades, que é a ciência do acaso, a minha experiência é a de que o acaso é aleatório, tanto lhe dá para o bem como para o mal, e com igual probabilidade.

Ora, o acaso de que fala o leitor é um acaso especial, só lhe dá para o bem. Este acaso é, literalmente, e na linguagem popular, um gajo porreiro.

A segunda é para dizer que, nas situações que o leitor invoca, o acaso chegou-me sempre através de pessoas (embora ele possa também chegar através de outras obras suas, como as da natureza).

Quanto à vida, por acaso foi o meu pai e a minha mãe que me a transmitiram.

Quanto ao clube de futebol, por acaso foi o meu pai que, aos cinco anos, me inscreveu como sócio do Benfica e desde essa idade passou a levar-me todas as semanas ao Estádio da Luz.

Quanto à profissão de economista, por acaso foi ainda o meu pai a pessoa determinante, embora  outras tenham participado. Assim que completei a instrução primária, por acaso foi o meu pai que  decidiu que eu iria frequentar o ensino técnico comercial, o qual, por acaso,  só tinha uma saída para o ensino superior - Economia.

Então e não é que, no decurso dessa decisão do meu pai, às tantas fui frequentar o Instituto Comercial de Lisboa e, por acaso,  encontrei lá uma menina bonita,  a qual é  minha mulher desde há quarenta anos?

Um dia, quando o acaso considerar que eu estou cansado e a minha missão está cumprida, é bem capaz de me arranjar um cancro, ou qualquer outra coisa do género, e põe-me a descansar eternamente.

Por acaso hoje esteve um lindo dia de sol e eu passei um dia fantástico junto ao mar. Que também lá estava por acaso.

Sinto uma imensa gratidão pelo acaso. É mesmo um gajo porreiro. Talvez devêssemos criar uma ciência da gratidão e dedicá-la ao acaso.

8 comentários:

Miguel disse...

"Começo a descrer de muito daquilo que a ciência diz."

Não é a ciência que o diz. São as pessoas. Certas pessoas. Algumas delas até se intitulam cientistas. Algumas delas até se intitulam jornalistas. As ideias são passadas para o senso comum para se tornarem modas, ou crenças. E ganha-se dinheiro com isso e constroem-se discursos políticos à custa disso.

O facto de haver uma relação de causalidade, não impede, no entanto, que também possa haver um elemento de casualidade, seja ele divino ou não.

Anónimo disse...

"Por acaso hoje esteve um lindo dia de sol e eu passei um dia fantástico junto ao mar. Que também lá estava por acaso."
Boa lol lol lol

Miguel disse...

Hoje esteve um lindo dia de sol, mas não foi por acaso. Foi porque o Sol está lá, onde está, e é possível explicar cientificamente porque é que hoje esteve um lindo dia de sol. Já a existência do próprio Sol e do mar é fruto do acaso. Aliás, de uma sucessão de milhares de milhões de acasos ao longo de milhares de milhões de anos. Mas um dia o Sol irá extinguir-se e não haverá mais lindos dias de sol. E não será por acaso.

marina disse...

qual acaso ? corpo e mente são um só , se a mente está doente , triste ou desolada , o sistema imunitário enfraquece e as células doentes desenvolvem-se.. conheço montes de casos assim : um desgosto , uma preocupação imensa , um cancro.

a ciência tem muita dificuldade em aceitar o senso comum , o saber das eras "pré científicas". suponho que acha que lhe retira estatuto.
"mens sana , corpore sano" . mais velho que matusalem.

Anónimo disse...

“Hoje esteve um lindo dia de sol, mas não foi por acaso. Foi porque o Sol está lá, onde está, e é possível explicar cientificamente porque é que hoje esteve um lindo dia de sol.”

Ok aqui não há acaso

“Já a existência do próprio Sol e do mar é fruto do acaso. Aliás, de uma sucessão de milhares de milhões de acasos ao longo de milhares de milhões de anos. Mas um dia o Sol irá extinguir-se e não haverá mais lindos dias de sol. E não será por acaso.”

Aqui já não há acaso. Parece-me que está a contradizer-se. A existência do sol é por acasos, mas o seu fim já não é?
Então a existência do sol, da terra, etc, não obedece a leis da física e da química?
A

Anónimo disse...

A previsão do acaso é feita pelo boletim meteorológico, do qual passei a descrer, e também pela astróloga Maia, na qual passei a confiat.

Por Agora disse...

Há um cafezito/tasco no largo do calvário em alcantara que se chama 'Puro Acaso'. Lindo nome.
E acho muito bem chamar-lhe de gajo porreiro. Desde que não nos desiluda...
Tudo, desde o Princípio tem sido obra do Acaso. Há gente frouxa que lhe chama Deus.

José Lopes da Silva disse...

"Na Índia costuma-se dizer: Ninguém inventou a Yoga; foi um presente dos deuses para os seres humanos serem mais felizes!"

http://www.espacoyogachacara.com.br/sobre