08 abril 2017

as ameaças do mercado livre



A família Zequinha tinha um problema dos diabos, a casa estava infestada por ratos. Tantos que era difícil controlar tal peste.

O pai Zecão e a mãe Zecona lamentavam-se  amarguradamente do dinheiro que gastavam em ratoeiras e pesticidas, que bem fazia falta para outra coisas. O menino Zequinha ouvia estas lamúrias e pensava em soluções mirabolantes, “a better mousetrap” – por assim dizer. Tudo hiperbolizado por aquela esperteza tuga das anedotas :-).

A brincar, a brincar, o menino Zequinha encontrou, porém, uma solução. Tão simples que era um verdadeiro ovo de Colombo. A família só tinha de comprar uma jiboia, como pet, e deixá-la jiboiar pela casa, a fazer o que as jiboias adoram fazer que é caçar e comer roedores.

O  Zecão e Zecona não estavam muito de acordo porque depositavam pouca confiança nos répteis, mas perante a capacidade persuasiva do Zequinha, alinharam. Compraram uma jiboia ainda pequerrucha, logo batizada de Zecoia, e largaram-na pela casa.

O menino Zequinha tinha convencido os pais de que a parceria com a jiboia traria beneficio mútuo para a família e para o animal. Era uma espécie de troca de serviços num mercado livre interespécies. A caça aos ratos era uma especialização laboral da jibóia que, por troca, libertava recursos da família Zequinha para outras actividades. Em vez de gastar em ratoeiras e pesticidas, a família passaria a investir no pomar e os dividendos daí obtidos mais do que dariam para os gastos com a Zecoia.

Fantástico, pensaram todos. O menino Zequinha é um génio, pese embora ter-se inspirado nas ideias de outro génio do passado chamado Zicardo. O mercado não é um jogo de soma zero!

Os anos passaram e tu do corria de feição. Os ratos desapareceram, a família prosperou com a exploração do pomar e a jibóia engordou, e engordou, e engordou. Até atingir os 100 quilos de peso. Minha nossa, era um luxo aquela jibóia e o olhar agradecido do bichano derretia o coração de todos.

Um dia, porém, uma calamidade aconteceu. Quando chegaram a casa, o Zecão e a Zecona aperceberam-se do pior, a Zicoia tinha esmagado e engolido o menino Zequinha. Como tinha sido possível?


A jiboia aproveitou-se dos benefícios da vantagem competitiva que lhe advinha da sua especialização laboral, cresceu, engordou, e, por assim dizer, comeu o menino que a trouxe para a família. Triste sina a do Zequinha, uma ideia que parecia tão boa.

4 comentários:

Anónimo disse...

Falácia da composição.

marina disse...

um problema de natalidade :) não deviam ter deixado os ratos acabaram-se se não estavam a pensar matar, esfolar , aproveitando a pele, e comer a jiboia às postas assadas.

Ps) nada como um céebro feminino para aproveitar tudo de forma prática ãh , Joaquim?

assinado: dona de casa do medina carreira :)

Anónimo disse...

O mercado livre é um conceito, logo não ameaça. Só existe enquanto os homens quiserem que exista.
O mercado livre é sem regras. Mas para existir e funcionar correctamente (entre os homens) tem de ter regras, só que os homens que o controlam, fazem com que as regras sejam a seu favor para puderem beneficiar o mais possível.
Penso que não devemos culpar um conceito “o mercado livre” que de “livre” não tem nada, nem nunca pôde ter, nem nunca poderá ter, pelos actos que os homens cometem.
A

Por Agora disse...

Jibóia será sempre Jibóia. Esquerdalhada será sempre Esquerdalhada.
Alguém há-de fechar a porta. Ou será hádem?

Eu não escrevi que os programadores das caixas de comentários são um pouco menos que bestas?