17 abril 2017

Turquia

O referendo da Turquia vai aproximar o país do regime de governação da Igreja Católica.

Diz-se, por vezes, que Cristo não se pronunciou sobre política. Certamente que não sobre política partidária porque ele não gostava de partidos. Havia muitos na sua época e ele não aderiu a nenhum. Na realidade, houve até um que foi o alvo preferencial das suas críticas.

O centro da pregação de Cristo é o de que todos os homens se unam em comunidade, e não que se dividam em partidos ou seitas em lutas uns com os outros. É verdade que Cristo não recomendou nenhum regime político em particular e deixou isso à liberdade dos homens. Mas, quando se tratou de organizar a sua comunidade, ele deixou um sinal bem claro.

Nomeou um homem com poderes absolutos para a comandar. A Igreja, ao longo dos séculos, aperfeiçoou o sistema de organização política da comunidade cristã. Não o impõe a ninguém, mas ele permanece lá como exemplo. A mensagem que a Igreja, a este propósito, transmite à humanidade parece-me clara:

"Escolham lá o sistema político que quiserem. Mas quando se virem em situações de crise ou de aflição, este é o que tem melhores hipóteses de funcionar. Ao longo de dois mil anos, já passou por tudo. É só copiarem".

Aquela famosa tirada do Churchill acerca do regime de democracia parlamentar era apenas isso - uma tirada.

8 comentários:

marina disse...

na Venezuela e em Cuba também têm o modelo que a Turquia quer seguir :)

Cristo mostrou foi o sistema de organização sociopolítica tribo , com um líder indiscutível , que tinha competências que mais nenhum menbro da tribo tinha..

Rui Alves disse...

Afirmar que um país islâmico caminha para o regime de governação da Igreja Católica soa um pouco estranho.

jcg disse...

Outros " homens com poder absoluto para governar": Stalin, Hitler, Chavez, Fidel Castro, o tipo da Coreia do Norte...

Não me parece que atribuir poder absoluto (ou quase) para governar seja uma forma de governo aproximada de um ideal Católico.

Algo falha na análise do Pedro Arroja, mas o caminho faz-se caminhando.

Bom caminho no seu "Caminho" e espero que vá ficando cada vez melhor cristão.
Em relação à menção a Boff num post anterior, noto que, embore discorde de muitas da suas ideias, Boff é, para mim, um grande e sério teólogo e, mesmo que eu esteja enganado, ele é um apaixonado por Jesus (aqui julgo que não me engano), tal com é o Papa Bento XVI. Curioso, dois homens tão diferentes, por vezes em posições opostas e conflituais, terem um ponto, ou alguém, que os une para além das diferenças....


Unknown disse...

E, quanto a Churchill, permita-me uma "boutade" : a democracia, por estranho que pareça, é sómente para povos democratas - que se contam pelos dedos de UMA mão...

Ricciardi disse...

É aceitável a interpretação de que Jesus tenha designado Pedro para criar a Igreja. Um bocado reboscada a interpretação, mas aceitável.

Já não é aceitável qualquer interpretação que possa dizer que Jesus queria alguém com poderes absolutos no comando da igreja.
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Muito menos que Jesus defendesse um modelo teocrático na governance dum país.
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Parece-me ao contrário. Que Cristo escolheria um modelo laico para a governação dum país na linha 'a César o que é de César...'.
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Modelos teocráticos não dão bons frutos. Nunca deram e nunca darão. Ayatolas, talibans, leis da sharia etc não são modelos a imitar pela cristandade que, há já muitas décadas que vive muito bem em regimes rotativos democráticos e laicos.
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Vive tão bem na laicidade que não há quem viva melhor. Se melhor não há, não me parece sensato mudar.
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Rb

Euro2cent disse...

> Nunca deram e nunca darão.

Meh. Lá porque os nossos donos tiveram bons resultados nos últimos dois ou três séculos com a formula "new coke" de fabricar o consentimento dos governados, não é caso para ficar todo taliban com "nuncas" a torto e a direito.

Amanhã é outro dia, pode ser que a pepsi desenrasque fórmula melhor. Com teocracias 2.0, em vez de repúblicas 2.0, que é tãoooo século XVIII ...

José Lopes da Silva disse...

Ó Joaquim, o que é que se passa? http://www.independent.co.uk/news/world/europe/russian-state-media-donald-trump-more-dangerous-kim-jong-un-a7688021.html

Anónimo disse...

Parece-me que o Professor P. Arroja se está a esquecer de que na lógica da própria Igreja Católica a sua «cabeça» é o próprio J. Cristo sendo ela conduzida nos momentos essenciais pelo Espírito Santo, pelo menos quando os homens - o corpo - por Ele se deixam conduzir. Aliás, como bem humoradamente nota o Pd. Portocarrero de Almada, Jesus Cristo não era um bom gestor de recursos humanos, cfr. http://observador.pt/opiniao/jc-nao-serve-para-gestor-de-recursos-humanos/ , talvez para demonstrar que a Igreja não é empresa exclusivamente humana.
Mesmo os incréus hão-de aceitar que este discurso fixa as expectativas e molda a práxis, que, ainda por cima, está limitadíssima por referências documentais - as Sagradas Escrituras e os escritos dos Doutores e dos Padres da Igreja - e pela Tradição. Trata-se de uma base doutrinária muitíssimo mais forte, ordenandora e limitadora de autocracias do que qualquer constituição profana. Ora, embora a Venezuela tenha o Maduro como vigário de S. Chavez, a Turquia não vê o Erdogã como o vigário de Cristo, de Alá, ou mesmo do Mafoma. E nenhum deles se tenta abrir à acção do Espírito Santo. Ou considera, sequer, a sua acção limitada por escritos ou escrituras de qualquer tipo.
Pedro Cruz