11 abril 2017

O principal milagre

-Se Cristo era homem e fazia milagres, eu, que sou homem como ele, também os posso fazer, não?

-Sim, mas Cristo, além de homem, também era Deus, e tu não és...
 (Segundo a doutrina católica Cristo é plenamente homem e plenamente Deus)

-Mas posso ser!... Como?... Imitando-O.

Eu não sei se foi exactamente este o diálogo íntimo que teve lugar no espírito de S. Francisco. Mas, se não foi, há-de ter sido muito parecido.

Só a capacidade para colocar a primeira questão alargou o espírito humano a latitutes nunca antes conhecidas. E a capacidade para responder à segunda elevou-o até altitudes a que ele nunca antes tinha chegado.

S. Francisco acabou a fazer milagres como Cristo e, na sua vida de pobreza, até Cristo, pelos padrões dele, teria parecido um mau franciscano. O século de S. Francisco viria a produzir  grandes santos, como ele próprio e S. Domingos, grandes teólogos, como S. Boaventura e S. Tomás de Aquino, grandes pintores como Giotto, grandes poetas como Dante, grandes cientistas, como Roger Bacon - considerado o pai da ciência moderna.

Chesterton na sua biografia de S. Francisco diz que ele foi uma nova luz que chegou ao mundo, algo que, antes dele, Dante já tinha escrito - uma luz que deixou atrás de si a Idade das Trevas e iluminou novos horizontes à humanidade cristã.

Mas em que consistia precisamente essa luz, que se manteve apagada nos séculos anteriores ainda dominados pelo paganismo com os seus ídolos e o seus deuses da natureza?

No facto de Deus ser homem.

Se Cristo é homem e faz milagres, eu, que sou igualmente homem, também os posso fazer. Mas se, para fazer milagres, além de homem, eu também tenho de ser Deus como Cristo, então a solução está mesmo à vista. Só tenho que O imitar.

O principal milagre de S. Francisco foi o de ter ensinado ao homem como é que o homem pode fazer milagres.

Esta foi a revolução espiritual operada por S. Francisco, o Alter Christus, como tem sido chamado.  Ele abriu e elevou o espírito humano a uma dimensão nunca antes conhecida. Nunca o homem contemplou horizontes tão vastos e tão elevados. Depois da revolução franciscana, qualquer homem podia passar a sentir-se como se fosse um super-homem.

É uma revolução espiritual deste género - embora não necessariamente nos termos em que S. Francisco a fez - que nós estamos a precisar. O meu sentimento é que essa nova revolução espiritual será centrada na figura de Maria e não na de Cristo, como aconteceu com a revolução franciscana.


6 comentários:

Euro2cent disse...

> até Cristo, pelos padrões dele, teria parecido um mau franciscano.

Pois. Sinal de que alguém está a inventar.

Por acaso ainda hoje tropecei numa referência que me fez ir rever a história do Jim Jones do koolaid.

Linhas muito finas.

zazie disse...

eheheheh

marina disse...

bem , eu pensava que os santos , como São Francisco , e até a Virgem , não faziam milagres ... sempre ouvi que intercediam junto de Deus por nós , e Este , no caso de estar para aí virado , milagrava através deles. Como se mudar os planos de Deus estivesse ao alcance de qualquer outro , mesmo Santo e tudo , PA :)

Anónimo disse...

"Se Cristo é homem e faz milagres, eu, que sou igualmente homem, também os posso fazer. Mas se, para fazer milagres, além de homem, eu também tenho de ser Deus como Cristo, então a solução está mesmo à vista. Só tenho que O imitar."

Ou sera "so tenho que reconhecer que tambem eu sou Deus?"

Sigo com bastante atencao e entusiasmo a sua exploracao.

Elaites

Por Agora disse...

«O principal milagre de S. Francisco foi o de ter ensinado ao homem como é que o homem pode fazer milagres.»

A grande conclusão! Só Você (Vexa) o escreveria.

Abraço

Cuidado que a 'rotina' de comentários está 'merdosa'.

marina disse...

aqui está bem explicado , idolatria este post , nada menos :)

http://www.elnuevodiario.com.ni/opinion/324202-santos-no-hacen-milagros/