19 agosto 2014

moeda parada

Uma das grandes barreiras mentais que induz a opinião maioritária de pessoas e economistas (e estes à partida, deveriam ter o papel de cientista em refutar falácias básicas como antes se preocupavam em demonstrar que a terra não era plana , apesar de parecer, ou que não é o centro do universo, apesar de parecer, tal como parece que a moeda pode estar "parada") a pensar que é benéfico que os depósitos à ordem estejam em risco...em vez de um depósito civil... é a ideia que a moeda assim estaria "parada" (como o estará sempre, pressupõe-se, as notas e moedas físicas).

Ora, em boa verdade, a moeda num dado momento está sempre "parada", ou no bolso A ou no bolso B. A moeda não é um bem de consumo nem um bem de investimento mas faz sim parte de uma terceira categoria - um meio de troca  - que só por isso cumpre uma utilidade máxima: tornar possível a civilização da cooperação pacífica por especialização e troca voluntária. Assim, "parada" em termos de não produzir em pleno um serviço útil é que nunca está.

E ainda que fosse possível dividir a moeda existente entre moeda "parada" e a não "parada" em que é que a moeda "parada" impede a produção e a troca a um certo nível de preços com a moeda "não parada"? Nada.

8 comentários:

Luís Lavoura disse...

O CN, que é um economista, não conhece o conceito de "velocidade de circulação" da moeda?
A moeda está "parada" se está sempre na posse da mesma pessoa. Se passa de uma pessoa para outra, então move-se. Se num determinado período de tempo passa muitas vezes de uma pessoa para outra, então move-se depressa.
Portanto, "moeda parada" existe mesmo.

Anónimo disse...

Então, as únicas vias para que ela não esteja parada é que o seu propriétário a use... ou deixe que um intermediário a faça usar por terceiros.
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Há uma diferença muito grande, abismal aliás, entre poupança e acumulação.
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A poupança em Capitalismo é dinheiro disponivel pela via bancária. A acumulação não é dinheiro disponivel.
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Poderia ilustrar melhor as diferenças dizendo que a acumulação é semelhante a enterrar o dinheiro. É como se um tipo pegasse num vai-e-vem espacial e fosse colocar a massa na lua. Não serviria a alguém na terra.
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Poupança é diferente. É acumular o fruto do nosso trabalho e este poder ser usado no planeta terra para financiar actividades terrestres diversas.
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Mais. A moeda não desempenha apenas a função de meio de troca. É uma reserva de valor, de troca e uma unidade de conta porque traduz numa medida o valor de todas as coisas ou activos (incluindo outros moeda-divisas).
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É esta ultima caracteristica da qual devém a sua cotação relativa. Se vc efectua trocas de mercadorias com o exterior, se vc importa mercadorias dos EUA vai ter que pegar em Escudos e comprar dolares para pagar ao fornecedor. Quem lhe faz isso pode ser um banco ou uma casa de cambios, que pega nos seus escudos e compra dolares aos gringos. Os gringos ficam com escudos em reserva. E um dia vão querer despacha-los.
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Tem duas vias para o fazer: 1º a via directa 2º começar a importar de Portugal e pagar com os escudos em Reserva.
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É este ultimo movimento que alimenta o equilibrio do comercio internacional. Com moeda própria os paises tendem a equilibrar o comercio bilaterial. A moeda, e respectiva cotação, fazem aquilo que só uma guerra pode fazer.
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Rb

CN disse...

Luis, a "velocidade" não significa nada.

Por exemplo, a seguir à crise de 2008 os BCs injectaram reservas (M0) no sistema bancário.

Este simples facto, ceteris paribus, faz diminuir a "velocidade" já que o total da base monetária aumentou.

A questão, é existindo seja que quantidade de moeda, os preços adaptam-se a ela, numa espécie de one-off. Se por algum motivo existe aumento de procura de saldos monetários de forma estrutural, preços caem, o que tem efeitos, mas é um one-off. Depois, é como se tivessa na situação inicial.

mujahedin مجاهدين disse...

Mais. A moeda não desempenha apenas a função de meio de troca. É uma reserva de valor, de troca e uma unidade de conta porque traduz numa medida o valor de todas as coisas ou activos (incluindo outros moeda-divisas).

Mais, não. O mesmo.

Se é um meio de troca é necessariamente uma medida de valor porquanto qualquer troca assenta no valor das coisas que são trocadas. Ora um "meio de troca" que não seja simultaneamente uma medida do valor é um paradoxo.

E essa sua distinção entre acumulação e poupança também não parece fazer muito sentido. A única diferença aí, quanto muito, é de liquidez: em quanto tempo se pode dispor do dinheiro para o trocar por coisas.

O dinheiro não se altera minimamente por estar enterrado ou no bolso ou na Lua.

A poupança é a acumulação de dinheiro. Para o efeito é irrelevante que o dinheiro esteja no banco ou no bolso. A minha bisavó era forreta e poupava quanto podia. Não punha o dinheiro no banco, pois preferia guardá-lo ela.
Se não fosse forreta podia tão facilmente comprar o que quisesse - ou investir - como se o tivesse no banco - mais facilmente, aliás, porque nem precisava de se deslocar ao banco.
Não lucrava juros, mas isso não tem que ver com poupança; tem que ver com o dinheiro em mãos alheias.





Anónimo disse...

1º Bem, olhe, Muja, um burro pode servir de meio de troca por um cão, duas galinhas, dois quilos de milho e três de tomate.
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Mas se vc quiser atribuir um valor aos seus activos que o pessoal possa compreender tem que ter uma unidade de conta que unifique o valor da coisa. A moeda faz essa função de unidade de conta. Se vc disser que um cinto de bombas é uma moeda pois um gajo passa a contabilizar as coisas em cintos de bombas. Não tem nada que enganar.
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2º Relativamente à distinção entre acumulação e poupança. A sua avó poupava e fazia muito bem.
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Mas se todos fossem como a sua avó e metessem a massa debaixo do colchão, vc não teria possibilidade de financiar a sua casa, nem a sua empresa, nem o seu carro.
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O dinheiro da sua avozinha se estiver no banco serve o pessoal da terra dela, porque os bancos emprestam-no imediatamente aos netos e filhos. Pelo menos 90% dele.
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Se estiver debaixo do colchão serve apenas a ela... e aos ladrões que souberem disso.
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Rb

Anónimo disse...

Aliás, olhe, é um dos motivos pelo qual eu ando sempre a malhar nos dinheiros parqueados nas offshores. É dinheiro retirado das economias formais com o qual se podiam fazer imensas coisas. Dizem que essa massa anda em cerca de 1/3 do total da riqueza mundial produzida.
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Na semana passada um suiço veio dizer que os portugueses tinham cerca de 30 mil milhoes de euros nos bancos da suiça.
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Uma pipa de massa 'àboare'.
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Em tempos, e devido a este sistema de Reservas Fraccionárias eu até ventilei de que seria boa ideia um gajo pegar no ouro que temos em reservas (cerca de 8% do PiB) e transforma-lo em Capital Social de um banco novo de fomento industrial. Mas ninguem me ouviu.
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Era ver essa massa multiplicar-se por 9 vezes (reservas fraccionárias) e a dar apoio (crédito) a novos projectos industriais e era ver o PiB e as exportações a disparar. Haja vontade.
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Assim, o ouro vai desaparecer. Vai sendo vendido e esgotar-se-à com o tempo.
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Rb

Anónimo disse...

O fundo do plano Marshal que a Alemanha recebeu ainda existe. Foi massa enviada por diversos países que o alemães aproveitaram para financiar actividades industriais. Emprestavam a este e recebiam deste. Emprestavam aquele e recebeiam daquele. E assim sucessivamente. Passados mais de 50 anos o fundo ainda tem, pelo que me disseram, 200 mil milhoes de euros.
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Rb

mujahedin مجاهدين disse...

Sim mas... e quê?

Eu limitei-me a apontar que V. distinguia coisas que não eram distinguíveis: o meio de troca define a unidade que quantifica o valor e a poupança é acumulação desse valor.

Se o meio de troca fosse o burro, é evidente que o valor das coisas era medido em burros.

Quanto a poupanças, poupar é acumular. Cada um poupa por si. Se eu poupo, o meu interesse é poder eu gastar o dinheiro poupado. Não é os outros fazerem-no por mim.

Não tem nada que ver com os bancos emprestarem a x ou y pessoas. Isso foi negócio que se fez com as poupanças. Pode ser vantajoso, mas é algo de depende da poupança, não é a poupança.

E se o meio de troca fosse o burro pois seria natural que poupasse burros.

Muito embora se possa poupar tudo e em tudo. Mas claro que o burro e outras coisas que morrem ou se degradam não são grande moeda ou poupança porque perdem valor natural e inevitavelmente.