Euro2cent disse...
"And now, for something completely different" não me parece má aproximação. Chicotada psicológica, essas coisas.
É claro, agora que têm um papa cheio de boa imprensa, vêm ganir que não é isso que querem.
Eu não poderia estar mais de acordo. O Papa Francisco, com a sua costela "protestante" e jesuíta, está destinado a ser o mais mediático Papa dos tempos modernos e provavelmente de sempre. Não passa uma semana que ele não faça notícia na imprensa nacional e internacional. Esta semana a revista Visão trá-lo na capa com o título de revolucionário.
O mediatismo é uma traço característico da cultura protestante (especialmente a calvinista, com centro nos EUA). E o Euro2cent tem razão quando diz que há quatro (ou cinco) séculos que a Igreja anda a "levar nas lonas" por efeito da extraordinária capacidade propagandística do protestantismo.
E, na realidade, é mais um milagre da Igreja que, por acção do Papa Francisco, ela esteja a congregar à sua volta a esquerda política que sempre lhe foi indiferente, senão mesmo inimiga, e que vê no Papa um revolucionário, e tudo isso por causa da sua extraordinária capacidade mediática.
Porém, que se desenganem aqueles que esperam revoluções do Papa Francisco. Ele não vai revolucionar nada, ele não vai mudar nem uma vírgula aos dogmas e à doutrina católica estabelecida. Nem uma vírgula. Que se desenganem aqueles que esperam ver o Papa Francisco a ordenar mulheres, a aceitar o casamento entre homossexuais, a consentir o aborto, ou a permitir o casamento dos padres.
Porquê?
Porque os revolucionários são sempre solteiros - e os raros que foram casados não ligavam nada à mulher.
Ora, o Papa Francisco tem Mulher, e que Mulher - a Igreja. E Ela não o deixa fazer nada disso.
15 comentários:
> que se desenganem aqueles que esperam revoluções
Chiu. Tinha que ir pôr a boca no trombone para marcar pontos de bem informado, hmm?
"Deixa-os pousar", como dizia o galo da anedota.
;-)
(obrigado pelo crédito, não era preciso - sirva-se do que lhe for útil)
O problema é que cria falsas expectativas e depois vai desapontar.
E nem sei se não muda porque os lobbies são muito poderosos e a Igreja não é apenas o Papa.
Se com estas aberturas do questionário os padres malucos que já militam nisso ainda vão chamar mais gente, então já fez e vai fazer asneira que não controla.
O problema é que cria falsas expectativas e depois vai desapontar.
E nem sei se não muda porque os lobbies são muito poderosos e a Igreja não é apenas o Papa.
Óbvio.
A primeira questão é: porque é que este papa está "cheio de boa imprensa"?
A segunda é: quando se exigir que passe das palavras aos actos - e vai exigir-se - como é que ele vai descalçar a bota? Ele pode ser o papa mais mediático de sempre, e cheio de "boa imprensa" - mas a imprensa passa de boa a má enquanto o diabo esfrega um olho. Hoje em dia, provavelmente em menos tempo que isso.
Já agora, deixo a minhas respostas às duas questões:
O papa está cheio de boa imprensa porque dá a imagem de contemporizar com certas coisas, representadas por esses lobbies de que se fala. O paleio dos pobrezinhos vs os ricos é um clássico da retórica "democrática", mas os verdadeiramente, estupidamente ricos, que financiam os ditos lobbies - e.g. Soros - não se incomodam nada com isso porque sabem que lhes não chega nada a eles, e sabem que quem o profere ganha pontos com a maralha que, claro, é pobre e pobre deve ficar.
Portanto, com o discurso dos pobrezinhos os papa marca pontos de popularidade, logo marca pontos de popularidade para as ideias dos lobbies que vão à boleia.
Entretanto, como sempre nestas coisas, e ao contrário do que acham os ingénuos, cada cedência, cada contemporização, leva ao aumento da pressão. Até que a pressão é tanta que algo tem que acontecer: e vai-se exigir que as palavras dêem lugar aos actos: o papa, mediático, terá de escolher: ou recusa e observa a sua mediatização virar-se contra ele, ou transige e observa a sua mediatização virar-se contra ele, pois a pressão nunca diminui: aumenta sempre. Tanto mais quanto mais perto estão os objectivos de quem pressiona.
Claro que tudo isto depende de muitas coisas. Mas o padrão, no geral é sempre o mesmo. Já o era na questão do colonialismo, por exemplo. A estratégia era a mesma: de cedência em cedência até ao colapso completo do que se visava destruir.
É bem verdade que Francisco é Papa - mas Francisco também é Argentino...
Se há coisas acerca das quais se tem a certeza que nem admitem discussão, então não se enviam para debate.
Este é o ponto que eu nem entendo. Porque o Papa mandou para debate tretas que tinha chamado inúteis para a Igreja se preocupar ou falar delas.
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Quanto aos pobres não é nada assim, é a mensagem da caridade pessoal e não tem absolutamente nada de diferente em relação ao que o Bento XVI e todos os anteriores sempre escreveram.
A linguagem é que é mais básica.
Na verdade, o questionário é mesmo uma inversão do que o Bento XVI fez.
O Bento XVI criticou os nossos padres e criticou-os por cedências ao mundo em detrimento da pastoral.
Agora são so nossos bispos que já relativizam a moral e levam as perguntas como questões "de abertura", quando a abertura por cá já vai nas missas gay e reuniões de padralhada gay e sei lá que mais, até com Igrejas cedidas para a anormalidade.
Ora se nem isto é proibido, quando devia porque é herético, imagine-se, por este andar, com caminho aberto pelo Papa - que não se pronuncia- o que virá daí.
«, ele não vai mudar nem uma vírgula aos dogmas e à doutrina católica estabelecida.»
A questão é mais complicada porque algumas das anormalidades enviadas para debate para preparar o Concílio da Família não são dogmas.
Até na treta da wiki tuga vêm os dogmas correctamente:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dogmas_da_Igreja_Católica
Não foi nada disto que o Papa enviou no questionário.
Portanto, se envia questões para debater, é porque podem mudar.
(Aliás, nem se entendia de outro modo. Ninguém manda fazer questionários a questões que nem se perguntam).
Bem, este Papa, com a linguagem popular que usa, já alterou um niquinho um dogma e ninguém deu por nada.
«O Fim do mundo e a Segunda vinda de Cristo
"No fim do mundo, Cristo, rodeado de majestade, virá de novo para julgar os homens."
Ele chamou-lhe o "dito Fim da História" , interpretada à Fukuyama ou à utopia da bem-aventurança materialista na Terra.
ahahahahaha
Quanto aos pobres não é nada assim, é a mensagem da caridade pessoal e não tem absolutamente nada de diferente em relação ao que o Bento XVI e todos os anteriores sempre escreveram.
Na verdade, o questionário é mesmo uma inversão do que o Bento XVI fez
Lá está. Se o discurso dos pobres não mudou, não pode ser essa a causa da sua popularidade. Tem que ser outra coisa, e essa coisa é claramente a perpepção de uma abertura em relação a certos assuntos. Se essa percepção se traduzirá em algo de concreto ou não, veremos. Seja como fôr, não há nada a ganhar. Como diz a Zazie, não tem sentido fazer perguntas sobre coisas em que não se admite questão. É uma contradição e denuncia fraqueza.
A popularidade tem a ver com a verdade dele.
A simpatia, a mudança face ao protocolo, a proximidade com toda a gente e a humildade.
E isso não é mau- é o seu estilo e há-de ser genuíno.
O resto não sei. O resto já estava a acontecer e o Bento XVI remava contra a maré.
Este faz o contrário- parece que se mete no barco a apanhar a bolina.
> parece que se mete no barco a apanhar a bolina.
Esta deve ter sido "mão de Deus", nem de propósito saía tão certa ;-).
Meta aí "navegar à bolina" nos googles, e veja o que vem à rede:
"Navegar à bolina é navegar contra a direcção do vento. Esta técnica foi criada pelos portugueses e consistia em viajar aos ziguezagues."
eehhehe Pois é. Eu depois reparei que tinha dito que ele ia navegar contra o vent oda História.
E vai, parecendo que está a fazer o contrário.
O problema é que me parece que ele tem fraco mando.
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