18 setembro 2013

the Robber Fair

Um dos períodos mais interessantes que passei nestas férias de Verão foi quando recebi em minha casa durante cinco dias, a convite da minha filha M., a sua amiga V.

A M. e a V. tinham-se conhecido no Outono quando ambas viajavam pela Ásia de mochila às costas, tendo passado uma semana juntas, até seguirem caminhos diferentes. A V. é uma jovem alemã de 21 anos, alta, loura, uma beldade germânica de Munique, estudante universitária em Bremen.

Era a primeira vez que a V. vinha a Portugal, mas ela estava informada acerca das dificuldades por que passava o país, e dos empréstimos da Troika, porque tudo isso era matéria tratada frequentemente na imprensa alemã.

Ora, não me poderiam ter dado melhor presente do que ter ali uma jovem alemã para conversar com ela e explicar-lhe a diferença de culturas entre a Alemanha e Portugal, e também as razões da nossa difícil situação económica e financeira, que os alemães estavam a pagar.

Em Lisboa, num supermercado, a  jovem V. viu leite alemão à venda, e perguntou-me se em Portugal não existiam vacas. Eu respondi-lhe em estrangeiro, mas que traduzo aqui:

-Oh ... isso é o que não falta por aí...

Sempre construtiva, como é tónica das pessoas tocadas pela cultura protestante, a V. disse-me que na Alemanha, suponho que em Bremen, tinham organizado recentemente uma feira exclusivamente de produtos alemães e que estava a ser um extraordinário sucesso. Por que é que os portugueses não faziam o mesmo?

Eu disse-lhe que isso em Portugal não dava nada, que  só lá iriam aparecer produtos portugueses de segunda e terceira categoria, e que no fim a tendência seria para a feira se degradar. De resto, nós já temos há muito feiras só de produtos portugueses (eu já lhe tinha explicado que nós tínhamos de tudo). E acrescentei em estrangeiro, que reproduzo sem tradução:

-The most well known is the Robber Fair, in Lisbon.

3 comentários:

Anónimo disse...

Falou-lhe do Kant e do Nietzsche, um notório pacóvio e a maluquina de arroios lá da germânia?... ela havia de gostar...
Na alimentação o local não dá nada cá?... só se for na zona da av brasil...
Noto que conversaram em alemão... deve ter sido extremamente enriquecedor. --JRF

José Lopes da Silva disse...

Foi pena não ter oportunidade de a levar ao Santana Market, na Benedita.

Vivendi disse...

-Oh ... isso é o que não falta por aí...


E não faltam mesmo. Mas capacidade para produzir é outra história.

Lisboa até faz exposições de rua com esculturas de vacas. Com certeza que foi com algum fundo europeu à mistura.