12 fevereiro 2012

associações secretas

Esta manhã, quando relia algumas passagens do livro do Chesterton "Por qué soy católico" (tradução do inglês), uma colectânea de artigos escritos desde a sua conversão ao catolicismo em 1922 até à sua morte em 1936, fui dar por curiosidade a um artigo que tinha o título "El Caso de España". O artigo foi escrito ou no final de 1934 ou mesmo já em 1935, portanto poucos meses antes da sua morte, e refere-se aos acontecimentos ocorridos em Espanha entre as eleições de 1933 e a revolução de Outubro de 1934, e que acabariam por conduzir à Guerra Civil, acontecimento que Chesterton já não viria a presenciar.
A certa altura, ele fala da sua conversão ao catolicismo e do seu abandono do Partido Liberal inglês. Assim,
"A conversão é o reconhecimento de que a verdade é independente de quem a busca. E, no entanto, a sua descrição deveria ser a autobiografia de um buscador da verdade, o qual, em geral, é um tipo de pessoa bastante deprimente. Poderá, por isso, parecer coisa egoísta que inicie estas reflexões dizendo que fui durante muito tempo um liberal, no sentido de que pertencia ao Partido Liberal. E continuo a sê-lo, nisso não mudei, foi o Partido Liberal é que desapareceu. Creio que o seu ideal era o da igualdade entre os cidadãos e o da liberdade pessoal, e estas continuam a ser as minhas ideias políticas. O certo é que trabalhei durante muito tempo com a organização política do liberalismo; escrevi durante uma grande parte da minha vida para o Daily News, e por conseguinte identificava a liberdade política, com razão ou sem ela, com o governo representativo".
Em seguida, explica as razões por que rompeu com o Partido Liberal:

"Em certo momento produziu-se a ruptura com esse Partido, de que me não vou alongar em detalhes. Em primeiro lugar, porque o governo representativo havia deixado de ser representativo. Em segundo lugar, porque o Parlamento estava gravemente ameaçado pela corrupção política. Os políticos não representavam o povo, nem sequer os seus sectores mais vociferantes e vulgares. Os políticos não mereciam nem o digno nome de demagogos. Talvez não merecessem outro nome que o de caixeiros viajantes, fazendo corretagem para empresas privadas. Se eram representantes de algo era de ocultos interesses vulgares, nem sequer populares. Por isso, quando teve lugar a revolução fascista em Itália, não lhe pude ser inteiramente hostil, pois sabia contra que hipócrita plutocracia se havia produzido. Ao mesmo tempo, tão pouco consegui ser amigo de uma tal revolta, pois continuava a acreditar nessa igualdade cívica em que os políticos dizem acreditar."
E, agora, a parte que considerei mais interessante:
"Para o propósito que nos ocupa, o problema pode ser apresentado de uma forma muito breve. Toda a argumentação em defesa do fascismo pode ser expressa em duas palavras que nunca foram impressas nos nossos jornais: associações secretas. O grosso das razões para nos opormos ao fascismo pode ser resumido numa só palavra até agora nunca usada e quase sempre esquecida: legitimidade. Pela primeira razão, o fascista estava justificado no seu propósito de derrotar os políticos, porque o compromisso que eles tinham com o povo era violado em segredo pelos seus compromissos ocultos com bandos e conspiradores. Pela segunda razão, o fascsismo nunca poderá ser plenamente satisfatório, porque não assenta na autoridade, mas no poder, que é a coisa mais débil deste mundo" .

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