
Os partidos dividem e, portanto, excluem, e uma das piores ofensas que se pode fazer a um português é excluí-lo. Um português não aceita ser excluido quando se comporta decentemente. Existe uma poderosa razão cultural para isso.
A cultura católica (do grego, universal) é uma cultura universalista cuja ambição última é fazer viver todos sob o mesmo tecto. Foram os portugueses os primeiros a expandir esta cultura pelo quatro cantos do mundo, na Europa, em África, na América, na Ásia. Existem hoje pessoas de muitos países que, vendo-se obrigadas a emigrar, se misturam com pessoas de outras raças, de outras culturas e de outras nacionalidades. Mas os primeiros a fazê-lo, na história da civilização ocidental, foram os portugueses. Esta permanece uma distinção considerável.
A cultura portuguesa (católica) é uma cultura inclusivista que olha todos os seres humanos como sendo iguais, sem diferenças e sem distinções, e por isso os integra a todos e se mistura facilmente com todos. A este respeito, a propaganda anglo-saxónica, e especialmente americana, do melting pot é uma história muito mal contada. Os países de ascendência anglo-saxónica são multiculturais no sentido em que aceitam receber no seu seio comunidades vindas de partes muito diferentes do mundo. Porém, trata-se de um multiculturalismo segregativo, no sentido em que, como regra geral, a cultura anglo-saxónica não se mistura com as outras.
Quem visita os EUA, a Inglaterra, o Canadá ou a Austrália, para já não falar na República da África do Sul durante o apartheid, fica impressionado por ver gente das mais variadas partes do mundo convivendo no mesmo país, e este não é um feito menor. O ponto importante a salientar é que essas pessoas permanecem culturalmente identificáveis porque os anglo-saxónicos não se misturam com elas. Cada comunidade vive, por assim dizer, fechada sobre si mesmo.
Diferente é o panorama nos países de ascendência portuguesa. Aí as pessoas parecem possuir um aspecto fisica e culturalmente mais homogéneo. A razão não é que essa sociedades excluam outras culturas, mas porque rapidamente se misturam com elas, eliminando as diferenças e reduzindo todas as culturas a uma só cultura. A cultura portuguesa pode, assim, descrever-se como uma grande casa onde todos podem entrar, com a condição que estejam dispostos a deitar-se na cama com aqueles que já lá estão. Pelo contrário, a cultura anglo-saxónico assemelha-se mais a uma grande casa onde todos podem também entrar, mas com a condição de que não se deitem na cama com aqueles que já lá estão.
Tem por isso, razão, o historiador britânico Paul Johnson, quando notou que, muito antes de os EUA ambicionarem ser um país multicultural, o primeiro a sê-lo genuinamente foi o Brasil. E não apenas isso. Os únicos confrontos culturais que os portugueses tiveram na sua história foi com culturas que recusaram integrar-se com eles. O caso dos judeus é a este propósito elucidativo. As tentativas que o rei D. Manuel fez para integrar os judeus desafiam, ainda hoje à distância de quinhentos anos, toda a imaginação e, em parte, ele teve sucesso. Mas quanto àqueles que recusaram a integração, aos olhos da cultura portuguesa, não restava outra alternativa senão expulsá-los. Afinal, quem julgam eles que são, mais do que os outros? é a pergunta indignada que neste caso ocorre ao espírito português. Mas o episódio dos judeus também revela que, quando divididos, e sem possibilidade de se unirem, os portugueses excluem.
Exclusão é aquilo que os partidos políticos fomentam. Todos os portugueses, hoje em dia, que não façam parte de um partido político, estão excluidos de participar na vida pública e de ascenderem aos postos da governação. A vida pública em Portugal é hoje um monopólio do pessoal partidário e, neste aspecto, a democracia portuguesa é pior que o Estado Novo. Antigamente, podiam chegar à governação pessoas que não estivessem filiadas, nem sequer aparentadas, com a União Nacional. Hoje não chega lá ninguém que não esteja filiado, ou pelo menos aparentado, com o PS, o PSD, o CDS, o PC ou o BE.
Por virtude da sua cultura universalista e integracionista, o português típico não gosta de se filiar em partidos. Os partidos roubam-lhe o sentido de individualidade que ele tanto aprecia e que define a sua personalidade. Porém, para as pessoas que fizeram uma carreira na administração pública, ou em outros sectores dependentes do Estado, como a Saúde e a Educação, não existe outra alternativa, senão identificarem-se com um Partido. Serão excluidas e prejudicadas no progresso das suas carreiras se não o fizerem. Mesmo estas pessoas não podem, em parte, deixar de ressentir o regime que as obriga a fazerem aquilo que elas não querem, porque se sentem capazes de progredir nas suas carreiras mesmo sem filiação ou simpatia partidária.
Maior ressentimento é gerado entre aqueles que, não tendo uma carreira no sector público, mas, mesmo assim, sendo capazes e até desejando contribuir para a vida pública no seu país, se vêem excluidos de o fazer por força de não pertencerem a nenhum partido. Os homens e mulheres de maior mérito merecem aqui uma menção particular. Trata-se, em geral, de pessoas de espírito independente que, em nenhum caso, aceitam submeter-se a uma ortodoxia partidária e ao exclusivismo, às iniquidades, e ao espírito clubístico que ela envolve. Esses homens e mulheres, na prática, foram definitivamente banidos da vida pública pela democracia partidária.
A cultura católica (do grego, universal) é uma cultura universalista cuja ambição última é fazer viver todos sob o mesmo tecto. Foram os portugueses os primeiros a expandir esta cultura pelo quatro cantos do mundo, na Europa, em África, na América, na Ásia. Existem hoje pessoas de muitos países que, vendo-se obrigadas a emigrar, se misturam com pessoas de outras raças, de outras culturas e de outras nacionalidades. Mas os primeiros a fazê-lo, na história da civilização ocidental, foram os portugueses. Esta permanece uma distinção considerável.
A cultura portuguesa (católica) é uma cultura inclusivista que olha todos os seres humanos como sendo iguais, sem diferenças e sem distinções, e por isso os integra a todos e se mistura facilmente com todos. A este respeito, a propaganda anglo-saxónica, e especialmente americana, do melting pot é uma história muito mal contada. Os países de ascendência anglo-saxónica são multiculturais no sentido em que aceitam receber no seu seio comunidades vindas de partes muito diferentes do mundo. Porém, trata-se de um multiculturalismo segregativo, no sentido em que, como regra geral, a cultura anglo-saxónica não se mistura com as outras.
Quem visita os EUA, a Inglaterra, o Canadá ou a Austrália, para já não falar na República da África do Sul durante o apartheid, fica impressionado por ver gente das mais variadas partes do mundo convivendo no mesmo país, e este não é um feito menor. O ponto importante a salientar é que essas pessoas permanecem culturalmente identificáveis porque os anglo-saxónicos não se misturam com elas. Cada comunidade vive, por assim dizer, fechada sobre si mesmo.
Diferente é o panorama nos países de ascendência portuguesa. Aí as pessoas parecem possuir um aspecto fisica e culturalmente mais homogéneo. A razão não é que essa sociedades excluam outras culturas, mas porque rapidamente se misturam com elas, eliminando as diferenças e reduzindo todas as culturas a uma só cultura. A cultura portuguesa pode, assim, descrever-se como uma grande casa onde todos podem entrar, com a condição que estejam dispostos a deitar-se na cama com aqueles que já lá estão. Pelo contrário, a cultura anglo-saxónico assemelha-se mais a uma grande casa onde todos podem também entrar, mas com a condição de que não se deitem na cama com aqueles que já lá estão.
Tem por isso, razão, o historiador britânico Paul Johnson, quando notou que, muito antes de os EUA ambicionarem ser um país multicultural, o primeiro a sê-lo genuinamente foi o Brasil. E não apenas isso. Os únicos confrontos culturais que os portugueses tiveram na sua história foi com culturas que recusaram integrar-se com eles. O caso dos judeus é a este propósito elucidativo. As tentativas que o rei D. Manuel fez para integrar os judeus desafiam, ainda hoje à distância de quinhentos anos, toda a imaginação e, em parte, ele teve sucesso. Mas quanto àqueles que recusaram a integração, aos olhos da cultura portuguesa, não restava outra alternativa senão expulsá-los. Afinal, quem julgam eles que são, mais do que os outros? é a pergunta indignada que neste caso ocorre ao espírito português. Mas o episódio dos judeus também revela que, quando divididos, e sem possibilidade de se unirem, os portugueses excluem.
Exclusão é aquilo que os partidos políticos fomentam. Todos os portugueses, hoje em dia, que não façam parte de um partido político, estão excluidos de participar na vida pública e de ascenderem aos postos da governação. A vida pública em Portugal é hoje um monopólio do pessoal partidário e, neste aspecto, a democracia portuguesa é pior que o Estado Novo. Antigamente, podiam chegar à governação pessoas que não estivessem filiadas, nem sequer aparentadas, com a União Nacional. Hoje não chega lá ninguém que não esteja filiado, ou pelo menos aparentado, com o PS, o PSD, o CDS, o PC ou o BE.
Por virtude da sua cultura universalista e integracionista, o português típico não gosta de se filiar em partidos. Os partidos roubam-lhe o sentido de individualidade que ele tanto aprecia e que define a sua personalidade. Porém, para as pessoas que fizeram uma carreira na administração pública, ou em outros sectores dependentes do Estado, como a Saúde e a Educação, não existe outra alternativa, senão identificarem-se com um Partido. Serão excluidas e prejudicadas no progresso das suas carreiras se não o fizerem. Mesmo estas pessoas não podem, em parte, deixar de ressentir o regime que as obriga a fazerem aquilo que elas não querem, porque se sentem capazes de progredir nas suas carreiras mesmo sem filiação ou simpatia partidária.
Maior ressentimento é gerado entre aqueles que, não tendo uma carreira no sector público, mas, mesmo assim, sendo capazes e até desejando contribuir para a vida pública no seu país, se vêem excluidos de o fazer por força de não pertencerem a nenhum partido. Os homens e mulheres de maior mérito merecem aqui uma menção particular. Trata-se, em geral, de pessoas de espírito independente que, em nenhum caso, aceitam submeter-se a uma ortodoxia partidária e ao exclusivismo, às iniquidades, e ao espírito clubístico que ela envolve. Esses homens e mulheres, na prática, foram definitivamente banidos da vida pública pela democracia partidária.
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