02 março 2009

Espelho meu, espelho meu



Nos últimos anos, o futebol foi um dos maiores sectores exportadores do nosso país. Recordo-me, em particular, do processo que culminou na venda de vários jogadores da super equipa que José Mourinho construiu no FC Porto e que permitiu ao clube - e aos seus comissionistas - mais de 100 milhões de euros em receitas extraordinárias. Infelizmente, esta expressão, "receitas extraordinárias", parece nunca ter sido bem entendida pelos dirigentes que, embasbacados com os tempos de vacas gordas - e, vá lá, com o talento dos jogadores -, se habituaram a tratá-las como receitas operacionais. Assim, também os dirigentes se habituaram a ser tratados como craques da bola, definindo para si próprios salários milionários, situação em que, para meu grande desgosto, o FC Porto se tornou no mais triste exemplo.

Infelizmente, os tempos são agora outros. Por um lado, não há dinheiro. Por outro, também não há jogadores suficientemente bons para gerar esse tipo de receitas, apesar da política que alguns clubes seguiram - e, em teoria, bem - no desenvolvimento de academias de futebol juvenil. Ao mesmo tempo, os clubes e os agentes bem tentam valorizar os seus activos, alimentando uma estranha relação com a imprensa desportiva para que esta, de forma bajuladora, coloque jogadores absolutamente medianos - como esse grande Miguel Veloso - nos píncaros do céu. Contudo, o esforço não está a resultar. Escreve hoje o Jornal de Notícias que os "Três grandes do futebol" estão em falência técnica. O caso do meu Porto é paradigmático: o capital social de 75 milhões de euros foi transformado em capitais próprios de apenas 16 milhões, nos quais se esconde um passivo superior a 100 milhões de euros. Apesar dos milhões em receitas extraordinárias, de que o clube beneficiou nos últimos anos. Como se não bastasse este descalabro financeiro, o relatório e contas do clube indica ainda que, no último ano, os salários da administração aumentaram em 9%.

O problema é tanto mais grave se tivermos em consideração o estado dos restantes clubes da Primeira Divisão (e já nem falo sequer das divisões secundárias). É que se o Porto, o Benfica e o Sporting estão falidos, então, o que dizer dos restantes? Estão falidíssimos! O caso do Estrela da Amadora é o mais badalado, mas existirão outros semelhantes. Ou seja, o nosso futebol está como o resto do país: de pantanas!

Ps: Alguém me sabe dizer para que serve o artigo 35º das Sociedades Comerciais?! Agora sim, é caso para dizer: o campo está inclinado.

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