O génio de Cervantes foi o de ter antecipado a decadência dos povos ibéricos. D. Quixote, representando a aristocracia, é o exemplo acabado da irrelevância prática, o homem guiado pela fantasia como se ela fosse a realidade. Ao seu lado, Sancho Pança, representando o povo e o seu sentido prático, avisa frequentemente o mestre dos sarilhos em que se vai meter. Mas a aristocracia não ouve o povo. E as aventuras de D. Quixote acabam invariavelmente em desastre. Assim também com Espanha e Portugal desde a altura em que o livro foi publicado (1605), na realidade um pouco antes (vg., Alcácer Quibir, 1580).
de onde emana o poder, o que é ser governo 6.0
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