
Wilson considera que “o iluminismo enquanto visão laica do conhecimento, ao serviço dos direitos humanos e do progresso, foi a maior contribuição da civilização Ocidental” (para a humanidade). Deveremos tentar recuperar o espírito do iluminismo ou “aceitar que foi um falhanço, porque conduziu ao terror do Estado totalitário”. “A confiança na ciência e o optimismo no futuro levaram-nos também a acreditar no planeamento da sociedade perfeita – uma cultura, uma ciência – seja fascista, comunista ou teocrática, com as consequências que se conhecem”.
Rousseau, que viveu em pleno iluminismo, não teve pejo em recomendar o uso da força contra todos os desviantes que se recusassem a obedecer à vontade geral. Robespierre, em 1793, tirou as devidas elações de Rousseau e juntamente com os Jacobinos utilizou julgamentos e execuções sumárias para eliminar todos os tais desviantes da nova ordem.
Eu concordo com a hipótese de Wilson. O iluminismo contém em si um demónio que eventualmente conduz ao obscurantismo. A minha tese é que esse demónio é o laicismo. Os seres humanos têm um corpo e um espírito e se a ciência é suficiente para alimentar o corpo, o espírito precisa de Deus. A fé exclusiva na ciência deixa o espírito nas trevas e esse é o demónio do iluminismo. Já agora, recomendo vivamente o livro de Edward O. Wilson “Consilience”, uma pérola.
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