08 novembro 2007

um de cada vez


Na minha opinião, não é possível conceber o ideal de justiça sem a ideia de Deus. Por isso, a principal vítima do ateísmo, ou do agnosticismo, onde eles sejam prevalecentes, ou meramente influentes, é o sistema de justiça.

Quando Deus é retirado do caminho, a ideia do outro como um ser humano com uma dignidade igual à minha cai por terra, e a imparcialidade - que é o atributo essencial da justiça - desaparece com Deus. Sentindo que não têm de prestar contas a ninguém que zele pela imparcialidade no tratamento de todos, os ateus acabam invariavelmente a prestar contas aos homens, o que significa, em primeiro lugar, a eles próprios, e ao grupo dos seus apaniguados.

Dois exemplos retirados da blogosfera ilustram a situação. O Euroliberal tem vindo a queixar-se no Portugal Contemporâneo (ver aqui na caixa de comentários) da censura que fizeram a um comentário seu a este post no 5 dias, significando que a extrema esquerda promete a liberdade para todos, desde que seja um de cada vez - e eles em primeiro lugar.

Eu próprio já me tinha queixado acerca do Arrastão. Quem abre o blogue depara com uma declaração admirável de princípios éticos a respeitar, condição sine qua non para se comentar no blogue. Em particular, não são permitidos insultos. Ora, a verdade é que não são permitidos insultos ao autor do blogue e aos seus amigos - porque se os insultos forem dirigidos a outra pessoa, que não faça parte dos seus apaniguados, os insultos já são permitidos (cf. a caixa de comentários a este post).

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