26 novembro 2005

pinochet, liberalismo e economia


Ao contrário do que por aí se vai dizendo, foi graças ao liberalismo económico chileno que Pinochet foi derrubado.
Não fossem as privatizações efectuadas depois do governo de Allende, as políticas de abertura comercial ao exterior e a liberdade de comércio implantada no país pelos «Chicago boys», e o Chile não se teria transformado na mais próspera economia da América do Sul, com uma redução da pobreza dos 39% para os 20% e com elevados níveis de escolaridade, coisa rara nesta região.
Sendo certo que as ditaduras e o desenvolvimento não co-habitam por muito tempo, a fortíssima classe média que o liberalismo económico gerou no Chile, exigiu o que lhe faltava: a liberdade política. Foi por isso e só por isso, pela forte pressão de uma opinião pública socialmente desenvolvida, que Pinochet se viu forçado a aceitar a realização do referendo que o afastou do poder.
Se o ditador estava consciente que ao liberalizar a economia estava a condenar o seu próprio regime, já é outra conversa. Provavelmente, como muitos outros socialistas, também Pinochet pensava que o liberalismo se esgotava no campo da Economia. Enganou-se.

15 comentários:

jpt disse...

com "como muitos outros socialistas" quer V. significar que Pinochet era socialista ou é apenas uma forma de frase?

camisanegra disse...

Então pelos sucessos dessa tal política liberal por ele seguida não cabem méritos nenhuns ao "socialista" Pinochet?

Anónimo disse...

Eu suponho que rui queira dizer que cometem o mesmo erro.

Quanto á educação o Chile sempre foi um País com um nível de educação acima da media, mas isso não é estranho também em relação a outros países da mesma região que já foram prósperos. O que é significativo é como o revolucionarismo destruiu a prosperidade de alguns países da América Latina, um dos quais a Argentina que no início do Século XX tinha melhor nível de vida que a França ou Italia.
Quanto a Pinochet pode-se orgulhar de estar na muito pequena lista dos Ditadores esclarecidos, é dos poucos que no Sec XX não levou o próprio país á bancarrota. Que o liberalismo económico tenha sobrevivido ao caciquismo natural de uma ditadura e que devido ao seu sucesso tenha contribuído para uma transição pacifica é significativo.

Lucklucky

Anónimo disse...

Liberalismo não é só privatizações ao contrário do que certas criaturas do dois lados da barricada nos querem fazer querer. Liberalismo é um conjunto de regras que coloca a liberdade económica nas mãos do indivíduo abrindo os negócios á concorrência.
No Chile não se ficou só pelas míticas privatizações. Por cá chama-se liberal a Cavaco só por ter privatizado meia duzia de empresas, mostra como estamos desfazados da realidade e o caminho que temos de percorrer.

Lucklucky

Joao Galamba disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Joao Galamba disse...
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Joao Galamba disse...

Caro Rui,

O teu post parece sugerir uma reabilitacao implicita do Pinochet. Tu critica-lo (e bem), mas depois, em jeito de finta, dizes que sem o liberalismo (leia-se: sem o proprio Pinochet) a democracia nao seria possivel. Eu leio-te assim. Podes ter feito isto inconscientemente,e discordar da minha interpretacao, mas como o significado das palavras nao se esgota na intencao do autor, penso que a minha interpretacao nao e descabida.

(ps: publiquei um post sobre a Liberdade Negativa sobre o qual gostava de saber a tua opiniao)

Um abraco,
Joao Galamba

Luis M. Jorge disse...

Como não teve a cortesia de citar fontes, nesta referência, eu cito uma por si.

O Franco Atirador.

rui disse...

Desculpe a indelicadeza, caro Franco Atirador, mas a polémica não se esgotou ao seu blogue.
Caro João Galamba, só lhe poderei responder, como deve ser, na segunda-feira, por absoluta falta de rempo. Desculpe. Contudo, o Claudio Tellez já foi adiantando muito na caixa de mensagens do Franco Atirador.

AA disse...

Será interessante verificar a teoria de Friedman relativamente a outro país "palestrado"... a China.

Claudio Tellez disse...

AA: Saiu uma entrevista com o Friedman justamente sobre a questão Chile/China, em uma das edições da Conjuntura Econômica, uma revista brasileira. Lembro-me de ter visto isso há alguns meses. Vou procurar na biblioteca da universidade.

Claudio Tellez disse...

Recuperei um post antigo do Val-ediction sobre o assunto e reproduzi no meu blog.

camisanegra disse...

Isto parece uma telenovela!
O socialista Pinochet derrubou o socialista Allende.
Depois, o socialista Pinochet seguiu uma política liberal.
Mas a sua política liberal acabou por derrubar o dito Pinochet.
Conclusão: Pinochet ficou mal com os liberais e mal com os socialistas.
Pobre Pinochet!

Claudio Tellez disse...

Hehehehe... é mais ou menos por aí! Da minha parte, confesso que estou bastante decepcionado com Pinochet. Apesar dele ter sido responsável pelo impulso inicial que colocou a economia chilena no caminho da prosperidade, e apesar da Junta Militar ter parado a tempo o processo de cubanização no Chile, a questão das contas de Pinochet no exterior me dá nos nervos. Até a minha avó contribuiu com as suas jóias para a recuperação da economia chilena! É como disse Acton, "todo o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente".

Anónimo disse...

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