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19 dezembro 2018

Blunders

Desde que bloqueou a obra da Associação Joãozinho, levando à sua paralisação, o Governo passou a anunciar efusivamente que seria o Estado a fazê-la.

No decurso deste processo, o Governo, em articulação com a administração do HSJ e, ocasionalmente, também com a Administração Regional de Saúde-Norte (ARS-Norte), cometeu três grandes blunders. (A palavra tem aqui o sentido de uma mentira racionalmente planeada mas que sai estrondosamente mal).

Cada blunder é precedido de numerosas notícias que alimentam a esperança durante meses que o Governo vai construir a ala pediátrica do HSJ. Até que chega o dia fatal e o blunder explode. O Governo passa imediatamente a alimentar o seguinte, e o processo repete-se. É curioso notar que é o Governo que cria o blunder e é ele próprio que o faz explodir.


Blunder #1 - O Blunder da Comissão

O primeiro blunder começa no final de 2016 e ganha intensidade no princípio de 2017, atingindo o auge com este artigo do Público em Janeiro desse ano (cf. aqui): o Governo tinha libertado 21 milhões de euros para fazer a ala pediátrica do HSJ. O artigo era precedido de um outro na véspera descrevendo as condições de internamento das crianças.

Em Março, porém,  sai um despacho do Secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado,  a revelar que, afinal, não havia dinheiro nenhum. O Secretário de Estado mandava nomear uma Comissão para estudar se a obra era ou não necessária e, caso afirmativo, estudar as formas do seu financiamento (cf. aqui).  

(Como mais tarde o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Aráujo, admitiria perante mim: "Essa, de facto, saiu muito mal...") 


Blunder #2 - O Blunder do Memorando

Aproveitando a celebração do Dia Mundial da Criança, o Governo organiza uma cerimónia no Hospital de São João no dia 1 de Junho de 2017, que atrai as televisões e restante comunicação social, para anunciar o início das obras na ala pediátrica do Hospital de São João, através da assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Hospital de S. João, a ARS-Norte e o Ministério da Saúde, representado pela Administração Central dos Serviços de Saúde (ACSS).

Estão presentes os Secretários de Estado Manuel Delgado e Fernando Araújo.

O Memorando anuncia  o início das obras ainda em 2017 e prevê o escalonamento dos seus pagamentos: 2 milhões em 2017, 15 milhões em 2018, 6 milhões em 2019.

Assinam o Memorando pelo HSJ, o seu presidente, António Oliveira e Silva; pela ARS-Norte, o seu presidente, António Pimenta Marinho; pela ACSS, a sua presidente, Marta Temido. O Memorando é homologado pelo Secretário de Estado Fernando Araújo.

Em Outubro de 2018, Marta Temido, agora Ministra da Saúde, é confrontada com o Memorando pela comunicação social e não sabe onde é que se há-de meter (cf. aqui).


Blunder #3 - O Blunder do Despacho

Em Abril de 2018, o pai de uma criança oncológica, Jorge Pires, indignado com as condições de internamento no HSJ, vem a público e lança o escândalo.

O Ministro da Saúde reage dizendo que a obra vai começar imediatamente, o HSJ até já lá tem o dinheiro, o que o presidente do HSJ confirma. Só falta é a autorização do Ministro das Finanças (cf. aqui).

Durante meses, a autorização esperada do Ministro das Finanças alimenta as notícias, chegando mesmo a especular-se se a autorização teria viajado de Lisboa para o Porto em avião ou a pedais.

O Governo chega a anunciar em Setembro que a verba foi desbloqueada (cf. aqui).

Nesse mesmo mês, porém, o que vem do Ministério das Finanças não é a autorização para utilizar o dinheiro, mas um despacho. O Ministro das Finanças publica um despacho conjunto com o Ministro da Saúde a autorizar o HSJ a abrir concurso para mandar refazer o projecto de arquitectura e engenharia da ala pediátrica do HSJ (cf. aqui). Dinheiro, nicles.


21 abril 2020

grandiosas mentiras

A questão dos ventiladores encomendados pelo Governo a uma empresas chinesa tem muitas semelhanças - como tenho vindo a salientar - com a ala pediátrica do HSJ.

Num post que escrevi em Dezembro de 2018, com o título Blunders (cf. aqui), reuni três grandiosas mentiras que o Governo alimentou na comunicação social, com a cumplicidade desta, acerca da ala pediátrica do HSJ. De então para cá, outras se seguiriam.

A realidade é que, passados quatro anos e meio no poder, o Governo não fez nem deixou fazer a ala pediátrica do HSJ. Foi sempre tudo mentira.

O mesmo está a acontecer com os 500 ventiladores encomendados à China na gloriosa madrugada de 22 para 23 de Março (cf. aqui).

Esses ventiladores não existem.

07 agosto 2021

comer a relva

O Chega continua a ser alvo de uma campanha negra na comunicação social do sistema e esta semana foi fértil em episódios. O principal veio do Ministério Público ao constituir arguidos o André Ventura e outros dirigentes do Chega por causa de um jantar de campanha para as presidenciais realizado em Braga em Janeiro passado (cf. aqui).

Segundo as notícias da altura, a GNR esteve presente no local e, se o jantar não se poderia realizar, por que é que não lhe pôs termo no momento? O próprio Ministério Público poderia ter inviabilizado o jantar que foi anunciado com antecedência. Por que é que não o fez, andam a dormir?

A resposta é bastante simples. Não o fez para poder agora fazer aquilo que fez - criminalizar o André Ventura e outros dirigentes do Chega em cima das eleições autárquicas, como convém.

Agora, que as sondagens  dão o Chega como o terceiro partido do país, o maior adversário do Chega não é nem o PSD nem o PS institucionais. O maior adversário do Chega é o Ministério Público onde cobarde e corruptamente se escondem o PSD e o PS (mais os seus respectivos acólitos), fazendo política sob a aparência de estarem a fazer justiça.

Partidos com a dimensão parlamentar do Chega (um deputado) conseguem concorrer normalmente a cerca de 20 autarquias quando se apresentam pela primeira vez a eleições autárquicas. Pois, o Chega vai concorrer em Setembro a 220 autarquias,  mais até do que o BE que tem uma dimensão parlamentar muito superior ao Chega. 

Tratou-se de um esforço organizativo gigantesco para a dimensão do Partido, e deve-se ao facto de o Chega possuir uma característica que os outros partidos não têm, ou porque estão demasiado instalados ou porque têm muitos punhos de renda para andar aí pelo país interior a arranjar candidatos e a organizar candidaturas.

Essa característica - em linguagem futebolística - é a de que os dirigentes, e mais ainda os militantes do Chega, estão dispostos a comer a relva. Este atributo tem sido decisivo para o crescimento do Chega e para o tornar, num curto espaço de tempo, um dos principais players no quadro partidário do país.

Naturalmente, que a inexperiência e o enorme esforço organizativo produziram algumas falhas, mas que a comunicação social instalada não deixa de explorar como se fossem grandes blunders (cf. aqui) ou até ilegalidades (cf. aqui).

Um artigo desta semana no Observador diz que existe nepotismo no Chega (cf. aqui). Mas como, se o Chega não controla nenhum ministério, nenhuma secretaria de Estado, nenhuma empresa pública, nenhuma câmara municipal, nenhuma junta de freguesia? Tudo aquilo que o Chega tem é uma deputado na AR sem qualquer poder para gastar dinheiro do Estado a favorecer amigos ou a família.

O Expresso tem um jornalista  (por assim dizer) exclusivo para dizer mal do Chega, e para não fazer outra coisa acerca do Chega. Esta semana, através do Jornal da Corte, os portugueses ficaram a saber que alegadamente existem neonazis infiltrados no Chega (cf. aqui). 

Não sei se existem, mas é pouco provável. O nazismo é uma deriva do socialismo e o próprio partido nazi de Adolfo Hitler se chamava Partido Nacional-Socialista. Ora, não existe nada de socialismo no Programa do Chega ou qualquer afirmação de supremacia nacionalista ou racial que o aproxime do nazismo. O nacionalismo do Chega é uma questão de identidade nacional (cf. aqui). Existem muito mais semelhanças com o nazismo nos programas dos partidos do regime - certamente o socialismo, seja na versão comunista ou na versão social-democrata.  

Pretende-se passar a ideia de que o Chega atrai pessoas violentas e cabeças rapadas. Mas desde Maio passado, eu estive como convidado em cinco eventos do Chega e não vi nada disso - Reunião do Gabinete de Estudos (Maio, Almada), Reunião da Juventude Chega (Junho, Santarém), Congresso do Chega (Junho, Coimbra), Conselho Nacional do Chega (Julho, Sagres) e Convenção Autárquica do Chega (Julho, Santarém).

Em nenhum destes eventos eu vi cabeças rapadas. Pelo contrário, nunca senti a mínima insegurança - eu, que sou um principiante nestas andanças partidárias. Todos os eventos decorreram com o máximo civismo e todas as reuniões de trabalho foram conduzidas com enorme profissionalismo, e todas elas abertas a jornalistas.

Aquela ideia que o status quo pretende passar do Chega como um partido de desordeiros é, segundo a minha experiência, absolutamente injustificada. Aquilo que eu vi foi um Partido que me parece imensamente popular, cheio de entusiasmo e cujos militantes estão dispostos a fazer aquilo que os outros não estão - comer a relva. É isso que é distintivo no Chega.

24 março 2015

A nova geração está a destruir a língua

 Aí está uma verdade intemporal:

The common language is disappearing. It is slowly being crushed to death under the weight of verbal conglomerate, a pseudospeech at once both pretentious and feeble, that is created daily by millions of blunders and inaccuracies in grammar, syntax, idiom, metaphor, logic, and common sense.... In the history of modern English there is no period in which such victory over thought-in-speech has been so widespread. Nor in the past has the general idiom, on which we depend for our very understanding of vital matters, been so seriously distorted. 
A. Tibbets and C. Tibbets, What's Happening to American English?, 1978

Recent graduates, including those with university degrees, seem to have no mastery of the language at all. They cannot construct a simple declarative sentence, either orally or in writing. They cannot spell common, everyday words. Punctuation is apparently no longer taught. Grammar is a complete mystery to almost all recent graduates. 
J. Mersand, Attitudes toward English Teaching, 1961

From every college in the country goes up the cry, "Our freshmen can't spell, can't punctuate." Every high school is in disrepair because its pupils are so ignorant of the merest rudiments. 
C. H. Ward, 1917


The vocabularies of the majority of high-school pupils are amazingly small. I always try to use simple English, and yet I have talked to classes when quite a minority of the pupils did not comprehend more than half of what I said. 
 M. W. Smith, "Methods of Study in English," 1889

Unless the present progress of change [is] arrested...there can be no doubt that, in another century, the dialect of the Americans will become utterly unintelligible to an Englishman... 
Captain Thomas Hamilton, 1833 

Our language is degenerating very fast. 
James Beattie, 1785