03 novembro 2026

Décimo Arroja

 

Cartoon Fernando Arroja


Em Julho de 2017 eu tinha comparecido no Tribunal de Instrução Criminal de Matosinhos perante a juíza Catarina Ribeiro de Almeida e o magistrado do Ministério Público, António Prado e Castro, e saí de lá acusado. Eu iria agora ser julgado por dois crimes - ofensa a pessoa colectiva e difamação agravada - cada um dos quais podendo dar prisão. 

Por esses dias, tive conhecimento de que iria ter mais um neto, o sétimo, e logo começaram a correr piadas na família de que o neto iria conhecer o avô à prisão.  O neto acabaria por nascer, como previsto, em Fevereiro de 2018, precisamente o mês em que o avô começou a ser julgado no Tribunal de Matosinhos.

Escrevi, então, um post no Portugal Contemporâneo com o título "Sétimo Arroja" (cf. aqui) para celebrar o nascimento de mais um neto e as circunstâncias da minha vida em que ele vinha ao mundo. O neto viria a chamar-se Miguel e tem hoje oito anos, o primeiro bracarense da família.

Hoje, escrevo um post com o título "Décimo Arroja". Está iminente o nascimento do Benjamim. 

Já não existe o risco de o Benjamim ir conhecer o avô à prisão. Mas vai nascer com um avô criminoso porque o Estado ainda não cumpriu a decisão do TRP de mandar limpar o meu registo criminal (julgo que compete ao Instituto de Registos e Notariado fazê-lo, a mais calaceira das burocracias portuguesas). Como também ainda não me pagou mais de 30 mil euros da indemnização que ficou obrigado a pagar-me (aqui a burocracia caloteira é o Instituto de Gestão Financeira e das Infraestruturas da Justiça)

Dava-me jeito receber essa pasta. Para que no próximo Natal possa abrir uma conta bancária ao Benjamim e depositar-lhe lá uma pequena parte desse montante  que me permita mais tarde dizer-lhe ao ouvido. "Faz como fez o avô. Nunca te vergues perante patifes, mesmo que os eles te apareçam de toga!". 

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