11 fevereiro 2026

Não pela ideologia

 



Os portugueses, tal como outros povos de cultura católica, nunca criaram nenhuma ideologia, seja o socialismo seja o liberalismo ou outra, ou cada uma das suas respectivas variantes.

Mas quando se trata de imitar aquilo que foi criado pelos outros, os portugueses são capazes de levar as coisas ao extremo, e tornarem-se mais papistas que o Papa. Eles são capazes de se zangar com familiares e amigos por causa da ideologia.

É uma das lições que aprendi na vida: "Os portugueses são uns ideólogos do caraças". Nunca vi nada igual. Ideólogos e juristas (as categorias não são mutuamente exclusivas, bem pelo contrário), quem quiser conhecer os melhores do mundo, deve procurar em Portugal.

O meu candidato preferido para presidente da República era o almirante Gouveia e Melo. Mas, não sendo satisfeitos os meus desejos, a minha segunda escolha era o António José Seguro. Não pela ideologia, mas pela personalidade (incluindo a idade). O cargo de presidente da República é de natureza comunitária, não de natureza sectária ou partidária (cf. aqui). 

É esta natureza comunitária que pode mitigar o excesso de sectarismo ou partidarismo (Salazar chamava-lhe "partidarite") que se instalou na sociedade portuguesa, e que não é de bom augúrio.

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