1. O Padrinho
A Cuatrecasas levou catorze testemunhas para o julgamento, das quais cinco eram advogados da própria sociedade. Eu, convencido que não tinha cometido nenhum crime, levei apenas uma, e mesmo esta só depois de muita insistência da minha advogada.
A ideia da Cuatrecasas era prolongar o julgamento o mais que pudesse, a fim de me grelhar no Tribunal e perante a opinião pública na condição de réu. E conseguiu. Os crimes de ofensas, às vezes chamados depreciativamente crimes de fim-de-semana, resolvem-se habitualmente numa única sessão de julgamento. Pois, o meu julgamento teve oito sessões e estendeu-se por quatro longos meses.
Ao final de terceira sessão, e de vários depoimentos por parte da acusação, as mentiras escorriam já pelas paredes da sala do Tribunal, e eu convenci-me que iria ser trucidado. Ocorreu-me então que a minha única defesa seria recorrer ao blogue Portugal Contemporâneo e expôr as patranhas que eram ditas pelas testemunhas da Cuatrecasas, orquestradas pelos advogados que a representavam, Adriano Encarnação e o filho, Ricardo Encarnação.
Estes advogados pertenciam à sociedade Miguel Veiga, Neiva Santos & Associados que ostentava na sua designação social o nome de um falecido barão do PSD, e esta coincidência não era acidental. Para além do queixoso Paulo Rangel, a maior parte das testemunhas pelo lado da acusação eram figuras conhecidas do PSD, seja a nível local seja a nível nacional, como o ex-juiz do Tribunal Constitucional Paulo Mota Pinto.
Em breve, os advogados da Cuatrecasas começaram a queixar-se ao juiz que eu andava a comentar o julgamento no blogue, e as queixas passaram a ser recorrentes em cada sessão. A partir dessa altura eu não tinha dúvida nenhuma que toda a gente no Tribunal lia o blogue. Na minha estimativa, o leitor mais antigo, muito antes do julgamento, era mesmo o magistrado do Ministério Público que, entretanto, desconhecendo o seu nome (José Manuel Ferreira da Rocha), eu baptizara no blogue com o nome de Magistrado X.
Na altura, o blogue era aberto e, ao final de alguns meses, enquanto o julgamento continuava a decorrer e as patranhas continuavam a fluir na sala do Tribunal, ocorreu-me pedir aos leitores do blogue que me sugerissem uma música que pudesse servir de Hino à Cuatrecasas.
O resultado - a música mais sugerida por uma esmagadora maioria de mais de 75% dos leitores que se deram ao trabalho de responder - foi a música do filme "O Padrinho" (cf. aqui).
Foi essa música que inspirou o título deste livro.
(Continua acolá)

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