STARGATE
*500 biliões 500*
Eis uma cifra que chama a atenção para o projecto STARGATE: US$ 500 biliões (milhares de milhões de dólares). Sucintamente trata-se de um investimento massivo em infraestruturas de Inteligência Artificial (AI) que procura impulsionar saltos quânticos em diversos domínios científicos e tecnológicos, dos quais Larry Ellison (Oracle) destacou a saúde.
Para Ellison é possível, com a intervenção da AI e da tecnologia mRNA (utilizada nas vacinas para a Covid), desenvolver vacinas personalizadas para o cancro. O processo inicia-se por análises de sangue que pesquisam fragmentos de células malignas em circulação, procede com o estudo da sequência genética dessas células e culmina com a síntese robótica de vacinas à base de mRNA dirigidas para aniquilar o cancro. Segundo Ellison este processo pode ser concluído em 48 horas.
Alguns especialistas denunciaram de imediato este projecto como simplista e sem bases científicas sólidas. Contudo, o alcance fenomenal do Stargate e o mega-investimento que o suporta não devem ser liminarmente descartados.
Em termos médicos, o sucesso desta abordagem, no arsenal da medicina oncológica, teria um alcance idêntico ao da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães (1519-1522) ou, em termos contemporâneos, de uma viagem a Marte. Seria uma revolução total.
Para percebermos o alcance desta proposta é necessário reflectirmos sobre as dificuldades que subsistem em oncologia:
- 1. Todos os cancros são geneticamente diferentes (como as impressões digitais) e nem sempre respondem aos mesmos tratamentos.
- 2. Os tratamentos existentes são pouco específicos e também atacam as células saudáveis dos pacientes.
- 3. Os cancros desenvolvem resistência aos tratamentos.
As vacinas Stargate superariam estas dificuldades:
- 1. Por serem desenvolvidas para cada cancro.
- 2. Por não atacarem as células normais.
- 3. Por poderem ser rapidamente reformuladas se o cancro desenvolver resistência.
Sob o ponto de vista médico, trata-se também de reconhecer a necessidade de uma abordagem personalizada. É necessário abandonar a massificação dos serviços de saúde e reconhecer que cada doente é um ser humano único, com problemas particulares, que só podem ser resolvidos de forma casuística — o que é a tradição médica.
Os Europeus devem procurar participar no Stargate e em projectos idênticos, para não ficarem relegados para a segunda liga das indústrias da saúde.
Haja saúde!
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