Eram 5:00 da tarde. Tinha acabado o mais longo e o mais cerrado interrogatório a que o julgamento assistiu - o do magistrado do Ministério Público ao director da Cuatrecasas, Filipe Avides Moreira, testemunha de acusação.
Foi um interrogatório muito bem preparado e absolutamente neutral.
Nos momentos finais, o magistrado exibiu os sinais do cansaço. Queria articular a última pergunta, mas não conseguia, perante o silêncio da sala. Remexeu nos papeis, pegou na caneta, voltou a remexer nos papeis, mas não lhe saía.
A sala em silêncio, os segundos a passarem, sentado no banco dos réus, tive vontade de lhe gritar a pergunta que lhe faltava.
Acabou por se render e ceder a palavra ao juiz, o qual perguntou então aos advogados se iriam demorar a interrogar a testemunha.
A advogada de defesa foi a primeira a reagir:
-Eu vou demorar...e muito!...,
e eram os dentes que sobressaíam na sua expressão.
Pressentiu-se o cheiro a sangue na sala.
Perante tal reacção, o Papá Encarnação não quis ficar atrás:
-Eu também vou demorar... por causa da acusação pública ... e também por causa da acusação particular...
O juiz deu por terminada a sessão.
Se houver sangue, será no próximo dia 4 de Maio.
E será uma mulher a morder num homem.
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