09 março 2017

associação/ dissociação

A “DISSOCIAÇÃO”, como o termo indica é um estado mental de afastamento da realidade, diferente do delírio psicótico que implica um corte com a realidade.

A dissociação tem graus diferentes que vão desde ignorar voluntariamente um determinado assunto, para minimizar a ansiedade que lhe está associada, ao devaneio mental, até à doença das múltiplas personalidades.

Na Programação Neurolinguística – PNL – a “dissociação” é a designação que se atribui a uma posição percetual externa, por oposição à “associação”, que é quando vemos o mundo pelos nossos próprios olhos.

Quando estamos associados, isto é, quando vemos o mundo pelos nossos próprios olhos, a representação da realidade evoca um conjunto de emoções e sensações distintas das que emergem quando estamos dissociados.

Pensemos nas fobias, por exemplo. Uma pessoa que tenha aracnofobia (fobia de aranhas) entra em pânico quando está próxima de uma aranha, mas tem uma reação diferente quando recorda o episódio, vendo-se de fora. Neste caso aprecia o ridículo da situação, pode até rir, e sente alívio pelo distanciamento.

Imaginem-se ao volante de um automóvel que se aproxima de um cruzamento e que, de súbito, se apercebem de que o semáforo mudou para vermelho (estado associado). Como reagem? O que sentem?

Nessa situação, eu sinto “stress”. Entro em estado de alerta, foco a consciência no momento, confiro o que se passa à minha volta, em frações de segundo, e travo ou acelero, de modo a evitar qualquer acidente. Apanho um susto, por assim dizer.

Agora imaginem-se à janela de um edifício a verem-se ao volante de um automóvel que se aproxima de um cruzamento, sem abrandar, quando o semáforo passa para vermelho (estado dissociado).

Nesta perspetiva, eu não sinto stress, mas curiosidade, e sou mais rápido a julgar o meu próprio comportamento ao volante. ‹‹Faz muitas destas e vais ver›› - pensaria.

Em psicoterapia neurolinguística, a dissociação pode ser utilizada para consciencializar o cliente das diferentes perspetivas que a mesma situação ou problema oferece. Num conflito entre duas pessoas, por exemplo, podemos pedir ao cliente que se coloque na posição de um observador independente e que nos dê a sua perspetiva nessa “posição percetual”.


Como tudo muda quando muda a perspetiva; é impressionante, não é?

2 comentários:

Miguel disse...

Muito interessante.
Obrigado!

marina disse...

a empatia natural dá muito jeito , então : poupamos uma data de palavras caras e estados dissociativos na hora de ver o problema desde a perspectiva do outro.