Está aprovada na Assembleia da República uma lei que visa penalizar as manobras dilatórias dos advogados nos processos judiciais. Tem um aspecto muito peculiar a que Rui Rio faz alusão na sua entrevista à SIC (cf. aqui., min. 3:06 e segs.)
"... Vai daí [o juiz] aplica uma multa ... ao cidadão! ... Quer dizer o advogado faz aquilo e o cidadão paga uma multa..."
Que engraçado, que corporativismo maravilhoso. O advogado comete a falta e quem paga a multa é o cliente. As multas podem chegar aos 10 200 euros (cf. aqui).
Já se imaginou, dentro de um táxi, o taxista passa um sinal vermelho, é multado, e quem paga a multa é você?
Pois é isto mesmo que acontece na Justiça, um mundo de irresponsáveis absolutamente à parte do resto do país, onde ninguém responde por nada, onde a culpa é sempre dos outros.
O Rui Rio é o político democrático mais vocal acerca daquela que é para ele (cf. aqui, min. 10:06) e também para mim, a mais importante reforma a realizar em Portugal - a reforma da Justiça.
O fim seria o mesmo, instaurar um sistema democrático de justiça no país - caso contrário é a justiça que vai acabar com a democracia (como já está a acontecer naquele Portugal exagerado, que é o Brasil) - mas creio que teríamos pontos de partida diferentes. Eu começaria por acabar com a Ordem dos Advogados (cf. aqui, min. 1:34:21).
Embora existam seguramente muitas pessoas sérias entre os 40 mil advogados inscritos na Ordem, que são certamente a maioria, ainda restam muitos milhares para, na minha estimativa, fazerem da Ordem dos Advogados a maior instituição protectora de criminosos que existe no país.
Uma instituição que certifica aos milhares a competência profissional e a idoneidade pessoal de pessoas que não conhece torna-se inevitavelmente um chamariz para criminosos.

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