01 abril 2016

Autoridade

É mais um sinal do profundo catolicismo da população portuguesa.

A única surpresa é ser o primeiro. Estar entre os cinco primeiros não seria surpresa nenhuma.

É bem provável que Portugal seja o país com o sentimento católico mais arreigado do mundo. Nunca houve em Portugal uma heresia, um movimento protestante com algum significado, e, desde a sua fundação,  a lealdade do país à Igreja Católica é extraordinária.

A democracia partidária é anti-religiosa porque parte, desune. A Igreja, pelo contrário, une, e o Papa é a figura de unidade. Quarenta anos de democracia partidária, na versão iniciada em 1974, não foram suficientes para abater este sentimento de unidade entre os portugueses.

Ser religioso não é popular num regime de democracia partidária. Mas os portugueses continuam a viver a sua religiosidade, muitas vezes de forma privada, senão mesmo escondida. O catolicismo português está, em primeiro lugar, concentrado (e teve origem) no norte do país.

O Estado é laico, mas o povo permanece religioso, significando que, neste aspecto pelo menos, o Estado não é nada representativo do povo, apesar de se intitular democrático.

Significativo também é o facto de o Papa, pelo menos no mundo ocidental da democracia e do estado de direito, ser o único Chefe de Estado que está acima da lei - a lei é Ele. Que os portugueses gostem tanto dele deve dizer alguma coisa acerca do apreço que eles têm pelo Estado de Direito.

O que é que não há na Lei, mas que existe no Papa, e que só uma pessoa pode inspirar?

Autoridade.

9 comentários:

José Lopes da Silva disse...

Mesmo sendo jesuíta? Terá o papa Bento XVI tido os mesmos níveis de... popularidade?

Harry Lime disse...

A democracia partidária é anti-religiosa porque parte, desune. A Igreja, pelo contrário, une, e o Papa é a figura de unidade. Quarenta anos de democracia partidária, na versão iniciada em 1974, não foram suficientes para abater este sentimento de unidade entre os portugueses.

Ah... estou a ver... E por isso é que o Governo embargou o Joãozinho...

Rui Silva

Harry Lime disse...

É bem provável que Portugal seja o país com o sentimento católico mais arreigado do mundo. Nunca houve em Portugal uma heresia, um movimento protestante com algum significado, e, desde a sua fundação, a lealdade do país à Igreja Católica é extraordinária.

Ah, sim? O PA conhece algum movimento herético na Argentina? Então e na Espanha? E na Itália? A não ser que, para o PA, São Francisco de Assis tenha sido um herege...

E o que é um movimento herético? A teologia da libertação é um movimento hereético? Então e o Cardeal Lefebvre, é ou não é herético?

Estas afirmações bombasticas do PA, "totalizantes" e totalitárias" (à economista porque só os economistas é que fazem afirmações deste tipo), é que são esquisitas.

Rui Silva

Harry Lime disse...

O que é que não há na Lei, mas que existe no Papa, e que só uma pessoa pode inspirar?

Ah, eu sabia! As acções de um verdadeiro católico (como o PA, presumo) não obedecem às leis dos homens mas às leis, presumo que "naturais", vindas directamente de Deus (intermediadas pelo Papa).

Assim se explica a irritação do PA pela rejeição do Joãozinho. É que estamos a tratar dum empreendimento claramente alinhada com as Leis de Deus... e com o dinheiro do contribuinte!

Rui Silva

Sr. Hamsun disse...

"Lealdade à Igreja". Certo. Agora, ao sr. Bergoglio? um relativista que desaconselha o proselitismo, que é tão compreensivo para com a canalha islâmica, a canalha esquerdista e outros? no máximo esta popularidade revela a ignorância teológica dos portugueses. Ou então o estudo foi feito entre esquerdalhistas, ateus e outros que andam tão contentes com este papa - porque será?

Harry Lime disse...


E já agora, pergunto-me como é que houve heresias na Idade Media...

https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Christian_heresies#Medieval

Deve ter sido por causa do protestantismo dos bulgaros (de onde vêm os bogomilos, por exemplo) que estavam tão à frente que até já eram protestantes 300 ou 400 anos antes da Reforma.

São mesmo à frente.

Rui Silva

Anónimo disse...

Essa da lealdade extraordinária dos portugueses à Igreja é.. extraordinária, tendo em conta a cada vez mais geral indiferença dos portugueses pela Igreja e pela religião católica. Como a maioria das igrejas estão quase vazias, os portugueses devem ter um altar privado em casa e rezam todas as noites o terço. Depois saem para ir tomar um copo, ou à discoteca... O PA julga-se no século XVIII.
O PA, como teólogo amador, é engraçado. Pelo menos, enquanto faz estas elocubrações, não se mete em outras aventuras
PA, os portugueses gostam do Papa, porque ele é um tipo simpático. É só isso, não invente.

Pedro Sá disse...

Eu gostava mais do PA que distinguia - e bem - "devoto" de "religioso", afirmando, correctamente, que a maioria dos portugueses são devotos, mas não religiosos.

Dan disse...

O papa ser apreciado em anda tem a ver com a devoção da população. Eu, como tantos outros, sou agnostico, mas sem perceber que a igreja tem um impacto significativo no mundo, e o papa francisco, dentro do contexto que envolve os seus deveres, é uma pessoa de valor, cujo carácter e ideais aprecio.