18 setembro 2014

estalinista

A verdade é outra: as dificuldades, maiores ou menores, que há todos os anos por altura da abertura do ano escolar são uma consequência directa do gigantismo paquidérmico do Ministério da Educação, do seu centralismo e da sua obsessão monopolista. É também uma consequência de o foco das suas políticas ser há muitos anos os professores, as suas carreiras e os seus direitos, e não os alunos e as suas famílias.
Basta olhar para o mastodonte. O Ministério da Educação não é só a maior “empresa” portuguesa, com mais de 150 mil funcionários e uma burocracia que vomita directivas sobre directivas. O ME é também uma empresa com milhares de locais de trabalho diferentes, com necessidades diferentes, mas que está capturado por interesses sindicais que o obrigam a tratar todos os funcionários e todos os candidatos a funcionários de forma uniforme e centralizada.
Comentário: Passa-se o mesmo na saúde e na segurança social.

24 comentários:

Anónimo disse...

Pior. Está a acontecer isso por ALGUEM o quer assim. E ainda disfruta.Com o Kaos absoluto...

Ricciardi disse...

... e na Defesa, Segurança, Justiça.
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Rb

Anónimo disse...

Caro Rb,

Eu sei k o Sr. é uma pessoa que pensa os problemas. Foi certamente um lapso comparar a defesa com a saúde ou a educação.
Está desculpado :-)

Joaquim

Ricciardi disse...

Caro Joachim,
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Porque é que confia no Estado para assegurar a defesa e a ordem e não confia nos privados para o mesmo efeito?
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Depois de responder a esta pergunta podemos perceber porque é que o caro Joachim considera não devemos confiar no estado para assegurar a saúde que, para mim, tem uma importância essencial a par da ordem, ligeiramente abaixo ou acima dependendo das ocasiões.
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Se existem áreas estratégicas básicas para uma comunidade, a saúde, a justiça e ordem são as três principais sem as quais nada pode funcionar.
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Depois abaixo disto ele há a educação que prepara o pessoal para a economia, ciencia, artes etc. Importante, mas subsidiária das três acima referida.
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Hayek defendia coisa semelhante. Ser ler o livro de troca de correspondencia entre ele e Keynes cujo nome me escapa verá que o Joachm terá de fazer o favor de desculpar igualmente o Hayek.
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Rb

Ricciardi disse...

Em todo caso, Joachim, não defendo o mesmo para todos os países. É consoante como se diz no norte. Depende do nível de desenvilvimento de um país.
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Por exemplo, em Angola é um país onde o estado tem de investir na Saúde, de cabinda ao Cunene. A razão é que não existe alternativa. Ou se fornece saúde pública ou o pessoal morre. Com a educação, em Angola, é a mesma coisa. O estado tem de fazer escolas e formar profes.
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Em Portugal já não tem que ser assim. O Estado não tem que ocupar todo o espaço na saúde e educação porque entretando a sociedade desenvolveu-se.
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Eu às vezes passo por miúdos em ANgola a ir para escola. Miúdos que vivem nos musseques. Vão todos de bata branca como no tempo do estado novo. Parece-me bem. E penso: este rapaz daqui a 40 anos vai dizer o que diz o Joachim. Ele vai ter acesso à educação e à saúde, vai formar-se e depois vai abominar tudo aquilo que lhe permitiu chegar até ali.
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Em Portugal a saúde privada já ocupa cerca de 40%. Não vejo que haja monopolismo do estado perante estes numeros. A Educação anda na casa dos 35% e com tendencia a descer devido aos cortes e impostos.
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Rb

Anónimo disse...

Caro Rb,

O Estado nasce do Mal. Quanto menor melhor.

Joaquim

zazie disse...

Não nasce. O Estado é o Mal. A Abominação.

As máfias ao pé dele são associações de caridosos.

Que eu saiba- o Estado nasceu precisamente do mesmo para onde os acampa querem regressar.

Suponho que a ideia seja o eterno retorno. Vamos voltar ao início para a História se repetir e um dia, com tanta repetição atingimos o Eden já de lá não voltamos a sair.

zazie disse...

No entanto, nesta matéria penso diferente do Morgadinho.

Penso que a Defesa e Justiça e polícias têm sempre de ser estatais e depois na saúde e na educação podem e devem existir variantes e não faz sentido que a totalmente gratuita seja a única universal.

Quanto ao monstro estatal do Ensino está todo naquilo que o Dragão chamou a Disfunção Pública- os burocratas de gabinete para os quais os profs têm de trabalhar.

Agora acharam que davam autonomia às escolas colando nas direcções os analfas das ESEs.

Quando é o próprio ministro que lá vai rosnando contra as ESEs e a quantidade de burros que forma.

Mas não há coragem para fechar aquela trampa de uma vez por todas.

Isso é mandar para casa tudo o que é pedagogo.

zazie disse...

Mas nem precisei de ler a assinatura do texto- pelo tom estalinista a contar a cena às avessas só podia vir de um estalinista mal arrependido.

zazie disse...

Ainda são os estalinistas quem manda na dita cuja.

Não vamos longe com estes tachos dos mesmos de sempre.

Ricciardi disse...

«Penso que a Defesa e Justiça e polícias têm sempre de ser estatais e depois na saúde e na educação podem e devem existir variantes e não faz sentido que a totalmente gratuita seja a única universal.» zazie
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Tambem acho isso.
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Rb

Ricciardi disse...

Caro Joachim,
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Se quiser mande-me às favas, mas eu gostava muito que me respondesse para perceber bem o seu ponto de vista:
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Porque é que confia no Estado para assegurar a defesa e a ordem e não confia nos Privados para o mesmo efeito?
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Rb

zazie disse...

A resposta é simples- porque o Birgolino ainda é um semi. Um semi-ancap

":OP

zazie disse...

Um ancap ortodoxo privatiza tudo.

":OP

mujahedin مجاهدين disse...

Sim, já aqui não andaram há tempos com a cena dos tribunais privados?



mujahedin مجاهدين disse...

Eu não percebo qual é dificuldade de entendimento.

É óbvio que o Rb tem razão.

Eu diria assim: há coisas que se convenciona serem importantes, úteis ou necessárias a toda a gente.

Se a iniciativa privada não é capaz de providenciar essas coisas, por não poder, não saber ou não querer, cabe ao Estado, enquanto assim for, fazê-lo na medida das suas capacidades.

Simples.

zazie disse...

E polícias privadas e tudo à Alcapone.

O Birgolino é semi. Ainda nâo comprou o pacote todo.

Anónimo disse...

Caro Rb,

Eu não confio no Estado para nada, mas aceito k o Estado detenha o monopólio da violência como mal menor.
Por não confiar no Estado é que tb defendo o direito ao porte de arma.
Caro Rb, estas ideias não são minhas, claro está. Constituem o núcleo duro do libertarianismo. Eu apenas me identifico com esta filosofia.

Joaquim

zazie disse...

Birgolino:

V. usa fisga, por causa da identificação com o tal núcleo duro?

Anónimo disse...

Olá Zazie,

Sim, tendo de andar armado mas é por causa de uns maridos ciumentos.

Joaquim

Neyhlup Josand disse...

É um bom princípio esse, Mujahedin e Rb( o do Estado fazer quando a iniciativa privada não o faz ou não o consegue fazer adequadamente) que julgo já vir da doutrina do Prof Oliveira Salazar e também o de não ser necessário existir apenas um prestador de cuidados de saúde, como seja o Estado.

Até porque o Estado, para ser justo e sustentável, só consegue garantir universalidade e um acesso tendencialmente gratuito a alguns cuidados e não sendo possível dar tudo a todos, deve pelo menos dar o que é essencial a todos e os que tiverem mais posses poderem ter uma alternativa se o desejarem, especialmente em questão de tempo de espera ou comodidades no internamento. Isto numa perspectiva de recursos finitos e não levando em linha de conta a evolução tecnológica ( que no caso da saúde nunca faz diminuir custos totais, apenas alarga a quantidade e quantidade de cuidados que se podem prestar).
É contudo impreterível que tudo o que seja considerado essencial (principalmente o que é Saúde Pública e ainda o que exija mais complexidade, como Cuidados Intensivos, Oncologia ou Urgências) tem de ser assegurado directamente ou sob regulação do Estado, na medida dos recursos que dispõe pelas mais óbvias razões.
Por outro lado não sei onde é que o Joaquim vai buscar a ideia que a Saúde ou mesmo o Ministério da Saúde é idêntico ao Ministério da Educação.
Veja só: Tem vários, tem Hospitais EPE(por exemplo Centro Hospitalar São João), Hospitais SPA(Hospital de Ovar) e PPP(Braga).
Organizados em Unidades Locais de Saúde ou não (por exemplo ULS Norte Alentejano), em Centros hospitalares (com estruturas físicas separadas por dezenas de quilómetros em muitos casos) ou apenas um Hospital num edifício hospitalar.
Dentro dos Hospitais Centrais tem vários níveis com diferentes valências ( há hospitais com Urgências Polivalentes, Médico-Cirúrgicas ou Básicas), com todos os serviços (de Neurocirurgia a Obstetrícia e alguns com 2 ou três ( Dum CH Santa Maria a um Hospital de Mirandela vai um mar de diferenças).
Há Centros de Saúde que se chamam UCSP(Unidades de Cuidado de Saúde Personalizados), outros chamados USF tipo A e outros Tipo B, estando em vista a criação de tipo C
Nuns ganha-se X, independentemente do que se faça, muito ou pouco, bem ou mal.
Noutros ganha-se X, sendo exactamente as mesmas pessoas mas fazendo de maneira diferente, chegando a ser mais do triplo embora não fazendo sequer menos do dobro.
Nuns hospitais há um contrato de 10000 euros mês e noutro de 1000 para a mesma função e... Desempenho.
Nuns ganha-se mais porque se é funcionário público e menos se tiver outro tipo de contrato, para as mesmas funções e desempenho.
Uns têm ADSE e os outros não.
As USF’s por exemplo são formadas por pessoal que se autopropôs a formá-las, contratualizando com o Estado os serviços a serem prestados(mini PPP’s está a ver?)
Cada Hospital podia até recentemente, quando o Paulo Macedo fingiu tomar conta do MS, abrir os Concursos para contratar o pessoal que entende-se. Depois claro que com a lei dos Compromissos, que os inúmeros administradores hospitalares provocaram, a maior parte deles médicos com MBA e aparentados como o Distinto Joaquim, graças à gestão danosa do SNS e vai daí retirou-se toda a autonomia, sendo que na estrutura actual é desnecessário existirem Conselhos de Administração em Hospitais uma vez que não têm autonomia e são apenas capatazes. Não que eu ache isso mas é a realidade actual.

Por isso o que não falta é diversidade e o que não faltou foi autonomia nas decisões e tratamento diferenciado de profissionais, vejam-se as múltiplas carreiras no SNS e quem mais ganhou com isso. Pior ainda, as diferenças brutais entre modelos de avaliação , desempenho e estruturas remuneratórias dentro do SNS e mesmo entre os vários tipos de profissionais…

Neyhlup Josand disse...

Por exemplo um aluno imaginário, o Joaquim, quando andou a fazer o seu Internato de Cirurgia Geral e Vascular , teria tido um estágio de 4 a 6 anos pago.

Com o primeiro ano sem autonomia para o exercício de Medicina mas com um salário a rondar os 1600 euros(nada mau para um estágio hein?)
E mais 4 a 6 anos de especialidade, com o Estado a pagar-lhe os Estudos e ainda a receber um salário que evolui a partir desse primeiro ano em mais 200 euros.

Quando se forma, quando já puder exercer autonomamente como especialista, já o Estado lhe está a pagar 2800 euros e a garantir-lhe a empregabilidade total.

Mais tarde, quando já tiver arranjado uns clientes com varizes, que não tiveram tempo para serem operados no SNS porque algum "Manel" não estava a trabalhar quando estava a ser pago, ou às tantas o próprio "Joaquim", levá-los-ão para uma clínica, onde têm um convénio com a ADSE e que interessa às 2 partes. Ao Joaquim que tem uma renda garantida e ao cliente, que paga muito menos no acto da compra mas que o SNS paga o restante, a duplicar, uma vez que ficou um recurso por usar no mesmo.

Conhece mais casos assim? E agora diga lá se o Estado não é só estalinista para quem entende?

Isto de ser libertário só dá jeito quando já se arrecadou o pecúlio todo não é?

zazie disse...

Toma que já almoçaste.

(hoje não vai haver festa com as velhinhas do bairro)

":OP

Ricciardi disse...

Joachim, ora bolas, eu pensei que tinha uma boa justificação. Afinal é apenas a justificação que a tribo considera.
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Eu julgo que não se tratará de uma profissão de fé, haverá alguma coisa na ideologia da tribo com a qual o Joachim possa dizer que não adere, que não concorda?
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Eu gostava de saber.
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Rb