11 agosto 2014

era bonito o sonho, pá


O capitalismo moderno, assente na propriedade privada, na livre-iniciativa, nos mercados, na concorrência e num sector financeiro independente, não funciona em Portugal. Era bonito o sonho, pá! Mas acabou-se, acordamos e constatamos a realidade.
O envolvimento patético dos “capitalistas” na ruína do País, a falência das grandes empresas e o compadrio descarado, assim como o desrespeito total pelos pequenos acionistas e pela poupança privada, demostram o óbvio: o capitalismo não cai bem connosco.
É um pouco como querer forçar a democracia no Iraque ou no Afeganistão, não dá. O que eles querem é matar-se uns aos outros e o que nós queremos é roubar-nos uns aos outros, ou, se possível, sacar à UE uns fundos que nos habilitem mais uns anos.
É evidente, para quem nos lê, que o PA já chegou a esta conclusão há muito tempo, mas mais vale tarde do que nunca. Dou a mão à palmatória, não vamos lá.
Esta evidência deixa-nos – a nós liberais – mais ou menos como os comunas se devem ter sentido após a queda do muro de Berlim. Tristes e órfãos. Órfãos da Pátria porque noutras paragens o capitalismo funciona, enquanto o comunismo/ socialismo não funciona em lado nenhum. Mesmo assim órfãos, nem que seja só de pai.
Talvez aqui se radique a animosidade que se respira nos blogues liberais e que tive a oportunidade de abordar, de forma brincalhona, neste post.
O meu conselho não é que se atirem aos antidepressivos ou da janela abaixo. Pensem a longo prazo, julgo que estaremos em condições de digerir o capitalismo antes do final do milénio :-) e, seguramente, muito antes do Iraque ser uma democracia.
Nós amamos a liberdade, mas não a podemos forçar pela goela abaixo dos nossos concidadãos. Não seria muito liberal, pois não?

10 comentários:

Helder Ferreira disse...

"O capitalismo moderno, assente na propriedade privada, na livre-iniciativa, nos mercados, na concorrência e num sector financeiro independente, não funciona em Portugal."
Não é "não funciona", é "não existe". Mas fica para mais logo. Abraço

Anónimo disse...

Em Portugal e em qualquer país pequeno sem escala parece-me dificil haver uma verdadeira concorrencia nos sectores que realmente importam.
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Num país onde existem vários monopolios não é possivel defender que os preços devem ser totalmente livres. Quer dizer, nas energias e nos combustiveis (entre outros) os consumidores levam com os preços que os monopolistas quiserem e definirem. A solução para um país destes não está em criar gigantes, nem privatiza-los ou nacionaliza-los, está, isso sim, em partir essas empresas em várias mais pequenas para que concorram entre si. A alternativa seria fixar preços máximos o que pode levar a abusos por parte dos governantes em alturas de eleições comprometendo as empresas.
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Penso que nos tempos do Estado Novo existiam seis electricas e que terão sido fundidas numa só.
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A américa sofre deste mal, amiúde, mas tem tribunais que funcionam e que regularmente desmembram os monopolios.
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Rb

Anónimo disse...

Joaquim,
Obrigado pelo crédito.
PA

Helder Ferreira disse...

No Estado Novo havia 19 eléctricas, 18 foram nacionalizadas e fundidas. Resta uma minieléctrica na zona de Vila do Conde

mujahedin مجاهدين disse...

Fale por si.

Eu não quero roubar nada a ninguém. Se lhe pesa a consciência, pois alivie V. a sua sem nivelar a dos outros por ela. Sugiro uma casa de banho, para o efeito.

E quanto a democracias no Iraque, não sei se "dá" ou "não dá". O que sei que eles lá estavam na vidinha deles antes de os "liberais" do "ocidente" para lá irem armar - em todas as acepções - a confusão. Em nome da "liberdade" que vocês tanto amam.






mujahedin مجاهدين disse...

A liberdade para fazer culpados. Bem no dizia a Zazie...

Vossemecês tudo tiveram. Libardade que nunca mais acabava. Democracia para aí aos pontapés. Ele era liberais, socialistas, comunistas, maoistas, sindicalistas, jornalistas, artistas e por aí fora.

Agora acabou-se o sonho... mas fica a factura. E o país por endireitar.

E somos todos ladrões? Todos não... Todos não...

Anónimo disse...

O PA escreveu um post há uns tempos acerca disto. Falava sobre a dimensão das empresas em países de cultura católica.
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As grandes ingovernaveis, devido ao facto das estruturas hierarquicas gostarem de fazer as coisas 'à sua maneira', naquilo que definiu como sendo o personalismo católico. E eu gostei desse post.
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Mas enfim, como as grandes empresas na prática são monopólios, torna-se dificil avaliar a sua gestão. Qualquer erro é sempre pago pelos consumidores subindo o preço.
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Houve mesmo um administrador da EDP que recentemente disse que teve de subir tarifas porque as vendas estavam a baixar. Isto é o expoente máximo daquilo que eu quero dizer.
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A melhor forma de formar um verdadeiro mercado em Portugal é ter empresas mais pequenas, mas que possam concorrer umas com as outras.
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Rb

tric disse...

o futuro só se conquista com o passado...viva o tradicionalismo...
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p.s. o iraque acabou eles já andam a dividir aquilo...

Anónimo disse...

O miguelismo é que está a dar.
JB

Anónimo disse...

O Iraque nunca existiu, como nunca existiu a Jugoslávia.
Em Portugal não houve capitalismo porque a lei declara que temos de ser socialistas. E a merda que o socialismo pariu é a que está à mostra.