07 agosto 2014

confusão

Qual é a diferença entre um auditor, um gestor e um médico?

Depois de ler este artigo do Público, diria que nenhuma. Os auditores do Tribunal de Contas sugerem que a duração das consultas nos centros de saúde passem de 21 minutos para 15 minutos, permitindo garantir o acesso a mais 2,5 milhões de utentes por ano. Desta forma, dizem, ficaria resolvido o problema da falta de médicos.

Interessante, nem vale a pena sublinhar que em Portugal não existe qualquer falta de médicos. Nem que "a produtividade" dos médicos foi prejudicada pela informatização. Todos os problemas devem parecer fáceis de resolver para um auditor, armado em gestor/ médico.

O desemprego dos professores pode ser resolvido diminuindo o tamanho das turmas, o desemprego dos contabilistas pode ser resolvido aumentando o número de auditorias e de entidades auditadas e, já agora, o défice pode ser resolvido aumentando a duração da jornada de trabalho.

Uma folha de papel em branco, um auditor e criatividade q. b. e estamos feitos. No papel vamos passar a ser a Finlândia.

11 comentários:

Álvaro Queirós disse...

ahahahahaha,,,,, tugalândia no seu melhor..... e por decreto 24,5 horas por dia de felicidade.... ahahahahahaha

Anónimo disse...

Então, vejamos, e se os auditores tivessem dito que o tempo médio das consultas são demasiados elevados e que requerem medidas para as tornar mais reduzidas e eficientes. Não seria a mesma coisa?
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Talvez se perca muito tempo em desnecessariadades nos centros de saude que fazem com que o tempo nas consultas em média sejam mais elevadas do que o normal.
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Para fabricar uma peça temos um certo tempo por objectivo e perseguimos esse objectivo tornando mais eficiente as linhas e os métodos de produção.
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Da mesma forma têm de operar os centros de saude. Os tempos de consultas em média tem de ser compaginaveis com outras realidades de outros países tomados por exemplo. Não é preciso mais médicos, mas pode ser preciso melhores métodos de trabalho.
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Em todo caso reduzir o tempo médio das consultas tem um limite. O limite da razoabilidade e bom senso. Útil seria, pois, que o Joachim nos dissesse se os tempos médios das consultas em centros de saúde portugueses são maiores ou menores do que o que se passa noutras realidades, publicas e privadas, para assim podermos dizer se devemos dar bom crédito aos auditores ou não.
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Rb

Antonio Cristovao disse...

é com essa receita que em Cuba não há desemprego. Pena que poucos lá queiram viver.

Anónimo disse...

A vantagem dos privados é que decidem de imediato a correcção das deficiencias. Não estão à espera de decisões politicas.
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Eu, gestor hospitaleiro, faria provavelmente uma reunião com o Joachim médico-mor do hospital e dizia-lhe...
-ouça lá oh dr. Joachim diga aí aos seus colegas que tem de despachar a clientela com mais velocidade que a sala de espera arrebenta pelas costuras.

E o Joachim diz-me:

- não pode ser ó Rb, parece-me que a coisa está no limite da eficiencia, os médicos já fazem tempos de consulta dentro dos padrões normais. Menos tempo comprometeria a qualidade.
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- Então, para esse problema, que solução tem aí na manga caro dr. Joachim?
- Podemos contratar mais alguns médicos, ó Rb.
- Nem pensar Joachim.
- Então, ó Rb, só se mudarmos aqui alguns procedimentos.
- Como assim dr. joachim?
- Bem, podemos libertar os médicos de certas e determinadas tarefas burocraticas... e outras menores como medir tensões e apalpar os pulsos e bater com os dedos na barriga a ver se ouvem ecos e mais escrevinhar receitas.
- Boa. Pode criar um guiché de apoio para fazer essas coisas, não é?
- Isso. Esse guiché facilitaria o trabalho dos médicos e dessa forma talvez se reduzisse o tempo das consultas uns cinco minutos.
- Hummm
- Mas tem a certeza que o tempo das consultas já estão nos tempos correctos.
- Ah, quer dizer, acho que sim.
- Então tenha a certeza disso. Pode dar-se o caso de haver por aqui alguns a picar o ponto e basar para os seus consultórios.
- Bou ber isso.
- Beja então.
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Rb

Anónimo disse...

Joaquim Couto, médico, publicou há tempos neste blogue um texto defendendo consultas com a duração de 3 minutos, referindo-se a um médico japonês do qual se mostrou fã.
Assim, demonstra ter o seguinte pensar:
1) Um auditor NÃO pode recomendar a redução da duração média das consultas de 21 minutos para 15 minutos;
2) Um médico pode recomendar a redução da duração média (ou seria máxima ?) das consultas para 3 minutos.
AS

Anónimo disse...

Na minha última consulta, metade do tempo foi gasto com a médica a tentar aceder ao programa de prescrição electrónica...

Anónimo disse...

Claro que o relatório tem razão pois na realidade poderá ser assim. O que parece existir nisto dos médicos é má distribuição.

O Ministro que pôr as enfermeiras a fazer alguns serviços o que a ver por outros países vai no caminho certo.

O mal é que o governo quer fazer tudo na saúde e não tem capacidade deveria era governar e deixar de ser dono dos hospitais! Isto é brincar aos hospitais...

Anónimo disse...

O engraçado é usarem isto dos 15 minutos para ninguém discutir o mais óbvio.
De facto o Ministro do PS Correia de Campos criou aqui um excelente pasto para os amigos...
Deixo de seguida várias citações do relatório:

"As condições de trabalho existentes nas USF do modelo B, bem como o sistema remuneratório dos seus profissionais e a acérrima defesa do status quo dos próprios, não devem contribuir para acentuar um contraste, que pode confundir-se com uma desvalorização do trabalho, capacidade e qualificações
dos profissionais que exercem funções nos centros de saúde – UCSP – USF do modelo A ou noutras
unidades funcionais de cuidados primários, face aos que se encontram nas USF do modelo B, e que em geral não existe. Tal situação concentra a atenção na discussão dos problemas remuneratórios e
laborais dos profissionais, em detrimento das medidas que beneficiem a situação dos utentes."

(...)

"Note-se que se apurou um diferencial significativo entre os custos com pessoal nas USF modelo B face aos custos das UCSP e
sobretudo aos custos das USF modelo A."

" a análise do contexto de funcionamento de cada tipologia de unidade revela que as UCSP
tendem a apresentar características que estão, globalmente, associadas a maiores custos unitários com medicamentos, nomeadamente terem tendencialmente uma maior proporção de doentes idosos, funcionarem, em maior número, nos locais de baixa densidade populacional, e terem uma maior proporção de doentes com Diabetes Mellitus;
contrariamente, as USF caracterizam-se por terem mais frequentemente populações menos
envelhecidas, existirem em maior número em locais de alta densidade populacional e terem
comparativamente uma menor proporção de doentes com Diabetes Mellitus."

"O pessoal médico é remunerado duas vezes, pelo mesmo utente, através de duas diferentes componentes remuneratórias, situação que não ocorre quanto aos restantes profissionais. De facto, o aumento da lista mínima de utentes de cada médico, para além de permitir auferir suplementos, permite também auferir, por idêntica base de incidência, compensações pelo desempenho, decorrentes do registo das atividades específicas realizadas aos mesmos utentes."

Isto das USF's é só mesmo para dar dinheiro a médicos e pelo meio dizer que se ajuda uns doentinhos. Isto dos 15 minutos é só para vitimizar e afastar do cerne da questão:

"De facto, na remuneração dos profissionais médicos das USF modelo B, 22% corresponde a remunerações por compensações pelo desempenho, associadas ao desenvolvimento de atividades específicas, 40% respeitam a suplementos (13% suplementos gerais e 27% suplementos específicos das USF modelo B), enquanto a remuneração base representa apenas 33% do total da remuneração."

"Os incentivos institucionais e financeiros atribuídos às USF e aos seus profissionais não acompanham o grau de eficiência económica verificado."

Para Finalizar:

"O pessoal médico é remunerado duas vezes, pelo mesmo utente, através de duas diferentes
componentes remuneratórias, situação que não ocorre quanto aos restantes profissionais. De
facto, o aumento da lista mínima de utentes de cada médico, para além de permitir auferir
suplementos, permite também auferir, por idêntica base de incidência, compensações pelo
desempenho, decorrentes do registo das atividades específicas realizadas aos mesmos utentes."

Josand

JSP disse...

Vai-se a ver e aquele malandro do "honourable intoxicated" VPV acertou uma vez mais : bìblicamente estúpidos ( os não menos honoráveis compatriotas...).

Álvaro Queirós disse...

Rb, vai-me desculpar, mas o seu Médico é um Sena da Medicina,,, :)

Anónimo disse...

Tanta coisa para reparar na Auditoria e pegam logo nos 15 minutos(como se não estivesse fundamentado esse número...).

Isto já não comenta o Joaquim pois não?

"O pessoal médico é remunerado duas vezes, pelo mesmo utente, através de duas diferentes
componentes remuneratórias, situação que não ocorre quanto aos restantes profissionais. De
facto, o aumento da lista mínima de utentes de cada médico, para além de permitir auferir
suplementos, permite também auferir, por idêntica base de incidência, compensações pelo
desempenho, decorrentes do registo das atividades específicas realizadas aos mesmos utentes."

Josand