Aquilo que eu quis significar no meu post anterior é que, sem a presença central e asseguradora da mãe, não é possível chegar ao pai através do filho. Sem ela, os dois ficam para ali a discutir numa conversa interminável e sem conclusão segura - uma conversa feita de suposições, hipóteses, teses e opiniões, muitas dúvidas e porquês que nunca terão resposta certa e, no limite até, provavelmente zangas e cenas de violência.
Sem uma mulher ao centro, dois homens nunca formarão uma família, nem qualquer outro tipo de comunidade.
O Papa Emérito Bento XVI, que é um eminente teólogo, considera que a maior descoberta teológica do último século foi a de que a Igreja é a figura de Maria, uma descoberta que se deve ao teólogo Hugo Rahner. É curioso que a Igreja tenha vivido tantos séculos sem conhecer a sua própria identidade.
Olhando em retrospectiva, certos acontecimentos da história da Igreja ganham uma nova luz e um novo significado à luz desta descoberta. Assim, por exemplo, o protestantismo viu na Igreja a figura da prostituta da Babilónia (cf. aqui, especialmente a secção Reformational View). Conclui-se, então, que os insultos dirigidos à Igreja eram, na realidade, insultos dirigidos a Maria e, por implicação, à figura da Mulher. E que o protestantismo e a modernidade que dele derivou são, em primeiro lugar e acima de tudo, uma violenta depreciação da Mulher.
O ponto que me interessa neste post não é, no entanto, discutir a condição da mulher sob o protestantismo e sob o catolicismo, mas é diferente, e o seguinte. O cristianismo e a Igreja Católica (literalmente, Comunidade Universal) visam fazer do mundo uma comunidade - uma comunidade universal. Passados vinte séculos, apenas um quinto do mundo é católico (1,2 em 6 mil milhões de habitantes). O mínimo que se pode dizer é que, em tanto tempo, o sucesso não foi grande, especialmente quando o catolicismo se vê a si próprio como a verdadeira religião da humanidade.
O que é que falhou?
Falhou o facto de se ter posto a figura de Cristo no centro do cristianismo e da Igreja, quando esse lugar central pertence a Maria. Através do filho não é possível chegar ao pai. Para se fazer uma comunidade é preciso pôr uma mulher ao centro. E o catolicismo não põe. Põe um homem.
Enquanto o catolicismo puser Cristo no centro, nunca realizará a sua missão, que é também o plano de Deus, de tornar toda a humanidade uma família, uma verdadeira comunidade universal. Na realidade, já passaram vinte séculos e continuamos à espera - os resultados conseguidos em tanto tempo são bem modestos. Por este andar, nunca mais lá chega.
Toda a verdade acerca do cristianismo está em Maria, e só secundariamente em Cristo. Só ela é que pode dizer se ele era ou não filho de Deus. Ela disse que sim. O primeiro milagre de Deus foi feito no corpo dela, e todos aqueles que Cristo fez foram desse derivados e são, em comparação, secundários.
4 comentários:
Tambem nao é preciso extremar posiçoes, pedro.
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Para se diferenciar dos protestantes nao é necessario instituir uma nova religiao -o Marianismo.
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É ao contrario, os protestantes é que tiveram necessidade de se diferenciar do catolicismo, nomeadamente desconsiderando o valor e importancia dos santos e de Maria.
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Mas está errado. Na minha perspectiva. A Igreja sempre viveu do exemplo dos homens e mulheres de boa indole. E considera-os muito porque acha que o Céu é ganho nao apenas pela fé, mas tambem pelas obras e exemplo. Os santos, bem como Maria, representam isso mesmo. O exemplo. O bom exemplo.
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Os protestantes desconsideram o exemplo. Acham mesmo que o céu é ganho unicamente pela fé, independentemente das obras.
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Maria tem a importancia que tem. A escolhida por Deus para zelar pela educacao do Filho que tambem é deus.
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Nao se pode dizer que Cristo é secundário em realacao a Maria. Seja qual for o ponto de vista. Seria como dizer que Deus é secundario à humanidade. Quer o catolicismo, quer o protestantismo pertencem ao Cristianismo. E Cristo é, foi e será sempre a figura central.
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Mal era que, acreditando os cristaos que cristo é Deus, o colocasse mos como figura secundaria.
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Nada disso. É central e unica. Os outros, os santos e Maria e Jose tem o seu lugar.
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Rb
Brutal confusão teológica, resultado de usar a religião, unica e simplesmente para a análise política.
Maria está a seguir a Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo.
É da mais elementar Doutrina.
Está a caír no erro de querer formar uma religião à sua medida. Os humanos tiveram e têm sempre esta tentação, ao longo dos séculos.
Hoje continua a ser assim: os homossexuais acham que o Papa devia...isto e aquilo. Os que defendem o aborto, acham que o Papa...isto e aquilo, etc, etc. Voçê está a fazer o mesmo.
Caro Dr. Pedro Arroja, tenho muito apreço pelo que tem dito aqui, sobretudo sobre Portugal, embora não me coloque no grupo dos incondicionais. Mas não posso deixar de referir certas coisas.
Veja por este prisma: Quem morreu na cruz? Quem ressuscitou? A Quem devemos a Vida? Quem é o Caminho, a Verdade e a Vida?
O acontecimento central do Cristianismo é Cristo. A sua Morte e Ressurreição é que renovaram a Natureza. Se Cristo não ressuscitasse como seria a nossa vida? Ele é a Lei Incarnada - logo, nem toda a Lei divide. Ou por outra, até posso admitir que divide - o Reino de Deus do outro.
Maria é central e o Catolicismo não a esqueceu, mas não troquemos os papéis: a Imaculada Conceição foi-lhe concedida pelos méritos futuros do Seu Filho, não pelos seus. É a nossa Mãe, Rainha do Céu, Arca da Aliança e muito mais - note por que razão é a Arca da Aliança: conteve em si a Lei.
Os meus cumprimentos.
> Na realidade, já passaram vinte séculos e continuamos à espera - os resultados conseguidos em tanto tempo são bem modestos.
Bom, e aqui o blog, em vinte meses, que resultados apresenta, hem, hem?
O Arménio já perguntou quantas divisões tem o PA, ou nem por isso?
Os leitores estão a ficar impacientes. Talvez substituindo o PA pela neta a coisa melhore ...
;-)
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