11 dezembro 2013

a fé católica

O meu post anterior ilustra de forma clara o significado da fé católica. É uma fé racional. A verdade é íntima e só a M. a tem. Quanto às outras pessoas, existem indícios exteriores e todos concorrentes para a conclusão racional de que a M. diz a verdade.

É muito diferente a fé protestante, uma fé que foi claramente exposta por Kant. O pensamento protestante exclui M. - a mulher - e deixa os dois homens C. e D. a discutir se um é pai do outro. Nunca chegarão a uma conclusão segura e, pelo caminho, o mais provável é que acabem zangados e à briga - D. a procurar avançar argumentos razoáveis em favor da sua paternidade, C. a levantar objecções igualmente razoáveis (v.g., mas como é que tu sabes que ela não teve relações com outro homem?).

A discussão vai ser interminável e a briga quase inevitável. Para acabar com uma e outra só há uma maneira - o C. acreditar, como um acto de fé, que é filho do D.  É esta a fé kantiana, uma fé cega, uma fé desligada da razão - temos de acreditar em Deus senão vamos acabar todos à bulha.

Tendo excluído M., não apenas C. e D. nunca saberão qual é a verdade, como deixam de existir os tais indícios exteriores que permitem, racionalmente, confirmar a verdade para quem está de fora. A verdade deixa de interessar e  a vida passa a assentar em suposições, hipóteses, teses, em suma, em opiniões pessoais - O C. é de opinião que o seu pai é D.

Mas não apenas isso. A certeza que a M.  transmite ao C. e ao D., a de que um é filho do outro, permite criar entre o C. e o D. uma relação de amor, autoridade e protecção, que é a relação de paternidade, e que faz com que os três passem a estar unidos por essa relação, formando uma comunidade.

Nada disto existe quando a M. é excluída e ficam apenas o C. e o D. A incerteza domina a relação entre eles, e facilmente se pode converter em incredulidade. Não há nada de comum entre eles, menos ainda laços de amor, autoridade e protecção, porque aquilo que os podia unir está (por hipótese) excluído - a M. Não há mulher, portanto não há comunidade. Não há comunidade sem mulher.

O protestantismo, retirando a mulher do centro, destruiu a comunidade, substituiu a fé racional pela fé cega, substituiu a verdade pela mera opinião pessoal - pelo "Eu acho que....".

4 comentários:

Anónimo disse...

lol...lol...lol...

Francisco disse...

E a discussão ainda pior fica quando o C. decide perguntar ao D. "Mas afinal o que é um pai?"

BLUESMILE disse...

LOL

francisco feijó delgado disse...

"Tendo excluído M., não apenas C. e D. nunca saberão qual é a verdade."

Eu acho que haveria muito por onde pegar aqui, mas basta a frase acima – mesmo pegando só no caso de D., não acabou de dizer que D. não sabe qual é verdade? Que revolução doutrinária!