A posição do Objectivismo sobre o Bem pode
resumir-se em três palavras. O valor mais importante é a vida. A principal
virtude é a racionalidade. O principal beneficiário é o próprio.
Valor é o que pretendemos conquistar ou
guardar.
A vida de cada organismo é a sua própria
unidade (traduzi de standard) de valor: o que garante a vida é o Bem, o que a
ameaça é o Mal.
A racionalidade implica a aceitação da razão
como um princípio da sobrevivência humana e portanto como um absoluto.
Pelo mesmo princípio só há um vício primário
que é a raiz de todos os outros males humanos: a irracionalidade.
As emoções não podem guiar a acção.
Ser, para um ente racional, é ser egoísta –
por um acto deliberado de escolha.
Ayn Rand defende o egoísmo racional.
Um amor desinteressado é uma contradição de
termos, significaria indiferença perante o que tem valor.
Um homem produtivo é um Homem Bom
Desencadear violência é um Mal maior, que é
sempre fruto da irracionalidade.
Em termos existenciais, a recompensa moral do
Homem é a vida. Em termos emocionais... a recompensa é a felicidade. A
felicidade é a experiência que um Homem Bom retira da vida. Atingir a
felicidade é o único propósito moral da vida humana.
Leonard Peikoff
Comentário:
O valor mais importante para um ser
“eusocial”, como o Homo Sapiens, não é a vida de cada um, mas a sobrevivência
da tribo, da sociedade em que vivemos. A principal virtude é assumir as
responsabilidades inerentes à nossa condição humana. O principal beneficiário
deve ser o colectivo.
Sem dúvida que o principal valor é o que
pretendemos conquistar ou guardar, mas esse valor não é a vida de cada
indivíduo. O Homem Bom coloca os interesses da sua família, por exemplo, acima
dos seus interesses pessoais. O mesmo relativamente à “tribo”. Como líder deve
colocar os interesses dos que dependem de si acima de qualquer egoísmo, como
soldado deve colocar a sua vida ao serviço da comunidade.
Poderia dar muitos exemplos de situações que
exigem o sacrifício individual pelo colectivo, mas julgo desnecessário neste
momento.
Como afirmei em posts anteriores, não
considero a racionalidade como um princípio absoluto, embora tenda a concordar
com a Ayn Rand que a irracionalidade é um Mal absoluto.
Claro que as emoções podem e devem guiar a
acção, basta ler Damásio para compreender este facto.
O egoísmo não é racional, em muitos casos pode
até ser irracional.
O ser humano isolado não chega a desenvolver a consciência da sua existência - o "Penso, logo existo". Essa consciência desenvolve-se a partir da matriz cultural em que nos inserimos. Daí o título do meu ensaio: "Vós pensais, logo existo".
A nossa humanidade só emerge em comunidade.
25 comentários:
Vós palrais, logo existis
ahahahahah
Nem a treta do cogito entende.
Não é vós pensais, logo existis. Quem pensa, pensa alguma coisa.
Um cogito absoluto, uma razão absoluta é um disparate.
O Descartes fez a afirmação por dizer que a Verdade tinha de Estar num apriorismo da Razão.
O erro dessa frase é apenas este- não existe pensamento vazio. Quem pensa, pensa alguma coisa.
O racionalsimo absoluto ou o empirismo absoluto são questões mal formuladas.
O Damásio é um tosco, porque, como qualquer cientoino também acha que as questões filosóficas são resolvidas pela Ciência.
Eu vou perder tempo a explicar-lhe esta merda uma vez a ver se não volta a repetir a bacorada.
O facto de o pensamento ter ligação com os sentidos e de mesmo questões que não precisam de ser verificadas na prática, terem uma história física de sedimentação de informação, em nada invalida a questão filosófica.
Vou dar-lhe um exemplo básico- quando se formula a ideia de circunfer~encia e se diz que é uma figura geométrica que tem todos os pontos à distância do centro- não adianta vir para cá Damásio algum a dizer que isto é biológico e que tem ligação com sentidos.
Teoricamente e na prática, qualquer ser humano normal sabe que para ter esta noção não precisa de andar a fazer desenhos na terra ou a medir cenas no papel.
Já para se saber a área de alguma figura geométrica, tal só é possível com recurso à experiência.
A Ciência não tem nada a ver com isto e o Damásio é um cromo analfabeto porque nem esta mera questão entende.
Mas, v.s gostam de fazer figuras tristes, portanto continuem.
A ignorância sempre foi muito atrevida.
O que v. anda a escrever é uma anedota e dava direito a chumbo até no 10º ano.
Que raio de emoção tem a ver com tautologias lógicas?
Qual emoção é que é preciso para se ter a noção de mais e menos e divisão e subtracção ou de questões que são petições de princípio?
Nenhuma.
A puta da emoção só vem ao caso quando se l~e tamanhas bacoradas como se fossem descobertas de grandes teóricos.
Mesmo partindo do princípio que emoção e razão estão ligadas. Mesmo partindo do princípio que sentidos e razão estão ligados, a prioridade de uns sobre outros, em usos diferentes do intelecto mantem-se.
E esta questão foi formulada no séc IV antes de Cristo.
Sem a menor ciência ou tecnologia. Só os palermas dos Damásios é que nem entendem o problema e acham que estão agora a dar a resposta ao Platão e ao Aristóteles quando nem uma linha de um ou outro conseguem sequer entender.
Metam uma coisa na cabeça. A Filosofia foi a mãe de todos os saberes.
E não pode ser nunca ultrapassada por tretas que não são filosóficas.
é esta a diferença da Filosofia de onde tudo o resto derivou.
A Filosofia contem todo o pensamento religioso ou científico, questiona tudo, é capaz de formular as questões relativas a tudo o que o ser humano é capaz de fazer ou pensar, ou sentir.
Por isso é que há poucos filósofos. Porque é preciso genialidade para isto.
O PA também não entende isto porque acha que a Filosofia é religião.
Não é. Pode é formular as grandes questões metafísicas a que a religião depois dá resposta divina.
Tenho para mim que um gajo se sacrifica pela família por questões, digamos, inatas ou institivas e emocionais, mas nada racionais. É o amor, pronto.
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Já um gajo sacrificar-se pela tribo ou sociedade, bem, tem dias. É coisa racional, numa base de lógica de troca de favores, mas não é coisa emocional. Nada me move a sacrificar-me por quem não conheço. Tenho a ideia vaga de que devo contribuir para uma causa comum, se forem coisinhas concretas como contribuir para uma fortificação da aldeia e tal, caso contrário preciso de ser obrigado a faze-lo porque de minha iniciativa aqueles que não conheço não levam um tostão.
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Um soldado sacrificar-se pela pátria é pura emoção. Se for para defesa do território da familia é uma coisa, se for para conquistar é outra. A 1ª tem a ver com instinto e tal, a 2ª tem a ver com maradice psico-coisa.
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Eu vejo os suicidas islamicos nessa onda psico-coisa marada. Eles sacrificam-se pela sua religião porque actuaram na psique dele instruindo-os para a maradice.
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Rb
Morgadinho.
Mas isso são questões que nada têm a ver com a treta que o Birglino julga que anda a explicar.
A Rand podia ser mentecapta mas ainda sabia entender um niquuinho de questões filosóficas.
O Birgolino é uma anedota e acha que o oposto da corrente racionalista filosófica é a corrente irracionalista
AHAHAHAHAHAHHAHAHAHA
Imagine-se uma aula de Filosofia-
«existem os racionalistas que acham que têm uma Razão absoluta, como se a racionalidade não viesse do ADN da evolução das espécies.
E depois, existem outros ainda piores que são os irracionalistas.
Essa corrente filosófica causa danos ainda mais graves que a do racionalismo absoluto»
AHAHAHHAHAHAHA
Foi isto que o maluko escreveu.
«"Penso, logo existo"»
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... logo se alguém ou alguma coisa não pensar não existe.
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Porque um gajo só sabe que existe porque pensa.
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Eu acho que Decartes devia estar a pensar em Consciencia de Si. Pois, se um gajo tem consciencia de si próprio, o mais natural é concluir que existe. Um animal ou uma planta não tem estes problemas porque não questiona se existe. Nem sabe o que é isso de existir...
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... mesmo assim, nós que pensamos, sabemos que eles existem mesmo que não pensem.
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Um calhau existe. Não porque pensa ou deixa de pensar, mas sim porque eu existo.
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Se eu (nós) não existisse o calhau também não existia porque não havia ninguém que pensasse acerca da existencia do calhau.
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Isso significa que, descobri agora, Descartes era tipo Platão. As coisas são sombras da realidade. A realidade só existe se pensarmos (Descartes) é semelhante a dizer que as Sombras existem porque Algo as projectou em luz (Platão). As Sombras de platão e a Existencia de Descartes são a mesma coisa: só existem na dependencia da Algo - Pensamento e Luz.
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PS. è por causa destas teorias maradas que eu chumbava sistematicamente na disciplina de filosofia. Sempre achei que as pessoas queriam dizer outras coisas que aquelas que nos diziam.
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Rb
Oh Zazie, se queres que te diga há certas coisas que nem sei o que se está a discutir. Olha por exemplo, estas coisadas da Rand e mais os dialogos entre o Rui A.e o CN; a coisa torna-se mesmo absolutamente incompreensivel só mesmo ao alcance de iluminados, prontinhos a abraçar o Nirvana.
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Rb
Da conversa entre o Rui A e o CN também não perceberia há cerca de ano e meio atrás.
Tive curiosidade, informei-me e agora até apnaho a parte principal das tretas.
São questões de treta menor.
A Filosofia dá um treino muito grande. Tirando questões técnicas ou de especialidade e matemáticas, o resto torna-se caca.
E aquilo da "filosofia económica" é mesmo uma caca menor que se entende de uma penada.
Já o inverso não acontece. Eles falam de questões filosóficas e estão a milhas de entender o mais simples conceito.
Por preguiça.
Cada vez me convenço mais que as ideologias são preguiça mental.
Ou, pelo menos, alimentam-na.
Quanto ao Descarteas não foi nada disso. Se não tiveres preguiça dá uma espreitadela no Discurso do Método- há-de estar todo online e percebes facilmente.
O Cogito é a substãncia pensante. Ele decide fazer uma espécie de inquirição a todo o conhecimento que podemos ter e que não pode ser alvo de engano.
E é claro que de subjectividade em subjectividade que precisa de ser verificada na prática- e que muda, que é contingente, chega às verdades lógicas abstractas- que são meras evidências.
e aí, ainda decide introduzir a figura do génio maligno: podia dar-se o caso do ser humano ser capaz de atingir estas evidências lógicas e elas também serem enganos- como se um génio maligno existisse para nos enganar a todos, acerca do que pensamos e sabemos.
E aí brinca com a cena e diz que assim o mundo não faria sentido e essas verdades são possíveis porque é Deus que garante a veracidade que a Razão atinge.
Depois fica assim, com a primeira verdade - a substância pensante e postula que o resto será realidade porque se pensamos é porque existimos e atingimos o mundo porque Deus garante essa ligação verdadeira.
É um exercício de estilo oposto ao solipsismo do Berkeley qey chegou a dizer que tudo podia ser um sonho.
Quanto ao resto, não. O Descartes acaba por ser uma mistura maluca entre materialismo e racionalismo.
Ele não fala em sombras- ele fala em realidade.
A ligação dessa realidade com o pensamento é que nãp consegue resolver.
Fechou-se numa escolástica lógica do caraças e aquilo fica assim um sistema de razão por silogismo.
Penso, logo existo, é uma petição de princípio- uma evidência.
A questão é que ele coloca como primoridal a realidade do pensamento à da existência- por mero exercício teórico de que tudo o que é verificado pelos sentidos pode conter enganos.
Uma evidência lógica não contem enganos.
O problema é que também não adianta nada e pode conter uma falácia.
Ninguém pensa em abstracto- pensa-se acerca de alguma coisa. Existem 3 termos onde ele achou que existiam apenas 2.
Ou melhor- o primeiro é desdobrável, não é indivisível, como teria de ser, do ponto de vista lógico, para a afirmação ser absolutamente verdadeira.
O que não entra aqui é Damásio em parte alguma.
e eu nem sei como é que um tipo com responsabilidades tem o atrevimento de publicar um livro a achar que está a desmontar o erro de Descartes quando nem a questão conseguiu entender.
Não sei como é mas, para mim, estas questões eram fáceis de entender- ou pelo menos interessava-me por elas, aos 15 anos.
As pessoas têm formas de pensar diferentes.
A Filosofia necessita de vocação para ser entendida.
Obriga a olhar de alto, a não se deixar prender pelo comezinho e acessório.
Suponho que o pensamento matemático também funciona assim mas o filosófico é mais abrangente.
É absolutamente impossível formular questões filosóficas preso a realidadezinhas do dia a dia. Tem de haver um gosto por abstracção muito grande.
Mas isso nem é filosofia. No mínimo é comprender um pouco do que trata.
Filósofo é ser-se sábio. É sabedoria. E também não existe sabedoria de telejornal e de coisas básicas do dia a dia.
São súmulas do mundo e do saber.
Mas eu creio que não se entende filosofia sem mestre.
Não é algo em que se possa ser auto-didacta.
Acho eu.
É um luxo mental. Não serve para nada.
Claro que um cientoino ideológico que vive a pensar em esquemas para terem uso no mundo, nunca conseguiria sequer aproximar-se de um pensamento gratuito.
Zazie,
Leia o livro do Damásio, já deve estar em saldo :-)
Joaquim
Aoas anos que li essa treta.
V. não enxerga a besteira?
Não entendeu o que eu expliquei?
Não percebe que o facto de existir ligação entre emisférios e o que se pensa ter a ver com sentidos- as duas coisas estarem ligadas, em nada invalida a questão filosoófica.
Acha que os filósofos são retardados mentais?
Não percebe que a questão filosófica que já tinha sido colocada por Platão e Aristóteles é literalmente isso- do ponto de vista teorético, como explicar a ligação do conhecimento sensitivo com a formulação meramente abstracta.
Claro que o Descartes sabia que há ligação entre sensações e mente.
ou porque é que pensa que ele tentou formular a questão por via dos "espíritos animais".
V.s até falam disso em economia- e v. é tão tolo que nem percebe que os"espiritos animais" foram inventados por Descartes para tentar perceber como a sensação se relaciona com a mente.
hemisférios.
Faz-me confusão esta cena única dos portugueses se acharem preparados para mandar bitaites acerca de tudo, sem precisarem sequer de aprender nada.
é um fenómeno único.
Transformam tudo em poesia e acham-se todos génios com as explicações que mais ninguém consegiui dar em milénios de existência.
Esta fela de Filosofia como podia falar de culinária ou do preciosismo do ponto de arraiolos sem nunca ter cozinhado nem feito um bordado.
É especialista na famosa corrente filosófica do irracionalismo
AHAHAHAHAHAHAHA
Pena o Dragão estar retirado que já tinha havido fartote.
Tome lá umas titilâncias da paixão mercantil que também está a precisar de as acalmar
AHHAHAHAHA
http://www.cocanha.com/as-titilancias-da-paixao-mercantil/
Caro Joaquim, tenho acompanhado esta serie de posts com alguma distância mas sobre este, diria que ha que fazer a distinção entre o que Rand chama "rational egoism" e "egotism". Ja agora, o interesse da minha familia eh o meu, o da "tribo" nem por isso. Nessa medida, nenhum interesse, qualquer que seja esta acima do interesse da minha familia.
Abraço
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