Eu já falava em católicos e protestantes à V. há quase três horas, tantas quantas a V. tinha pé em solo português. Também já lhe tinha dito que uma das coisas que eu gostava na Alemanha era não haver limites de velocidade nas auto-estradas.
Nessa altura viajávamos pela A17 em direcção a Lisboa. Por alturas da Figueira da Foz, a 180 quilómetros por hora, chamei a atenção da V. para a beleza daquela auto-estrada, três faixas de rodagem, longos e belos viadutos, feita, em parte, com dinheiro da UE, isto é, dinheiro alemão. Era uma segunda auto-estrada Porto-Lisboa que segue paralela a outra, a principal - chamada A1 - situada 50 quilómetros mais para o interior.
"É uma auto-estrada de primeira categoria, e estamos a pensar construir uma terceira. Esta, como vês, só tem um problema - não tem carros".
Voltei aos católicos e protestantes e devia eu nessa altura estar a dar no Kant ou no Nietzshe ou no Marx, quando finalmente a V. me disse muito timidamente:
-A minha famíla é católica....
Eu respondi que aqui podia falar de religião à vontade, a religião era um tema público. Lá na Alemanha é que não, a religião era um assunto privado, porque falar de religião em público era um convite à conflitualidade e à violência. A V. acenou com a cabeça que sim.
1 comentário:
Que tanga... ainda no sábado fui levar a minha filha a uma festa de aniversário de uma menina católica alemã... feita na igreja protestante...
Nem se pode com tnta conflitualidade! --JRF
Enviar um comentário