09 setembro 2013

É um atributo comunitário

A razão é um atributo individual.
(Joaquim, em baixo, citando o Leonard Peikoff).

Claro que não é. É um atributo comunitário. Por exemplo, quando eu encontro uma pessoa que não conhecia, é racional que a cumprimente. Mas não fui eu que inventei este comportamento. Transmitiram-mo. A família, em primeiro lugar, mas também outras comunidades mais alargadas (igreja, escola, grupo de amigos, nação). Este comportamento racional pertence a todos, e não foi inventado por ninguém em particular - pertence à tradição. A razão está na tradição e é a comunidade que transporta a tradição.
Um homem que tivesse crescido e vivido sempre sozinho e desinserido de qualquer comunidade não teria razão, mas apenas instintos, como os animais.

9 comentários:

zazie disse...

Atenção ao sentido das palavras.

Razão. em sentido filosófico não é isso.

marina disse...

é a chamada consciência colectiva , muito forte nas comunidades , fraca nas sociedades complexas ao ponto de levar à anomia e à ruptura dos laços sociais . nada como o velhinho Durkheim para explicar estas coisas :)

Pedro Sá disse...

É no mínimo duvidoso que se possa chamar a isso comportamento racional, como a Zazie já deixou antever.

zazie disse...

Eles não sabem do que falam.

Querem contrapor conceitos filosóficos com palavras do senso comum ou noções de sociologia.

Não merece a pena.

Como diz o outro- "vós, ambos os dois, sois, sem dúvida, a maior anedota da blogosfera nacional"


":O)))))))

marina disse...

isto é razão prática , Zazie , a outra é contigo , eu passo :)

de qualquer das maneiras , até o desenvolvimento das capacidades cognitivas da criança depende da qualidade dos estímulos que recebe desde bebe lá na família dela.

zazie disse...

Não existe qualquer diferença entre Razão teórica e prática.

O sentido do conceito é o mesmo- segundo o Kant ela tem é um uso teorético e um uso prático.

Divisão que até foi copiada de Aristóteles.

Mas o conceito em causa é estritamente filosófico e a Filosofia não se interpreta por sociologia.

zazie disse...

Outra coisa- o que depende ou não depende de estímulos, em nada invalida o conceito de razão e o conceito de sentidos.

Enfim- acho que até na wikipédia se pode encontrar qualquer coisinha que explique.

zazie disse...

A questão vem de Kant que decidiu traduzir o Newton para a Filosofia.

A ideia era fazer do logos- da capacidade de entendimento- um sistema solar, com a Razão-científica ao centro, a partir da qual tudo dependeria.

O kant altera a tradição da noção de razão que era muito mais ampla desde os gregos, para lhe dar um sentido meramente científico com leis, como na Ciência da altura.

Portanto, ele diferencia o entendimento da Razão e considera Razão a capacidade superior de pensar conceitos que nem precisam de ser experimentados pelos sentidos.

Exemplo- Liberdade; Deus, Alma- não precisam de ser verificados pela experiência para serem pensados.

Ele postual a sua existência. Mas considera apenas passível de serem conhecidas as questões ou realidades que podem ser verificadas na prática.

Tal como na Ciência. Portanto, a razão para ele é uma capacidade unviersal- porque todos os seres humanos são dotados dela.

A forma de agir também tem de ser universal porque ele copia tudo da Ciência- não existem leis científicas do particular (excepto na minha querida patafísica).

A cena do inconsciente colectivo e outras não vem ao caso.

O que pode vir ao caso é a ideia de "conhecimento racional" do que nos transcende.

Assim como pode vir ao caso outras formas de atingir a realidade para além da lógica científica

zazie disse...

De todo o modo a herança kantiana perdura e qualquer um de v.s aprendeu na escola a ideia do que o que é racional só pode ser lógico e que não existe conhecimento daquilo que a razão desconhece.

V.s mesmos dizem que Deus não se pode conhecer, porque isso é fezada sem "explicação nem comprovação científica.

Ou seja- aplicam a noção de Razão kantiana no dia a dia.

A maluka da Rand fez o mesmo e esta treta nem tem ponta por onde se pegue.

São fósseis de imitação barata de filosofia.