- "é livre comprar e vender ouro"
Mas não é livre o seu uso como moeda com curso legal, tal como o € é moeda dentro da zona € e não o Usd. Seria necessário:
Poderem fixar-se preços e obrigações em contratos (incluíndo dívida) sem que possam ser resolvidos em substituição na moeda legal em curso, o €
Não estar sujeito a impostos (nomeadamente mais-valias) e poder ser usado para pagar impostos
- "seria incómodo usar ouro no dia a dia"
Nada impede a utilização de notas, contas correntes, cheques e cartões de débito e crédito. Já as existem de resto em parte (certificados de ouro físico, contas correntes)
- relembra-se aqui porque o ouro deixou de ser usado (caso americano), foi declarado a proibição do seu uso e a obrigação de entrega de todo o ouro físico contra Usd (a novo rácio - desvalorização), e assim, as pessoas deixaram de poder depositar ouro ou de solicitar o levantamento nos bancos:
"Ordem Executiva de Roosevelt de 5 de abril de 1933: Proibição do entesouramento de moedas de ouro, barras de ouro e Certificados de ouro.
Em virtude da autoridade investida em mim (...) Eu, Franklin D. Roosevelt, presidente dos Estados Unidos da América, declaro que ...
...ordem de proibir a acumulação de moeda de ouro, barras de ouro, e certificados de ouro dentro dos Estados Unidos continentais por indivíduos, sociedades, associações e corporações e decide prescrever as seguintes normas para a realização dos fins da ordem: (...)
Todas as pessoas ficam obrigadas a entregar em ou antes de 01 de maio de 1933, a um Banco da Reserva Federal ou de um seu sucursal ou agência ou a qualquer banco membro do Sistema da Reserva Federal todas as moedas de ouro, barras de ouro, e de ouro certificados agora detida por eles ou entrar em sua propriedade em ou antes de 28 de abril de 1933 "
A pena: até 10 anos de prisão e/ou 10 000 Usd de multa
9 comentários:
Mas não responde à principal objecção que o Morgadinho da Cubata lhe fez logo:
Havendo notas e ouro em circulação, quem é que ia desfazer-se do ouro para comprar o mesmo que podia comprar com papel.
Tente responder a isto, apenas.
O resto é ao lado. O Roosevelt está morto e nunca foi português.
que interessa estar sempre a bater na mesma tecla quando não responde ao que é básico e do senso comum.
Como é que queria que se trocasse ouro por qualquer coisa quando se podia usar papel?
Quem é que preferia entesourar papel e usar o ouro para as compras?
Um maluquinho. Só um maluquinho.
Mas pronto, se quiser exemplificar comigo, na maior, eu vendo-lhe um telescópio e v. paga com ouro.
Por acaso vou mesmo vender o telescópio e faz sempre bem usar lentes, quando não se enxerga nem de perto, nem de longe.
Zazie
Se me vender um telescópio vai dizer: quer receber em x ouro. E eu posso perguntar, pode ser em €? E responde, se for em € quero n €.
Não está claro?
Desde que a relação entre o ouro e o € não esteja fixada, será indiferente pagar num ou outro.
O que não é indiferente é ter ouro ou € no longo prazo, aí o ouro será mais estável e portanto as pessoas aos poucos começam a utilizar o ouro.
Nada impede a utilização de notas, contas correntes, cheques e cartões de débito e crédito. Já as existem de resto em parte (certificados de ouro físico, contas correntes)
Isso são títulos (certificados) emitidos por bancos, que podem ser inflacionados.
Foi assim que a falsificação da moeda começou. As pessoas depositavam dinheiro num banco e recebiam em troca um certificado de depósito. Pouco a pouco os banqueiros começaram a conceder crédito sob a forma de certificados de depósito que não conrespondiam a dinheiro físico.
Portanto, na prática, o que o CN está a propôr é que o direito de inflacionar a moeda deixe de pertencer aos Estados e passe a ser concedido a bancos privados.
Ou seja, o que o CN nos está a propôr não é um padrão-ouro, é um padrão-cartão de crédito. Não nos está a propôr utilizar uma moeda cuja quantidade total é fixa, mas sim utilizar uma moeda cuja quantidade pode ser manipulada por um qualquer banqueiro desonesto.
E, como o CN bem sabe, não nos podemos fiar neste mundo na honestidade das pessoas.
Em suma, o CN está a viver num mundo ficcional, no qual os banqueiros seriam pessoas honestas que só dariam às pessoas cartões de débito ou crédito em troca de ouro físico.
Eu vou procurar explicar melhor.
No sistema Bretton-Woods havia um padrão-ouro. As pessoas no dia-a-dia utilizavam dólares para fazer as compras (noutros países que não os EUA utilizavam-se outras moedas, que eram convertíveis em dólares) e sabiam que cada dólar podia a qualquer momento ser convertido em ouro no Banco Central dos EUA.
O que aconteceu na prática? O Banco Central dos EUA foi desonesto, começou a emitir dólares aos quais não correspondia ouro físico. O padrão-ouro desapareceu devido à desonestidade do Banco Central dos EUA.
O que o CN nos está a propôr é um sistema semelhante, mas em que o Banco Central dos EUA seria substituído por uma qualquer banco privado a esquina da rua. Esse banco emitiria notas e moedas (e cartões de débito, etc) que, teoricamente, representavam ouro que estavam nos cofres do banco. Mas, na prática, à surrelfa, o banqueiro dono desse banco, para favorecer os amigalhaços, começaria a emitir notas e moedas sem cobertura em ouro, e a dá-las ou emprestá-las aos amigalhaços. Em breve o mercado estaria encharcado de notas e moedas sem qualquer contrapartida em ouro.
CN, o sistema que você nos propõe equivale a saltar da sertã para cair no fogo.
Antes a bitcoin!
Não. Não está nada clara.
Mesmo que houvesse equivalência entre n euros e n outro, eu preferiria sempre que me pagasse em ouro.
E. v.?
Preferia como?
«Portanto, na prática, o que o CN está a propôr é que o direito de inflacionar a moeda deixe de pertencer aos Estados e passe a ser concedido a bancos privados.»
Bruxo!
Aos anos que ele diz isso por portas travessas.
A ideia é literalmente essa: passar o ouro ao bandido e repetir a História até à FED e mais não sei quantos.
Porque é uma historieta americana. Nem é nossa.
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