«A doutrina social liberal, baseada
nos ensinamentos da ética utilitarista e da economia, vê o problema da
relação entre governo e governados de um ângulo diferente daquele do
universalismo e do colectivismo. O liberalismo entende que os
governantes, que são sempre uma minoria, não podem permanecer
indefinidamente no poder sem o apoio consentido da maioria dos
governados. Qualquer que seja o sistema de governo, a base sobre a qual é
construído e que o sustenta é sempre o entendimento dos governados de
que obedecer e ser leal a este governo serve melhor os seus próprios
interesses do que a insurreição e o estabelecimento de um novo regime. A
maioria tem o poder de rejeitar um governo impopular e usa este poder
quando se convence de que o seu bem estar assim o exige. (...) Para
preservar a paz social, o liberalismo é favorável ao governo
democrático. A democracia, portanto, não é precisamente o modo de evitar
revoluções e guerras civis, porque possibilita o ajustamento pacífico
do governo à vontade da maioria.. (...)
Nada
garante, evidentemente, que os eleitores confiem o poder ao candidato
mais competente. Mas nenhum outro sistema poderia oferecer tal
garantia.»
Ludwig von Mises, Acção Humana, 1949.
Alguns
liberais têm, modernamente, uma aversão violenta ao ideário
democrático. Dirão que falhou e que Mises, se soubesse o que hoje se sabe das experiências democráticas,
não teria escrito estas palavras. Não vejo as coisas assim. Alguns anos antes
de as escrever, a democracia elegera o senhor da fotografia abaixo. Nem
por isso, Mises deixou de defender a democracia.

5 comentários:
Sempre com a mesma conversa.
E, no entanto, a sociedade cada vez se desfaz, se liquefaz, se corrompe, se destrói. Todos os princípios básicos pelos quais viveu a humanidade questionados e automaticamente rejeitados, distorcidos, mutilados.
O belo substituído pelo grotesco. O justo pelo injusto. O bom pelo medíocre. A qualidade pela quantidade. O juízo pela "expressão". O bom-senso pela lei. A moral pelo capricho.
Foi em democracia que se arrasaram países inteiros. Que se assassinam homens pelo mundo fora sem julgamento. Que toda a gente é revistada como um criminoso antes de entrar num avião. Que as pessoas pagam as falências de bancos - é de bradar aos céus! DE BANCOS!
É em democracia que as pessoas pagam uma vida inteira para não terem reforma no fim. Em que os ladrões são protegidos, ao invés das vítimas. Em que o criminoso é presumido inocente e o cidadão comum é sempre suspeito.
Enfim, era até amanhã...
E para quê? Sim, para quê? Para termos o consolo e a masturbação mental de que o nosso papel no caixote é muito importante e vai fazer a diferença? Nota-se a diferença que faz...
O ajustamento pacífico diz ele... Vê-se o pacífico que é nas manifestações. Vê-se quão pacíficas foram as democracias para o pessoal no Iraque, Afeganistão, etc, etc.
Diz que já limparam um com um drone nos EUA. Ex-polícia. O mais difícil está feito. Agora é só, keep calm and carry on. Que boa a democracia!
E depois vêm acenar com o Hitler... Para meter medo. Como se os que o venceram não tivessem cometido as mesmas atrocidades e barbaridades que a ele lhe são imputadas. Como se Dresden, Hamburgo, Berlim, Hiroshima, Nagasaki, o vale do Ruhr, não tivessem existido. Como se em Nuremberga não se tivessem torturado prisioneiros por todas as formas e feitios. Tudo em nome da democracia e da liberdade!
Democracia! Ahaha. O Salazar era mais democrático a dormir que os democratas de hoje em dia acordados!
Excelente Mujahedin.
A verdade sempre em primeiro.
Hitler nao foi, propriamente, eleito. Hitler perdeu as eleicoes presidenciais e as legislativas que se seguiram nao foram livres, nem democraticas.
Hitler chegou ao poder porque os conservadores deixaram, assumindo que era a melhor forma de queimar a popularidade de Hitler.
A estrategia dos conservadores falhou, porque Hitler usou poderes extraordinarios e, mais uma vez, anti-democraticos, concedidos pelo presidente e com o opoio dos conservadores e do exercito, para executar a "Noite das Facas Longas" onde eliminou a oposicao interna (as SA, dirigidas pelo seu rival Rohm), os sindicatos, o partido Social Democrata e intimidou e subjugou o exercito.
Numa democracia normal, Hitler nunca teria chegado ao poder.
Um exemplo melhor, seriam os sucessivos Governos eleitos em Portugal, nos ultimos trinta anos, que fizeram a divida publica disparar para satisfazer a classe media dependente do Estado.
Numa democracia "normal", Hitler teria chegado ao poder ainda mais rápido.
Os conservadores alemães eram uma treta. Estavam subjugados pelos marxistas. Não se podiam reunir sem que os comunas lá fossem partir aquilo tudo.
Hitler manobrou (bem) na política, mas quem não manobra? O facto é que o NSDAP conquistou as massas. E não foi aos conservadores, foi aos marxistas.
Hitler afirma-o claramente e nunca escondeu o desprezo que tinha pelos conservadores panhonhas que não sabiam/queriam/podiam oferecer resistência às tácticas intimidatórias da comunagem.
Na ideia dele (assim ele o afirma), o sucesso do NSDAP seria conquistar o apoio das massas predominantemente marxistas. Os conservadores viriam a correr atrás. Não se enganou.
E é por isso que ele é tão odiado: porque foi o mais bem sucedido em adoptar o método propagandístico esquerdista contra a própria esquerda, mas para passar a ideia nacionalista. O raciocínio seria mais ou menos este: ele sabia que a maioria das pessoas eram nacionalistas, mas a propaganda esquerdista era muito forte, obtinha resultados. Então ele adoptou-a. E jogada foi esta: a partir do momento em que estivesse em pé de igualdade propagandístico, as ideias dele prevaleceriam. Não se enganou.
Ele fez o que poucos tinham (e têm) coragem de fazer: enfrentar os marxistas e comunistas de igual para igual. Em vez de fugir e deixar que a esquerda dispersasse os seus meetings, oferecia-lhes resistência. Demonstrava que o NSDAP era tão vigoroso como a esquerda e que não se deixava calcar. Não tolerava que sabotassem os comícios. Chamavam os lobos a si e batiam-nos. E foi assim que o NSDAP cresceu: à custa da esquerda. À custa dos tipos que os comunas lhes enviavam. Tanto que a páginas tantas, a orientação da esquerda mudou: deixar de ir aos encontros nacional-socialistas. Porque quantos mais mandavam, mais perdiam.
Claro que agora inventam desculpas e excepções e não sei quê. Que a democracia não era verdadeira, que isto e que aquilo: treta. Era tão verdadeira como qualquer outra hoje em dia. Democracia é populismo. E, como tal, dêem-se as voltas que se derem, os que apelarem melhor à maioria, seja de que maneira for, ganham. Foi o que ele fez.
E os comunas odeiam-no por isso. Porque ele ganhou-lhes no seu próprio jogo. Mais nada.
O resto das pessoas odeiam-no porque foi vencido. Se tivesse ganho, andava tudo aqui a acenar com o Estaline como o Diabo em pessoa, é o que é. Ou talvez até com Churchill ou Roosevelt, cujo sangue nas mãos não é menos que o do Hitler. Falar-se-ia em Holodomor em vez de Holocausto.
Uma coisa seria, talvez, diferente: a Europa não estaria de rastos como hoje.
E o Mija andava feliz.
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