15 fevereiro 2013

lei de Gresham

A lei de Gresham que diz mais ou menos que "A má moeda tende a expulsar do mercado a boa moeda" é erradamente interpretada contribuindo para muitos mal entendidos. E depois até é usada para aplicar a análises sociais, políticas, etc.

A má moeda expulsa mesmo a boa moeda quando o legislador fixa o valor da má moeda artificialmente acima do seu valor de mercado.

Nesta situação, claro que quem tem de pagar, deseja pagar numa moeda cujo valor está inflacionado pela lei, e receber na que tem verdadeiro valor. Não exista qualquer fixação de valor ou rácio entre moedas e nada neste momento concorre para fazer desaparecer a boa moeda.

Um exemplo clássico dava-se nos sistema bimetálicos de ouro e prata onde se fixavam valores fixos entre estes para efeitos de pagamento de obrigações, do género, é  equivalente pagar contratos ou impostos num rácio fixado legalmente de 14:1.

Se com essa fixação a prata resulta sobrevalorizada, o ouro acabava a desaparecer do mercado porque as pessoas o guardavam para si em vez de efectuar pagamentos com ela.

Outro exemplo clássico dava-se quando os estados começavam (e sempre o fizeram) a adulterar a pureza das moedas (a primeira forma de inflação conhecida) e depois tentavam pela força da lei que esta fosse trocada no mercado com o mesmo valor do que antes de ser adulterada. isso fazia desaparecer as antigas moedas que ainda continham a mesma pureza anterior.

Outra objecção é porque, se em concorrência aberta circulasse ouro e €, iriam as pessoas pagar em ouro se podem pagar em papel-moeda €?

Como dito atrás, caso não exista qualquer rácio legal aplicado entre duas moedas, e não existe nenhuma razão para uma moeda desaparecer. Neste caso, o ouro seria crescentemente utilizado em contratos e para fixar preços e assim sendo, teriam de ser liquidados, nesses contratos e preços, em ouro e não em €. Seria a parte da economia que necessite de mais estabilidade monetária que começaria a exigir aos poucos a sua utilização.

Na verdade, a verdadeira lei é que "em livre circulação, a boa moeda tende a expulsar do mercado a má moeda".

3 comentários:

Anónimo disse...

Pois, por definicao, se se impoe curso legal de duas moedas, quer dizer, aceitacao obrigatoria de uma ou de outra, a moeda má expulsa a boa.
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E isso, curso legal, é fundamental. Nao pode um governo dizer que os bens se podem pagar com ouro e com papel-moeda e depois os agentes só aceitarem a de ouro. Curso legal é exactamente para tornar obrigatoria a aceitacao de uma moeda.
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Em todo caso, mesmo q nao houvesse obrigatoriedade em aceitar como meio de pagamento uma das moedas, portanto sem curso legal, estou convencido de que as transacoes se fariam pela moeda-papel.
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A comecar no proprio estado que pagaria aos seus funcionarios com... Papel moeda. Por arrasto os comerciantes tinham de aceitar... Papel-moeda. E se mais nao for, os empresarios privados pagariam os salarios em... Papel moeda. Talvez um punhado deles, os funcionarios de excelencia pudessem negociar em moedas de ouro, mas nao seria a regra, seria a excepcao.
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Olhe, eu pagaria sempre com papel-moeda. E teria de aceitar receber dos meus clientes em papel moeda.
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Rb

CN disse...

"Pois, por definicao, se se impoe curso legal de duas moedas, quer dizer, aceitacao obrigatoria de uma ou de outra, a moeda má expulsa a boa. "


Não expulsa nada a boa Só se fixarem o valor entre elas.

CN disse...

Falo de Hayek como economista puro.